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quinta-feira, 28 de junho de 2012

‘Ecos’ de Fukushima: Pescadores japoneses de região atingida por desastre nuclear ainda vivem com medo



Polvos são descarregados no porto que serve Soma, no Japão. A pesca na região foi retomada perto da usina nuclear de Fukushima, mas a reação dos consumidores é uma grande questão para a indústria. Foto de Kosuke Okahara / The New York TimesPolvos são descarregados no porto que serve Soma, no Japão. A pesca na região foi retomada perto da usina nuclear de Fukushima, mas a reação dos consumidores é uma grande questão para a indústria. Foto de Kosuke Okahara / The New York Times
O pescado capturado por seis pequenos barcos pesqueiros, os primeiros a retomarem a atividade da pesca comercial nas águas ao largo de Fukushima após a catástrofe nuclear do ano passado, foi colocado à venda em supermercados locais nesta semana, gerando esperanças e preocupações em uma região que procura retornar a um ritmo de vida normal. Matéria de Hiroko Tabuchi, The New York Times, no UOL Notícias.
Por ora, esse pescado consiste apenas de polvo e whelk, um tipo de caramujo marinho, já que os especialistas acreditam que essas espécies são as que menos acumulam partículas radioativas nos seus organismos. Mesmo assim, os moradores locais dizem que isso se constitui em um marco para a recuperação de uma fonte vital de alimentos e de empregos na região.
“Os últimos 12 meses foram longos e difíceis, mas o fato é que eu jamais desisti de ser pescador”, afirmou Toru Takahashi, 57, antes de sair para o alto-mar no sábado passado, em Matsukawa, que fica cerca de 50 quilômetros a norte do acidentado reator nuclear de Fukushima Daiichi.
Mas a esperança dos pescadores de voltar a trabalhar nas águas em que eles pescam há décadas está gerando intranquilidade por toda parte. Os especialistas afirmam que os efeitos do desastre sobre o oceano ainda não foram completamente entendidos.
Horas antes da saída dos barcos, o governo federal proibiu estabanadamente os pescadores de comercializar 36 tipos de pescado, permitindo apenas a venda de polvo e whelk. Até então, não havia nenhuma proibição explícita da pesca perto de Fukushima, já que os pescadores da região haviam suspendido voluntariamente a sua atividade após o tsunami e o desastre nuclear. Em troca dessa iniciativa, eles receberam cerca de US$ 125 milhões da operadora da usina nuclear, a Tokyo Electric Power.
“Nós não nos opomos à retomada da pesca pelos pescadores de Fukushima, caso eles possam comprovar que o pescado que estão capturando não contém níveis elevados de radiação”, diz Yasunobu Matsui, um funcionário federal do setor de fiscalização alimentar. “O que nós não queremos é que eles cometam um erro e capturem espécies que não estão liberadas para a pesca”.
O Japão ainda está sofrendo os efeitos do derretimento de reatores e outros problemas ocorridos na usina nuclear, que provocaram o maior vazamento acidental de material radioativo no mar já registrado. O nível de césio radioativo ao largo da costa atingiu um máximo de 100 mil becquerels por metro cúbico no início de abril – o que é cerca de 100 vezes superior ao nível que foi detectado no Mar Negro após o desastre de Chernobyl em 1986, segundo um estudo conduzido pela Instituição Oceanográfica Woods Hole, em Massachusetts.
Segundo Matsui, ninguém sabe ao certo o que isso significa para a vida marinha. Fora da área que circunda a usina nuclear, a radiação é muito difusa para representar um risco imediato à saúde humana, mas os especialistas temem que o material radioativo se acumule na cadeia alimentar marinha.
Os níveis de radiação em certas espécies de peixe excedem o limite máximo estabelecido pelo governo, que é de 100 becquerels por quilograma. Uma espécie de peixe de fundo apresentava em abril um nível de contaminação radioativa de 690 becquerels por quilograma. Mas outras espécies marinhas exibem níveis de radiação insignificantes, incluindo os polvos e caramujos marinhos capturados pelos pescadores de Soma.
“Considerando que o Japão apresenta o maior índice de consumo de pescado do mundo, é importante que entendamos a questão da concentração e da assimilação de material radioativo na biota marinha”, afirmou Ken Buesseler, um químico marinho que chefiou o estudo conduzido pela Instituição Oceanográfica Woods Hole, em um artigo publicado no outono do ano passado no periódico “Environmental Science and Technology”.
Os pescadores de Fukushima estão desesperados para voltarem a trabalhar. Takahashi, o pescador, que perdeu a sua velha traineira durante o tsunami, diz que trabalhou o ano inteiro para comprar outro barco pesqueiro, o Myojinmaru.
No sábado passado, os tripulantes do Myojinmaru e de outros cinco barcos escolheram um local a 50 quilômetros da costa, onde acredita-se que a radioatividade esteja adequadamente diluída. Eles retornaram 15 horas depois para comercializar cestos contendo polvos e caramujos marinhos em um mercado de peixes de Soma que encontra-se praticamente em ruínas. Grande parte do telhado do mercado foi arrancada pelo tsunami. Os testes conduzidos pelas autoridades governamentais não detectaram radiação no pescado trazido por eles.
Fusayuki Nambu, diretor da cooperativa de pesca de Soma-Futaba, disse que haverá outra pescaria nesta quarta-feira (27), e que, depois disso, as autoridades divulgarão planos mais detalhados para a retomada da atividade pesqueira.
“Nós ainda estamos com medo, já que não existe nenhuma garantia de que alguém voltará algum dia a comprar peixes vindos de Fukushima”, disse ele. “Mas nós não podemos ficar de braços cruzados para sempre”.
Não se sabe se uma população que está temerosa quanto à radiação em geral terá confiança no pescado oriundo de Fukushima. Muitos japoneses não acreditam nas declarações tranquilizadoras do governo sobre os resultados dos testes, e a Tokyo Electric fez com que as pessoas ficassem ainda mais suspeitosas ao recusar-se a permitir que especialistas independentes analisassem as águas na zona de exclusão de cerca de 20 quilômetros em torno da usina.
“Eu não creio que atualmente alguém mentisse sobre os níveis de radiação, mas quem decidirá de fato será o consumidor”, diz Yoshiaki Saito, vendedor de atum, caranguejo e outros pescados no Mercado de Peixe Tsukiji, em Tóquio. Ele diz que, na pior das hipóteses, o pescado oriundo das redondezas de Fukushima será vendido por um preço menor.
Até mesmo em Soma, onde muitos comerciantes simpatizam como os pescadores da cidade e entendem os problemas que estes estão enfrentando, muita gente não permite que os filhos e netos comam pescados da região.
“Eu comeria qualquer coisa que eles pescassem, mas, em relação a Minami, é diferente”, explica Yasuo Yoshizawa, 63, referindo-se à sua neta de oito anos de idade. “Eu quero que a indústria pesqueira volte a prosperar, mas a saúde dos nossos filhos e netos é mais importante do que isso”.
A usina nuclear ainda deixa escapar água contaminada. Segundo a Tokyo Electric, aproximadamente 12 toneladas de água contendo estrôncio radioativo vazaram da instalação em abril. E a chuva que cai sobre a área transporta césio radioativo para os rios locais que desaguam no mar. Segundo o estudo, traços de césio já foram encontrados em pelo menos uma espécie de alto-mar, o atum de barbatana azul do Pacífico.
“A verdade é que ainda é muito cedo para dizer até que ponto o mar, ou a vida marinha, foi contaminado”, diz Yosuke Yamashiki, professor de engenharia ambiental da Universidade de Kyoto. “E o problema ainda não acabou. Substâncias radioativas poderão continuar indo parar no oceano durante algum tempo, talvez até mesmo durante anos”.
Para a indústria pesqueira de Fukushima, o desastre nuclear só fez acelerar um longo declínio, e alguns pescadores dizem não ousar retomar o trabalho até que mais espécies exibam níveis de radiação menores mais perto da costa.
“É claro que nós estamos desesperados para voltar a pescar”, diz Kazunori Yoshida, da cooperativa de pesca de Iwaki, ao sul da usina nuclear. “Só que isso ainda não é seguro”.
* Hisaki Ueno, em Tóquio, contribuiu para esta matéria.
Tradutor: UOL
EcoDebate, 28/06/2012
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Fertilizante com dejeto suíno pode levar toxicidade a solos


