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sábado, 15 de outubro de 2016

Negrinha - Monteiro Lobato

Titulo: Negrinha
Autor: Monteiro Lobato
Uma das grandes vantagens dos blogs é podermos partilhar opiniões. A deise do blog meneleubiblioteca falo-me sobre Negrinha de Monteiro Lobato (1882-1948), grande escritor brasileiro que eu não conhecia. Segunda ela, o autor está a ser acusado da sua obra ser racista. Pois bem, este foi o único trabalho que li de Monteiro Lobato, por isso o meu comentário é apenas deste conto e não de toda a obra do escritor, mas na minha modesta opinião quem escreve um conto como este é tudo menos racista.
Parti do pressuposto que esta obra era recente – um livro com 20 anos é recente – por isso, vi neste conto um género de alegoria, pois acredito que casos destes já devem ser raros, para não dizer nulos. Bom estava enganado, a obra foi publicada em 1920. Nessa altura os maus tratos a crianças não deviam ser assim tão raros, se fossem negras o caso ainda seria pior. Dizem que Monteiro Lobato era racista? Alguém que o afirma, além de não ter lido bem a obra, também não pode conhecer o contexto histórico da altura. Então vejam:
Encontramos um escritor preocupado com os maus tratos às crianças (Veio o ovo. Dona Inácia mesmo pô-lo na agua a ferva…Seus olhos contentes envolviam a miséria da criança que, encolhida a um canto, aguardava trêmula alguma coisa de nunca visto. Quando o ovo chegou ao ponto a boa senhora chamou: - Venha cá – Negrinha aproximou-se – Abra a boca – Negrinha abriu a boca, como o cuco, e fechou os olhos. A patroa, então, com uma colher, tirou da água “pulando” o ovo a zás! Na boca da pequena) preocupado com o racismo (“essa indecência de negro igual a branco”), preocupado com a “caridadezinha” de muitos (“Não se pode ser boa nesta vida…Estou criando aquela pobre órfã, filha de Cesário, mas que trabalheira me dá!”), preocupado com uma Igreja que no purgatório tudo perdoa aos ricos (“Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos pobres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu”), também é destacado a capacidade que os mais oprimidos têm em perdoar.
Tal como outros grandes escritores como Doris Lessing ou Hertha Muller, a história é levado ao extremo e consequentemente os efeitos também. O leitor conhecera outras histórias, talvez menos graves, menos chocantes, mas também elas capazes de provocar o sofrimento, a dor ou a angústia. Um conto dura, muito duro, onde crueldade humana é demonstrada mas também fica provado que existe seres humanos preocupados com essas atrocidades.
Boa leitura....

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