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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

As Vagas Ociosas das Universidades Federais, artigo de Pedro Luiz Teixeira de Camargo


[EcoDebate] Pesquisando o site da minha Universidade (UFOP), me deparei com o edital da Pró Reitoria de Graduação sobre transferência, reopção de curso e PDG. Fiquei realmente assustado, ao perceber o número de vagas ociosas na graduação aqui em Ouro Preto: 933.
Com base nisso, resolvi fazer uma conta simples: se cada uma das 54 IFES brasileiras tiver uma média de 900 vagas ociosas, teremos hoje um absurdo número de 48600 oportunidades de estudo em branco em nosso país, um número tal que, em 10 anos representaria 486000 novos trabalhadores graduados!
Um país como o Brasil, em que apenas cerca de 12% dos cidadãos entre 20 e 34 anos possuem graduação, não pode deixar tantas vagas sendo desperdiçadas, ainda mais se pensarmos na falta de mão de obra qualificada que temos!
Este imenso clarão de oportunidades de estudo, mostra o quanto o governo federal democratizou a Universidade Pública nos últimos anos, sem, entretanto, não conseguir organizar de tal forma a mesma ao ponto de não cometer imensos desperdícios de dinheiro público como estes! Um verdadeiro absurdo de desorganização!
É fundamental que o MEC divulgue de maneira efetiva estas vagas presentes para a população em geral, especialmente para os estudantes das faculdades pagas, pois estes podem estar gastando um suado dinheiro que seria de vital importância para sua própria sobrevivência como cidadão de maneira desnecessária!
Talvez, por falta de atenção a tais números, os movimentos sociais não tenham notado tamanho desperdício de dinheiro público com tantas vagas ociosas, não pressionando de maneira adequada o Ministério da Educação para que este divulgue de maneira coesa tais dados, democratizando, de fato, ao acesso da população brasileira que gostaria de estar na Universidade Pública.
Uma ideia bastante interessante seria que se fizesse de maneira similar ao SISU a divulgação das vagas de maneira nacional e unificada, com propagandas na televisão e rádio, pois muitas pessoas não concorrem a estas vagas pelo fato de não ficarem sabendo!
Unificar as datas dos editais de transferência, reopção de curso e PDG com propaganda massiva em toda a nação é algo estratégico para um país que quer crescer, pois somente ao democratizar a educação de qualidade para todos poderemos diminuir as desigualdades de nosso país.
* Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) é Biólogo Especialista em Gestão Ambiental, Mestrando em Sustentabilidade pela UFOP e Diretor de Universidades Públicas da ANPG.
EcoDebate, 06/08/2012

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