Os dejetos de suínos utilizados como fertilizante agrícola podem apresentar toxicidade para a fauna que habita o solo (edáfica). O trabalho da zootecnista Júlia Corá Segat realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, avaliou o potencial toxicológico dos dejetos em solos de Santa Catarina, utilizando como ferramenta a ecotoxicologia terrestre, que mede os efeitos na letalidade, reprodução, desenvolvimento e comportamento dos seres vivos existentes no solo. O estudo de mestrado aponta a importância da utilização de solos naturais de diferentes texturas e de diferentes organismos na avaliação de toxicidade.
Criação de suínos gera aporte de dejetos, usados como fertilizante, nos solos

A zootecnista avaliou por meio de testes ecotoxicológicos os efeitos de doses crescentes de dejeto de suínos — 0, 25, 50, 75 e 100 metros cúbicos por hectare (m3 ha-1), baseando-se na recomendação da legislação catarinense para esse resíduo (50 m3 ha-1). Em diferentes tipos de solo (Argissolo Vermelho Eutrófico, Latossolo Vermelho Distrófico, Neossolo Quartzarênico e Solo Artificial Tropical) avaliou-se a sobrevivência, a reprodução e o comportamento de minhocas (Eisenia andrei) e colêmbolos (Folsomia candida), uma espécie de inseto, a partir de metodologias padronizadas internacionalmente.
“Os resultados das avaliações com minhocas mostraram que no Neossolo Quartzarênico a toxicidade do dejeto causou letalidade a 100% dos animais nas duas maiores doses testadas”, conta Julia. Para os testes avaliando o potencial reprodutivo, as doses testadas em Neossolo Quartzarênico tiveram efeitos negativos em minhocas, mas nos outros solos não ocorreu efeito perceptível.
Os resultados obtidos para testes em colêmbolos mostraram toxicidade em todas as doses testadas, causando letalidade significativa na menor dose de dejeto aplicada e, baseado nessa resposta, doses menores foram usadas para avaliar o efeito crônico e comportamental (0, 10, 15, 20 e 25 m3 ha-1). As doses usadas para o teste de reprodução causaram redução no número de juvenis gerados em todos os solos testados. “No teste de comportamento foi observada fuga dos organismos do solo tratado com as duas maiores doses de dejeto de suínos”, ressalta a pesquisadora.
Ecotoxicologia terrestre
De acordo com a zootecnista, a ecotoxicologia terrestre é utilizada para avaliar efeitos de substâncias que, quando adicionadas aos solos, causam impactos em organismos, mensurando as respostas de alterações na taxa de letalidade, reprodução, desenvolvimento e comportamento de organismos edáficos padronizados. “No Brasil a ecotoxicologia terrestre é uma ferramenta nova e pouco utilizada, que vem sendo aos poucos implantada no país, em alguns centros de pesquisa. Já na Europa é amplamente usada e até obrigatória para indicar a toxicidade de resíduos que possam ter como destino os solos”, explica a pesquisadora.
Júlia enfatiza a necessidade de desenvolver estudos utilizando a ecotoxicologia terrestre como ferramenta de avaliação por apresentar respostas rápidas e confiáveis sobre a toxicidade de substâncias incorporadas a solos. “Os resultados dessas avaliações também servem de subsídios para estabelecer valores limites de aplicação de resíduos em solos”, destaca.
O trabalho, apresentado no programa de Pós-graduação de Solos e Nutrição de Plantas da Esalq, teve o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A orientadora foi a professora Elke Jurandy Bran Nogueira Cardoso, do Departamento de Ciência do Solo (LSO) da Esalq.
O Brasil ocupa atualmente a quarta posição entre os produtores mundiais de carne suína e o estado de Santa Catarina é responsável por 25% desta produção. Nesse estado brasileiro, a intensificação da produção em pequena área territorial gera um grande aporte anual de dejetos de suínos por unidade de área agrícola. Isso porque a alternativa mais utilizada para descarte desses resíduos é a sua aplicação como fertilizante agrícola, prática que tem gerado um dos maiores problemas de poluição ambiental e de impacto nos organismos que habitam os solos (edáficos), especialmente na região Oeste Catarinense.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Mais informações: e-mail juliasegat@yahoo.com.br, com  Júlia Corá Segat
Matéria de Caio Albuquerque, da Assessoria de Comunicação da Esalq, com a Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 28/06/2012
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Bhopal, Índia: Lixo tóxico começa a ser retirado após 28 anos de acidente químico



