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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Maioridade penal e a emissão de CO2, crônica de Paulo Sanda

aquecimento

[EcoDebate] Mais uma das minhas comparações estapafúrdias, não é?
Sabem entre outras coisas eu sou consultor de projetos de TI(Tecnologia da Informação), e um dos grandes desafios que enfrentamos é;
* primeiro entender os procedimentos e processos internos das empresas e seus negócios,
* segundo maior desafio, fazer com que os contratantes (empresários ou executivos) entendam a necessidade desta “perda de tempo”.
O problema é que a maioria das pessoas, confunde tecnologia com milagre! Como consequência disto, não são poucas vezes que assumo projetos cujos prazos estouraram a muito tempo, em muitos casos sou contratado até pela empresa que está fornecendo os serviços de TI, pois o trabalho não fecha. E não fecha por que? Simples, simplismo.
E o que isto tem a ver com a redução da maioridade penal e a emissão de gás carbônico? Parece que agora eu pirei de vez, não?
Mas não, o que liga estas coisas é justamente isso simplismo.
Impactados diariamente por notícias veiculadas pela grande mídia, sobre violências e barbaridades realizadas por menores, o que vemos não são adolescentes, mas monstros assassinos e estupradores. Logo, com a nossa sensibilidade aflorada, a defesa de mudanças em nossa lei, que mandem estes indivíduos para prisão, é não mais que óbvia.
Afinal o clamor é por justiça. Ou será vingança? Vamos caminhar um pouco mais no assunto para ver onde podemos chegar, vamos pensar um pouco quais as razões, que podem nos fazer desejosos de mudar a maioridade penal.
    • Temos medo, com tantas notícias que tem sido veiculadas a este respeito, chegamos a conclusão que a única forma de lidar com estes indivíduos, é colocando-os na cadeia, para que paguem por seus crimes e sejam re-educados para inseri-los novamente na sociedade.
    Porém, temos um sistema penitenciário com esta capacidade? Os jovens se postos em nossas “cadeias” receberão formação, de forma que poderão ser re-inseridos na sociedade, depois de terem cumprido suas penas e pago sua dívida com a sociedade?
      • Quem esta falando nisto? Eu só quero segurança.
      Não fique assustado, entendo que politicamente correto, em geral ninguém dará estas resposta a não ser os assumidamente reacionários de plantão. Porém quando tratamos do assunto de forma irrefletida; é exatamente esta a linha de raciocínio, ou em outras palavras, pela falta de raciocinar sobre o assunto, a única coisa que se tem em mente, é, “colocar estes indivíduos na cadeia”.
      Outros poderão ainda dizer, que o fato de haver uma probabilidade de punição, fará com que estes jovens reflitam melhor sobre seus atos, uma vez que eles terão consequências, e vamos falar sobre isto já, já.
      Note que não estou sendo nem contra nem a favor da redução da maioridade penal, a proposta é pensar sobre o assunto, e não simplesmente seguir a “boiada”.
      Mas proponho sim analisar a questão por camadas e outras perguntas;
      Qual o papel ou o dever da sociedade para com os jovens? Interessante notar que Freud em seu livro o Mal Estar da Cultura, já falava do pacto social, que visa preservar os direitos da maioria, o que acaba implicando no cerceamento no direito da minoria anteriormente forte. Neste quesito obviamente ele trata do poder de uma “força física”. Porém mesmo que usemos esta lógica, onde pode-se afirmar uma força mesmo que física, ser maior dos jovens em relação a sociedade.
        • Também temos que pensar é lógico na segurança da sociedade, pois estes jovens são perigosos, pois eles não pagarão por seus delitos.
        Voltamos a questão, o que desejamos como sociedade, que seja feito destes jovens de dos demais criminosos? Que vão para cadeia?
        Mas o sistema prisional não é, ou não deveria ser uma “lata de lixo humana”, joga-se o que achamos não prestar lá dentro botamos para fora e pronto. Neste passo de ignorância em relação ao destino destes seres humanos, é que a violência e o poder das facções criminosas cresceram e consolidaram seu poder, dentro das nossas latrinas. E agora, aproveitando a figura de linguagem, “jogam a merda para fora”.
        E como vamos continuar ignorando o problema; qual será o próximo passo? A pena de morte?
          • Não de forma alguma, temos apenas que baixar a maioridade penal, para que os jovens, sabendo que serão presos, se quebrarem a lei.
          Sim, da mesma forma que nós, mesmo sabendo do destino da terra e consequentemente da humanidade, continuamos com as mesmas atitudes e valores. Sabemos que em breve a vida humana no planeta, estará comprometida se não mudarmos nossos rumos.
          Desde coisas bem simplesinhas, como a dificuldade que temos(eu disse temos tá), de abrir mão do “conforto” de usar nossos carros, ou do uso de sacolas plásticas, exagero no gasto de energia elétrica, etc. Enfim na realidade são inúmeros “confortos” sem os quais não sabemos viver. Sabemos, para começo de conversa, que nosso estilo de vida, é altamente emissor de CO2, fora o fato de esgotarmos os recursos do planeta que sustentam este padrão perdulário que temos, enfim não é segredo algum que estamos cavando a própria cova, da mesma forma que os jovens que infringem a lei, sabem que serão presos. Porém não mudamos nossos hábitos, pois fomos “educados” para seguir desta forma, mesmo conscientes do perigo, não sabemos como mudar, podemos dizer até que somos “impelidos” a este rumo.
          Então fica a pergunta, se nós cultos e conscientes dos riscos, não mudamos nosso caminho, como podemos esperar que o simples fato, dos jovens poderem ser presos e penalizados fará deles melhores cidadãos?
          Precisamos aplicar nesta análise, os mesmos níveis de complexidade que usamos, para “legitimar” ou digamos analisar nossa própria dificuldade de mudanças de postura. E aplicar tanto nos jovens, como nos adultos, infratores da lei civil ou da natureza.
          Pois a lei civil pode nos colocar na cadeia, a do equilíbrio do planeta, extinguirá nossa civilização.
          Proponho então que tudo comece na “educação”, e não estou dizendo da apenas da formal, ou melhor daquela que visa fabricar profissionais, mas aquela que procura cultivar seres humanos.
          Qual?
          Religião? Pode ser, desde que seja dialogal.
          Filosofia, Sociologia, Antropologia, Psicologia, etc? Também podem ser, da mesma forma, dialogando.
          Fecho então com um JABÁ.
          Além de gestor de projetos em TI, dou palestras e formações que visam este repensar. Aliás o que gosto mesmo de fazer é isto, repensar.
          Paulo Sanda é Teólogo, palestrante, idealista, associado da ONG RUAH, é um dos coordenadores do Portal Palavra Aberta.
          EcoDebate, 27/05/2013

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