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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

As fundações ideológicas do capitalismo, artigo de Valdeci Pedro da Silva


[EcoDebate] É assim que está a humanidade na maior parte do planeta Terra. E a população humana, que ultrapassa sete bilhões de seres, ainda cresce assustadoramente, devastando o planeta, destruindo as outras espécies e todo o meio ambiente, e comprometendo a própria qualidade de vida, ao tempo em que vai caminhando em direção ao extermínio pleno. Mas tudo se faz em nome do desenvolvimento do capitalismo, que agora, a título de disfarce, é chamado de desenvolvimento sustentável.
O capitalismo dispõe de uma estrutura de apoio bastante robusta. Conta com um estado nacional muito bem estruturado para essa finalidade, o qual desempenha, entre outras, as funções de construir e manter uma infraestrutura – rodoviária, portuária, aérea, etc. – capaz de atender a todas as necessidades do sistema, de forma que o seu desenvolvimento seja contínuo, independentemente das limitações do meio ambiente. Ao sistema capitalista, interessa extrair da Terra, através de quaisquer meios, tudo que for possível, não importando as consequências ao meio ambiente e ao clima. Além dessas funções citadas, compete ao estado capitalista prestar uma assistência precária à saúde e à escolaridade das classes trabalhadoras, e cuidar da segurança patrimonial das empresas e da sua própria segurança. Evidentemente, essa é uma descrição simplificada das atribuições de um estado capitalista. Outro serviço, também sumamente importante, que o estado capitalista presta, e sem o qual o sistema seria inviável, é a divulgação velada e bem articulada da ideologia capitalista.
Na divulgação da ideologia do capitalismo, o estado atua integralmente, mas se destacam, na eficiência, o que chamam de educação e as campanhas eleitorais, as quais são organizadas, no caso particular do Brasil, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e têm a participação dos partidos políticos, que são em número de trinta, e do eleitorado, que será punido se não votar, como se houvesse cometido infração ou crime. A grande quantidade de partidos políticos não tem outra razão de ser que não seja, do lado do estado, a demonstração da existência de uma suposta democracia, e, do lado dos partidos políticos, o oportunismo para angariar algum poder no campo político. A obrigatoriedade do voto e a realização de eleições a cada dois anos, também não têm justificativa coerente, e constituem abusos de poder incontestáveis.
O que chamam de educação, de fato, equivale à preparação de mão de obra para o mercado de trabalho capitalista, mas, além disso, contribui para a formação de mentes subservientes, não críticas, isto porque as mentes jovens são submetidas às práticas escolares que objetivam, fundamentalmente, atender ao mercado de trabalho e divulgar a ideologia do capital. As famílias, em sua grande maioria conservadoras, estão, sempre, preocupadas com a subsistência de seus descendentes e desejosas de que estes consigam melhorar seus padrões de vida. Guiadas por esses interesses, contribuem, inconscientemente, para a alienação social de seus descendentes. Além de tudo isso, há uma brutal concorrência no mercado, que inviabiliza, às mentes jovens mais criativas, o desenvolvimento de atitudes críticas, perante a realidade.
A mídia e as religiões constituem verdadeiras fundações de sustentação do capitalismo, e desempenham trabalho supereficiente na divulgação de sua ideologia, tornando quase impossível às mentes jovens, mesmo as mais criativas e ousadas, submergirem desse oceano de influências perniciosas.
Ao atingirem a idade adulta, esses seres humanos, já moldados segundo os desígnios do sistema capitalista e das religiões, se apropriam das ideias recebidas na juventude e passam a transmiti-las aos seus descendentes, como verdades absolutas, inquestionáveis, e, assim, é formado o círculo que atravessa séculos e milênios, carregando uma humanidade presa às tradições religiosas, desprovida de senso crítico e incapaz de dar rumos ao seu próprio destino.
A humanidade, que tanto evolui no campo científico e tecnológico, parece empenhar todos os esforços para manter-se presa às tradições religiosas, e, assim, impedir o desenvolvimento de uma visão crítica da realidade que vivencia. Mas tudo isso acontece sob o comando do egoísmo, sentimento que alimenta as religiões e o capitalismo, os quais seguem o princípio de “cada um por si”, tornando cada ser humano em explorador de outros seres humanos ou em explorados.
A verdadeira educação tem um enorme trabalho a desenvolver para transformar esse quadro e impedir que a humanidade, guiada pelo capitalismo e pelas religiões, promova, inconscientemente, seu autoextermínio.
Valdeci Pedro da Silva é Arquiteto e Urbanista. E-mail: val.val2705@hotmail.com
EcoDebate, 19/02/2013

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