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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Catarinense cria filtro “anti-enchente” que impede que bueiro entupa de lixo

Uma ideia é simples, que não envolve nenhum aparato de alta tecnologia, mas é bastante eficiente no combate a enchentes e poluição de rios, viralizou nas redes sociais.

Tiago dos Santos, morador de Blumenau-SC, criou um filtro para evitar que os lixo das ruas entre no bueiro em frente a loja onde trabalha e é sócio. “A água passa, o lixo fica e o rio agradece”.

O sistema, que nada mais é do que uma combinação de grades, chamou a atenção dos vereadores da cidade, que estudam formas de implantar a ideia em outros pontos da cidade.

“Temos que pensar local, para atingir o global. O plástico é um dos grandes causadores de poluição. A xepa de cigarro, por exemplo, feita de fibra sintética, derivado do plástico, se degrada em partículas menores e acaba sendo alimento de animais na natureza”, afirmou. É por causa de pessoas como o Tiago que continuamos acreditando em um país melhor. Que essa atitude sirva de exemplo para milhares de pessoas Brasil afora.
Publicado por Reich 
Obs. republicamos esta matéria em função de sua inovação e importancia , parabenizamos o autor pela informação e pedimos aos nossos leitores que visitem a pagina do autor clique aqui
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Confecção de Filtro para coleta de Água da Chuva

Buscando o aproveitamento da água da chuva instalamos um calha de coleta e um reservatório de 5.000 litros que abastece os sistemas de descargas sanitárias e também par limpeza de pisos, com isto estamos economizando cerca de 50% do consumo de água tratada, mas a solução trouxe um problema: como evitar que as impurezas do telhado acabem caindo dentro do reservatório? Busquei uma solução no mercado como não encontrei acabei confeccionando um dispositivo para separar as impurezas mais grosas que podem obstruir a canalização;

Usando um pedaço de cano de PVC e uma tela de alumínio montei o dispositivo.

Mais informações pelo WhatsApp 54 99611 0186.

Em breve aqui no blog o passo a passo para você fazer o sistema:


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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Vídeo da Colheita de Arroz na Linha Pipiri Três Palmeiras

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terça-feira, 2 de maio de 2017

Colheita de arroz sequeiro em Três Palmeiras

Vejam só que maravilha a colheita de arroz da Família Passaglia e amigos.
As fotos são de meu amigo Eloir e no batente estão o Jair, o Alcir, o Melkio, entre outros.
Parabéns pelo trabalho.
Clique aqui para ver o vídeo da trilhagem.
Fiquem de olho.
Compartilhem.
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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Bambu, para que te quero

Foto - Márcia Sarmento
Gramínea de origem asiática coloca o município entre uma das referências de pesquisa quanto aos seus vários usos como produção de móveis, artesanato, alimento e outros derivados.

Ainda utilizado no Brasil de maneira modesta, o bambu tem caído nas graças dos produtores que procuram aprender um pouco sobre a imensa cadeia produtiva, facilidade e baixo custo para cultivo e, ainda, a lucratividade.

Veja a reportagem em vídeo aqui

Em Planalto, uma experiência que não tem mais de 15 anos está mostrando que são inúmeras as possibilidades de produção a partir da gramínea, que vão desde artesanato à alimentação. Com uma capacidade produtiva de 120 anos, a cultura, tradicional na Ásia, pode ser uma aposta rentável para o agricultor que tem algum espaço – mesmo que pequeno – em sua propriedade.

Coordenada pelo artista plástico, ecodesigner, produtor e especialista na cadeia produtiva de bambu, Carlos Ciprandi, a experiência no município revelou algumas frentes de trabalho, que permitem rentabilidade para o agricultor e também para quem vai industrializar o material. Entre os usos de mais fácil adaptação estão, no caso do colmo, como substituto da madeira, para a construção, móveis e utensílios domésticos. O broto é ótimo para a alimentação humana, consumido em conserva, patê, farinha e outros alimentos, enquanto as folhas têm finalidade medicinal, podendo ser aproveitadas na forma de chá.

– Ainda podemos citar os serviços florestais para a contenção de encostas, recuperação de áreas degradadas, quebra vento, sombreamento e produção de créditos de carbono, sem contar que a folha, com 20% proteína, serve como complemento para alimentação dos animais. Na Índia é usado para complementar a alimentação de frangos –, expõe Ciprandi. O produtor lembra ainda que entre as vantagens no cultivo está o alívio da pressão na floresta, pois se trata de um recurso que se renova com o plantio. “É uma madeira nobre, que tem durabilidade. Requer apenas a devida manutenção, como impermeabilização”, orienta.

Fácil cultivo
Nos dois hectares de bambu, tipo gigante, que são cultivados em Planalto, é possível ter uma rentabilidade de R$ 12 mil/ano, com a venda da vara e do broto. A partir dos quatro anos, o colmo atinge a maturidade e pode ser retirado. “A manutenção da lavoura é muito barata. Não precisa maquinário pesado, a motosserra resolve. Mas o melhor é que não usa veneno, nem inseticida, nem herbicida. Ou seja, a rentabilidade é aumentada. Além disso, como gramínea, requer nitrogênio, o que pode resolver a problemática do destino do esterco suíno que muitas localidades enfrentam”, aponta o produtor.

Uma das principais funções do trabalho em Planalto é produzir mudas de bambu, o que ainda é um problema no Brasil. “Não temos ainda como apostar na produção em escala industrial porque não há matéria-prima suficiente. Este é o grande gargalo da atividade no país, já que falamos por enquanto de pequenas plantações. Por isso optamos por esta espécie de laboratório, onde nos propomos a fazer uma série de experimentações. Nesta estrutura estamos provando que é possível fazer carvão de bambu, pasta de dente de carvão de bambu, broto de bambu, farinha do broto do bambu e muito mais. O que temos que aprimorar agora é a questão da escala e padronização desses produtos”, finaliza Ciprandi.

