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domingo, 15 de março de 2020

Musica Luar do Sertão e sua história centenária

Luar do Sertão

Luar do Sertão é uma toada brasileira de grande popularidade. Seus versos simples e ingênuos elogiam a vida no sertão, especialmente o luar. Foi originalmente um coco sob o título "Engenho de Humaitá". Catulo da Paixão Cearense defendeu em toda a sua vida que era seu autor único, mas hoje em dia se dá crédito da melodia a João Pernambuco (1883-1947). É uma das músicas brasileiras mais gravadas de todos os tempos.

Polêmica sobre autoria
O tema pode ter origem no coco É do Maitá ou Meu Engenho é do Humaitá, de autor anônimo. Este coco integrava o repertório de João Pernambuco e teria sido por ele transmitido a Catulo, como tantos outros temas. Ao menos, isso é o que se deduz dos depoimentos de personalidades como Heitor Villa-Lobos, Mozart de Araújo, Sílvio Salema e Benjamin de Oliveira, publicados por Henrique Foréis Domingues no livro No tempo de Noel Rosa.

Homem simples, sequer alfabetizado, João Pernambuco, a certa altura de sua vida, queixava-se de ter sido vítima de plágio, por parte de Catulo, quanto à autoria desta modinha. Segundo Mozart Bicalho, Catulo "disse uma vez que o Luar do sertão era uma melodia nortista, mais ou menos pertencente ao domínio folclórico". O próprio Catulo, em entrevista a Joel Silveira, declarou: "Compus o Luar do Sertão ouvindo uma melodia antiga (...) cujo estribilho era assim: 'É do Maitá! É do Maitá'". O historiador Ary Vasconcelos, em Panorama da música popular brasileira na belle époque, diz que teve a oportunidade de ouvir Luperce Miranda tocar ao bandolim duas versões do É do Maitá: a original e "outra modificada por João Pernambuco", esta realmente muito parecida com Luar do sertão".

Leandro Carvalho, estudioso da obra de João Pernambuco e organizador do CD João Pernambuco - O Poeta do Violão (1997), declarou: "Por onde João andava, Catulo estava atrás, anotando tudo; foi o que aconteceu com Luar do Sertão: Catulo ouviu, mudou a letra e disse que era sua".
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O Pinguço - Trio Parada Dura

O Pinguço
Trio Parada Dura


Aquele pinguço que vai cambaleando
Sorrindo e cantando a cumprir sua sina
Já foi proprietário aqui nesta vila
Da mansão mais linda da rua de cima
Porém certo dia um amor arranjou
E tudo passou no nome da amada
Que quando pegou os documentos na mão
Naquela mansão proibiu sua entrada

Agora é madame orgulhosa e rica
A mansão bonita agora é sua
Assim fez de um homem honesto e honrado
O esfarrapado pinguço de rua

Coitado perdeu para a amante maldosa
A mansão valiosa e tudo afinal
É a razão que um homem se entrega à bebida
Perdendo na vida ilusão e a moral

Enquanto hoje dorme na calçada fria
Aquele que um dia foi homem de bem
Em cama de prata feliz dorme agora
Quem foi em outrora mulher de ninguém

Composição: Criolo / Praense
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Herdeiro da Pampa Pobre - Gaúcho da Fronteira

Herdeiro da Pampa Pobre
Gaúcho da Fronteira


Mas que pampa é essa que eu recebo agora
Com a missão de cultivar raízes
Se dessa pampa que me fala a estória
Não me deixaram nem se quer matizes?

Passam as mãos da minha geração
Heranças feitas de fortunas rotas
Campos desertos que não geram pão
Onde a ganância anda de rédeas soltas

Se for preciso, eu volto a ser caudilho
Por essa pampa que ficou pra trás
Porque eu não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai

Herdei um campo onde o patrão é rei
Tendo poderes sobre o pão e as águas
Onde esquecidos vive o peão sem leis
De pés descalços cabresteando mágoas

O que hoje herdo da minha grei chirua
É um desafio que a minha idade afronta
Pois me deixaram com a guaiaca nua
Pra pagar uma porção de contas ...refrão

Eu não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai

Eu não quero deixar pro meu filho
A pampa pobre que herdei de meu pai

Composição: Vaine Darde / Gaúcho Da Fronteira
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

