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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Em Brasília, parque ecológico vira sala de aula ao ar livre

Parque de Uso Múltiplo Olhos D'água

Projeto de educação ambiental criado por jovens busca desenvolver novas abordagens de educação baseadas em práticas holísticas e na transdisciplinariedade
Andar de bike, correr, fazer piquenique. Práticas como essas são alguns dos atrativos que levam as pessoas a frequentarem parques ecológicos. Porém, em Brasília, um espaço verde está indo para além de um ambiente de recreação. O Parque de Uso Múltiplo Olhos D’água, um dos principais da cidade, está se transformando também em uma grande sala de aula ao ar livre. O responsável por isso é Ecoparque, projeto de educação ambiental criado por jovens brasilienses, que busca desenvolver novas abordagens de educação baseadas em práticas holísticas e na transdisciplinariedade. A iniciativa, inclusive, extrapolou os limites da reserva ambiental e foi instalada dentro de uma escola de educação integral.
“Nosso objetivo é apresentar novas propostas de relação com o meio ambiente, usando tecnologias de baixo impacto ambiental. Além de trazer um novo olhar para que as pessoas se apropriem do lugar e percebam que há outras formas de construir, de se relacionar, de cultivar a terra”, afirma Pedro Vinhal, cofundador do projeto, que é a 15ª história contada no Imagina na Copa, plataforma que está mapeando iniciativas de jovens transformadores até 2014.
O EcoParque foi idealizado por ele, em 2008, quando estudava educação física, e mais tarde abraçada pelo coletivo 7Saberes – que desenvolve ações de educação ambiental para estimular crianças, jovens e adultos a experimentar essas novas abordagens no que chamam de “laboratório vivo”. A meta do grupo é expandir o número de estações em outros espaços.
Apenas no passado, cerca de 200 estudantes de instituições públicas e privadas da região realizaram atividades periódicas no parque ecológico, que foi adaptado para receber diferentes atividades – como oficinas de arte e reciclagem, dança circular e permacultura [conceito que significa 'cultura permanente', que se baseia na cooperação do homem com a natureza].
Além disso, os estudantes também têm visitas monitoradas pelos espaços dentro do parque chamados estações. Uma delas, por exemplo, é o Túnel de Adobe onde as crianças são estimuladas a engatinhar, atividade importante para desenvolver sua capacidade motora. Já no Espaço de Convivência, são realizadas práticas corporais livres, como o yoga e os jogos cooperativos. Outros ambientes são dedicados a ensinar aos visitantes como mexer com a terra e até mesmo cultivar hortaliças e cuidar das plantas. Uma das últimas estações é o Viveiro de Mudas e o Canteiro de Ervas Medicinais, onde as crianças e os jovens são colocados em contato com aromas e sabores.
No quintal da escola
A experiência expandiu para além do parque ecológico para alcançar a Escola Parque 210/211 Norte, também em Brasília, que se dedica à educação de ensino integral. Há mais de dois anos, a instituição pública hospeda em seu “quintal” seis estações do Ecoparque, criada pelo 7Saberes.
“A partir do contato com a natureza, com as plantas, com a terra, os estudantes se tornam mais sensíveis para trabalhar também com outros conteúdos em sala de aula, seja em disciplinas tradicionais ou em atividades como artes plásticas e visuais”
De acordo com Celia Maria Stoppa Muller Fernandes, vice-diretora da escola, o Ecoparque vem contribuindo, principalmente, para estimular a sensibilidade das crianças, indispensável, segundo ela, para tornar as crianças mais curiosas e interativas – importante para desenvolver outros aspectos educacionais. “Muitas das mais de duas mil crianças que passam por aqui a cada semana moram em apartamentos e nunca tiveram ou quase não têm contato com a diversidade ecológica”, afirma.
“A partir do contato com a natureza, com as plantas, com a terra, os estudantes se tornam mais sensíveis para trabalhar também com outros conteúdos em sala de aula, seja em disciplinas tradicionais ou em atividades como artes plásticas e visuais”. Segundo Celia Maria, embora os professores ainda sejam resistência quanto a implementação de metodologias que avancem à sala de aula, muitos deles vêm abandonando suas zonas de conforto. “Hoje, professores já estão entendendo melhor o espaço e, inclusive, conseguem aproveitá-lo para trabalhar seus conteúdos.”
Texto de Vagner de Alencar, no Portal Porvir, socializado pelo Jornal da Ciência / SBPC, JC e-mail 4727.
EcoDebate, 17/05/2013

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