terça-feira, 6 de novembro de 2012

Aldicarbe, agrotóxico utilizado como ‘chumbinho’, é retirado do mercado brasileiro

veneno

O aldicarbe, agrotóxico utilizado de forma irregular como raticida doméstico (chumbinho), foi banido do mercado brasileiro, informou ontem (5) a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Estimativas do governo apontam que o produto é responsável por quase 60% dos 8 mil casos de intoxicação relacionados a chumbinho no Brasil todos os anos. O aldicarbe tem a mais elevada toxicidade entre todos os ingredientes ativos de agrotóxicos até então autorizados para uso no país.
O único produto à base de aldicarbe que tinha autorização de uso no Brasil era o Temik 150, da empresa Bayer. “Trata-se de um agrotóxico granulado, classificado como extremamente tóxico, que tinha aprovação para uso exclusivamente agrícola, como inseticida, acaricida e nematicida, para aplicação nas culturas de batata, café, citros e cana-de-açúcar”, informou a Anvisa.
Por meio de nota, o órgão destacou que o cancelamento do registro dos produtos à base de aldicarbe segue recomendação feita durante reunião, em 2006, da Comissão de Reavaliação Toxicológica. Na época, foi estabelecida uma série de medidas para a continuidade do uso do aldicarbe no Brasil, como a restrição de venda aos estados da Bahia, de Minas Gerais e de São Paulo, exclusivamente para agricultores certificados e propriedades cadastradas para uso do produto; e a inclusão de agente amargante e de emético (substância que induz ao vômito) na formulação do produto.
Após o processo de reavaliação, a Bayer S/A apresentou, em 2011, um cronograma de descontinuidade de comercialização e de encerramento de importação, distribuição e utilização do produto. A empresa se comprometeu ainda a efetuar o recolhimento de qualquer sobra do produto em posse de agricultores.
Em junho de 2012, a Anvisa cancelou o informe de avaliação toxicológica dos agrotóxicos à base de aldicarbe e, em outubro de 2012, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou o cancelamento do registro do Temik 150. Com a decisão, estão proibidos no Brasil a produção, a comercialização e o uso de qualquer agrotóxico à base de aldicarbe.
A Anvisa destacou que o chumbinho é ineficaz no combate doméstico de roedores já que, como o primeiro animal que ingere o veneno morre de imediato, os demais ratos observam e não consomem o alimento envenenado. Já os raticidas legalizados agem como anticoagulantes, provocando envenenamento lento. Dessa forma, a morte do animal não fica associada ao alimento ingerido, o que faz com que todos os ratos da colônia ingiram o veneno.
A agência destacou ainda que o chumbinho é um produto clandestino e que no rótulo não há quaisquer orientações quanto ao manuseio e à segurança, informações médicas, telefones de emergência, descrição do ingrediente ativo e antídotos que devem ser utilizados em casos de envenenamento, o que dificulta a ação de profissionais de saúde no atendimento a pessoas intoxicadas.
Os sintomas típicos de intoxicação por chumbinho são registrados em menos de uma hora após a ingestão e incluem náuseas, vômito, sudorese, salivação excessiva, visão borrada, contração da pupila, dor abdominal, diarreia, tremores e taquicardia.
Em caso de intoxicação, a orientação da Anvisa é que a pessoa ligue para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. O serviço é gratuito e está disponível para todo o país.
Reportagem de Paula Laboissière, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 06/11/2012
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Eucalipto e a religião do progresso, artigo de Rosemeire Almeida



