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domingo, 22 de setembro de 2013

O combustível que você não vê

Petróleo derramado no mar chegou à praia de Tramandaí, litoral norte do Rio Grande do Sul, em 2012. Foto: Blogue Os Verdes/RSHidrocarboneto, quando em contato com a água, é capaz de se dissolver em milhões de partes, afetando ecossistemas e pessoas
Por Larissa Straci, da Ag Solve/Boletim InfoAmbiental


Petróleo derramado no mar chegou à praia de Tramandaí, litoral norte do Rio Grande do Sul, em 2012. Foto: Blogue Os Verdes/RS

Quantas vezes em nossa vida, ouvimos dizer que um determinado composto não se mistura com a água ou é completamente insolúvel? Mas nem sempre esta informação está correta. “Alguns compostos possuem uma solubilidade baixa, o que significa que irão se dissolver em concentrações muito pequenas – da ordem de partes por milhão ou partes por bilhão. O problema é que muitos desses compostos, mesmo em concentrações baixas, podem colocar em risco a saúde humana e os ecossistemas”, esclarece Juliana Gardenalli de Freitas, professora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e especialista na área de contaminação e remediação de solos e águas.
Os hidrocarbonetos (derivados do petróleo) são exemplos de compostos com baixa solubilidade. Quando o contaminante entra em contato com a água, uma pequena fração se dissolve. A barreira de contenção evita a dispersão do composto químico somente na parte superior dos corpos hídricos, mas não evita a contaminação em outros locais. “O contaminante dissolvido é um problema grave, pois é facilmente transportado e pode atingir sistemas de captação de água para abastecimento e outros receptores que estejam distante da fonte. Além disso, a fração dissolvida está mais biodisponível, sendo facilmente incorporada pelos organismos”, confirma a especialista.
Nos últimos anos, diversos acidentes ambientais envolvendo atividades de exploração, transporte, distribuição e armazenamento de petróleo estão causando sérios danos ao meio ambiente. “Mais de 80 acidentes ambientais de alta e média gravidade lançaram nos mares e oceanos nos últimos 70 anos cerca de 7,4 bilhões de litros de petróleo. Somente os dez maiores desastres da história foram responsáveis por 68% deste total”, comenta o especialista em instrumentação hidro-meteorológica da Ag Solve, Mauro Banderali, baseado em dados publicados na Revista Exame, em 2010.
Contaminação afeta ecossistema
A contaminação dos corpos d’água por hidrocarbonetos podem representar um risco para os ecossistemas aquáticos e para a saúde humana. “Os efeitos variam, dependendo do composto. Alguns hidrocarbonetos são carcinogênicos e, portanto, podem aumentar o risco de desenvolvimento de câncer. Outros são tóxicos e podem causar diversos efeitos à saúde humana e aos organismos aquáticos”, comenta Juliana Gardenalli de Freitas.
A concentração de oxigênio dissolvido na água pode diminuir quando há contaminação por hidrocarbonetos. “Isso ocorre porque os microrganismos presentes no meio podem degradar esses poluentes, que são convertidos a gás carbônico e água. Grande parte dos microrganismos utiliza oxigênio na reação de degradação dos poluentes, num processo aeróbio. No entanto, a quantidade de oxigênio necessária para a biodegradação dos hidrocarbonetos é alta. Então, rapidamente o oxigênio dissolvido na água é consumido e o meio se torna anaeróbio”, explica a professora da UNIFESP.
A contaminação das águas por hidrocarbonetos é bastante comum e pode-se originar de diversas fontes, como postos de combustíveis, escoamento superficial em áreas urbanas, indústrias e exploração de petróleo. “Devido a sua frequência de ocorrência e risco associado, é importante que ocorra o monitoramento de hidrocarbonetos, para garantir a segurança das águas de abastecimento e dos ecossistemas. As nossas legislações de potabilidade e enquadramento de corpos d’água incluem alguns desses hidrocarbonetos, como o benzeno e benzo(a)pireno”, defende Juliana Gardenalli de Freitas.
Colaboração de Larissa Straci, da Ag Solve, para o EcoDebate, 17/09/2013

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