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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Apicultores apontam agrotóxicos como culpados por mortes de abelhas

Aplicação de determinados tipos de defensivos agrícolas poderiam causar a morte dos insetos, responsáveis pela polinização de plantas utilizadas na alimentação. Tanto a falta de abelhas quanto a restrição ao uso de agrotóxicos pode causar perdas para a agricultura.
Audiência pública sobre para discutir a mortandade disseminada das abelhas devido ao uso de agrotóxicosZeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
A morte de abelhas provocada pelo uso de agrotóxicos é estudada no Brasil há quatro anos.
Um desafio se impõe a produtores rurais e ambientalistas no País. Como utilizar agrotóxicos em determinadas culturas sem provocar a morte de abelhas responsáveis pela polinização de plantas utilizadas na alimentação? O problema vem sendo estudado no Brasil há pelo menos quatro anos e foi discutido nesta quinta-feira (4) em audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a pedido do deputado Antônio Roberto (PV-MG).
Representantes dos apicultores e do Ministério do Meio Ambiente relataram casos de mortalidade e apontaram como maior culpado o uso de agrotóxicos neonicotinoides. Há suspeitas de que a substância cause a morte de abelhas ou provoque lesões como a perda de orientação no espaço ou de olfato.
“Abelhas saem e não voltam para as colmeias porque perdem a orientação. Ou não encontram as flores a serem polinizadas porque não têm olfato”, explicou o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), José Cunha, representante de 350 mil apicultores. Segundo ele, não se conhece um número exato de mortes no Brasil, mas o fenômeno é mundial.
Audiência pública sobre para discutir a mortandade disseminada das abelhas devido ao uso de agrotóxicos. Coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, Márcio Rosa Rodrigues de FreitasZeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Márcio Freitas, do Ibama: não há controle sobre toda a aplicação aérea de agrotóxicos no País
Proibição
No ano passado, o Brasil, de forma semelhante a países da Europa, proibiu a pulverização aérea de agrotóxicos neonicotinoides que contenham os ingredientes ativos Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina ou Fipronil. Por outro lado, na Câmara tramita um projeto de decreto legislativo (PDC 809/12) que prevê a suspensão da medida, prevista em decisão do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O PDC está pronto para análise da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e recebeu parecer pela aprovação do deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP). O deputado Antônio Roberto, no entanto, adiantou que, quando a proposta chegar à Comissão de Meio Ambiente, trabalhará por sua rejeição.
O argumento de Duarte Nogueira é de que o Ibama extrapolou suas atribuições legislativas e que a medida pode causar prejuízos ao País. O coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, Márcio Freitas, porém, rebateu dizendo que cabe ao Ibama regular agrotóxicos. Ele disse ainda que, em resposta às demandas dos produtores, o Ibama flexibilizou a regra, permitindo a pulverização dos agrotóxicos nas culturas de soja, cana, trigo e arroz fora da floração.
“Não temos nada contra a aplicação aérea, mas dizer que ela é segura é complicado. A gente sabe que não há controle sobre toda a aplicação aérea no País”, disse Márcio Freitas. Na avaliação do coordenador, faltam regulações claras, o que teria levado, em maio deste ano, em Rio Verde (GO), um avião a pulverizar em cima de uma escola, intoxicando 42 crianças.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Rachel Librelon
Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 09/07/2013

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