Restos da antiga fábrica da Union Carbide em Bhopal, na Índia. Foto: SIMONE KAISER / DER SPIEGELRestos da antiga fábrica da Union Carbide em Bhopal, na Índia. Foto: SIMONE KAISER / DER SPIEGEL
O desastre de Bhopal, em 1984, foi um dos piores acidentes industriais da história. Mas, quase três décadas depois, resíduos tóxicos ainda continuam armazenados no local em condições precárias. Agora, uma agência governamental alemã transportará para a Alemanha centenas de toneladas desses produtos prejudiciais à saúde a fim de destruí-los. Matéria de Simone Kaiser, Der Spiegel, no UOL Notícias.
Tonéis metálicos oxidados contendo um pó escuro estão armazenados em um depósito no local em que ficava a antiga fábrica da Union Carbide em Bhopal, na Índia. Terra e areia vazam de sacos de plástico velhos empilhados em um canto do depósito. Os tonéis contêm materiais tóxicos, mas eles não possuem tampas e não se encontram dentro nenhum outro tipo de caixa ou invólucro. Qualquer criança das favelas vizinhas poderia quebrar o precário cadeado colocado no portão de entrada. Isso é um exemplo típico de armazenamento de material tóxico no estilo indiano.
Mas agora especialistas alemães desejam limpar o local.
Na noite de 2 de dezembro de 1984, um dos maiores acidentes químicos já registrados na história ocorreu na cidade indiana de Bhopal. Uma fábrica da companhia de produtos químicos norte-americana Union Carbide, que atualmente pertence à Dow Chemical, produzia na fábrica de Bhopal um inseticida chamado Sevin. A ideia era que a fábrica gerasse empregos e prosperidade para a capital de Madhya Pradesh, um Estado predominantemente agrícola localizado na região central da Índia, e cujo território é um pouco maior do que o da Itália.
No entanto, o que a fábrica acabou trazendo foram mortes para os moradores de Bhopal. Várias dezenas de toneladas de isocianato de metila, um produto químico extremamente tóxico, vazaram de um tanque naquela noite, produzindo uma nuvem de gás letal que se disseminou na cidade. Os especialistas acreditam que o acidente tenha provocado até 30 mil mortes, embora o número exato de fatalidades, especialmente nas favelas adjacentes à fábrica, jamais tenha sido determinado.
Atualmente a população de Bhopal ainda convive com as consequências da nuvem de gás e ainda luta para obter indenização. Foi necessário um decreto do supremo tribunal da Índia para que o lixo tóxico pudesse finalmente ser removido. O parceiro encontrado pelos indianos para realizar a tarefa foi a Sociedade Alemã para Cooperação Internacional, uma agência governamental que fornece serviços voltados para a área de desenvolvimento sustentável.
Cerca de duas semanas atrás, quase 28 anos após o acidente, um grupo de ministros em Nova Déli decidiu autorizar que técnicos alemães ficassem encarregados da limpeza do lixo tóxico de Bhopal. “Der Spiegel” obteve o texto da exposição de motivos que foi usada como base para que se chegasse a essa decisão. Ela explica detalhadamente como a International Services, uma subsidiária da Sociedade Alemã para Cooperação Internacional, transportará cerca de 350 toneladas de resíduos tóxicos para a Alemanha para que o material seja destruído.
Uma carta enviada em fevereiro pela Sociedade Alemã para Cooperação Internacional ao ministério responsável pela questão em Bhopal menciona a destruição do lixo tóxico “em um incinerador em Hamburgo”. Mas, segundo funcionários da sociedade, essa informação está incorreta, já que o contrato para a incineração será firmado com qualquer companhia europeia que vença a licitação que será aberta para isso, mas só após a assinatura do acordo entre a Alemanha e a Índia.
Fábrica fantasma
O local em que ficavam as antigas instalações da companhia em Bhopal, com os seus tanques oxidados e construções em ruínas, lembra uma fábrica fantasma. Uma placa na antiga sala de controle de operações diz: “A segurança é uma responsabilidade de todos”. Cães sem dono buscam locais sombreados entre as ruínas do prédio do laboratório. Garrafas empoeiradas e frascos contendo substâncias como benzeno, hidróxido de potássio e diclorometano podem ser vistas sobre as bancadas do laboratório. Ninguém sabe dizer exatamente quais substâncias tóxicas foram enterradas no local após o desastre.
O Ministério Federal da Alemanha para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento, ao qual a Sociedade Alemã para Cooperação Internacional está subordinada, já aprovou o projeto. A Sociedade Alemã para Cooperação Internacional está com o modelo de contrato que foi enviado na semana passada ao governo indiano. A questão mais problemática é determinar quem assumirá os riscos e os custos relativos a possíveis acidentes de transporte ocorridos em solo alemão.
Segundo a proposta apresentada pela Sociedade Alemã para Cooperação Internacional, “o proprietário atual continua sendo responsável pelos resíduos até que estes sejam destruídos”. Também é exigido um seguro junto a um banco, para a eventualidade de haver algum problema durante o transporte até o incinerador.
A eliminação do lixo tóxico de Bhopal na Alemanha, a cerca de 6.500 quilômetros de distância, custará ao contribuinte indiano aproximadamente 3,4 milhões de euros (US$ 4,25 milhões). “Nós não poderíamos ter encontrado um melhor parceiro do que os alemães”, afirma o ministro estadual de Desenvolvimento Urbano, Babulal Gaur, 62, responsável pela assistência às vítimas do gás e ex-primeiro-ministro de Madhya Pradesh.
Gaur preferiria que a destruição do material ocorresse na Índia. “Eu segurei uma amostra dos resíduos com as minhas próprias mãos. O material perdeu a sua toxidade há muito tempo”, diz o ministro, minimizando o perigo representado pelo lixo tóxico. Mas todos os Estados indianos que eram candidatos para o reprocessamento do material acabaram recusando-se a receber o lixo tóxico.
“Resíduos problemáticos”
Segundo especialistas alemães em eliminação de resíduos tóxicos, o temor manifestado pelos Estados indianos é compreensível. De acordo com o relatório da Sociedade Alemã para Cooperação Internacional, o material – que supostamente consiste de solo contaminado com pesticidas que não tiveram nenhuma ligação direta com o acidente de 1984 – ainda contém “resíduos problemáticos” de cloro, mercúrio e metais pesados.
Os técnicos alemães acreditam que o projeto Bhopal poderá ser concluído em um ano. O lixo tóxico, que ainda se encontra na fábrica abandonada em toneis e outros recipientes abertos, será coletado por trabalhadores que usarão vestes de proteção e máscaras contra gases. A seguir, o material recolhido será colocado em contêineres lacrados e enviado de avião para a Alemanha, de preferência nos meses mais frios entre outubro e março.
“As 350 toneladas de material tóxico que nós pretendemos destruir são apenas a ponta do iceberg”, argumenta Hans-Hermann Dube, o diretor da representação da International Services no sul da Ásia, cuja sede fica na capital indiana. Dube observa que na verdade as instalações inteiras da antiga fábrica da Union Carbide se constituem em material tóxico que deveria ser removido. Os problemas referentes à contaminação de lençóis freáticos, algo que ainda afeta os moradores atuais de Bhopal, é outro problema específico. “No longo prazo, a Índia precisará contar com as suas próprias instalações para a eliminação de produtos químicos e outros materiais tóxicos no próprio país e de uma forma ecologicamente correta”, diz Dube.
Faces distorcidas
A questão real é determinar por que demorou quase 28 anos para que a questão da eliminação dos resíduos tóxicos fosse encarada com seriedade na Índia. “Corrupção, ignorância, incompetência – os motivos são muitos”, afirma Rachna Dhingra, 35, que integra uma organização para a defesa dos direitos das vítimas de Bhopal. “Os políticos usam máscaras quando falam conosco”, diz o sobrevivente Abdul Jabbar Khan.
Este muçulmano de 57 anos de idade, que perdeu cerca de 60% da visão devido ao acidente de Bhopal, olha para uma caixa que contém os medicamentos que precisa tomar diariamente. No passado Khan organizou passeatas de protesto, e hoje em dia ele mostra-se indignado diante da indiferença manifestada pelas autoridades. Grandes fotos em preto e branco, com imagens detalhadas das vítimas do desastre de 1984, estão dependuradas na parede ao lado da sua mesa de trabalho improvisada. Elas mostram corpos retorcidos pelos estertores da morte e as faces distorcidas das vítimas, com as bocas abertas, como se fossem peixes ofegantes.
Khan considera “pura propaganda” a notícia de que o restante do lixo tóxico será finalmente removido de Bhopal. Ele teme que isso seja apenas um complô com o objetivo de silenciar as vítimas de uma vez por todas. Mas Khan recusa-se a se deixar silenciar. “Eu não farei este favor a eles”, promete Khan.
Tradutor: UOL
EcoDebate, 28/06/2012
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Cisterna sai do sertão nordestino e vai para a favela


