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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ufa ! artigo de Montserrat Martins


[EcoDebate] Até a meia-noite do dia da eleição, Romney tinha um milhão de votos e dezenas de delegados a mais que Obama: a apuração seguia o fuso horário (leste-oeste) e ele dominava a região central do país. Muitos não gostam de política, ou de americanos, mas todos seríamos afetados se a costa oeste (Hi, California), enfim, não virasse o jogo. Vamos lembrar alguns motivos para você dizer “ufa” e respirar aliviado, fazendo parte dos 90% dos brasileiros que torciam pela vitória do Obama.
Pode parecer problema deles lá, mas é nosso também: inflação e crise econômica mundial, que afetam seu bolso, também tem a ver com isso. A indústria da guerra e a do petróleo, para começar, são republicanas desde criancinhas. Crises econômicas e ambientais que varrem o planeta não surgem do nada, começam com desequilíbrios orçamentários de dezenas de trilhões de dólares como os da Era Bush e seu imperialismo explícito, de “xerifes do mundo”, deixando a sujeira (em todos os sentidos) para que outros limpem.
Sim, ainda dependemos do petróleo mas há quem busque alternativas (o governo gaúcho, nesse momento, faz contatos com a Renault sobre uma fábrica de carros elétricos) e Obama é mais interessado em energias renováveis do que Romney. Também na “ecologia humana”, o respeito a direitos humanos e minorias, os democratas são sabidamente mais tolerantes, menos arrogantes, que os republicanos.
Os mais questionadores podem lembrar que Guantánamo não fechou, a Palestina ainda não conquistou os seus direitos e tantas outras injustiças que quatro anos de Obama não resolveram. Mas todos sabemos que com Romney tais distorções não corrigidas ficariam ainda piores e os esforços para enfrentá-las é que iriam retroceder.
O filho de uma amiga, me contaram, teve de responder numa prova sobre “o que o general Osório fez pelo Rio Grande ?”. O menino escreveu: “fez o que pode”. Pois criar um sistema de saúde pública nos Estados Unidos, sendo acusado de “socialista” por se preocupar com a assistência à saúde dos mais pobres, não é pouca coisa. Quer dizer, Obama pode não ser a oitava maravilha do mundo, mas para o que o papel de presidente americano lhe permite ele se mostra um sujeito decente e, como respondeu aquele menino na prova, dá pra dizer que ele “fez o que pode”.
Uma curiosidade, em uma pesquisa internacional, é que só na China houve preferência para Romney, de 52% contra 48% para Obama (não lembro de ter visto pesquisa em Israel, cujo governo é pró-republicanos). Os chineses podem preferir o neoliberalismo radical por ser menos protecionista com os trabalhadores americanos, suponho.
A China tem eleições também, mas sobre isso eu fico devendo, tenho “Sobre a China” para ler, entre vários outros livros e revistas que aguçam minha curiosidade e senso crítico. Mas lembro de uma frase do Mílton dos Santos Martins, com a sabedoria dos seus 82 anos, que me disse assim quando eu desabafava algo sobre os americanos: “se você não gosta do imperialismo americano, espera pra ver o imperialismo chinês”.
Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é Psiquiatra.
EcoDebate, 09/11/2012

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