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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Presidente da Emater/RS defende permanência do jovem no meio rural


A ausência de jovens em 31,3% das propriedades familiares do RS é considerada preocupante para De David...
“Muitas políticas públicas precisam ser afinadas para atender às demandas dos jovens rurais e garantir sua permanência no meio rural”, afirmou o presidente da Emater/RS e superintendente geral da Ascar, Lino De David, no Fórum “Sucessão na Agricultura Familiar”, realizado no sábado de manhã, em Nova Petrópolis, durante o Rural Show. A ausência de jovens em 31,3% das propriedades familiares do RS é considerada preocupante para De David, que analisou a baixa renda como fator determinante para a permanência, já que 50,3% dos 378 mil estabelecimentos de agricultura familiar no Estado têm renda de zero a R$ 10 mil por ano. “Os fatores divergem entre as diversas regiões do Estado, mas uma renda digna é fundamental para manter os jovens na roça”, defende o presidente.
Além de De David, participaram do Fórum na 6ª edição do Rural Show, os presidentes da Fetag, Elton Weber, da Sicredi Pioneira, Márcio Port, e das cooperativas Piá, Gilberto Kny, e o vice-presidente da Languiru, Renato Briemayer, entre outras autoridades, como o diretor técnico da Emater/RS, Gervásio Paulus e o gerente Regional e técnicos da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, Neuri Frozza. O jovem Marcos Seefeld, 22 anos, técnico agropecuário, apresentou a propriedade rural de 28 hectares, sendo 16 hectares de terras cultiváveis, onde vive e trabalha, em Nova Petrópolis.
O jovem Seefeld diz se considerar “uma raridade”, porque a maioria dos seus amigos foi embora das propriedades. Para ele, para permanecer no meio rural é preciso conciliar trabalho com lazer, garantindo renda estável. A propriedade dos Seefled tem o leite como principal produção, mas também produz frutas, milho e suínos. “Graças a meu avô Werno, que me incentivou, gosto muito do que faço, e isso ajuda bastante”, afirmou. Para Marcos, “só dinheiro não adianta, é preciso políticas que valorizem os produtos agropecuários, que garantam a venda desses alimentos, e que desburocratizem as licenças ambientais”, afirmou, ao lamentar que “quem faz as leis desconhece nossa realidade como pequenos agricultores, que conservamos mais do que destruímos, pois consideram crime, por exemplo, largar esterco nas lavouras”, confidenciou.
Ao final do evento, ficou definida a realização de debate sobre Sucessão Familiar Rural na Expointer 2012, que acontecerá de 25 de agosto a 2 de setembro, no Parque Assis Brasil em Esteio. “O tema da sucessão familiar rural não pode mais ser só da família, mas deve vir para a pauta política de toda a sociedade”, destacou o presidente da Emater/RS.

TENDÊNCIAS
O presidente da Emater/RS destacou que o tema da sucessão familiar rural não é só do agricultor, mas da sociedade urbana e do Estado, dada a gravidade da situação. “Para mim, esse é o tema estruturante mais preocupante e sério, que precisamos enfrentar”, disse, ao analisar que 79,8% dos municípios gaúchos têm menos de 20 mil habitantes cada, sendo que 66,7% têm até 10 mil habitantes, “o que representa uma economia exclusivamente agrícola que, sem reprodução social, tende a desaparecer”.
Para De David, políticas públicas generalizadas não resolvem o problema da falta de jovens no meio rural. “É preciso entender as diferenças de público para então pensar políticas públicas diferenciadas”, disse, ao defender que “a diversificação na propriedade é uma das alternativas que garante estabilidade econômica e produtiva para a propriedade”.
Em sua apresentação, o presidente da Emater/RS analisou o modelo de desenvolvimento vigente, concluindo que a agricultura familiar incorporou esse mesmo modelo produtivo do agronegócio ou da agricultura empresarial. “Grande parte dos contratos do RS, financiados via Pronaf, entre 1998 e 2010, é para compra de insumos para as lavouras de milho e soja. Isso nos provoca a refletir sobre os bilhões investidos em agrotóxicos e monoculturas”, destaca.

INVESTIMENTOS
Outra constatação apresentada refere-se aos investimentos públicos na agricultura familiar. Para este ano, o RS destinou 0,9% do orçamento para a agropecuária, contemplando as Secretarias Estaduais da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) e de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR). “O Estado é indutor do desenvolvimento e precisa aumentar seu papel no apoio ao setor primário”, defendeu De David.
O papel do Estado, da sociedade (envolvendo sindicatos, associações, cooperativas, prefeituras, movimentos sociais e comunidades, além da Emater/RS-Ascar) e da própria família, de começar a discutir a sucessão quando os jovens ainda são adolescentes, devem ser conjugados na construção de perspectivas que favoreçam a permanência dos jovens no meio rural. Segundo De David, o Governo do Estado iniciou um debate para a criação de uma bolsa de estudos, de médio e longo prazo, para jovens adolescentes, na tentativa de estimulá-los e prepará-los para permanecerem no meio rural.
“A escola não necessariamente prepara o jovem para o meio rural. Ele precisa ser acompanhado de forma diferenciada”, defende De David, ao antecipar a proposta de ofertar para os jovens um subsídio que cubra os custos de uma especialização, em paralelo à escola formal, com o objetivo de construir um processo produtivo na propriedade.
Ao final do Fórum, os presidentes da Emater/RS e da Fetag, Lino De David e Elton Weber, anunciaram a realização de seminário sobre Sucessão Familiar na Expointer, com parceria das cooperativas, movimentos sociais, Governo do Estado e demais instituições representativas, apresentando experiências bem-sucedidas de sucessão rural, até porque 2014 será o Ano da Agricultura Familiar.

 ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA EMATER/RS-ASCAR

Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

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