Modelo da cisterna de placa
Modelo da cisterna de placa
A sertaneja Lindinalva Martins e o pedreiro Eduardo Cavalcanti: oito dias para cavar o buraco e mais cinco para construir artesanalmente a cisterna
A sertaneja Lindinalva Martins, 27 anos, aprendeu a conviver com a seca que neste ano mais uma vez castiga a zona rural de Mossoró (RN). Em junho, viajou 277 km até a capital potiguar e de lá voou para o Rio de Janeiro, quando percebeu que a resiliência da vida severina tem valor inclusive para quem mora no frescor da Mata Atlântica bem longe do semiárido. No alto de um dos morros próximos ao Complexo do Alemão, no bairro Engenho da Rainha, ela encontrou o pedreiro Eduardo Cavalcanti, 28 anos. A missão: ensiná-lo a construir cisternas que acumulam água da chuva, transferindo para as favelas cariocas a tecnologia de adaptação às adversidades do clima que está dando certo no sertão. Matéria no Valor Econômico, socializada pelo ClippingMP.
A diferença é que, nas encostas densamente povoadas do Rio de Janeiro, a nova água servirá para irrigar hortas comunitárias e projetos de reflorestamento para conter deslizamentos – e não para matar a sede, como no assentamento Barreira Vermelha, onde mora Lindinalva. “Antes das cisternas, caminhávamos horas diariamente para encher tonéis nos açudes e trazê-los no lombo do jumento”, recorda. Hoje cada família tem nos quintais uma reserva de 16 mil litros, provenientes das chuvas irregulares na região. Não se sabe até quando os estoques durarão na estiagem atual, que só tem previsão de amainar a partir de outubro. “A solução é ir cada vez mais longe para conseguir abastecimento no chafariz de adutoras”, diz.
No Rio de Janeiro, foram oito dias para cavar o buraco e mais cinco para construir artesanalmente a cisterna, na comunidade Sérgio Silva, onde há um projeto agroflorestal de 1,5 mil metros quadrados para produção de alimento e ervas medicinais, além do plantio de mudas nativas. “É uma dificuldade para a água encanada da companhia de abastecimento chegar no alto da favela, principalmente nas épocas de calor, quando o consumo na cidade é maior”, justifica Eduardo. Ele conta que muitas vezes a saída é a ligação clandestina para a distribuição através de bombeamento feito pelos moradores, sem vazão suficiente para irrigar plantios – apenas abastecer torneiras.
Uma segunda cisterna começou a ser construída na vizinhança, também na Serra da Misericórdia, onde existem mais de cem comunidades. “A região é a última área verde da Zona Norte da capital e apresenta quadro avançado de degradação, sendo necessário um processo de resiliência para a adaptação mais rápida às mudanças no clima”, adverte Edson Gomes, diretor da ONG Verdejar. “A ideia é fazer a comunidade se apropriar e replicar a tecnologia das cisternas”, diz Claiton Mello, diretor da Fundação Banco do Brasil, que apoia o projeto. No Nordeste, a entidade auxiliou a construção de 60 mil cisternas, ao custo de R$ 2.080 cada.
“Mais que a obra propriamente dita, o importante é o modelo que envolve qualificação, participação social e mobilização das comunidades”, ressalva Naidson Baptista, da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA). Desde 2004, a organização construiu 410 mil cisternas com apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e patrocínio de entidades privadas, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Fundação Pepsico. No total, foram investidos até o momento R$ 750 milhões, com meta de atingir 750 mil cisternas até 2014, reduzindo a dependência da população em relação aos carros-pipa e à manipulação política da chamada “indústria da seca”. O desafio, segundo Baptista, não é combater a seca, mas “permitir a convivência com ela”.
“A estratégia é desenvolver sistema produtivo de referência que torna o agricultor familiar mais resiliente às mudanças climáticas”, acrescenta Daniele Cesano, da Rede de Desenvolvimento Humano. “O modelo não pode ser paliativo, mas estruturante, capaz de inspirar planos de contingência para o enfrentamento de secas”, ressalta. No projeto Adapta Sertão, a entidade mobilizou 60 produtores no município de Pintadas (BA), no vale do rio Jacuípe, para a produção de ração animal armazenada em silos como reserva, cultivos de subsistência em sistemas agroflorestais e organização em cooperativas para garantia de assistência técnica e microcrédito. Foi instalada uma fábrica de polpa de frutas nativas da caatinga e estão em testes sistemas para dessalinização de água subterrânea, que é salobra em grande parte do semiárido. “O projeto piloto, previsto para terminar neste ano, está se transformando em política pública e será replicado na região na forma de planos de contingência”, revela Cesano.
Estudo da Coppe/UFRJ indica que as chuvas no Nordeste tendem a diminuir entre 2 e 2,5 mm/dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os Estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreio de bovinos de corte, o que poderá forçar o retrocesso à pecuária de baixo rendimento. A vazão dos rios, diz a pesquisa, diminuiria em média até 90% entre 2070 e 2100. “É preciso correr, ir mais rápido que os impactos do clima”, conclui Cesano.
EcoDebate, 28/06/2012
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Restauração da Mata Atlântica é possível, mas precisa ser monitorada, conclui tese