eucalipto[Jornal da Ciência] O município de Três Lagoas/MS voltou a ser notícia nacional por meio da reportagem da Folha de São Paulo, em 16/09/2012, intitulada: “Ex-capital do gado, Três Lagoas (MS) vira rainha da celulose”. Em resumo, principalmente aos que não leram, destaco que o foco desta matéria é dar relevo ao crescimento econômico e competitividade de Três Lagoas par a passo com uma suposta distribuição da riqueza e, consequente, melhoria de vida para todos. Situação que, se não fosse uma “Ilha da Fantasia”, certamente faria de Três Lagoas a solução tanto para as economias capitalistas como para as socialistas.
Apesar dos “não ditos” da referida reportagem, não é objetivo gastar este espaço para contar a “outra” história (aquela vista de baixo) até porque faltaria lugar. Em suma, o que impede o silêncio é a necessidade de desnudar o caminho adotado nesta matéria para ler a realidade de Três Lagoas. Qual seja? A repetição, em escala local, de um modelo econômico amplamente testado no país, cujo eixo de sustentação é o mito de que progresso (científico e tecnológico) é fonte de prosperidade universal: “o bolo cresce”, e todos se fartam.
Os ideólogos do capital esquecem que a riqueza que se diz universal, é concentrada. E o resultado deste escamoteamento é proposital, porque produz eficácia política em torno da fé no progresso. Pois, como alerta Ullrich (2000: 340), entra “tão profundamente na mente da maioria que qualquer crítica feita tem mais probabilidade de ser considerada uma heresia incorrigível do que uma voz cautelosa que adverte sobre um caminho errado”. Obviamente, tem novidade na receita, que é a clara hibridação entre o capital produtivo e financeiro. Ou seja, o limite entre os que produzem e os que especulam, é tênue. Por isso, cada vez mais, é um olho na esteira de produção e outro nas bolsas de valores. Situação intimamente ligada às constantes crises do capitalismo que, somadas à crise ambiental, nos dá a sensação desconfortável de que não há superação por dentro deste modelo.
Embora não haja realmente soluções de pronto, os ensinamentos que ficaram daquele que foi considerado o maior historiador do século XX, Hobsbawm (falecido neste início de primavera), apontam que o termômetro de um mundo melhor não é a maximização do crescimento econômico e das rendas pessoais, mas as decisões públicas voltadas para o desenvolvimento social, que devem beneficiar todas as vidas humanas, e não o livre mercado.
Destaco, quiçá, uma das mais perversas contradições do capitalismo derivada da injeção de capital no lugar, a valorização do espaço – a mídia divulga que mais de 15 bilhões foram investidos em Três Lagoas nos últimos anos. Esta ação do capital tende a agravar a desigualdade de acesso à terra, podendo torná-la um bem restrito e seletivo: é ordem para poucos e desordem para a maioria. Portanto, fundamental é a intervenção do Estado em prol do público, no lugar da costumeira postura de vassalo do interesse privado.
Recentemente, de forma mais precisa em 27/09/2012, o Valor Econômico retratou uma pesquisa realizada na Unesp/NERA, financiada pelo CNPq, apontando que, em regiões prósperas do agronegócio, como Ribeirão Preto/SP, há desenvolvimento de processos simultâneos de expansão da cana, pobreza relativa (a incapacidade de se viver de acordo com o custo de vida local), concentração da terra e violência no campo. Conclui o autor da pesquisa, Tiago Avanço Cubas, que o agronegócio procura/produz regiões vulneráveis para se desenvolver.
Um ícone usado para evidenciar que Três Lagoas está no “rumo certo” é o aumento no número de pessoas empregadas. Ora, este dado isolado trata apenas da evidenciação de que riqueza advém da exploração do trabalho, direta ou indiretamente. A questão é mais profunda: quais são as condições desse trabalho? As pessoas conseguem encontrar trabalhos com salários decentes? Qual a oportunidade de vida e esperança para as pessoas – e isso inclui educação, escola, saúde, lazer? Elas têm condições financeiras de viver na cidade? Acresce, a isto, a desnudada situação de miséria de pessoas que vêm em busca do eldorado, e não o encontrando, passam a morar pelas ruas da cidade, mostrando a face perversa do progresso para quem queira enxergá-la.
Mesmo sendo processo recente, já temos outra amostra das contradições do progresso em Três Lagoas. Senão, vejamos: em 2000, segundo o IBGE, 69,51% das pessoas ocupadas recebiam até 3 salários mínimos. Em 2010, após os alardeados 15 bilhões investidos na instalação das indústrias no município, subiu para 77,49% a população trabalhadora com até 3 salários mínimos, e diminuiu o percentual dos que recebiam acima de 3 salários. Repetindo o jargão popular, nem precisa fazer muita pesquisa para saber que a pobreza se constrói na cidade.
Mas, como lembra Hobsbawm, haverá sempre o olhar cínico a dizer que o abismo crescente entre os ricos e o restante da sociedade não tem tanta importância assim, desde que estes últimos estejam se saindo um pouco melhor.
Particularmente, prefiro o olhar clínico a dizer que realmente há riqueza no ar, mas, como não somos todos bobos da corte na terra da “rainha da celulose”, há também conflitualidade. Logo, é preciso encontrar rápido o caminho da valorização da vida, porque o tempo não para.
Rosemeire Almeida é professora da Universidade do Mato Grosso do Sul / Campus de Três Lagoas. Artigo enviado ao JC Email pela autora.
Artigo socializado pelo Jornal da Ciência / SBPC, JC e-mail 4615
EcoDebate, 06/11/2012
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Primeira usina de energia a partir de ondas já opera no Porto de Pecém, CE

Primeira usina de energia a partir de ondas já opera no Porto de Pecém, CE

Ondas movem braços mecânicos flutuantes que ativam bombas hidráulicas: energia para abastecer porto. Foto: Aneel

