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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sustentabilidade e o legado da copa I, artigo de Roberto Naime

Mascote da Copa do mundo de 2014 


Mascote da Copa do mundo de 2014 (Imagem: Fifa/Divulgação)
[EcoDebate] A conceituação do desenvolvimento sustentável tem como marco o ano de 1987, quando a então presidente da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, Gros Harlem Brundtland, apresentou para a Assembleia Geral da ONU, o documento “Nosso Futuro Comum”, que ficou conhecido como Relatório Brundtland (VEIGA, Desenvolvimento sustentável, o desafio do século XXI, 2005, p. 191).
Nesse Relatório o desenvolvimento sustentável foi conceituado como sendo “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1991, p. 46).
O processo de desenvolvimento sustentável é contínuo e muito complexo, e dessa forma várias são as abordagens para se explicar o conceito de sustentabilidade. O termo desenvolvimento sustentável é claramente carregado de valores, nos quais existe uma forte relação entre os princípios, a ética, as crenças e os valores que fundamentam uma sociedade ou comunidade e sua concepção de sustentabilidade.
A diferença nas definições é decorrente das diferentes abordagens que se tem sobre o conceito. Portanto, o grau de sustentabilidade é relativo, dependendo do ponto de vista considerado, em função do campo ideológico ambiental ou dimensão em que cada ator se coloca (LAFER, 1996).
O relatório de Brundtland( 1987) World Commission on Enviorenment and Development (WCED), trás a definição mais conhecida: o desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futurasatenderem a suas próprias necessidades.
Barbieri (2007) define que desenvolvimento sustentável são os modelos de desenvolvimento centrados nas pessoas, com a preocupação primordial de incorporar novas tecnologias seguras sob o ponto de vista ambiental, de planejar inversões e procurar formas de refletir o valor da escassez dos recursos ambientais nos futuros processos de adoção de decisões.
O IBAMA concebe o desenvolvimento sustentável como o processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam, reforçando o potencial presente e futuro do meio ambiente, dando suporte para as atividades econômicas destas populações, a fim de melhor atender as suas necessidades e aspirações, respeitando a livre determinação sobre a evolução de seus perfis culturais.
Para Naime (2005) o conceito de desenvolvimento sustentável deve ser interpretado como uma alternativa ao conceito de crescimento econômico absoluto que está associado a crescimento material simples ou quantitativo da economia. Mas isso não quer dizer que como resultado do desenvolvimento sustentável, o crescimento econômico deva estar totalmente abandonado.
Leff (2006) coloca que o desenvolvimento sustentável é um projeto social e político que aponta para o ordenamento ecológico e a descentralização territorial da produção, assim como para a diversificação dos tipos de desenvolvimento e dos modos de vida das populações que habitam o planeta. O princípio da sustentabilidade surge no contexto da globalização com a marca de um limite e um sinal que reorienta o processo civilizatório da humanidade.
Stern (2010) descreve que o desenvolvimento sustentável significa atender as necessidades da geração atual sem comprometer o direito das futuras gerações atenderem as suas próprias necessidades, enfocando o modelo de crescimento numa evolução com parâmetros de menor geração de gases de efeito estufa que considera um dos maiores perigos para a humanidade, juntamente com a pobreza.
A crise ambiental veio questionar a racionalidade e as teorias que impulsionaram e legitimaram o crescimento econômico, negando a natureza. A sustentabilidade ecológica aparece como um critério normativo para a reconstrução da ordem econômica, como uma condição para a sobrevivência humana e um suporte para chegar a um desenvolvimento duradouro, questionando as próprias bases de produção.
Para Kinlaw (1997), o desenvolvimento sustentável é a macrodescrição de como todas as nações devem proceder em plena compatibillização com os recursos naturais e ecossistemas da Terra para manter e melhorar as condições econômicas gerais. O que se conclui é que o modelo econômico deve caminhar em sintonia e consonância com as condições naturais para atingir um estágio de sustentabilidade.
Almeida (2002) descreve que a sustentabilidade exige uma postura preventiva, que identifique tudo que um empreendimento pode determinar, para que os impactos positivos sejam maximizados e os negativos minimizados. Os avanços tecnológicos que o homem é capaz de obter tornaram cada vez mais curto o tempo para que um impacto sobre o meio ambiente e sobre a sociedade sejam plenamente absorvidos.
Vieira (2001) lembra que a destruição da natureza ou da base material da produção caracteriza a crise ecológica como uma crise da civilização. As teorias de desenvolvimento econômico do século XX, assim como as políticas econômicas decorrentes, sempre ignoraram a condicionalidade ambiental, considerando apenas esta variável fundamental como uma externalidade.
VEIGA, J. E. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2005.
LAFER, C. Experiência ação e narrativa: reflexão sobre um curso. Estudos Avançados, 2007.
BARBIERI, J.C., Gestão Ambiental Empresarial, Ed. Saraiva, São Paulo, 2007
NAIME, Roberto. Gestão de Resíduos Sólidos: Uma abordagem práticaNovo Hamburgo: Feevale, 2005. 136 p.
LEFF, E. Saber Ambiental, Petrópolis, Vozes, 343 p., 2001.
STERN, N. O caminho para um mundo mais sustentável. Editoras Elsevier e Campus, Rio de Janeiro, 2010, 209p.
KINLAW, Dennis C. Empresa competitiva e ecológica: desempenho sustentado na era ambiental. São Paulo : Makron Books, 1997.
ALMEIDA, F. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.
VIEIRA, S. Marca: o que os olhos não sentem os olhos não vêem. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
EcoDebate, 11/12/2012

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