A Mudança - Zezeti e Ademir

A Mudança
Zezeti e Ademir


Minha infância eu passei lá na roça
Ah, que vida gostosa que eu tinha
Meu pai era um homem forte
Minha mãe muito alegre e novinha
Os vizinhos da redondeza
Lá de casa então não saíam
Eu confesso que nunca me esqueço
Dos bailes, das festas, dos terços
Que papai quase sempre fazia

Quando eu completei quinze anos
Certo dia meu pai decidiu
Nós vamos mudar pra cidade
A notícia meu peito partiu
Deu quase de graça a nossa mudança
E o que não vendeu, ele repartiu
O nosso cavalo de estimação
No acerto de contas ficou pro patrão
Notei nos seus olhos a dor que sentiu

Nossa casa tinha oito quartos
Duas salas e uma despensa
Na cozinha um fogão de lenha
E pra fora uma varanda imensa
Hoje moramos amontoados
A casinha parece uma prensa
Lá no sítio era tanta fartura
Hoje a gente come sem mistura
Eu sinto da roça uma saudade imensa

Se você hoje me perguntar
Se de novo eu pudesse escolher
A cidade ou a velha fazenda
Que eu nasci e que me viu crescer
Com certeza eu voltava pra lá
E a primeira coisa que eu ia fazer
Cair de joelhos e beijar o chão
Arrancar a saudade do meu coração
E de lá sair só quando eu morrer

Composição: Genel / Genil / Preferido
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Pampa na Garupa - Iedo Silva

Pampa Na Garupa
Iedo Silva


Com cavacos do ofício
Faço fogo na fogueira
Com a água do Guaíba
Faço chiar a chaleira
Tomo um gole do amargo da saudade
Erva buena da Palmeira
Vou repontando querências
Ajoujadas com o Rio Grande
Com este pampa na garupa
Em qualquer lugar que eu ande

Na minha mala de garupa
Não me falta quase nada
Cachaça de Santo Antônio
Numa guampa pendurada
Fumo bom de Sobradinho
E a palha da encruzilhada
Vou repontando querências
Ajoujadas com o Rio Grande
Com este pampa na garupa
Por qualquer lugar que eu ande

Preparo meu carreteiro
À minha moda campeira
Charque gordo de Bagé
E o arroz de Cachoeira
Temperado com a viola
E uma cantiga missoneira
Vou repontando querências
Ajoujadas com o Rio Grande
Com este pampa na garupa
Por qualquer lugar que eu ande

Meu pingo vem estropiando
Troteou a semana inteira
Vim pra uma changa tratada
Cá pras bandas da fronteira
Vou desencilhar o pingo, hoje é domingo
Começo segunda-feira
Vou repontando querências
Ajoujadas com o Rio Grande
Com este pampa na garupa
Por qualquer lugar que eu ande

Composição: Iedo Silva
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Franguinho na Panela - Cezar e Paulinho

Franguinho Na Panela
Cezar e Paulinho


No recanto onde moro é uma linda passarela
O carijó canta cedo, bem pertinho da janela
Eu levanto quando bate o sininho da capela
E lá vou eu pro roçado, tenho Deus de sentinela
Tem dia que meu almoço é um pão com mortadela
Mas lá no meu ranchinho, a mulher e os filhinhos
Têm franguinho na panela

Eu tenho um burrinho preto bão de arado e bão de sela
Pro leitinho das crianças, a vaquinha Cinderela
Galinhada no terreiro e um papagaio tagarela
Eu ando de qualquer jeito, de botina ou de chinela
Se na roça a fome aperta, vou apertando a fivela
Mas lá no meu ranchinho, a mulher e os filhinhos
Têm franguinho na panela

Quando eu fico sem serviço, a tristeza me atropela
Eu pego um bico pra fora, deixo cedo a corrutela
Eu levo meu viradinho, é um fundinho de tigela
É só farinha com ovo, da gema bem amarela
É esse o meu almoço, que desce seco na goela
Mas lá no meu ranchinho, a mulher e os filhinhos
Têm franguinho na panela

Minha mulher é um doce, diz que eu sou o doce dela
Ela faz tudo pra mim, e tudo que eu faço é pra ela
Não vestimos lã nem linho, é no algodão e na flanela
É assim a nossa vida, que levamos na cautela
Se eu morrer, Deus dá um jeito, mas a vida é muito bela
Não vai faltar no ranchinho, pra mulher e os filhinhos
O franguinho na panela

