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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Moro condenou Lula sem provas

Moro condenou Lula sem provas

por Juremir

O Brasil passou por grandes solavancos neste brevíssimo século XXI.

Em 2002, foi eleito presidente da República um ex-operário com reduzido nível de instrução formal. Lula introduziu no país um mínimo de Estado do Bem-Estar Social. Nunca a maioria viveu menos mal no Brasil como nesses poucos primeiros anos deste começo de milênio. Surgiu até uma classe C com poder aquisitivo. Em 2010, foi eleita a ex-guerrilheira Dilma Rousseff, a primeira mulher a comandar o país. Nesse meio tempo os escândalos de corrupção passaram a pipocar. O mensalão petista abalou a república. O poderoso José Dirceu virou presidiário. Alguns anos se passaram. A corrupção continuou. Surgiu a operação Lava Jato. Entrou em cena o desconhecido juiz Sérgio Moro. Tudo mudou. Vejamos.

Dilma foi apeada do poder em nome da moralidade e dos bons costumes. Assumiu Michel Temer. As panelas que bateram contra a roubalheira nos governos petistas silenciaram para sempre. O silêncio ensurdece. O mensalão tucano não foi julgado até hoje em segunda instância mesmo tendo acontecido antes do seu homônimo petista. Em breve a Câmara dos Deputados deve salvar Michel Temer de um processo no STF por corrupção. Aécio Neves foi acusado, com fartura de provas, de receber dinheiro da JBS. O próprio dono da empresa, Joesley Batista, delatou o tucano com riqueza de detalhes. Apesar disso, o mineiro reassumiu seu mandato de senador e passou longe de qualquer prisão preventiva. Muitos empresários foram presos e tornaram-se delatores. A maioria já voltou para suas mansões onde passam o tempo contando seus metais e vendo séries da Netflix. Restam Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro. Nenhum ficará cinco anos atrás das grades. Batista, mesmo tendo confessado uma penca de crimes, entre os quais o de comprar juízes e um procurador, foi perdoado e voa pelo mundo.

A Lava Jato agoniza. Michel Temer e seus amigos trabalham à luz do dia para desmontá-la. Aparelham o Estado com eficácia. Botaram um ministro da Justiça no STF. Nomearam uma Procuradora-Geral da República afinada com o temerismo. Nos intervalos, os temeristas aprovam reformas radicais com a da legislação trabalhista. Temer matou Getúlio Vargas pela segunda vez. A sangue frio. Realizou o sonho de Fernando Henrique Cardoso e de Fernando Collor. Agiu a mando do mercado e de parte da mídia cavalgando uma suposta ideologia da modernização que horrorizaria os atrasados suecos e os austeros alemães. Sergio Moro, no apagar dos seus holofotes, cumpriu seu ideal. Tornou-se uma nota de rodapé na biografia de Lula, a quem condenou, sem provas, a mais de nove anos de cadeia, tempo suficiente para uma prisão fechada. Moro já pode sair de cena. Lula queixa-se de que jamais morou no tríplex que lhe é atribuído e que não existe documento provando ser ele o proprietário do imóvel. Moro vê nessa falta de provas a prova cabal de um crime praticado por Lula.

A prova indiciária é nome da falta de provas. Como todo efeito tem uma causa, há de existir uma causa primeira que tudo causa ser causada por nada. É Lula. Moro é o novo rei da escolástica medieval.

Lula é o motor imóvel que tudo move sem ser movido.

Sérgio Morou cumpriu sua missão. Já pode escrever suas memórias ou ser candidato à presidência da República. O Brasil voltou a andar nos trilhos: Michel Temer é presidente, Aécio, senador, empresários corruptos estão nas suas mansões aconchegantes, milhares de anos de condenação foram perdoados, parte do dinheiro da corrupção foi recuperada, parte foi deixada com os “colaboradores” em nome de um Brasil passado a limpo. Saldo da Lava Jato: Lula condenado. Qual a diferença entre a Lava Jato e a operação Mãos Limpas? Esta derrubou todos os partidos italianos tradicionais e abriu caminho para Silvio Berlusconi. A Lava Jato foi menos voraz. Caçava uma cabeça. Só o TRF-4 pode tomar-lhe o troféu.

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