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sexta-feira, 29 de março de 2013

A redução da extrema pobreza no mundo segundo o PNUD, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A redução da extrema pobreza no mundo segundo o PNUD

[EcoDebate] O Relatório de Desenvolvimento Humano 2013, apresentado, em meados de março, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mostra, em um dos seus cenários, que o mundo pode conseguir uma rápida diminuição da extrema pobreza nas próximas décadas, dando continuidade a redução que já vinha ocorrendo.
Segundo relatório do Banco Mundial, de fevereiro de 2012, houve uma redução absoluta e relativa da extrema pobreza no mundo, sendo que, em 1981, existiam quase dois bilhões (1,938) de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 (em ppp) ao dia nos países em desenvolvimento, representando 42,7% da população mundial. Na década de 1980 houve uma ligeira queda e o número de pessoas vivendo na pobreza extrema caiu para 1,909 bilhão, em 1990 (36% da população). Na década de 1990 o declínio foi um pouco mais rápido e o número de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 ao dia, em 1999, caiu para 1,743 bilhão (29%). Mas a queda mais significativa ocorreu na primeira década do século XXI, pois a pobreza extrema no mundo caiu para 1,289 bilhão de pessoas em 2008, representando 19% da população global.
Segundo o recente relatório do PNUD a extrema pobreza caiu para 1,212 bilhão de pessoas em 2010, representando 17,6% da população mundial. Estas tendências podem continuar (se não houver uma grande crise econômica e ambiental). Isto quer dizer que a meta 1 dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (de reduzir a pobreza extrema pela metade entre 1990 e 2015) já foi alcançada. O PNUD projeta, no cenário básico, uma redução da pobreza extrema para 841 milhões de pessoas em 2020 (11% da população mundial), 627 milhões de pessoas em 2030 (7,5%), 485 milhões de pessoas em 2040 (5,5%) e 430 milhões de pobres em 2050 (4,6% da população mundial).
Num cenário mais otimista, de progresso acelerado, o número de pessoas vivendo na extrema pobreza pode cair para 96 milhões, em 2050 (cerca de 1% da população mundial). Portanto, com políticas sociais e demográficas adequadas a extrema pobreza poderá ser eliminada do mundo ainda na primeira metade do século XXI.
Na América Latina e Caribe a extrema pobreza pode cair de 34 milhões em 2010 para 13 milhões em 2050. No Brasil, o programa país sem miséria pretende acabar com a pobreza extrema até 2014, utilizando a linha de renda per capita de R$ 70,00 ao mês, que é equivalente aos US$ 1,25 ao dia. A China, com o declínio de sua população na próxima década, pode praticamente eliminar a extrema pobreza até 2030, podendo zerar o número de pessoas na miséria até 2050.
A África ao sul do Saara também pode reduzir a extrema pobreza, passando de 371 milhões em 2010 para apenas 60 milhões em 2050. Nos Estados Árabes e na Europa e Ásia Central a extrema pobreza pode ser apenas residual (de 1 milhão de pessoas). A Índia que tinha 416 milhões de pessoas na extrema pobreza em 2010 pode apresentar uma redução impressionante, tendo apenas 2 milhões em 2050.
Porém, nada garante que estas projeções otimistas sejam atingidas. O relatório do PNUD também mostra que, em um cenário pessimista, agravado por uma grave crise ambiental motivada pela degradação da natureza, o aquecimento global e pela redução dos meios de subsistência, como a agricultura e o acesso à água potável, o número de pessoas vivendo na situação de extrema pobreza pode chegar a 3,15 bilhões de pessoas em 2050.
Portanto, o futuro está aberto. Sem dúvida o cenário otimista é o mais promissor do ponto de vista do progresso humano. Todavia, no modelo atual de produção e consumo do mundo, não vai ser fácil evitar o colapso ambiental e garantir bons indicadores de desenvolvimento humano, muito menos uma saudável biodiversidade.
O mais correto seria investir na redução da pobreza e no enriquecimento dos ecossistemas, para tanto, seria preciso planejar, no longo prazo, as metas do decrescimento demo-econômico, reduzindo os impactos negativos das atividades antrópicas.
Referência:
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
EcoDebate, 27/03/2013

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