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domingo, 22 de setembro de 2013

Diagnóstico precoce é o principal desafio no combate ao linfoma

O diagnóstico precoce continua sendo o maior desafio do Brasil na luta contra o linfoma. No Dia Internacional de Conscientização sobre Linfomas, ontem (15), especialistas do setor elogiaram os avanços nas políticas públicas, mas alertaram que falta infraestrutura na saúde pública e privada para garantir que o linfoma seja detectado mais cedo e tratado com rapidez.
A presidenta da Associação Brasileira de Linfomas e Leucemia (Abrale), Merula Steagall, elogiou a Lei 12.732 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12732.htm), em vigor desde maio, que estabelece prazo máximo de 60 dias para que pessoas com câncer iniciem o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, ela alerta que para a lei ser cumprida é fundamental investir em equipamentos e pessoal nas unidades de Saúde.
“As pessoas acabam demorando muito para ter o diagnóstico, muitas vezes por causa do sistema, pois a solicitação de exames demora muito”, disse. Esse prazo ainda está demorando cerca de seis meses, o que é tempo demais para esse tipo de câncer”, acrescentou Steagall.
Outro problema levantado por pela presidenta da Abrale é o diagnóstico equivocado do subtipo do linfoma que são mais de 80, segundo ela. “Ainda há muita confusão e o paciente acaba tendo tratamento para um tipo de linfoma que não é o seu”, declarou.
O diretor de Especialidades da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Marco Antonio Dias Filho, explicou que poucos patologistas, responsáveis por diagnósticos de linfoma, que têm hoje à disposição ferramentas necessárias para detectar. “Muitos centros de diagnósticos não desenvolvem métodos imunohistoquímicos ou de patologia molecular, com soros específicos, que são o principal método de diagnóstico de linfoma”, disse.
A técnica imunohistoquímica compreende procedimentos que usam anticorpos como reagentes específicos que definem se o linfoma é de Hodgkin ou não Hodgkin e, entre os não Hodgkin, se são de células B ou T, além de cada subtipo de linfoma.
O SUS garante a cobertura completa do tratamento de linfomas, que conta a partir da confirmação do diagnóstico. Os pacientes podem passar por cirurgia ou iniciar sessões de quimioterapia ou radioterapia, conforme a indicação de cada caso. Entretanto, para o diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Carlos Chiattone, atualizar os protocolos dos tratamentos é fundamental para controlar a doença e evitar que pacientes tenham que ser tratados novamente.
“É evidente que o custo dessas novas terapias é muito elevado. Mas é importante que o governo discuta com a indústria farmacêutica, negocie o preço, e que escolha um cronograma de introdução dessas novas medicações”, declarou o médico.
Uma pesquisa da Abrale aponta que 42% das pessoas precisaram de apoio jurídico para ter acesso a medicamentos e exames. “Um índice muito grande, pois a Constituição garante ao paciente tratamento adequado”, disse Seagall. “Enquanto o governo não atualiza as novas drogas o paciente pode por via jurídica conseguir acesso no SUS”, completou.
O governo está analisando alguns fármacos e deve incorporar em breve os anticorpos monoclonais (rituximabe) a pacientes com linfoma não Hodgkin (LNH) de células B, folicular, CD20 positivo. Esse é segundo mais frequente tipo de linfoma e um dos mais agressivos. “Esperamos que o governo disponibilize o rituximabe o mais rápido possível para esse tipo de linfoma. Com esse anticorpo, agregado à quimioterapia, você aumenta a taxa de cura na cura em 20% especificamente para esse tipo de linfoma difuso de grandes células B”, disse o diretor da ABHH.
Linfoma mata cerca de 4 mil pessoas anualmente no Brasil, segundo o Inca
Cerca de 4 mil pessoas morrem anualmente em consequência de linfoma no Brasil. Os dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam ainda que por ano são registrados 10 mil casos da doença. Nos últimos 20 anos a incidência de linfoma dobrou, mas o desconhecimento sobre esse tipo de câncer pela população preocupa a comunidade médica e especialistas.
De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Carlos Chiattone, 70% da população não sabe o significado da palavra linfoma. “O linfoma é a sexta principal causa de câncer no Brasil, mas a maioria da população desconhece o linfoma e quais são os sintomas”, disse Chiattone. Ele defendeu que as autoridades invistam mais em campanhas informativas mais frequentes sobre a doença.
Para a presidenta da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Merula Steagall, quanto mais rápido for feito o diagnóstico, maiores são as chances de cura. “Uma pesquisa da Abrale aponta que 32% das pessoas foram diagnosticadas com linfoma no exame de check-up, sem apresentar sinal nenhum. É importante as pessoas fazerem os exames anuais e estar atentas para a saúde”.
O diretor de Especialidades da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Marco Antonio Dias Filho, explicou que o linfoma acomete a todos indistintamente. Mas a desinformação e a falta de acesso ao tratamento são os maiores obstáculos à diminuição do número de mortes. “Apesar de incidir mais em pessoas mais pobres, pela falta de informação e de acesso ao sistema de saúde, essa é uma doença democrática e mata muito rápido. Sem tratamento a maioria dos pacientes morre”, explicou o médico.
Como não existe método preventivo para o linfoma, é importante ficar alerta a alguns sinais como nódulos no pescoço, na região axilar, virilha, febre, suor profundo à noite e perda de peso. Os caroços são indolores e se o paciente detectar esses nódulos por mais duas semanas é bom que ele procure um médico para fazer o diagnóstico precoce”, alertou o patologista.
O índice de incidência da doença dobrou nos últimos anos no país e chega a cerca de 10 mil casos, segundo dados do Inca. De acordo com Dias Filho, somente no centro de referência onde trabalha, em Belo Horizonte, são diagnosticados entre sete e 15 pessoas por semana com algum tipo de linfoma.
Os linfomas são cânceres das células do sistema imunológico e podem se manifestar de diferentes formas em qualquer lugar do corpo em que haja células linfáticas. Eles se dividem em dois grupos: Hodgkin e não Hodgkin. O primeiro tem cura em torno de 90% e o segundo grupo é mais complexo, com mais de 50 subtipos com manifestações clínicas e prognósticos distintos. A biópsia, que é feita pelo patologista, consiste em pequena amostra de tecido. As opções terapêuticas geralmente são quimioterapia, radioterapia e transplante de medula óssea.
As pessoas podem tirar dúvidas e solicitar apoio relacionado à doença pelo telefone 08007739973 da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) ou no sitehttp://www.juntoscontraolinfoma.com.br/. A campanha da Abrale deste ano convoca a população a se informar sobre os sintomas (http://www.youtube.com/watch?v=2OPkzOUaWgA#t=116).
Reportagem de Flávia Villela, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 16/09/2013

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