Mais informações podem ser obtidas através dos links
https://www.facebook.com/BambuKaHa e http://bambusc.org.br.
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domingo, 17 de julho de 2016

Pronaf vai financiar instalação de energia solar no campo

Agricultores já podem obter financiamento para aquisição do sistema fotovoltaico
Por: Eder Calegari - rural@folhadonoroeste.com.br

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) já é conhecido dos agricultores. Ele destina-se a estimular a geração de renda e melhorar o uso da mão de obra familiar, por meio do financiamento de atividades e serviços rurais agropecuários desenvolvidos em estabelecimento rural.

A novidade é que o financiamento, que tem juros baixos e prazo esticado, pode agora ser usado para aquisição do sistema de energia solar fotovoltaico. O responsável técnico da empresa JS Soluções Elétricas, Jair da Silva, explica que em Frederico Westphalen, várias famílias já contam com esse serviço e que o financiamento pelo Pronaf trará incentivo para que moradores do campo façam a aquisição.

“Com a tecnologia, o produtor assume o controle da conta de luz. O sistema é simples e requer um investimento de aproximadamente R$ 20 mil. As placas que captam a luz solar são resistentes a granizo e duram pelo menos 25 anos. Esses painéis são instalados em cima do telhado ou em estruturas no solo. O conjunto fica ligado à rede da concessionária de luz. Em poucos anos é possível recuperar o valor investido. Agricultores que desejam elaborar o projeto conosco já podem procurar a agência bancária para obter o Pronaf para esse fim. Esse benefício deve ser contratado junto ao banco onde o agricultor possui conta”, destacou Silva.

Segundo a Secretária de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário, o agricultor pagará uma parcela de financiamento fixa com até três anos de carência e com juros subsidiados.

Sistema solar fotovoltaico

Para funcionar, o raio solar é transformado em eletricidade quando entra em contato com os painéis fotovoltaicos. A energia produzida é diferente da usada na tomada de casa. É necessário um equipamento chamado inversor. A energia não utilizada é convertida em créditos junto à concessionária, que são abatidos da conta de luz. O uso de créditos de energia foi possível a partir da resolução 482 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), e a revisão 687, em vigor desde março deste ano. Essa regulamentação permite que cada consumidor vire produtor de energia elétrica e use seus créditos junto à concessionária para abater na sua conta de luz.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

EXPORTAÇÃO DE SUCO CONCENTRADO VALORIZA PRODUÇÃO DE LARANJA EM LIBERATO SALZANO

Uma parceria com a Europa transformou a realidade dos produtores de laranja do município de Liberato Salzano. A oportunidade de exportar suco concentrado para um determinado mercado dobrou o preço pago e motivou a ampliação dos investimentos na fruta em 2013.

O início da operação de uma indústria de sucos no município, no segundo semestre de 2011, motivou a Associação dos Citricultores de Liberato Salzano, na época com 92 associados, a buscar uma certificação – conquistada em maio deste ano – que possibilita a venda do produto no mercado internacional. Com isso, a associação conquistou, em outubro, seu primeiro contrato de exportação.

A negociação foi realizada via Comércio Justo (Fair Trade), uma prática internacional que garante o pagamento de preço mínimo ao produtor. A associação exportará para a Suíça, até fevereiro de 2013, cem toneladas de suco concentrado. O primeiro carregamento foi no final de novembro. Na Europa, o Comércio Justo movimenta 7 mil toneladas de suco concentrado de laranja por ano.

– Foram exportadas 27 toneladas de suco, feitas com cerca de 300 toneladas de laranja. Isso pode mudar a vida dos citricultores, que são agricultores familiares – explica Leandro Rubini, tesoureiro da associação, que atualmente conta com 127 produtores.

O segundo carregamento, também de 27 toneladas, foi realizado nesta semana. Segundo Rubini, antes os produtores vendiam o quilo de laranja por cerca de R$ 0,12 no comércio local. Agora, quando comercializam para a indústria, ganham R$ 0,26 pelo quilo da fruta, um acréscimo de mais de 100%.

Para a próxima safra, com início em julho de 2013, a associação pretende criar uma cooperativa, com objetivo de vender cerca de 500 toneladas de suco concentrado, o que corresponde a cerca de 5 mil toneladas de laranja in natura. A expectativa é ampliar os negócios para outros países, principalmente para a Alemanha.

– A ideia é que a cooperativa seja regional, pois produtores de municípios vizinhos como Constantina, Planalto, Rodeio Bonito e Alpestre nos procuraram, com intenção de participar – afirma Rubini.

A boa fase da fruta motivou o agricultor Volnei Miotto, 30 anos, a planejar a ampliação do pomar, de seis hectares para sete hectares no próximo ano, o que corresponde a cerca de 500 novas árvores. Com isso, o produtor deve diminuir o cultivo de soja e de trigo na propriedade de 45 hectares que tem em Liberato Salzano:

– Com a venda garantida para a indústria, a laranja acaba sendo mais rentável do que os grãos.

De acordo com o técnico da Emater Valtemir Bazeggio, só os sócios da Associação dos Citricultores cultivam cerca de 130 hectares da fruta em Liberato Salzano. Em todo o município, 500 produtores cultivam 1,5 mil hectares de citros.

– A laranja é uma ótima alternativa para pequenos produtores, que cultivam poucos hectares. Outra vantagem é que estes pomares não sofrem com a estiagem – explica Bazeggio.

Cada agricultor do município produz, em média, 25 toneladas de laranja por hectare, conforme a entidade.

Receita concentrada

Como a produção de laranjas vai parar na caixinha, na forma de suco concentrado:

– Em média, de cada cem toneladas de laranja, são produzidas 10 toneladas de suco concentrado

– Para a produção do concentrado, toda a água da laranja é retirada, por meio de um rocesso de evaporação

– Na indústria, a transformação da laranja in natura em suco concentrado leva aproximadamente duas horas

– Para exportar à Suíça, o suco concentrado é armazenado em tambores de 250 quilos

– Antes de serem levados ao porto, os tambores ficam armazenados em uma câmara fria, com temperatura média de -14°C, para manter a qualidade

– Na Europa, o concentrado é usado pelas indústrias de suco. Cada quilo de concentrado pode ser misturado a até sete litros de água, produzindo cerca de oito litros de suco
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Creluz testa tecnologia inédita no país

O primeiro Banco Compensador de Energia Reativa e Automático do Brasil, em funcionamento na linha Três Coqueiros, em Ametista do Sul

Depois de implantar em Rodeio Bonito a primeira rede multiplexada compacta isolada aérea de alta tensão do Rio Grande do Sul, a chamada Rede Ecológica, com iluminação LED, agora, a Creluz coloca em operação, em fase de testes, o primeiro Banco Compensador de Energia Reativa e Automático do Brasil, em funcionamento na linha Três Coqueiros, em Ametista do Sul.

