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quarta-feira, 6 de março de 2013

Memória: Documento secreto da CIA, datado de 23 de junho de 1976, explica o surgimento do Plano Condor

Operação Condor

Plano Condor se espalhou pelo continente – Um documento secreto da CIA, datado de 23 de junho de 1976, explica o surgimento do Plano Condor: “no início de 1974, agentes da segurança de Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia se reuniram em Buenos Aires para preparar ações coordenadas contra alvos subversivos”. A este grupo logo se juntaram Brasil, Peru e Equador. Matéria da AFP, no Yahoo Notícias.
ARGENTINA
Foi o epicentro da operação e o país onde a repressão contra argentinos e estrangeiros alcançou maiores proporções. Foram 30.000 desaparecidos, segundo organizações dos direitos Humanos. A secretaria de Direitos Humanos indenizou os familiares de 16.000 desaparecidos.
CHILE
O ex-ditador chileno Augusto Pinochet – que se vangloriava de que nem uma folha se movia no Chile sem o seu conhecimento, nunca admitiu seu papel na Operação Condor, mas seus colaboradores reconheceram sua responsabilidade política ao receber no Chile em novembro de 1975 uma das reuniões de coordenação para implementação do plano.
Em 2002, Pinochet perdeu seu status de senador vitalício, foi julgado por sua participação na Operação e por 75 assassinatos atribuídos à “Caravana da Morte”, utilizada pelo governo para aniquilar sumariamente seu opositores após o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, mas nunca foi condenado.
Acredita-se que o assassinato do ex-comandante do Exército chileno, Carlos Prats, e sua esposa, cometido em Buenos Aires em 1974, tenha sido uma das primeiras ações deste plano.
A ditadura de Pinochet fez outras 3.000 vítimas, entre elas a do ex-presidente Eduardo Frei, qualificada como assassinato apenas em 2009.
URUGUAI
No Uruguai, nenhum dos julgados por violações dos direitos Humanos na última ditadura foi condenado por participação no Plano Condor, e apenas alguns foram processados por assassinatos.
“O que existe são militares processados que participaram do Plano Condor, mas foram indiciados por desaparecimento forçado”, explicou à AFP Ignacio Errandonea, integrante da organização Mães e Familiares dos Uruguaios Detidos Desaparecidos.
O ex-ditador Juan María Bordaberry (1973-1976) foi processado em 2006 como cúmplice do assassinato de quatro uruguaios exilados na Argentina em maio de 1976: os legisladores Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz, e os tupamaros William Whitelaw e Rosario Barredo.
O ex-ditador Gregorio Álvarez (1981-85) foi condenado em outubro de 2009 a 25 anos de prisão por 37 delitos de “desaparecimento forçado” de presos políticos, quase todos executados após sua transferência clandestina de Buenos Aires para Montevidéu em 1978, no marco do plano.
Outro caso emblemático da coordenação militar entre as ditaduras do Cone Sul com a participação uruguaia, é o da neta do poeta argentino Juan Gelman.
A nora do escritor, María Claudia García de Gelman, foi sequestrada em Buenos Aires em 1976 com sete meses de gravidez e levada ao Uruguai, onde deu a luz e desapareceu. Sua filha, Macarena Gelman, foi entregue ilegalmente à família de um oficial militar uruguaio e sua identidade verdadeira só foi revelada em 2000.
Durante a ditadura uruguaia 200 opositores desapareceram, em sua maioria na Argentina, como parte do Plano Condor.
PARAGUAI
Os volumosos “Arquivos do terror”, encontrados perto de Assunção em 1992, revelam a participação da ditadura paraguaia no Plano Condor.
Em uma operação, os militantes uruguaios Gustavo Inzaurralde e Nelson Santana, que estavam detidos em Assunção – onde haviam sido interrogados pelo coronel uruguaio Carlos Calcagno – foram transferidos em maio de 1977 junto com três argentinos, José Nell, Alejandro Logoluso e Marta Landi, em um avião da marinha argentina para Buenos Aires, onde desapareceram.
Investigações posteriores indicaram que se tratava do avião pessoal do comandante do exército argentino, almirante Emilio Massera, que viajou com os prisioneiros desde a província de Santa Fé até Buenos Aires.
BRASIL
“O Brasil desempenhou um papel pouco conhecido, mas ativo, na Operação Condor”, admite a Comissão da Verdade instaurada em 2012 pela presidente Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira presa e torturada pela ditadura militar (1964-85), para investigar denúncias.
No site da Comissão se reconhece que o plano incluía “casos notórios de violência, prisão, tortura, sequestros e desaparecimentos dentro e fora do Brasil”.
Há casos de sequestro e desaparecimento de brasileiros em Argentina, Chile e Uruguai e de argentinos e uruguaios no Brasil. O comitê está ouvindo depoimentos de vítimas e sobreviventes no México, Peru, Argentina e Uruguai. Em oito estados brasileiros foram localizados até o momento cerca de 40 agentes ou testemunhas do aparato repressivo que executaram ou presenciaram ações da Operação Condor.
O grupo também está investigando se as mortes dos ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek estão ligadas a este plano.
O governo brasileiro reconhece 400 mortos e desaparecidos durante o regime militar.
PERU
No Peru, o ex-ditador Francisco Morales Bermúdez (1975-1980) negou repetidamente que o país tenha participado da Operação Condor.
No entanto, um juiz argentino ordenou em fevereiro de 2012 sua prisão por ações vinculadas ao Plano, referentes à detenção ilegal e à tortura de 13 peruanos, em 1978, no Peru, que teriam sido transferidos para a Argentina e alojados em um centro de detenção, de acordo com a resolução do juiz federal Norberto Oyarbide.
A Justiça italiana em 2007 também havia solicitado a prisão e extradição de Morales Bermúdez pelo desaparecimento de 25 italianos no Peru, como parte da Operação Condor.
BOLÍVIA
O ex-general Hugo Banzer, presidente de fato entre 1971-1978, foi acusado de ter coordenado a luta anti-comunista principalmente com seus parceiros do Chile e Argentina, embora oficialmente tenha negado qualquer relação ou conexão com o plano.
No entanto, Banzer foi indiciado por ter tido ligações com a prisão na Bolívia e na entrega para militares argentinos em agosto de 1976 da argentina Graciela Rutilo e sua pequena filha Carla. A mãe foi dado como desaparecida depois de sua prisão no centro de detenção clandestina “Automotores Orletti”, na Capital Federal.
O presidente boliviano Juan José Torres foi assassinado em 1976 em Buenos Aires, em uma operação do Plano Condor.
EQUADOR
O Equador começou a participar na Operação Condor a partir de 1978, de acordo com documentos da CIA.
“O Exército é responsável pela inteligência e compartilhamento de informações entre os membros da operação (Condor). A Marinha é responsável pelas telecomunicações e a Força Aérea é responsável por uma guerra psicológica”, diz um documento.
EcoDebate, 05/03/2013

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