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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Oceano Ártico: Oceanografia, por Adilson Mikami

Oceano Ártico

O Oceano Ártico (a física, a química e processos biológicos) é bastante diferente dos outros oceanos espalhados ao redor do planeta. Começa pelo bloco de gelo que cobre o Oceano Ártico durante boa parte das estações, notadamente no inverno (bastante longo) quando praticamente não recebe luz solar. Esta cobertura ou placa de gelo reduz a troca de energia entre a atmosfera  e o oceano em cerca de 100 vezes. E esta placa de gelo impede a fotossíntese no oceano e impede também os efeitos que o vento (circulação de ar) ocasiona na superfície de um oceano. Outro detalhe: chove (precipitação de água) 10 vezes mais que a quantidade água evaporada.
Outra característica  diferenciada: os mares que circundam os continentes no pólo norte são muito rasos e se ligam às bacias profundas e geladas livremente e quase que abruptamente. A plataforma continental no lado do continente americano (parte mais rasa) é em média de 40 km, enquanto a plataforma continental no lado continente euro-asiático se estende por centenas de quilômetros, com muitas penínsulas e ilhas dividindo-o em cinco principais mares marginais: o Chukchi, Sibéria Oriental, Laptev, Kara e Barents.
Estes mares marginais ocupam 36 por cento da área do Oceano Ártico, mas contêm somente 2 por cento do seu volume de água. Com exceção do Rio Mackenzie do Canadá e do rio Colville do Alasca, todos os demais rios desaguam nestes mares marginais rasos. A combinação de grandes mares marginais, com uma proporção elevada de superfície exposta ao volume total, mais entradas de  grandes de água fresca no verão (degelo dos rios da montanhas e dos glaciares, tanto terrestres como no Oceano Ártico), influencia grandemente a superfície de água e as condições do Oceano Ártico.
Muitos acreditam que o Oceano Ártico pode ser considerado como um estuário do Oceano Atlântico. A maior circulação de e para a Bacia do Ártico é através de um único canal profundo, o Estreito de Fram, que fica entre a ilha de Spitsbergen e da Groenlândia. Uma quantidade substancialmente mais pequena (cerca de um quarto do volume) de água é transportado através dos mares de Barents e Kara e dos arquipélagos de Canadá.
A saída para o Oceano Atlântico das águas densas e geladas do Oceano Ártico é de grande importância e promove a circulação termoalina (termohalina ou termosalina) em grande escala e mantém o equílibrio da temperatura média dos oceanos com um impacto potencialmente profundo sobre as condições climáticas do planeta. Águas quentes do Oceano Atlântico que entram na Groenlândia / Islândia / Noruega mergulham mar abaixo quando eles se encontram as águas mais frias e água doce do norte (menos salina, menos densa), somado ao gelo flutuando e a atmosfera mais fria, produz as águas profundas do Atlântico Norte, que circulam nos oceanos do mundo.
De modo geral, as águas do Oceano Ártico são frias e as variações de densidade são determinadas pela salinidade (as águas do Oceano Ártico são pouco salinas).  E as águas do Oceano Ártico tem um sistema de duas camadas: uma camada superficial fina e menos densa é separada por um forte gradiente de densidade, chamado de picnoclina ou haloclina (camada ou capa superficial de água) a partir do corpo principal de água, que é de densidade bastante uniforme. Isto restringe o movimento convectivo (circulação) no picnoclina e a transferência vertical de calor e sal, e, portanto, a camada de superfície funciona como uma tampa sobre as massas maiores de água mais quente abaixo.
Nestas condições as águas do Oceano Ártico podem ser classificada em três grandes massas e uma massa menor:
1. A água que se estende desde a superfície até uma profundidade de cerca de 200 m é a mais heterogênea (apresenta variadas composições de temperatura e salinidade e por extensão de densidade), devido ao calor latente de congelação e descongelação; adição de salmoura (sal) a partir do processo de congelação de gelo (quando a água se congela o sal não se congela com a água, fica                           fora do gelo, daí o gelo ser água potável), adição de água doce por rios, derretimento do gelo, precipitação, grandes variações de insolação (radiação, entenda-se taxa ou quantidade de entrega de energia solar) e do fluxo de energia, como um resultado da cobertura de gelo do mar. A temperatura da água pode variar ao longo de um intervalo de (4°C) e salinidade em torno de 28-34 gramas de sal por kg de água do mar (28-34 partes por mil).
2. A uma profundidade de cerca de 650 a 3.000 metros a água mais quente do Atlântico enquanto esfria, torna-se tão densa que desliza abaixo da camada de superfície, ao entrar na bacia do Ártico. A temperatura da água é cerca de (1°C a 3°C), e no momento em que se espalha para o Mar de Beaufort, tem uma temperatura máxima de (0,5°C a 0,6°C). Lembrando que a salinidade da camada das águas do Oceano Atlântico varia entre 34,5 e 35 partes por mil.
3. A camada de água do fundo Ártico se estende abaixo da camada do Atlântico ao fundo do oceano, sendo mais frio do que a água do Atlântico (abaixo de 0°C), mas tem a mesma salinidade.
4. A água do Pacífico, mais quente e mais fresca,  entra na Bacia Amerasia mas não na Bacia Eurásia, misturando-se com a água mais fria e mais salina no mar de Chukchi, onde sua densidade permite que ela flua como uma cunha entre as águas do Ártico e Atlântico. Quando a água do Pacífico  alcança a Bacia do Canadá, tem uma gama de temperatura de -0,5°C a -0,7°C e salinidade entre 31,5 e 33 partes por mil.
As águas menos profundas, mais superficiais, do Ártico são levados pelo vento e por diferenças de densidade, sendo seu movimento conhecido pela deriva do gelo, girando sempre no sentido horário (movimento circular) e este movimento atualmente demora dez anos para ser completado. O movimento nas águas bem profundas ainda não é bem conhecido.
Adilson Mikami é cientista e ambientalista (especialista em vetores de propulsão, energia magnética, processamento de materiais)
* Artigo enviado pelo Autor e publicado pelo EcoDebate, 01/02/2013

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