O sistema destes novos reguladores é inteligente e entra em linha somente quando necessário, com o objetivo de diminuir as oscilações de tensão. A nova tecnologia foi desenvolvida pela Indústria de Transformadores Birigui (ITB) de São Paulo, em conjunto com a Universidade de Uberlândia (MG), sendo premiado como melhor equipamento, em um seminário técnico de energia no Rio de Janeiro.

O engenheiro Marcio Pena Rangel, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia e que supervisionou a entrada em operação do novo Compensador, afirmou que o equipamento proporcionará ao consumidor da Creluz uma melhor qualidade na energia, reduzindo as oscilações e mantendo o equilíbrio no fornecimento.

O Banco de Reguladores está localizado em uma rede estratégica para o abastecimento da área de garimpos em Ametista do Sul, onde a forte demanda de energia em horários específicos dificulta o abastecimento. O gerente de projetos da ITB Equipamentos Elétricos, Danilo Iwamoto, destacou o pioneirismo da Creluz que abriu as suas redes para a nova tecnologia. “A participação da Creluz é fundamental pois ela será a primeira distribuidora a avaliar a nova tecnologia e validar a experiência ou não, pelos primeiros dados que temos o resultado será positivo”, declarou Iwamoto.

– A trajetória da Creluz é repleta de desafios. Somente quem é ousado e arrisca larga na frente e é capaz de inovar. O setor elétrico exige isso, são esses investimentos que reduzem custos e aumentam a eficiência no atendimento ao associado –, afirmou o presidente da Creluz, Elemar Battisti.

O novo Compensador de Energia Reativa emite dados referentes ao seu funcionamento em tempo real, com painel digital e funcionamento automático, regulando a tensão de energia na rede distribuidora. Engenheiros e técnicos da Creluz fazem parte do projeto e monitoram de perto o funcionamento do novo equipamento.

Tecnologia está em testes na linha Três Coqueiros, em Ametista do Sul

FONTE: JORNAL ALTO URUGUAI
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‘As tecnologias existem para pensar o homem no campo, mas não são incentivadas’, entrevista com João Suassuna

Ylka Oliveira – Asacom
Recife – PE
Pesquisador da Fundaj e agrônomo, João Suassuna.
Essa não é a primeira e nem será a última seca vivenciada por agricultores e agricultoras e populações tradicionais do Semiárido brasileiro. O ano de 2012 ficará marcado pela propagação na mídia de inúmeras notícias que dão conta da pior seca dos últimos 30 anos. Embora implique em perdas, a seca ou estiagem é um fenômeno natural. Não há como combatê-la, mas há como conviver com tais diferenças climáticas. Para isso, governos e sociedade civil precisam pensar e tornar possível políticas estruturantes. Planejar e executar somente ações emergenciais, a exemplo de carros-pipa e bolsas-estiagem, está longe de ser solução. Em entrevista à Asacom, o agrônomo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), João Suassuna, declara que a estiagem deste ano já estava prevista a um bom tempo e lamenta que as tecnologias sociais existam para pensar o homem no campo, mas não recebem incentivos. Fala ainda de ações estruturadoras como a criação de animais mais adaptados ao clima Semiárido, e ainda sugere a criação de um sistema de crédito rural diferenciado para o Nordeste. Suassuna diz também que é importante incentivar as ações estruturadoras, antes que a seca chegue.

Entrevista

Asacom – De um lado se fala em combate à seca. A mídia vem tocando muito nesse ponto. Do outro, em convivência com o Semiárido. Qual é a sua opinião sobre esse assunto?

João Suassuna – É importante a gente começar a falar que as secas já são previsíveis. Existem estudos, desde a década de 1970, feitos pelo CTA (Centro Técnico Aeroespacial) que comprovam a existência do fenômeno. A gente já sabe que a cada 26 anos esses fenômenos existem. Eles são recorrentes. E num intervalo entre 26 anos existem veranicos, secas pequenas, menores. Então isso já é uma coisa previsível, mas o triste de tudo isso é, mesmo sabendo da previsibilidade, não se faz nada de ações estruturadoras com relação a tornar possível a convivência do homem nesse período seco. Então isso aí é que é de lamentar. A seca de 2012 vem a mostrar isso. Ela já estava sendo prevista já fazia um bom tempo. Ela aconteceu e cadê o incentivo para as ações estruturadoras? Existem muito poucos incentivos. Mas a gente tem que reconhecer que mesmo havendo pouco, existem alternativas que estão sendo postas em prática e que elas funcionam. A ASA Brasil é um exemplo disso. A sua instituição é uma prova disso. Esse programa de Um Milhão de Cisternas [O P1MC] é um programa maravilhoso. Ele já tem 500 mil cisternas implantadas. Uma cisterna de 16 mil litros, ela fornece água de boa qualidade para beber e cozinhar, não pode ser para outro uso. Suporta oito meses de falta de chuva numa região. Isso é possível para uma família de 5 pessoas. Isso é calculável. Para uma área de telhado de um metro quadrado, se chover um milímetro, você tem um litro de água. Isso é uma coisa certa. Esse programa é exitoso e a gente tem que continuar estimulando esse tipo de coisa.

