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quinta-feira, 14 de março de 2013

Produção de biogás a partir de dejetos de frangos de corte

Planta em 3D do sistema modelo para aproveitamento energético de cama de frangos de corte


Planta em 3D do sistema modelo para aproveitamento energético de cama de frangos de corte

Projeto inovador foi apresentado na Unesp de Jaboticabal
O zootecnista Airon Magno Aires, especialista em energias renováveis com ênfase em biogás, defendeu sua tese de doutorado na Unesp de Jaboticabal sobre o tema ‘Desenvolvimento de um sistema para o pré-processamento da cama de frangos de corte destinada à biodigestão anaeróbia e compostagem ‘in-vessel’.
Sob a orientação de Jorge de Lucas Junior, professor do Departamento de Engenharia Rural, foi desenvolvido um equipamento em escala industrial para a produção de biogás a partir de dejetos de frangos de corte (cama de frango), um protótipo de compostagem ‘in-vessel’ de carcaça de aves. Também foi realizado um estudo de viabilidade econômica, para instalação de uma unidade modelo, que está em fase final de aprovação financeira para iniciar ainda nesse semestre.
Para Aires, atualmente existe uma preocupação muito grande com a escassez de energia elétrica, visto os desafios relacionados ao crescimento econômico e grandes eventos (Copa do Mundo 2014, Jogos Olímpicos e Paraolímpicos 2016) que serão sediados nos próximos anos e vão exigir grandes picos de energia.
“Nos últimos 15 anos o consumo de energia não renovável (óleo diesel e lenha) aumentou com a tecnificação e automação da produção avícola. Além disso, acompanhamos uma grande oscilação no valor da energia elétrica e do óleo diesel, resultado de políticas internas”, comenta o especialista.
Aires explica que alternativas para geração de energia limpa estão sendo geradas no meio científico para o desenvolvimento de pilotos de equipamentos que auxiliem a geração de energia (biogás) a partir de dejetos de frangos de corte (cama de frango).
Os equipamentos em escala industrial podem demonstrar resultados próximos aos que serão encontrados no campo, auxiliando o técnico no dimensionamento do biodigestor para o tratamento dos resíduos e geração de biogás, biofertilizante e adubo orgânico.
O grande diferencial da compostagem ‘in-vessel’ é a fabricação de um protótipo 100% nacional, de um reator de compostagem ‘in-vessel’ que pode ser escalonado e utilizado para o tratamento de resíduos de qualquer gênero orgânico, em três diferentes formatos (cilíndrico, container e células fixas), sem precedentes de concorrência no Brasil. Esse tipo de reator vem sendo utilizado em alguns países como Alemanha, Itália, EUA e Canadá.
O especialista esclarece que esta tecnologia possui uma gama de possibilidades para utilização, como estações de tratamento e aproveitamento energético de resíduos, dentre eles agroindústrias (incubatórios de aves, frigoríficos, abatedouros), agropecuários (resíduos de pescado, carcaça de aves e suínos), frações orgânicas de resíduos sólidos urbanos, resíduos de restaurantes, lodos de indústrias alimentícias. O produto gerado no processo é utilizado como adubo orgânico, para nutrição e estruturação física do solo, beneficiando a produção vegetal.
Quanto à produção de biogás a partir de cama de frango, o diferencial do projeto é a utilização de um pré-processo para viabilizar a utilização de resíduos sólidos em biodigestores tipo tubular horizontal “plug flow” e resolver alguns problemas ocasionados pela falta de equalização da carga diária.
“Os resultados da tese influenciam positivamente na viabilidade econômica de produções avícolas, por meio da sustentabilidade energética e ambiental da produção. Todos os equipamentos e processos utilizados não possuem precedentes, tornando-se assim inovadores para o meio científico e para o mercado nacional”, conclui Aires.
Informações
aironzootecnista@yahoo.com.br
Texto de Mariana Trevisoli, da Unesp/Jaboticabal, publicado pelo EcoDebate, 14/03/2013

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