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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Atividades de campo e constatações do diagnóstico ambiental, artigo de Roberto Naime

Diagnóstico Ambiental e Sistemas de Gestão Ambiental. Autor: Roberto NaimeDiagnóstico Ambiental e Sistemas de Gestão Ambiental. Autor: Roberto Naime. ISBN: 85-86661-81-3. Editora Feevale

[EcoDebate] As atividades em cada setor devem sempre ser precedidas de uma reunião geral de todos os colaboradores, para determinação da programação, dos procedimentos e do cronograma a ser desenvolvido. Os colaboradores exercem uma função essencial no processo, pois eles são os conhecedores da realidade e os agentes de cuja atuação depende a implementação de medidas de melhoria contínua.
As atividades de campo objetivam fazer todas as observações, constatações e entrevistas para analisar as questões. Devem avaliar e priorizar a avaliação dos impactos ambientais significativos e relevantes associados com os aspectos ambientais das atividades, produtos ou serviços.
Os impactos são definidos pela NBR ISO 14001/… como “qualquer mudança no meio ambiente, seja adversa ou benéfica, total ou parcialmente, resultante das atividades, produtos ou serviços de uma organização”.
Aspectos ambientais são atividades que interagem com o meio ambiente e impactos são mudanças no meio ambiente resultantes dessa interação.
O relacionamento entre aspectos ambientais e impactos ambientais é o de causa e efeito. O aspecto é a causa e os impactos ambientais são os efeitos. A norma sugere um procedimento para a identificação dos aspectos e impactos:
  • Selecionar uma atividade ou processo, bem caracterizados e definidos no fluxograma operacional;
  • Identificar todos os aspectos ambientais e realizar a análise de risco da situação, através de árvores de falha ou qualquer método de análise consagrado;
  • Identificar os impactos reais ou potenciais associados com o aspecto considerado (como possibilidades de contaminação de solo e/ou água);
  • Avaliar a importância dos impactos.
Para avaliação da importância devemos considerar a escala do impacto, sua gravidade, a probabilidade de ocorrência e o tempo de duração. Estas informações do diagnóstico ambiental são fundamentais para que a partir da institucionalização de uma política ambiental, se proceda a elaboração de um Sistema de Gestão Ambiental, que preveja medidas mitigadoras, atenuadoras e compensatórias se for o caso, associadas a um rígido esquema de análise de risco, com plano de monitoramento, emergência e contingenciamento de cada situação.
Este procedimento irá subsidiar também uma etapa de objetivos e alvos dentro da política ambiental, que proponha melhoria nos aspectos ambientais que produzam impactos significativos. Apenas para exemplificar, a redução do uso de solventes químicos e a substituição por elementos de limpeza biodegradáveis.
Todo levantamento de campo favorece a elaboração de relatórios que sustentem a substituição de tecnologias por melhores e mais evoluídas práticas produtivas, possibilitem a formulação de contabilidades de custo ambiental e auxiliem na prevenção da ocorrência de ações cujos efeitos possam ser poluidores em potencial.
Todas as constatações devem ser claramente expressas e relacionadas aos requisitos protocolares que as amparam, de forma a permitir um registro de todas as inconformidades e inadimplências constatadas. Para tratar uma questão primeiro é necessário diagnosticar corretamente a situação.
Não existe normatização consensual sobre os itens considerados relevantes, mas é possível citarmos os seguintes (sem considerar a ordem de importância):
  • Ecodesign de produtos (quando aplicável);
  • Eficiência energética;
  • Otimização no uso de recursos hídricos;
  • Tratamento de Efluentes Líquidos;
  • Gestão de resíduos sólidos;
  • Monitoramento de emissões atmosféricas;
  • Programas de responsabilidade socioambientais continuados;
  • Programas de treinamento de pessoal sistemáticos;
  • Aspectos gerais de paisagismo, urbanização e manutenção estética;
  • Itens relacionados com manutenção adequada de máquinas e equipamentos para evitar acidentes que gerem impactos ambientais e seus consequentes efeitos ambientais;
  • Itens relacionados com segurança de trabalho que tenham interfaces relevantes com questões ambientais;
  • Itens relacionados com saúde ocupacional que apresentem intersecções importantes com questões de meio ambiente, como aspectos ecotoxicológicos e outros;
  • Aspectos de percepção ambiental interna dos colaboradores e percepção ambiental externa dos fornecedores, clientes, acionistas, organizações não-governamentais e do público em geral;
  • A existência ou a predisposição de relacionar aspectos ambientais com itens relativos a responsabilidade social e ações de responsabilização social na área ambiental, além dos limites da empresa, para incremento da percepção ambiental externa.
Os três primeiros itens constituem a base do que se percebe como questão ambiental fundamental das organizações, mas podemos acrescentar que todos os demais itens tem sua importância absoluta e relativa cada vez maior.
A lista pode ser estendida de acordo com o conhecimento, a experiência e a criatividade dos envolvidos e os objetivos das ações propostas.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Nota do EcoDebate: sobre o mesmo tema sugerimos que leiam, também, os artigos anteriores desta série:

EcoDebate, 02/07/2013

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