Outra coisa é a pecuária de dupla função. Existem exemplos interessantíssimos no Nordeste. Como é o caso no estado da Paraíba com a criação de grandes ruminantes, oriundos da Índia e do Paquistão. Como é o caso do gado guzerá. É um gado que se adaptou muito bem as condições do semiárido e do Nordeste. É um gado de dupla função e está se desenvolvendo de uma forma magnífica. Mesmo em período de seca como a gente está passando agora, esse tipo de criação, rebanho, está produzindo leite de uma forma maravilhosa. A gente tem acompanhado na mídia, na internet, vacas desse tipo produzindo 30 litros de leite, em época de estiagem. Quer dizer, isso é uma coisa que a gente tem que incentivar. A criação de caprinos também. O plantio de xerófilas, de capim, resistentes à seca, o plantio de palma forrageira, todas essas alternativas precisavam ter sido incentivadas há muito tempo e não estão sendo. Esse é que é o problema. Entra seca e sai seca, a gente sabe que as tecnologias existem, para pensar o homem no campo e isso não é incentivado. É de lamentar uma coisa dessas.

Asacom – O que o senhor acha que podemos aprender com essa situação do momento. O senhor já apontou a pecuária de dupla função. O que mais está dando certo e que pode se continuar?

Eu não deixaria de tocar na questão creditícia. Nós temos que ter um sistema de crédito rural diferenciado aqui no Nordeste. A gente não pode nunca fazer com que haja um sistema de crédito semelhante ao que é tomado na praça. Se o produtor rural que habita o Semiárido nordestino for tirar um recurso para desenvolver os seus trabalhos de campo contando com o sistema de crédito vigente, ele está arriscado a perder sua propriedade para o sistema financeiro. Então a gente tem que ter um sistema diferenciado, que haja a possibilidade dele pagar as suas dívidas com o que produzir na sua propriedade. Isso tem que acontecer.

Asacom – O rio São Francisco tem uma importância social, econômica e cultural para os povos do Semiárido brasileiro. O rio concentra 63% da oferta hídrica do Nordeste e é dos únicos perenes a atravessar o sertão. Em um artigo seu, o senhor deu uma declaração dizendo que a construção das represas das usinas geradoras do São Francisco diluiu a atividade pesqueira e as espécies de piracema. Qual o impacto disso para as populações ribeirinhas?

A produção de energia elétrica do São Francisco é praticamente toda localizada no submédio São Francisco, que é onde existem as corredeiras, ou pelo menos existiam as corredeiras. Então, para se produzir energia houve a necessidade de se construir barramentos nos locais onde antigamente existiam as corredeiras. A gente sabe que as espécies de peixe e piracema só desovam quando sobem essas corredeiras. Então, as fêmeas ao subirem as corredeiras estimulam a sua fisiologia para desova. Uma vez construída essas represas, deixou de haver o fenômeno da piracema. Então, espécies de piracema, como o surubim é uma delas, deixaram de produzir e começaram a abortar suas desovas. Isso ocorreu e o que está acontecendo é que atualmente o peixe está sumindo do rio São Francisco. Antigamente, se pegava surubim de 30 ou 40 quilos. Hoje quando se pega um de 5 kg é uma festa. Então o peixe está sumindo e não foram tomadas providências cabíveis para esse tipo de situação. E existem soluções. A represa de Itaipú construiu um canal de 10 km para a subida do peixe. Enquanto isso, famílias inteiras que dependem do pescado estão passando necessidade.

Asacom – Falamos aqui em políticas estruturantes. Com relação às ações emergenciais que o governo vem realizado para a seca, qual a sua opinião?

Da forma como está acontecendo hoje eu sou até a favor. Se o governo não chegar com esse recurso, o cidadão vai morrer de fome. Porque ele não vai ter outro meio de vida para sobreviver. Vai acontecer o que acontecia antigamente. O governo não chegava com esse recurso, as populações saqueavam os mercados, as feiras, para ter acesso ao alimento. Hoje não acontece mais porque o governo mensalmente entrega o dinheirinho para o cidadão sobreviver. Mas isso é dar o peixe, não é ensinar a pescar. Aí eu sou contra. A gente tem que partir para incentivar as ações estruturadoras, antes que aconteçam as secas.

Entrevista no sítio da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), republicada peloEcoDebate, 21/12/2012
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O nióbio é ‘nosso’ e os resíduos radioativos/tóxicos também, artigo de Norbert Suchanek

O câncer é nosso!

Um dia o homem do Brasil vai acordar e descobrir que nióbio não é para comer: Uma polêmica sobre a febre de nióbio no Brasil e os riscos dos resíduos radioativos e a concorrência com o Canadá.

“O nióbio é nosso!” Vários websites, blogs e tweets estão fazendo nesta fase de final de ano uma campanha para um metal pesado que antigamente foi chamado “Columbinum”, uma homenagem a um genovês famoso que viajou com uma caravela da Espanha para o Oeste. Os textos brasileiros de hoje falam: Nióbio, é uma riqueza que o povo brasileiro desconhece. Mas que o Brasil está vendendo por centavos. Os textos criticam que um contrabando de nióbio estaria financiando a Rede Globo Minas com a venda subfaturada de nióbio. E no youtube circula atualmente um filme com o título “Acorda Brasil! Nióbio: Brasil 98 X Canadá2″, porque o nosso país produz 98 porcento do nióbio do mercado mundial e o Canadá somente 2 porcento.

É verdade que o Brasil é o maior produtor e exportador de nióbio e também dono das maiores jazidas do mundo. E também é a verdade que vários países industrializados, como China, EUA, Japão, Alemanha e Coréa dependem das importações deste metal pesado, extraído atualmente do subsolo de Minas Gerais e Goiás. Este metal pesado e raro é um componente fundamental dos aços de alta resistência, usados na fabricação de automóveis, aviões, foguetes, na construção civil e na indústria naval. Ele também é especialmente importante para a indústria de petróleo na construção de plataformas de petróleo e na produção de tubulações de óleo e gás. Mais de 30 porcento de todo nióbio produzido mundialmente está sendo usado só para fabricar dutos!

É muito claro: sem nióbio, a indústria do petróleo – o grande vilão do meio ambiente – terá problemas. Mas “o nióbio é nosso!” Com este quase-monopólio do Brasil na produção de nióbio e a forte demanda, as empresas brasileiras poderiam pedir qualquer preço no mercado mundial.