Composição: Moacyr dos Santos / Paraíso
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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Dia de Chuva - Walter Morais

Dia de Chuva
Walter Morais

Hoje amanheceu chovendo
Mas eu não posso parar
No galpão todos cochilam
Eu tive que levantar
Tem vaca pra tirar leite
E potros pra galopear
Eu sempre fui peão de estância
Gosto daquilo que faço
Barro o galpão faço bóia
E com solingem de aço
Vou lonquear um couro preto
E tirar uns tentos pra o laço

O gado adivinha a chuva
Soprando bafo das ventas
E relampeia cruzado
Que o índio ate não aguenta
Eu passo a mão no machado
E benzo mais uma tormenta
Assim e a vida da gente
Do fundão duma fazenda
Aproveito os dias de chuva
Para aumentar minha renda
Faço cinto e tranço corda
Que indiada que me encomenda

As minhas obrigações
Todas elas eu atendo

E hoje vou lidar com corda 2x
Por que amanheceu chovendo

A chuva não para nunca
E depois de um chimarão
Vou laçar lá na mangueira
Um lobuno do patrão
Pois mesmo deitando água
Eu vo tontia ele a tirao
Já de volta no galpão
Engraxo bem meu lombilho
Espicho o laço no aramado
E pra um guacho doradilho
Debulha a força de dedo
Uma meia bolsa de milho

As minhas obrigações
Todas elas eu atendo

E hoje vou lidar com corda 2x
Por que amanheceu chovendo

[De noite segue chovendo e a peonada se assanha
Eu pego meu violão, bombeio, tomo uma canha essa
E assim que se passa a vida, quando chove na campanha parte
Falquejo uma canga buena para os cascos do petiço falada
Pois eu só adulo o patrão fazendo bem meu serviço]

As minhas obrigações
Todas elas eu atendo

E hoje vou lidar com corda 2x
Por que amanheceu chovendo

Por que amanheceu chovendo 4x

Composição: Walter Morais
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sábado, 22 de fevereiro de 2020

O Ipê e o Prisioneiro - Lourenço e Lourival

O Ipê e o Prisioneiro
Lourenço e Lourival

Quando há muitos anos fui aprisionado nesta cela fria
Do segundo andar da penitenciária lá da rua eu via
Quando um jardineiro plantava um ipê e ao correr dos dias
Ele foi crescendo e ganhando vida enquanto eu sofria

Meu ipê florido Junto à minha cela
Hoje tem altura de minha janela
Só uma diferença há entre nós agora
Aqui dentro as noites não tem mais aurora
Quanta claridade tem você lá fora

Vejo em seu tronco cipó parasita te abraçando forte
Enquanto te abraça, suga sua seiva, te levando à morte
Assim foi comigo, ela me abraçava depois me traía
Por isso a matei e agora só tenho sua companhia

Meu ipê florido Junto à minha cela
Hoje tem altura de minha janela
Só uma diferença há entre nós agora
Aqui dentro as noites não tem mais aurora
Quanta claridade tem você lá fora

Composição: Jose Fortuna / Paraíso
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Do Fundo da Grota - Baitaca

Do Fundo da Grota
Baitaca


Fui criado na campanha
Em rancho de barro e capim
Por isso é que eu canto assim
Pra relembrar meu passado
Eu me criei arremedado
Dormindo pelos galpão
Perto de um fogo de chão
Com os cabelo enfumaçado

Quando rompe a estrela D'alva
Aquento a chaleira
Já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio
Relincha na estrebaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empoleirada

Escuto o grito do sorro
E lá no piquete
Relincha o potro tordilho
Na boca da noite
Me aparece um zorrilho
Vem mijá perto de casa
Pra enticar com a cachorrada

Numa cama de pelego
Me acordo de madrugada
Escuto uma mão-pelada
Acuando no banhadal
Eu me criei xucro e bagual
Honrando o sistema antigo
Comendo feijão mexido
Com pouca graxa e sem sal

Quando rompe a estrela D'alva
Aquento a chaleira
Já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio
Relincha na estrebaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empoleirada

Escuto o grito do sorro
E lá no piquete
Relincha o potro tordilho
Na boca da noite
Me aparece um zorrilho
Vem mijá perto de casa
Pra enticar com a guapecada