Estudo revela que áreas da região de Campinas têm de ser constantemente reavaliadas

 
Estudo de doutorado do Instituto de Biologia (IB) mostrou que a restauração da Mata Atlântica, de algumas áreas no entorno de Campinas, é possível, mas esse processo pode ser lento e necessita de uma manutenção e monitoramento de longo prazo, adverte Letícia Couto Garcia, autora da tese. “Essas áreas devem ser constantemente reavaliadas a fim de constatar o que precisa ser melhorado para intervir no caminhar dessa recuperação”, afirma ela. Os resultados mais significativos da pesquisa se relacionaram às funções que as espécies desempenham nessas áreas e ao número de espécies.

Segundo a pesquisadora, a diversidade de espécies arbóreas conseguiu ser recuperada após cinco décadas, atingindo número similar de espécies de uma mata nativa, bem como a cobertura das suas copas. Foi recuperada a quantidade de flores e de frutos por hectare nas áreas avaliadas, as quais consequentemente ofereceram frutos e flores para os animais consumirem. Além do mais, a quantidade de madeira (área basal) foi recuperada em aproximadamente 12 anos.
A bióloga tomou como referência a mata de Ribeirão Cachoeira (no distrito de Sousas), área tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc). Trata-se de uma propriedade particular com cerca de 60% de sua extensão averbada como Reserva Legal do condomínio de chácaras Colinas do Atibaia.
Essa mata nativa foi comparada com as matas em restauração dos municípios de Santa Bárbara D’Oeste (que tem 12 anos), de Iracemápolis (23 anos) e de Cosmópolis (55 anos). Porém, os melhores parâmetros foram obtidos da amostra de Cosmópolis porque, conforme Letícia, quanto mais antiga a mata, mais colonização por outras espécies ocorreu ao longo do tempo.
Sua pesquisa, orientada pelo professor da Esalq da USP Ricardo Ribeiro Rodrigues e coorientada pelo docente do IB da Unicamp Flávio Antonio Maës dos Santos, buscou avaliar se essas matas que estão em restauração são autossustentáveis, ou seja, se ainda necessitam da interferência humana no auxílio desse processo que, na falta da restauração ativa, seria ainda mais lento do que naturalmente ocorreria.

A doutoranda conta que foram estudadas áreas de diferentes idades de restauração com vistas a compará-las à mata nativa. A intenção era observar quão longe elas estavam de atingir os parâmetros dessa mata-referência: o quanto as árvores cresciam, se tinham restabelecido a cobertura da copa e a diversidade funcional – se o conjunto formado era de diferentes espécies, mas com as mesmas funções de uma mata nativa, enumera.
Pensando assim, ela sondou a diversidade de espécies, quanto faltava para atingir os valores de uma área nativa e os recursos que ofereciam. “Será que forneceriam flores e frutos para alimentar os animais que frequentam essas áreas, e que auxiliam a polinização das flores e a dispersão de sementes?”, indaga.
A autora da tese escolheu esse tema almejando a recuperação do ambiente degradado. O objetivo era refletir se de fato isso seria efetivo quanto às espécies e às interações por meio do replantio.
Alguns aspectos, averiguou ela, foram exitosos, mas ponderou que, como a Ecologia da Restauração é uma disciplina nova dentro da Biologia Aplicada, existe uma ausência de áreas recuperadas com idade avançada para a comparação.
Foi então que selecionou a mata mais antiga do estudo, que engloba a Usina Ester, em Cosmópolis, área de 30 hectares, exemplo raro onde a recuperação iniciou nos anos de 1950.
Peculiaridades