Mas a situação é uma outra. Já por um bom tempo as duas minas de nióbio em operação são privadas e multinacionais. Quase dez porcento da produção de nióbio do Brasil está diretamente na mão da empresa chamada Anglo American, proveniente da África do Sul. “Por meio da Mineração Catalão, Anglo American é uma das maiores produtoras de nióbio do mundo, com operações nos municípios de Catalão e Ouvidor em Goiás“, escreve a mineradora poderosa que está no Brasil desde a ditatura militar, em 1973.

Mas a maior mina de nióbio do Brasil e do mundo está localizada em Minas Gerais perto da cidade de Araxá. A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) é dona desta mina que produz 90 porcento do nióbio do Brasil. No website da CBMM está escrito: “A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, do Grupo Moreira Salles, é uma empresa nacional que extrai, processa, fabrica e comercializa produtos à base de nióbio.” Mas isto só tem menos de 50 % de verdade. Já por um bom tempo o nióbio de Araxá está multinacionalizado. 45 porcento da CBMM pertence à empresa de petróleo da Califórnia Unocal que é parte da grande concorrente da Petrobrás, Chevron. Isto faz sentido porque uma empresa de petróleo depende de dutos e plataformas que precisam de nióbio. Agora desde 2011, outros 30 porcento da CBMM foram vendidos para empresas da China, Japão e Coréa. A família Moreira Salles ganhou quase 4 bilhões de dólares com esta venda.

E o que ganha a população de Araxá? Alguns postos de trabalho e provavelmente um banho de radiação elevada e um alto risco de câncer.

A internet está cheia de artigos sobre o contrabando de nióbio, a sua venda subfaturada. Mas a mineração deste metal pesado também tem um lado muito mais escuro e irradiante no mesmo momento: resíduos radioativos e tóxicos! Uma pesquisa de 1993 feita pelo Instituto de Radioproteção e Dosimetria da CNEN no Rio de Janeiro concluiu: “Contaminação interna com material radioativo de trabalhadores de mineração é um problema comum no Brasil. Isto é causado pela presença de urânio, de tório, e seu decaimento natural associado com o minério extraído. Os exemplos claros são os trabalhadores na mina de nióbio localizada no Estado de Goiás. O nióbio está associado com quantidades consideráveis de urânio e tório, mas a mina não é legalmente sujeita a requisitos de protecção contra as radiações.”

Esta pesquisa foi feita na mina de nióbio em Goiás. A mina de Araxá que é dez vezes maior do que a mina da Anglo American não fez parte desta pesquisa, mas o nióbio de Araxá é também associado com os mesmos minérios radioativos.

Durante o processo da mineração e da concentração do minério são produzidas toneladas de rejeitos radioativos que são depositados em barragens de resíduos. E isto apresenta um alto risco de contaminação ao meio ambiente e à saúde humana, podendo afetar não apenas os trabalhadores, mas também a população local. Até hoje apenas poucos autores falam sobre este risco no Brasil. Um dos poucos é o colunista Gilson B. Santos do Jornal “A Voz de Araxá“, uma publicação corajosa desta cidade mineira de Araxá com mais ou menos 95.000 habitantes.

“Câncer – Índice cresce em Araxá!

“Uma coisa é fato hoje em Araxá –MG, temos um número alarmante de pessoas com câncer e problemas respiratórios”, escreve Gilson e nomea também a causa: A mineração e processamento de nióbio. “Solo, água e ar contaminados resultam dos poluentes liberados da atuação mineradora da CBMM. Não é necessário ser médico ou especializado na área de saúde ambiental para chegar à conclusão de que dezenas de milhares de toneladas por ano de poeira abundante em suspensão de ferro, tório, chumbo, fosfato e demais minerais é deletéria à saúde. Agredida por tais minerais estranhos à normalidade do funcionamento do organismo humano e ambiental, a população apresenta aumento de doenças respiratórias juntamente com doenças degenerativas, demência assim como câncer.”

Em outubro de 2012, Gilson denunciou mais uma vez na Voz de Araxá: “Câncer – Índice cresce em Araxá! Chegou a hora de nós araxaenses criarmos vergonha na cara e exigir a verdade de nossas autoridades sobre os números reais de câncer em nossa cidade. Dados nos indicam que hoje já são mais de 10.000 casos na cidade, e até 2030 teremos uma media de mais de 40% da população com a doença em Araxá.”

Por causa deste alto risco de contaminação, os cidadãos, povos indígenas e ONGs de meio ambiente do Canadá estão lutando contra a mineração de nióbio neste país. O Canadá já por muito tempo poderia produzir mais nióbio. Mas desde 2003 os indígenas Mohawk e canadenses locais lutam contra uma nova mina de nióbio em Quebec. Os Mohawk não querem que as suas terras e águas sejam contaminadas com os rejeitos radioativos deste projeto da mineradora Niocan.

No Brasil a situação é ao contrário. Uma luta contra a mineração de nióbio é quase invisível, só uma luta a favor da mineração está divulgada em massa. Os lobies do nióbio querem ainda aumentar a mineração. Até as jazidas de nióbio nos territórios indígenas no Alto Rio Negro ou na Raposa Serra do Sol podem ser exploradas para enriquecer o povo do Brasil.

Mas economicamente falando – de um capitalista para outro – um aumento da produção de nióbio não faz sentido para o Brasil. Mais uma mina de nióbio significa só mais concorrência com o resultado de uma depreciação do preço do nióbio no mercado mundial. Só um idiota cria concorrência em sua própria casa. Também o Brasil já tem Araxá, a maior mina de nióbio da planeta com a capacidade de abastecer o mercado mundial para mais de 400 anos!

Claramente as forças internacionais, as mineradoras e a indústria internacional de aço e de dutos e da construção civil gostariam ter muito mais nióbio disponível, porque assim o preço seria mais barato no mercado. Mas isto não é a favor nem da economia e nem da saúde do povo do Brasil.

Resumo: Por enquanto a situação é assim: o nióbio do solo brasileiro é para a exportação e enriquecimento de poucos e o risco de câncer é para a população do Brasil.

“O lucro é deles, o câncer é nosso!”

Assim o nióbio não é muito diferente dos outros comodities como soja ou café. As frutas da terras do Brasil são para exportação, o que fica na terra e nas águas do Brasil são os pesticidas e adubos químicos, que também podem causar câncer além de outras doenças mortais. O Brasil é o maior consumidor de pesticidas no mundo, e muitos destes pesticidas são proibidos exatamente em países que são importadores destes produtos agrícolas brasileiros.