Reformando um alambrado
Na beira de um corredor
No cabo de um socador
Com as mão brotiada de calo
No meu mango eu dou estalo
E sigo a minha campeirada
E uma perdiz ressabiada
Voa e me espanta o cavalo

Quando rompe a estrela D'alva
Aquento a chaleira
Já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio
Relincha na estrebaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empoleirada

Escuto o grito do sorro
E lá no piquete
Relincha o potro tordilho
Na boca da noite
Me aparece um zorrilho
Vem mijá perto de casa
Pra enticar com a cachorrada

Lá no centro do capão
Ouço o piar de um nambú
Numa trincheira o jacú
Grita o sabiá nas pitanga
E bem na costa da sanga
Berra a vaca e o bezerro
No barulho dos cincerro
Eu encontro os bois de canga

Quando rompe a estrela D'alva
Aquento a chaleira
Já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio
Relincha na estrebaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empoleirada

Escuto o grito do sorro
E lá no piquete
Relincha o potro tordilho
Na boca da noite
Me aparece um zorrilho
Vem mijá perto de casa
Pra enticar com a guapecada

Composição: Baitaca
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Amargurado Tião Carreiro e Pardinho

Amargurado
Tião Carreiro e Pardinho


O que é feito daqueles beijos que eu te dei
Daquele amor cheio de ilusão
Que foi a razão do nosso querer
Pra onde foram tantas promessas que me fizestes
Não se importando que o nosso amor viesse a morrer

Talvez com outro estejas vivendo bem mais feliz
Dizendo ainda que nunca houve amor entre nós
Pois tu sonhavas com uma riqueza que eu nunca tive
E se ao meu lado muito sofrestes
O meu desejo é que vivas melhor

Vai com Deus, sejas feliz com o teu amado
Tens aqui um peito magoado
Que muito sofre por te amar
Eu só desejo que a boa sorte siga teus passos
Mas se tiveres algum fracasso
Creias que ainda te possa ajudar

Composição: Dino Franco / Tião Carreiro
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Por Um Pedaço de Terra - Xirú Missioneiro

Por Um Pedaço de Terra
Xirú Missioneiro

A gente vaga sem rumo levando o que tem nas costas
A nossa bandeira é a esperança onde o futuro se aposta
Erguemos ranchos campeiros arando é que se cultiva
E semeamos velhos sonhos nesta área improdutiva
No arrastão contra a fome, velhos, moços e crianças
Fecundando solos pobres acasalam a esperança
Deus deu a terra pra todos dela o sustento tirar
Mas uns tem tanto e não plantam e tantos sem onde plantar

Se tem tanta terra ao menos que na lonjura se somem
Por que nos deixam vagando nos descaminhos da fome?
Achando terra sem uso meu povo chega e acampa
Pra ver se criam raízes num pedacinho da pampa (2x)

De longe um rico proprietário num latifúndio da serra
Vê enxadas abrindo sulcos parindo frutos da terra
Passam-se os dias e os meses e nunca resolvem nada
Meu povo segue sofrendo no acampamento da estrada
Fazem o povo galopear atrás do cadastramento
Mas nunca acham lugar pra fazer o assentamento
A reforma só existe na ficção dos decretos
E nós só querendo um canto pra criar filhos e netos

Se tem tanta terra ao menos que na lonjura se somem
Por que nos deixam vagando nos descaminhos da fome?
Achando terra sem uso meu povo chega e acampa
Pra ver se criam raízes num pedacinho da pampa...

Xirú Missioneiro · Jorge Guedes
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Escolta de Vagalumes - Rick e Renner

Escolta de Vagalumes
Rick e Renner


Voltando pra minha terra eu renasci
Nos anos que fiquei distante acho que morri
Morri de saudade dos pais irmãos e companheiros
Que ao cair da tarde no velho terreiro
Agente cantava as mais lindas canções

Viola afinada e na voz dueto perfeito
Longe eu não cantava doía meu peito
Na cidade grande só tive ilusões

Estribilho:

Mas voltei, mas voltei, eu voltei
E ao passar a porteira a mata e o perfume
Eu fui escoltado pelos vaga-lumes
Pois era uma linda noite de luar

