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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Fatores ambientais durante a gravidez elevam o risco de uma futura esquizofrenia


Cientistas americanos identificaram uma dúzia de mutações genéticas não hereditárias que provam que fatores ambientais durante a gravidez, como a desnutrição e algumas infecções, elevam o risco de uma futura esquizofrenia.
Esta é a conclusão do maior e mais exaustivo estudo [De novo gene mutations highlight patterns of genetic and neural complexity in schizophrenia] dos exomas – regiões do DNA responsáveis pela codificação das proteínas – de pacientes com esquizofrenia, cujos resultados foram publicados na revista científica britânica “Nature Genetics”. Matéria da EFE, no Estadao.com.br.
Os pesquisadores, do Centro Médico da Universidade de Colúmbia, sequenciaram os exomas de 231 pacientes com esquizofrenia e de seus progenitores sãos, todos procedentes dos EUA e da África do Sul.
A equipe, liderada pela psiquiatra Maria Karayiorgou, contabilizou assim um total de 146 “novas” mutações (um número muito superior ao que esperavam), que são as causadoras de distintas alterações nas cadeias de aminoácidos das proteínas.
Além disso, os cientistas identificaram quatro genes (LAMA2, DPYD, TRRAP e VPS39) responsáveis por muitos destes erros genéticos e, portanto, do risco de desenvolver esquizofrenia.
Embora esta doença normalmente apareça durante a adolescência e os primeiros anos da vida adulta, as mutações descobertas não são hereditárias e afetam genes que estão mais expressados durante os primeiros meses da gestação do feto.
Assim, os resultados do estudo corroboram análises prévias que já tinham apontado à repercussão dos fatores ambientais durante a gravidez sobre o risco de desenvolver esquizofrenia.
“Nosso trabalho nos proporcionou um mecanismo que explicaria como agressões ambientais durante os dois primeiros trimestres de gestação aumentam o risco do bebê de sofrer esquizofrenia quando for adulto”, afirmou Maria Karayiorgou, principal autora do artigo.
Entre estes fatores que podem influenciar, a pesquisadora citou a desnutrição e algumas infecções. Além disso, “os pacientes com estas mutações provavelmente sofreram mais ansiedade e fobias durante sua infância”, acrescentou.
Embora a genética da esquizofrenia seja “extremamente complexa”, os cientistas estão começando a dispor de uma “imagem mais coerente” em relação à doença, ressaltou Joseph Gogos, co-diretor da pesquisa.
“Até centenas de mutações espontâneas elevam o risco de uma pessoa sofrer esquizofrenia. Isto pode ser desanimador, mas estes achados nos ajudam a compreender como estas alterações afetam os mesmos circuitos neuronais, inclusive, durante a primeira etapa do desenvolvimento fetal, o que eleva nossas esperanças de achar no futuro estratégias de prevenção efetivas”, completou Gogos.
EcoDebate, 08/10/2012

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