A maior riqueza do Brasil não são nióbio, soja ou urânio. A maior riqueza são os rios e as águas subterrâneas limpas, solos saudáveis e férteis, povos e pessoas tradicionais que ainda sabem usar a grande biodiversidade das florestas e outros biomas de forma sustentável e social. Mas tudo isto é uma riqueza em extinção por causa de uma indústria predatória, insustentável e sem pátria que precisa de elementos perigosos como o nióbio.

“O nióbio é nosso – deixamos este minério no solo!”

Norbert Suchanek, Rio de Janeiro

Norbert Suchanek, Correspondente e Jornalista de Ciência e Ecologia, é colaborador internacional do EcoDebate
EcoDebate, 21/12/2012
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Em 10 anos carvão, grande gerador de gases de efeito estufa, superará petróleo e será primeira fonte de energia

O carvão, grande gerador de gases de efeito estufa, se aproximará em cinco anos do petróleo como primeira fonte de energia mundial e pode superá-lo em dez anos, devido ao desenvolvimento acelerado dos países emergentes, considera a Agência Internacional de Energia (AIE) em um relatório publicado nesta terça-feira (18). Matéria da AFP, no UOL Notícias.

“Graças a sua abundância e a uma insaciável demanda de eletricidade nos mercados emergentes, o carvão já representou cerca da metade do aumento da demanda mundial de energia na primeira década do século XXI”, ressalta a Agência Internacional de Energia (AIE), com sede em Paris.

O consumo de carvão em 2017 será de 4,32 bilhões de toneladas equivalentes ao petróleo, contra 4,4 bilhões de toneladas de petróleo. E em 10 anos superará o petróleo devido ao crescimento de mercados emergentes gigantescos, como China e Índia, segundo a AIE.

“A cota de carvão nas fontes de energia mundial segue progredindo a cada ano”, afirma a diretora da organização, Maria van der Hoeven.

Como resume a AIE, “o carvão é a China” e “a China é o carvão”. A China, que não para de inaugurar centrais elétricas de carvão, representou no ano passado 46,2% do consumo mundial deste combustível. A barreira dos 50% será alcançada a partir de 2014, o que significa que a China consumirá a partir deste ano mais carvão que todos os demais países do mundo juntos.

A importação de carvão crescerá de forma importante na América Latina, em particular no Brasil, onde as compras de carvão de coque aumentarão 45%, chegando a 20 Mtce (toneladas métricas equivalentes de carvão) em 2017, indica o relatório.

Além dos Estados Unidos, as importações do Brasil provêm de Moçambique e Colômbia, onde várias empresas brasileiras – Vale, entre elas – desenvolvem importantes projetos mineradores.

A AIE, uma organização vinculada à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), “espera que a demanda de carvão aumente em todas as regiões do mundo”, com a exceção notável dos Estados Unidos, onde o desenvolvimento do gás de xisto provocou uma forte queda do preço do gás, que torna o carvão muito menos competitivo.

Mas o carvão é uma energia muito poluente. “Apenas uma concorrência feroz de um gás a baixo preço permite reduzir a demanda de carvão”, adverte a AIE. “Europa, China e outros países devem tomar nota disso”, acrescenta.

No entanto, o declive do carvão nos Estados Unidos gerou um “boom” das exportações americanas, especialmente em direção à Europa. Consequência: a tonelada de carvão na Europa passou de 130 dólares a tonelada em março de 2011 a 85 dólares em maio de 2012.

Por isso, embora o velho continente permaneça com objetivos ambientais ambiciosos, muitos países estão retomando o carvão como fonte de energia. No primeiro semestre de 2011, Espanha, Alemanha e Reino Unido produziram menos eletricidade a partir do gás – energia mais limpa – e mais a partir do carvão, destaca a AIE.

Hoje, o carvão já representa cerca de 28% de toda a energia consumida no mundo e é a primeira fonte de eletricidade, segundo a AIE.

A emergência desta energia também ocorre num momento em que os objetivos contra o aquecimento climático parecem ter passado para um segundo plano. “O resultado é que, sem restrição no consumo de carvão mediante políticas climáticas, a demanda e o CO2 seguirão aumentando”, adverte a organização.

EcoDebate, 19/12/2012
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Estudantes formados por curso de saúde comunitária contam como as aulas ajudam a mudar comunidades

Dos 65 participantes do curso, 61 são mulheres

Após oito semanas de intensas discussões sobre temas como habitação, nutrição, água, lixo, dengue, parasitose, HIV e doenças sexualmente transmissíveis, os alunos do curso Saúde Comunitária: uma Construção de Todos já estão transformando sua rotina e a de seus amigos e familiares. A iniciativa é coordenada pelo pesquisador Antonio Henrique de Almeida de Moraes Neto, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), e a cerimônia de formatura dos 125 estudantes que participaram desta terceira edição foi realizada nos dias 14 e 15 dezembro. O curso foi promovido em dois campi da Fiocruz: em Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e em Jacarepaguá (Fiocruz Mata Atlântica), na Zona Oeste. Agentes de saúde comunitários a moradores de áreas de risco destas regiões foram contemplados.

De acordo com Antonio Henrique, a iniciativa foi elaborada levando em conta os principais problemas enfrentados pelos alunos em suas regiões. “O conhecimento é construído em parceria com os estudantes, ou seja, por meio de diálogos e formação de conceitos”, explicou o pesquisador. Participaram da cerimônia de conclusão do curso em Manguinhos a vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação do IOC, Helene Barbosa; Leonardo Brasil Bueno e Mayalu Mattos, da Assessoria de Cooperação Social da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e Moraes Neto. Já na formatura dos alunos do campus de Jacarepaguá, compareceram Leonardo Mello e Andréia Vanine, do Programa de Desenvolvimento do Campus Fiocruz da Mata Atlântica (PDCFMA/Fiocruz), além de Moraes Neto.

