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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sustentabilidade e o legado da copa IV, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] O abundante estoque de recursos naturais disponível, nos primórdios da revolução industrial, e a larga capacidade de absorver e reciclar os resíduos da produção afastava qualquer possibilidade de crise. Por outro lado, o ritmo e o volume da produção mundial, o tamanho da população, seu estilo de vida e consumo não representavam um problema a ser considerado.

As críticas de hoje, por sua vez, surgem num contexto onde os problemas já são evidentes, modificam a qualidade de vida de milhões de pessoas, assumem uma escala planetária e permitem antever situações de alta gravidade e irreversibilidade em longo prazo, caso não se tomem providências efetivas (LIMA, 2004).

Portanto, foi a partir da Revolução Industrial que os problemas ambientais começaram a sofrer um agravamento cada vez maior. Isso porque a degradação da natureza, embora possa ter ocorrido em pequena escala nas sociedades anteriores ao capitalismo, é algo intrínseco ao capitalismo e à industrialização.

Já ficou demonstrado que ao menos em linhas gerais existe um consenso sobre sustentabilidade. Mas este consenso varia muito em função muitas variáveis. Em função do estágio econômico, o primeiro mundo já implantou todas as operações já descritas e que são o principal escopo da sustentabilidade nos países em desenvolvimento, ocorrendo maior preocupação com o aquecimento global e a pobreza.

Nos países em desenvolvimento, as diretrizes operacionais ainda representam o principal foco da sustentabilidade e neste sentido as demandas de uma copa do mundo certamente trazem muitos benefícios que serão permanentes para o atendimento das necessidades das populações como melhorias de infra-estrutura e mobilidade em geral.

Nos países pobres, sustentabilidade ainda significa resolver as questões básicas da miséria, e a abordagem do problema lembra mais a pirâmide de Maslow do que o Relatório Brundtland.

Um dos focos privilegiados da crítica ao modelo de desenvolvimento econômico dominante é a contradição existente entre uma proposta de desenvolvimento ilimitado a partir de uma base de recursos finita.

Segundo Sampaio (2002), dentro de uma concepção preventiva, a problemática ambiental reflete a percepção de que o volume de impactos destrutivos gerados pela ação antrópica sobre os ecossistemas tem-se ampliado a horizontes de longo prazo, de modo a repensar as atuais formas de desenvolvimento, tanto capitalistas como socialistas, favorecendo uma internalização efetiva do meio ambiente, enquanto recursos natural, espaço essenciao e qualidade do habitat.

Conforme Bellen (2006, p. 25) “[...] o desenvolvimento sustentável é o que atende as necessidades das gerações presentes sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem suas próprias necessidades”.

Além disso, para considerar como sustentável, o desenvolvimento deve atender: ”os aspectos referentes às dimensões: social e ecológica, bem como fatores econômicos, dos recursos vivos e não-vivos e as vantagens de curto e longos prazos de ações alternativas” (BELLEN, 2006, p. 23).

Novos conhecimentos e inovações em tecnologia, em gestão e em políticas públicas cada vez mais desafiam as organizações a fazer novas escolhas em relação aos impactos de suas operações, produtos, serviços e atividades sobre as economias, as pessoas e o planeta.

A interação dos sistemas econômico e ecológico deve ser harmoniosa, visto que são vitais à sobrevivência humana. A vital importância do inter-relacionamento dos sistemas econômico e ecológico é o ser humano ou a humanidade que sofre influência direta em razão do comportamento dos sistemas.

Nos dias atuais, a população dos países em desenvolvimento é considerada quatro vezes maior que a dos países desenvolvidos, ou industrializados, sendo que uma parte bem expressiva da população vive em condições de pobreza ou de extrema pobreza.

A solução proposta pela maioria dos economistas e políticos, sempre foi o crescimento econômico, com consequente diminuição das desigualdades nas diferentes regiões do mundo. Contudo, o acelerado crescimento econômico mundial trouxe consigo a degradação do meio ambiente em função do excessivo uso dos recursos naturais.

Assim, o potencial econômico do mundo em que se vive foi danificado na proporção em que o patrimônio natural foi perdendo as suas qualidades. Nessa situação a riqueza individual das organizações percebida no desenvolvimento econômico da região sofre contraposição com o meio ambiente apesar de buscar nos recursos naturais suas matérias primas fundamentais.

Os fatores de produção ou recursos de produção da economia são constituídos pelo capital, recursos humanos, trabalho e inovações tecnológicas e sendo encontrados em todas as sociedades economicamente organizadas.

Em resumo, o processo pela busca contínua do desenvolvimento sustentável prioriza a busca pela iniciativa pro-ativa, com visão de longo prazo e com a implantação de instrumentos que permitam a mensuração e a evidenciação dos resultados obtidos.

LIMA, L. H. Contabilidade ambiental – avanços internacionais e atraso no Brasil. Anais do I Congresso Acadêmico sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, FGV, Rio de Janeiro, 2004.

SAMPAIO, C. A. C. Planejamento para o desenvolvimento sustentável: um estudo de caso e comparativo de municípios. Florianópolis: Bernúncia, 2002.

BELLEN, Hans Michael van. Indicadores de Sustentabilidade: uma análise comparativa. Rio de Janeiro: Ed FGV, 2006.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 20/12/2012

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