Letícia, que chegou a Cosmópolis por meio de um projeto visionário de restauração, relata que alguém percebeu que não havia mais peixes no rio, que estava ficando cada vez mais devastado. Resolveu recuperá-lo por iniciativa própria. Isso foi em 1955. Com um plantio, a área se tornou a mata atual, muito procurada para lazer.
A diversidade de espécies arbóreas, comenta a bióloga, conseguiu ser recuperada em cinco décadas, atingindo um mesmo número de espécies de uma mata nativa. Já as outras formas de vida – como trepadeiras, ervas, epífitas (que vivem sobre outras plantas) e arbustos – não atingiram nem a metade dos valores de uma mata nativa.
A explicação da doutoranda é que, no Estado de São Paulo, essas áreas estão muito isoladas, em razão de sua fragmentação. Assim, sementes de outras espécies não conseguem chegar em alguns trechos, dificultando a sua recuperação. “Elas não têm todas as funções que essas espécies teriam numa mata nativa. Por outro lado, recuperou-se a quantidade de flores e de frutos por hectare em todas as áreas restauradas”, esclarece.
Não obstante isso, elas não se mostraram autossustentáveis, pois ainda necessitam de um manejo adaptativo, que representaria ter que voltar lá e enriquecê-las com epífitas e trepadeiras, uma vez que a recuperação é lenta, principalmente para que o processo de colonização ocorra nessas áreas.
Recuperação
A avaliação de Letícia abrangeu o período de 1955 a 1998 e teve como marco histórico o aumento de propriedades e de projetos de restauração no Brasil para estar em conformidade com a legislação ambiental.
Os mecanismos de recuperação sempre iniciam com um planejamento. Nessa etapa, é preciso ver se há áreas próximas para auxiliar no fornecimento de sementes, escolha de espécies, época de plantio, espaçamento entre uma muda e outra, decisões quanto ao plantio de mudas, uso de sementes ou simplesmente isolamento da área.
Como no Estado de São Paulo não há áreas restauradas muito antigas, é preciso pesquisar o que se tem à disposição para investigar. Em alguns anos, será possível afirmar com maior propriedade esses aspectos porque a disciplina de Ecologia da Restauração terá progredido mais.
Essa disciplina, revela ela, tenta recuperar ambientes que estavam degradados, retornando todos os serviços ecossistêmicos o mais próximo de uma área natural, como por exemplo a recuperação da água. Com isso, o ambiente voltará a abrigar animais e os processos tornarão a acontecer, ressaltando o uso de espécies nativas.

Código Florestal ignora
a ciência, afirma bióloga
Para a bióloga, foi angustiante atuar na direção da melhoria e da recuperação das matas frente à proposta de lei do Código Florestal, que, a seu ver, está diluindo o modo como a restauração deve ser implantada.
Por esse motivo, dedicou um capítulo a essa análise, mencionando os entraves à recuperação das áreas degradadas apresentados no novo Código Florestal do país. Segundo Letícia, eles vão na contramão dos esforços para a conservação e a restauração, impedindo que tais metas sejam praticadas adequadamente.
Ela abordou alguns aspectos problemáticos e como eles poderiam interferir na dinâmica ambiental. “Calcula-se que vamos deixar de restaurar seis milhões de hectares no Brasil, que seria a somatória da área do Estado do Rio de Janeiro e do Estado de Sergipe”, lastima.
A proposta de lei do Código Florestal foi avaliada pela presidente Dilma Rousseff e divulgada no último dia 25. Ela vetou 12 artigos do projeto de lei do Código Florestal, aprovado em abril pela Câmara dos Deputados. Também realizou 32 modificações no texto, sendo que 14 recuperaram o texto aprovado no ano passado pelo Senado Federal, cinco são dispositivos novos e 13 são ajustes ou adequações de conteúdo do projeto.
Mesmo após o veto, o conteúdo, em sua íntegra, prejudica, e muito, a proteção do meio ambiente e das florestas, garante a doutoranda. Inclusive promove anistia a quem desmatou ilegalmente, beneficiando quem descumpriu a lei e que incentiva novos desmatamentos, e a redução dos parâmetros de proteção de áreas de preservação permanente (APPs).
O ideal, defende Letícia, seria sua reestruturação integral, não somente pelas inconsistências mas por dar algumas brechas na nova lei. “Seria lamentável para a nação”.
Nesse capítulo, a autora da tese procurou sedimentar suas argumentações acerca do novo Código Florestal. Elaborou uma tabela, um breviário dos problemas verificados na proposta e que, no momento, foram sancionados pela presidente.
A doutoranda foi convidada então a participar do grupo de trabalho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), contribuindo ainda para a elaboração de uma carta aberta entregue ao deputado federal Paulo Piau, relator da matéria.
O grupo conversou com o parlamentar para discutir as fragilidades do texto. Um dos pontos desfavoráveis, aponta ela, está na mudança do cômputo onde seria iniciada a restauração das margens dos rios. No Código Florestal atual, a recuperação era contada a partir do leito sazonal, que inunda na época cheia. “Agora, eles serão contados a partir do leito regular, ou seja, aquele leito que está sempre com água.”
O que isso significa? Que, para que aconteça a restauração, se houver plantação desde a borda da calha do leito regular, quando vier a cheia todo aquele plantio irá água abaixo. Será uma perda de dinheiro e de tempo e não faz sentido tecnicamente, critica Letícia.
“Nota-se que esse Código ficou longe da ciência, porque ela não foi ouvida. Nas oito páginas do documento, não consideraram quase a totalidade dos pontos que a SBPC e a ABC afirmaram ser contrários”, conclui Letícia, que trabalha no Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), em Campinas.