Os cursos tiveram início em outubro e também contaram com atividades de inclusão digital, como módulos de informática. Na turma de Manguinhos, as aulas foram realizadas de segunda à sexta-feira e, dos 65 participantes, 61 eram mulheres. “Como os homens estão mais inseridos no mercado de trabalho e nós damos preferência aos candidatos que não estão trabalhando, o número de mulheres é expressivo. Com o fim do curso, cabe a elas serem as promotoras locais de saúde”, afirmou o especialista.

Conhecimento transformado em ação

Muitos alunos já estão dando os primeiros passos, como é o caso da dona de casa Maria Luiza Teodoro da Silva, moradora da comunidade de Santa Edwiges, em Brás de Pina, Zona Norte do Rio. Ela contou que antes do curso, o lixo era motivo de brigas dentro e fora de casa. Como há catadores de material reciclável na região, sua vizinha costumava jogar resíduos e objetos pela janela, que caíam fora do ponto de coleta e próximo ao quintal de Maria, atraindo ratos e entupindo o esgoto da rua. “Meu marido limpa a entrada de nossa casa toda manhã e sempre reclamava em voz alta. Mas eu lhe pedia para não criar caso, para deixar para lá”, confessou a dona de casa de 58 anos. As aulas acabaram lhe dando coragem para agir de forma prática frente ao problema: com uma amiga, Maria fez uma placa pedindo que não jogassem mais lixo naquele local. “Fui conversar com minha vizinha, que já tinha chegado ao ponto de jogar areia de obra pela janela. Desde então ela melhorou muito e as pessoas passaram a sujar menos a rua”, comemorou.

Já a filha de Maria Luiza, Raquel Silva Gomes, de 16 anos, sonha ser médica e fica especialmente atenta às aulas sobre doenças. Na escola, ela já alertou seus colegas sobre o costume de manter as janelas da sala fechadas durante as aulas. “Um dia eu falei que alguém podia acabar pegando uma doença séria, como tuberculose, e todo mundo ficou assustado. Concordaram em abrir, mas como são adolescentes e cada um quer as coisas à sua maneira, eu tenho que sempre estar lembrando”, explicou. Mas não é só o seu redor que a jovem propõe transformar. Desde que assistiu à aula sobre doenças parasitárias, Raquel tenta parar de roer as unhas. “Eu não sabia que era uma forma de transmissão e nem que vermes podiam causar tantos estragos a uma pessoa”, apontou. “É difícil porque é uma mania que eu tenho, mas estou me esforçando”, disse.

Liderança e estratégia na resolução dos problemas

Simone Quintella, 47 anos, já é veterana no curso. Funcionária da Fiocruz, Simone também participou da edição de 2011 e acaba de assumir a diretoria da Associação de Moradores da Comunidade do Amorim, próxima ao campus. Assim como Maria Luiza, ela identifica o lixo como principal problema em sua região e já planeja um mutirão de conscientização. Como a coleta é realizada apenas dois dias na semana, os resíduos ficam expostos por muito tempo na rua, acarretando em mau cheiro, proliferação de insetos e destruição das sacolas por cães. O intuito é difundir entre os moradores o costume de levar os resíduos ao ponto de coleta apenas nos dias específicos. “A mosca que pousa naquele lixo entra na nossa casa, pousa na nossa comida e nos transmite doenças. Deixar o saco fechado num cantinho da cozinha ou do quintal não custa muito e pode ajudar”, explicou. A possibilidade de esquentar água para o banho através da captação da energia solar por meio de placas fotovoltaicas encantou Simone, que vê na energia renovável uma forma de poupar o bolso do morador e o meio ambiente. “Seria ótimo se pudéssemos implantar essa tecnologia lá e já estou em contato com o professor para saber como podemos fazer isso”, disse.

Um novo começo

Para Elisângela Martins, 31 anos, moradora da Vila do João, o curso rompeu com mitos e ressuscitou sonhos. Ela agora sabe que comer doces demais não provoca e nem acusa verminoses, e que no combate aos piolhos, o que faz a diferença é o pente fino. “Eu abandonei o curso técnico de enfermagem quando meu filho nasceu, há sete anos, mas aqui eu tomei uma decisão: vou voltar a estudar”, confessou a dona-de-casa, que hoje tem cinco filhos. Ela pretende se especializar em geriatria, área com a qual já teve contato quando trabalhava como acompanhante de idosos. “Já busquei informações na Escola Politécnica da Fiocruz e pretendo até mesmo fazer um doutorado um dia. Está difícil arranjar pessoas qualificadas para cuidar dos idosos, eles voltam a ser crianças, a família não tem paciência e os profissionais são despreparados”, analisou. Os alunos que obtiveram frequência mínima de 75% receberam um certificado na formatura. “É muito gratificante ver que a instituição está de fato preocupada com o entorno, a ponto de trazer a comunidade para dentro da Fiocruz para falar de saúde. Estão todos de parabéns”, conclui Simone.

Matéria de Isadora Marinho, da Agência Fiocruz de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 18/12/2012
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Biodigestor


Biodigestor é mais uma chance de solução de geração de energia renovável (biogás) e ao mesmo tempo oportunidade de transformar dejetos orgânicos em adubo orgânico (biofertilizante).

É um processo destinado a produção de biogás, principalmente o metano, através do tratamento de esgoto sem utilizar produtos químicos. É uma câmara hermeticamente fechada onde matéria orgânica diluída em água sofre um processo de fermentação anaeróbia (sem presença de oxigênio), o que resulta na produção de um efluente líquido de grande poder fertilizador (biofertilizante) e gás metano (biogás).
A matéria orgânica contida nos dejetos é digerida por bactérias que realizam um processo de fermentação anaeróbica (ocorre na falta de oxigênio), acarretando em um gás de possível utilização para geração de energia.

Esse processo que as bactérias realizam é dividido em três fases: Hidrólise, Ácida e Metanogênica.

   Fase Hidrólise: nesta fase as bactérias liberam para o meio enzimas extracelulares com função de hidrolizar partículas, quer dizer, quebram as macromoléculas de polissacarídeos (moléculas grandes) em ácidos orgânicos (ácido butílico e láctico), alcoóis, H2 e CO2. Realizam também a fermentação de proteínas e lipídios.