Mas chorei, mas chorei, eu chorei
Ao ver meus pais meus irmãos vindo ao meu encontro
A felicidade misturou meu pranto
Com o orvalho da noite deste meu lugar

Ganhei dinheiro lá fora mas foi tudo em vão
A natureza é meu mundo, eu sou o sertão
Correr pelos campos floridos feito um menino
Esquecer as magoas e os desatinos
Que a vida lá fora me proporcionou

Ouvi o sabiá cantando e a juriti
E a felicidade de um bem-te-vi
Que parece dizer meu amigo voltou

Composição: Luiz Carlos Garcia / Zezety
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Depois da Lida - César Oliveira e Rogério Melo

Depois da Lida
César Oliveira e Rogério Melo


No ranchito já me espera a companheira
Com um amargo bem cevado só pra mim
E na estrada quando ela vê a poeira
Fica feliz porque meu dia chega ao fim.

Me recebe com um sorriso cristalino
E já endaga como está o meu cansaço
Então eu digo que me sinto um menino
Quando estou no aconchego dos seus braços.

E me beija perguntando do meu dia
E me diz em um segundo o que fez
A saudade é tanta que parecia
Que ela nao me via a mais de um mês.

A noite quente vem chegando sorrateira
E seu olhar já atiça meus sentidos
Ela insinua que existe uma mulher
Toda minha dentro do vestido.

Prometo tanta coisa pra minha linda
Até arco-íris cheio de cor
Mas ela sabe que minha fortuna
Se resume só no meu amor.

A melodia seresteira nas aguadas
Pede garupa no lombo do vento
E nos faz uma serenata campeira
Quando entra pelo rancho a dentro.


Composição: CESAR OLIVEIRA / ROBERTO HUERTA
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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Terra Tombada - Chitãozinho e Xororó

Terra Tombada
Chitãozinho e Xororó


É calor de mês de agosto
É meados de estação
Vejo sobras de queimadas
E fumaça no espigão

Lavrador tombando terra
Dá de longe a impressão
De losângulos cor de sangue
Desenhados pelo chão

Terra tombada é promessa
De um futuro que se espelha
No quarto verde dos campos
A grande cama vermelha

Onde o farto das sementes
Faz brotar de suas covas
O fruto da natureza
Cheirando a criança nova

Terra tombada
Solo sagrado chão quente
Esperando que a semente
Venha lhe cobrir de flor

Também minh'alma
Ansiosa, espera confiante
Que em meu peito você plante
A semente do amor

Terra tombada é criança
Deitada num berço verde
Com a boca aberta pedindo
Para o céu matar-lhe a sede

Lá na fonte, ao pé da serra
É o seio do sertão
A água, leite da terra
Alimenta a plantação

O vermelho se faz verde
Vem o botão, vem a flor
Depois da flor, a semente
O pão do trabalhador

Debaixo das folhas mortas
A terra dorme segura
Pois nos dará para o ano
Novo parto de fartura

Terra tombada
Solo sagrado, chão quente
Esperando que a semente
Venha lhe cobrir de flor

Também minh'alma
Ansiosa, espera confiante
Que em meu peito você plante
A semente do amor

Também minh'alma
Ansiosa, espera confiante
Que em meu peito você plante
A semente do amor

Composição: Carlos Cezar / Jose Fortuna
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sábado, 15 de fevereiro de 2020

Mate de Esperança - Délcio Tavares

Mate de Esperança
Délcio Tavares


Eu vou cevar um mate gordo de esperança
Com a erva verde do verde do teu olhar
Tomar um trago bem graúdo
E preparar tudo
Para te esperar

E o meu rancho que era escuro de saudade
Eu vou fazer uma pintura de alegria
Para te impressionar e te agradar
Se tu voltar guria

Eu fiz promessa pro negrinho
Eu fiz promessa pro negro do pastoreio
Levei fumo em rama e um gole de canha
Como oferenda
Só para ele me ajudar
Só pra ele me ajudar a encontrar um meio
E um laço forte pra que eu te prenda, prenda

Oh!oh!oh!
E então sem mágoa
Posso até sentir o que virá depois
Oh!oh!oh!
Vou esquentar a água e feliz servir
Um mate pra nós dois.