■ Publicação
Tese: “Avaliação da sustentabilidade ecológica de matas ciliares em processo de restauração”
Autora: Letícia Couto Garcia
Orientador: Ricardo Ribeiro Rodrigues (Esalq)
Coorientador: Flávio Antonio Maës dos Santos (Unicamp)
Unidade: Instituto de Biologia (IB)
Matéria do Jornal da UNICAMP Nº 531, publicada pelo EcoDebate, 28/06/2012
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Florestas, artigo de Roberto Naime


floresta
[EcoDebate] A biodiversidade que significa a diversidade de espécies vivas, tanto de flora quanto de fauna encontra nas florestas refúgio seguro e habitat vocacionado para o desenvolvimento e proteção das espécies. As florestas já cobriram grande parte do planeta, mas hoje se encontram muito reduzidas pelo crescimento populacional desordenado que demanda pela necessidade de uso de recursos naturais com pouco ou nenhum planejamento.
Até mesmo para milhões de seres humanos as florestas constituem lar e refúgio seguro, sem considerar o fato de que a riqueza de biodiversidade é responsável por um intangível patrimônio para toda o planeta terra.
A riqueza biológica é representada pela biodiversidade, que por ser pouco conhecida, é pouco compreendida em toda a sua extensa importância. A expressão biodiversidade tem um significado. Engloba a variabilidade genética, que é a diferença existente entre indivíduos da mesma espécie, como a cor dos olhos, por exemplo.
Expressa também a diversidade biológica que significa a quantidade de espécies e por conseqüência de genes e cadeias genéticas.
A biodiversidade também integra o conceito de processo ecológico, que descreve todas as reações que ocorrem dentro de uma cadeia de vida. Ecossistema pode ser definido como a aplicação da teoria geral dos sistemas do biólogo alemão do século XIX Ludwig Von Bertallanfy, a ecologia. Desta forma significa todas as relações entre os indivíduos e seus atributos, envolvendo matéria, energia e informação.
De todos estes aspectos, a diversidade genética talvez represente a expressão maior do patrimônio natural, representando milhões de anos de evoluçõ, concentrados no espaço e no tempo, e que podem representar um patrimônio imensurável e intangível de codificações genéticas com suas devidas atribuições.
Um exemplo de utilização da biodiversidade pode ser descrito como a praga que assolou os arrozais asiáticos na década de 70 e devastou populações asiáticas por falta de alimento.
Pouco tempo depois, cientistas descobriram que o cruzamento com espécies de arroz não-utilizadas para plantio nas monoculturas atribuía resistência ao cereal. Esta é uma boa forma de avaliar o potencial da biodiversidade.
As florestas nativas hoje constituem cerca de 35% do total de áreas florestadas no mundo. A maior parte das florestas são classificadas como áreas florestais regeneradas e uma pequena parte são áreas reflorestadas, geralmente pela indústria de celulose e papel.
As florestas tropicais são responsáveis por quase metade de todas as espécies de seres vivos animais e vegetais conhecidos. Os países com maiores áreas de florestas são a Rússia, o Brasil, o Canadá, os Estados Unidos e a China. Estes países juntos são responsáveis por praticamente metade das florestas do mundo.
O Brasil detêm aproximadamente 15% das florestas do mundo e tem 63% do seu território ocupado por florestas. Depois de termos tanta consciência da importância das florestas para a vida em geral como habitat natural de uma quantidade de biodiversidade imensurável, não se pode mais conviver com a exploração predatória e irresponsável dos recursos florestais, porque os prejuízos quando se raciocina sistemicamente são muito maiores do que a simples eliminação de árvores.
São necessárias políticas públicas que sejam cada vez mais duradouras e permanentes e se tornem políticas de estado e não de governos para que possamos realizar nossa vocação de desenvolvimento sustentável, cultivando adequadamente os sistemas das florestas e produzindo produtos florestais em contexto de sustentabilidade.
Dr. Roberto Naime, Colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
EcoDebate, 28/06/2012
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

RESOLUÇÕES DO BANCO CENTRAL PERMITEM RENEGOCIAÇÃO DE DIVIDAS DO PRONAF


Duas Resoluções do Banco do Central do Brasil (BC) - as de número 4.066 e 4.067-, ambas dadatadas do dia 12 deste mês, tratam da renegociação das dívidas da dívidas para aos agricultores familiares que registraram prejuízos e perda total da produção em decorrência da estiagem nas regiões Sul e Nordeste, e ainda no Norte do País.
Os agricultores que tiveram perdas superiores a 30% em suas lavouras e não foram beneficiadas pelo Proagro ou Seguro Agrícola, os mesmos deveram procurar o agente de credito(Banco) para fazer o cadastro e solicitar a referida 
prorrogação.


Veja abaixo oque dizem as resoluções

RESOLUÇÃO No. 4.066, DE 12 DE ABRIL DE 2012
 
 
Autoriza a renegociação de operações de crédito rural de custeio e investimento no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) aos agricultores familiares que tiveram prejuízos em decorrência da estiagem na região Nordeste e das enchentes na região Norte.
O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964,torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão extraordinária realizada em 12 de abril de 2012, com base no disposto nos arts. 4º, inciso VI, da Lei nº 4.595, de 1964, 4º e 14 daLei nº 4.829, de 5 de novembro de 1965, e 5º da Lei nº 10.186, de 12 de fevereiro de 2001,resolveu:
 
 
Art. 1º Ficam as instituições financeiras autorizadas, para os agricultores familiares vinculadosao Pronaf que tiveram perda de renda em decorrência da estiagem que atingiu municípios daregião Nordeste e das enchentes que atingiram municípios da região Norte, em ambos os casoscom decretação da situação de emergência ou do estado de calamidade pública após 1º defevereiro de 2012, reconhecida pelo Governo Federal, a:
 
 
I - prorrogar, para até 2 de janeiro de 2013, o vencimento das parcelas vencidas e vincendas,entre 1º de fevereiro de 2012 e 1º de janeiro de 2013, mantidos os encargos financeiros de normalidade pactuados, das seguintes operações de crédito rural contratadas no âmbito do Pronaf, em situação de adimplência em 31 de janeiro de 2012, desde que não amparadas pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou por outra modalidade de seguroagropecuário:
a) custeio da safra 2011/2012;
 
 
b) custeio de safras anteriores à safra 2011/2012 prorrogadas por autorização do ConselhoMonetário Nacional (CMN);
 
 
c) investimento, inclusive as parcelas prorrogadas por autorização do CMN;
 