Fase Ácida: as bactérias produzem ácidos transformando as moléculas de gorduras, proteínas e carboidratos em moléculas de ácidos orgânicos, etanol, hidrogênio, dióxido de carbono, amônia, dentre outras.

Fase Metanogênica: nesta última fase, as bactéria metanogênicas atuam sobre o hidrogênio e dióxido de carbono transformando-os em metano (biogás). É a fase mais demorada, pois durante as reações químicas formam-se microbolhas de metano e dióxido de carbono em torno das bactérias, isolando-as do contato com a mistura. Por causa desse isolamento, é recomendável que ocorra uma agitação na mistura do biodigetsor para desfazer as bolhas.

Principais vantagens do Biodigestor:

- Produção de energia elétrica ligada diretamente na rede;
- Utilização em geradores e aquecedores;
- Queima do biogás excedente com eliminação do mau cheiro emitido pelos dejetos;
- Reduz a emissão de poluição, pela diminuição da emissão de metano e óxido nitroso para a atmosfera, diminuindo o efeito estufa.
- Melhoria da qualidade do meio ambiente
- Utilização do composto orgânico como adubo.

Fontes: http://www.cerpch.unifei; http://www.suapesquisa; http://www.ecofocus.com.br; http://biodigestor.zzl.org.


Biodigestor é um tanque protegido do contato com o ar atmosférico, onde a matéria orgânica contida nos efluentes é metabolizada por bactérias anaeróbias (que se desenvolvem em ambiente sem oxigênio). Neste processo, os subprodutos obtidos são o gás (Biogás), uma parte sólida que decanta no fundo do tanque (Biofertilizante), e uma parte líquida que corresponde ao efluente mineralizado (tratado).

Este efluente pode ser utilizado para produção de microalgas que podem servir de insumo para piscicultura em sistemas de policultivo. Este processo de tratamento de efluentes por biodigestor e produção de subprodutos com valor agregado é um exemplo de Biossistema Integrado.

O Biofertilizante apresenta alta qualidade para uso como fertilizante agrícola, devido principalmente:
    • A diminuição no teor de carbono do material, pois a matéria orgânica ao ser digerida perde exclusivamente carbono na forma de CH4 e CO2;
    • Ao aumento no teor de nitrogênio e demais nutrientes, em conseqüência da perda do carbono;
    • A diminuição na relação C/N da matéria orgânica, o que melhora as condições do material para fins agrícola;
    • As maiores facilidades de imobilização do biofertilizante pelos microorganismos do solo, devido ao material já se encontrar em grau avançado de decomposição o que vem aumentar a eficiência do biofertilizante;
    • A solubilização parcial de alguns nutrientes.
      O Biogás é um gás inflamável produzido por microorganismos, quando matérias orgânicas são fermentadas dentro de determinados limites de temperatura, teor de umidade e acidez, em um ambiente impermeável ao ar.

      O metano, principal componente do biogás, não tem cheiro, cor ou sabor, mas os outros gases presentes conferem-lhe um ligeiro odor de alho ou de ovo podre.

      O biogás por ser extremamente inflamável, oferece condições para:
        • Uso em fogão doméstico;
        • Uso em lampião;
        • Uso como combustível para motores de combustão interna;
        • Uso em geladeiras;
        • Uso em chocadeiras;
        • Uso em secadores de grãos ou secadores diversos;
        • Uso na geração de energia elétrica;
        • Aquecimento e balanço calorífico.
          A redução das necessidades de lenha poupa as matas. A produção de biogás representa um importante meio de estímulo a agricultura, promovendo a devolução de produtos vegetais ao solo e aumentando o volume e a qualidade de adubo orgânico. Os excrementos fermentados aumentam o rendimento agrícola.

          O biogás, substituindo o gás de petróleo no meio rural, elimina também os custos do transporte de bujão de gás dos estoques do litoral ao interior.

          O uso do biogás na cozinha é higiênico, não desprende fumaça e não deixa resíduos nas panelas. O desenvolvimento de um programa de biogás também representa um recurso eficiente para tratar os excrementos e melhorar a higiene e o padrão sanitário do meio rural. O lançamento de dejetos humanos e animais num digestor de biogás soluciona os problemas de dar fins aos ovos dos esquistossomos e ancilóstomos, bem como de bactérias, bacilos desintéricos e paratíficos e de outros parasitas.

          A tecnologia de biodigestores já tem pelo menos duas décadas no Brasil. Iniciou-se com modelos provenientes da China e Índia. No entanto, o Brasil teve algumas dificuldades na sua implementação, fazendo com que esta tecnologia caísse no descrédito no meio rural.

          Nestas duas décadas houveram avanços tecnológicos significativos que possibilitaram a solução de várias dificuldades. Assim, o modelo de biodigestor adotado para o Biossistema Integrado agrega avanços, além de levar em conta a simplicidade de manejo e baixo custo de construção.

          Os objetivos dos biodigestores podem variar de localidade para localidade, podem ser empregados na obtenção de combustível de alta qualidade para as áreas rurais, sendo, ao mesmo tempo, preservado o valor do efluente como adubo; podem visar atender ao duplo objetivo de produção de energia e de tratamento de dejetos, principalmente de animais em fazendas, o que possibilita o manuseio de um material sem odores.

          O Brasil dispõem de condições climáticas favoráveis (localidade de clima tropical onde a temperatura é praticamente constante, com média acima de 20°C, os digestores dispensam sistemas adicionais para aquecimento) para explorar a imensa energia derivada dos dejetos animais e restos de cultura e liberar o gás de bujão e o combustível líquido (querosene, gasolina, óleo diesel) para o homem urbano aliviando com isso o país de uma significativa parcela de importação de derivados do petróleo.

          Ambiente Brasil
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          quarta-feira, 29 de junho de 2011

          Dias chuvosos transformam Avenida das Palmeiras em mar de lama

          Em dias de chuva a Avenida das Palmeiras transforma-se em um verdadeiro mar de lama, gerando transtornos aos moradores e muita reclamação por parte da comunidade Trespalmeirense.

          A comunidade aguarda a tempos as melhorias.
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