Composição: Albino Manique / Francisco Castilhos
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Casa de Caboclo - Rick e Renner

Casa de Caboclo
Rick e Renner


Seja bem vindo nessa casa de caboclo
o que eu tenho é muito pouco
aqui neste fim de estrada

Tem um ditado aqui em nosso recanto
que o pouco com Deus é muito
e o muito sem Deus é nada

Não repare minha estrada esburacada
ela é trilha de boiada
ela é rota de tropeiro

Quando chove é uma lama grudadera
quando é sol vira poera
parecendo um fumaceiro

Seu carro moço é o primeiro que aparece
meu cachorro não conhece
nunca viu um trem assim

Pode até parece surpresa pro senhor
mais o progresso passou
e acho que esqueceu de mim

A minha água vem da fonte não tem cano
café cuado no pano
meu açucar é rapadura

Mais é da boa feita de cana caiana
o melado dessa cana
adoça qualquer margura

Se o senhor não tá com pressa eu vou mandar
minha veia preparar
um franguinho com quiabo

Aqui na roça eu não tenho o tal do wiski
para abrir o apetite
eu vou buscar um esquenta rabo

Seu carro moço é o primeiro que aparece
meu cachorro não conhece
nunca viu um trem assim

Pode até parece surpresa pro senhor
mais o progresso passou
e acho que esqueceu de mim

Agora que a gente já forro o peito
se quiser eu dô um jeito
pro senhor fazer o quilo

Não se preocupe não tem barulho de nada
aqui na minha morada
é só passarinho e grilo

Tem uma coisa que eu vou pedir pro senhor
pra me fazer um favor
na hora que for embora

Feche a porteira que me serve de escudo
para proteger o meu mundo
desse mundo lá de fora

Seu carro moço é o primeiro que aparece
meu cachorro não conhece
nunca viu um trem assim

Pode até parece surpresa pro senhor
mais o progresso passou
e acho que esqueceu de mim

Seu carro moço é o primeiro que aparece
meu cachorro não conhece
nunca viu um trem assim

Pode até parece surpresa pro senhor
mais o progresso passou
e acho que esqueceu de mim

Composição: Alexandre / Rick
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Cativeiros - Antonio Gringo

Cativeiros
Antonio Gringo


Ouvi um pássaro cantar num cativeiro
Naquele instante não contive a emoção
Em saber que a beleza de seu canto
Condenou-o a viver numa prisão

Se, por cantares, hoje vives prisioneiro
Somos iguais neste ofício de cantor
Pra dar ao mundo mais poesia e ternura
Em liberdade, cantar a vida e o amor

(Não tem preço, a liberdade não tem dono
Só quem é livre sente prazer em cantar
Se um passarinho canta mais quando está preso
É no desejo de um espaço pra voar)

Quantos homens nas gaiolas desta vida
Aprisionados pela empáfia do poder
São como pássaros, cativos da injustiça
Morrendo aos poucos na prisão do mau-viver

Quero ver pássaros e homens livremente
Romper na vida toda forma de prisão
Que só o amor e liberdade nos cativem
Aprisionando-se em cada coração

(Não tem preço, a liberdade não tem dono
Só quem é livre sente prazer em cantar
Se um passarinho canta mais quando está preso
É no desejo de um espaço pra voar)
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Lago Verde Azul - Osvaldir e Carlos Magrão

Lago Verde Azul
Osvaldir e Carlos Magrão


O medo de andar solito, ouvindo vozes e gritos
E até do barco um apito na sua imaginação
Os olhos esbugalhados, do moleque assustado
Olhando aquele mar bravo
Ora doce, ora salgado, num temporal de verão

Sem camisa na beirada bombachita arremangada
Botou petiço na estrada quando a areia lhe guasqueou
Sentiu um arrepio com aquele ar frio que o açude e o rio
E as águas que ele viu não lhe provocou

Coqueiro e figueira dos matos
E a bela Lagoa dos Patos, ó verdadeiro tesouro
Lago Verde e Azul que na América do Sul
Deus botou pra bebedouro

Coqueiro e figueira dos matos
E a bela Lagoa dos Patos, ó verdadeiro tesouro
Lago Verde e Azul que na América do Sul
Deus botou pra bebedouro

Tempos que ainda tinha o bailado da tainha
Quando o boto vinha com gaivotas em revoada
E entre outros animais, no meio dos juncais
Surgiam patos baguais que hoje não se vê mais
Este símbolo da aguada