 
II - para os agricultores familiares de que trata o caput deste artigo que tiveram redução superior a 30% (trinta por cento) na renda, comprovada por laudo técnico:
a) renegociar o pagamento do saldo devedor das operações de crédito rural de que trata a alínea"a" do inciso I, para reembolso em até 5 (cinco) parcelas anuais, com o vencimento da primeira parcela fixado para até 1 (um) ano após a data da formalização da renegociação;
 
 
b) prorrogar até 100% (cem por cento) das parcelas das operações enquadradas nas alíneas "b" e"c" do inciso I, para até 1(um) ano após o vencimento da última parcela prevista no contrato.§ 1º Ficam dispensados, para efeito da concessão do prazo adicional previsto no inciso I desteartigo, a análise caso a caso da comprovação de perdas e da impossibilidade de pagamento domutuário e o cumprimento das exigências previstas no Manual de Crédito Rural (MCR) 10-1-33-"a"-II e III e "b" e MCR 10-5-8-"c" e "e".
 
 
§ 2º As renegociações e prorrogações de que trata o inciso II deste artigo devem ser formalizadas até 31 de março de 2013, observadas as condições estabelecidas no MCR 10-1-33e 10-5-8, de acordo com a finalidade do crédito e a fonte de recurso que lastreia a operação,dispensado o cumprimento das exigências constantes do MCR 10-1-33-"a"-II e III e do MCR 10-5-8-"e".
 
 
Art. 2° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
 
 
ALEXANDRE ANTONIO TOMBINI
Presidente do Banco Central do Brasil
 
 
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RESOLUÇÃO No- 4.067, DE 12 DE ABRIL DE 2012
 
 
Autoriza a renegociação de operações de crédito rural de custeio e investimento para produtores rurais que tiveram prejuízos em decorrência da estiagem na região Nordeste edas enchentes na região Norte.
 
 
O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964,torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão extraordinária realizada em 12 deabril de 2012, com base no disposto nos arts. 4º, inciso VI, da Lei nº 4.595, de 1964, 4º e 14 daLei nº 4.829, de 5 de novembro de 1965, e 5º da Lei nº 10.186, de 12 de fevereiro de 2001,resolveu:Art. 1º Ficam as instituições financeiras autorizadas, para os produtores rurais que tiveram perdas na renda em decorrência da estiagem que atingiu municípios da região Nordeste e dasenchentes que atingiram municípios da região Norte, em ambos os casos com decretação dasituação de emergência ou do estado de calamidade pública após 1º de fevereiro de 2012,reconhecida pelo Governo Federal, a:
 
 
I - prorrogar, para até 2 de janeiro de 2013, o vencimento das parcelas vencidas e vincendas,entre 1º de fevereiro de 2012 e 1º de janeiro de 2013, das seguintes operações de crédito rural,em situação de adimplência em 31 de janeiro de 2012, mantendo-se os encargos financeiros pactuados para a situação de normalidade:
a) custeio da safra 2011/2012, contratadas com Recursos Obrigatórios (Manual de Crédito Rural- MCR 6-2), recursos equalizados da Poupança Rural (MCR 6-4), dos Fundos Constitucionais de Financiamento, ou ao amparo do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural(Pronamp), desde que não amparadas pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária(Proagro) ou por outra modalidade de seguro agropecuário;
 
 
b) custeio de safras anteriores à safra 2011/2012, prorrogadas por autorização do ConselhoMonetário Nacional (CMN), inclusive aquelas ao abrigo do Pronamp, dos Fundos Constitucionais de Financiamento, do Proger Rural ou do Proger Rural Familiar, desde que não amparadas pelo Proagro ou por outra modalidade de seguro agropecuário;
 
 
c) investimento, contratadas com Recursos Obrigatórios (MCR 6-2) ou recursos equalizados daPoupança Rural (MCR 6-4), ou ao amparo do Pronamp, dos Fundos Constitucionais de Financiamento, do Proger Rural ou do Proger Rural Familiar, inclusive as parcelas prorrogadas por autorização do CMN;
 
 
d) investimento, contratadas no âmbito do Programa Finame Agrícola Especial ou com recursosrepassados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e equalizados pelo Tesouro Nacional, de programas coordenados pelo Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento (Mapa), inclusive as parcelas prorrogadas por autorização do CMN;
 
 
II - para os produtores rurais de que trata o caput deste artigo que tiveram redução superior a30% (trinta por cento) na renda, comprovada por laudo técnico:
a) renegociar, com base nas condições constantes do MCR 2- 6-9, o pagamento do saldodevedor das operações de crédito rural de que trata a alínea "a" do inciso I deste artigo, para reembolso em até 5 (cinco) parcelas anuais, com o vencimento da primeira parcela fixado paraaté 1 (um) ano após a data da formalização da renegociação;
 
 
b) prorrogar, com base nas condições do MCR 2-6-9, até 100% (cem por cento) das parcelas dasoperações enquadradas nas alíneas "b" e "c" do inciso I deste artigo, para até 1 (um) ano, após o vencimento da última parcela prevista no contrato;c) renegociar, com base nas condições do MCR 13-1-4, até 100% (cem por cento) das parcelasde principal das operações enquadradas na alínea "d" do inciso I deste artigo, mediante aincorporação ao saldo devedor e redistribuição nas parcelas restantes, ou prorrogação para até12 (doze) meses, após a data prevista para o vencimento vigente do contrato, dispensado ocumprimento das exigências contidas no MCR 13-1-4-"d".
 
 
§ 1º Fica dispensada, para efeito da concessão do prazo adicional previsto no inciso I do caputdeste artigo, a análise caso a caso da comprovação de perdas e da impossibilidade de pagamento do mutuário e o cumprimento das exigências de que tratam o MCR 2- 6-10-"a" e MCR 13-1-4-"b" e "d".§ 2º As prorrogações ou renegociações de que trata o inciso II do caput deste artigo devem ser formalizadas até 31 de março de 2013.
 
 
Art. 2° Esta Resolução entra em vigor na data da sua publicação.
 
 
ALEXANDRE ANTONIO TOMBINI
Presidente do Banco Central do Brasil
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