Na noite de lua cheia, a gente sentava na areia
Para ver se ouvia a sereia entre as ondas cantando
E hoje eu volto ali, no lugar que eu vivi
Onde nasci quando guri, me olho lagoa em ti
E me enxergo chorando

Coqueiro e figueira dos matos
E a bela Lagoa dos Patos, ó verdadeiro tesouro
Lago Verde e Azul que na América do Sul
Deus botou pra bebedouro

Coqueiro e figueira dos matos
E a bela Lagoa dos Patos, ó verdadeiro tesouro
Lago Verde e Azul que na América do Sul
Deus botou pra bebedouro

Composição: Helmo De Freitas
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Meu Reino Encantado - Lourenço e Lourival

Meu Reino Encantado
Lourenço e Lourival


Eu nasci num recanto feliz
Bem distante da povoação
Foi ali que vivi muitos anos
Com papai mamãe e os irmãos
Nossa casa era uma casa grande
Na encosta de um espigão
Um cercado pra apartar bezerros
E ao lado um grande mangueirão

No quintal tinha um forno de lenha
E um pomar onde as aves cantavam
Um coberto pra guardar o pilão
E as tralhas que o papai usava
De manhã eu ia no paiol
Um espiga de milho eu pegava
Debulhava e jogava no chão
Num instante as galinhas juntavam

Nosso carro de boi conservado
Quatro juntas de bois de primeira
Quatro cangas, dezesseis canzis
Encostados no pé da figueira
Todo sábado ia na vila
Fazer compra para semana inteira
O papai ia gritando com os bois
Eu na frente, abrindo as porteiras

Nosso sítio que era pequeno
Pelas grandes fazendas cercado
Precisamos vender a propriedade
Para um grande criador de gado
E partimos pra cidade grande
A saudade partiu ao meu lado
A lavoura virou colonião
E acabou-se meu reino encantado

Hoje ali só existem três coisas
Que o tempo ainda não deu fim
A tapera velha desabada
E a figueira acenando pra mim
E por último marcou saudade
De um tempo bom que já se foi
Esquecido embaixo da figueira
Nosso velho carro de boi

Composição: Valdemar Reis / Vicente F. Machado
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Mateando com a Mamãe - Odilon Ramos

Mateando Com a Mamãe
Odilon Ramos

Foi hoje, agora há pouco
Eu fiz um mate assim, tão bem feitinho
Cevado com tal jeito e tal carinho
Que me lembrei assim, de relancina
Do primeiro mate que tomei
Foi minha mãe que fez
E era tão doce, doce como ela era e ainda é
Eu era piá
Um naquinho de gente
E, pra ganhar um mate, eu esperava
Até que ele não fosse mais tão forte e nem tão quente
No beiral da porta da cozinha
Que era de chão batido
Varridinha com vassoura de guanxuma
Eu me sentava e pedia manhoso
— Mãe, me dá um mate?
E esperava, até que ela achasse
Que já dava pra dar um mate para o seu guri
Quantas lições de vida eu aprendi
No mate doce que minha mãe fez!
Aprendi obediência
Aprendi a ter paciência para esperar a minha vez
— Segura com as duas mãos!
Não derrama! Não te queima!
Não vá me mexer na bomba!
Eram ordens!
Mas tão brandas, dadas com tanta ternura
Da boca da minha mãe eu nunca ouvi um nome feio
Nunca uma palavra dura
Guebuxa! Quanta saudade!
Minha infância, a mocidade
E aquele mate inocente
Que sem ser forte, nem quente
Era tudo o que eu queria
Como eu ficava radiante e me sentia importante
Com aquela cuia de mate que a minha mãe me estendia
E foram mates de leite, às vezes mates de mel
Com açúcar esfregado, com canela
Que a minha mãe fazia, diferente um do outro cada dia
Minha mãe agora está velhinha
E espera horas, dias sentadinha
Ou suspirando debruçada na janela
Que esse seu filho, gaudério, desgarrado
Um dia desses sente do seu lado
E tire um tempo pra matear com ela
— Eu vou sim, mãezinha, te prometo
Também estou cansado de matear sozinho!
E quando eu bolear a perna no teu rancho
Deixa que eu ceve um mate para nós
Um mate doce
Que eu vou adoçar pra ti com meu carinho

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