A energia que vem do balanço das ondas – Ainda de forma experimental, a primeira usina da América Latina a funcionar com a força das ondas do mar já começou a funcionar no Porto de Pecém, no litoral cearense, a cerca de 60 km da capital Fortaleza. Matéria de O Estado de S.Paulo.
A produção de energia deve ter início no primeiro semestre do ano que vem. Por enquanto, a geração ainda está em fase de testes. O funcionamento é interrompido para verificações do sistema de geração, criado pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)e patenteado nos Estados Unidos. O sistema inédito tem apoio do governo do Ceará e foi financiado pela Tractebel Energia por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ao custo de R$ 18 milhões em quatro anos.
Deverão ser gerados 100 quilowatts para o abastecimento energético do principal porto cearense. Com a mesma quantidade de quilowatts é garantido o abastecimento de eletricidade de 60 famílias. “Essa instalação é a ponta de um iceberg, o início de um processo complexo de incorporar a força do oceano na matriz energética mundial”, explica o diretor de Tecnologia e Inovação do Coppe, Segen Estefen. “É algo extremamente estratégico para a visão de futuro do Brasil.”
O protótipo criado pelo instituto, acrescenta o especialista, não tem a pretensão de ser definitivo nem de nortear sistemas de geração de energia a partir da força do mar. “Estamos disputando com outros sistemas e em processo de evolução, mas ninguém tem a pretensão de desenvolver um protótipo e querer que ele seja a solução”, comenta Estefen. “Há um esforço grande de alguns países, Reino Unido à frente, de aproveitar os recursos do oceano na geração de eletricidade.”
Além das ondas, o mar oferece a possibilidade de geração de energia impulsionada pela movimentação das marés, correntes marinhas, variação superior a 20 graus Celsius entre as temperaturas mínimas e máximas da água e até pelo teor de salinidade. O Brasil tem condições de explorar todas essas fontes.
Pelo menos dois desafios se apresentam para que o País possa aproveitar a potencialidade dos recursos marítimos, ambos vinculados à necessidade de desenvolvimento tecnológico: a criação de instrumentos que apurem com precisão os dados das fontes geradoras e de equipamentos de conversão dos recursos em eletricidade.
O sistema de captação da energia das ondas consiste em dois braços mecânicos com boias flutuadoras presas na ponta de cada um deles. A energia é gerada pela movimentação das boias, que ativa um sistema de bombas hidráulicas, reservatório interno de água doce e ambiente de alta pressão.
O plano da Tractebel é atrair, com base no protótipo do Ceará, fabricantes de equipamentos para usinas interessados em dar continuidade e melhorar o projeto / S.T.
EcoDebate, 06/11/2012
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Energia solar poderá se tornar competitiva em relação a outros sistemas de geração até 2020

paineis fotovoltáicos

Foto: Arquivo

Captação solar começa a ficar viável – Sistema pode se tornar competitivo em dez anos, mas já existem grandes projetos sendo iniciados, como o de Coremas, na Paraíba
Fonte geradora de eletricidade ainda pouco desenvolvida no Brasil, a energia solar poderá se tornar competitiva em relação a outros sistemas de geração até 2020, estima a Agência Internacional de Energia (AIE). Reportagem de Sérgio Torres, em O Estado de S.Paulo.
A energia solar é a mais limpa e renovável das fontes energéticas. O que precisa ser desenvolvida é uma tecnologia mais barata que permita a produção em larga escala, a custos abaixo das fontes convencionais, como, por exemplo, a hidrelétrica, base da geração brasileira.
Dados da AIE indicam que a capacidade global de geração de energia solar tem aumentado cerca de 40% ao ano desde 2000. Pelos cálculos da entidade, em 2050 essa matriz responderá por 11% da produção total de eletricidade no planeta.
No Brasil, a produção da energia solar ainda é reduzida, mas o potencial é expressivo. São produzidos hoje no País 2 megawatts (MW) por ano em programas experimentais. Os projetos destinam-se, principalmente, ao abastecimento de regiões desassistidas pela rede tradicional de energia elétrica, em razão do isolamento.
Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, embora ainda não tenha ingressado em uma faixa competitiva, o preço da energia solar tem caído bastante. “O Brasil registra um alto índice de insolação, que se mantém mais ou menos constante durante o ano. O preço ainda é caro, não competitivo, em torno de R$ 200 o megawatt/hora”, afirma. “A energia solar vai crescer, é uma questão de tempo.”
Tolmasquim procura fazer uma comparação entre o nível atual de geração de energia solar com o de energia eólica (gerada pela força dos ventos) anos atrás. “A mesma coisa que aconteceu com a energia eólica. Começamos com R$ 300 o megawatt/hora. Hoje sai por R$ 100. Ainda vai acontecer algo parecido com a energia solar em um horizonte de dez anos.”
A energia solar chega ao planeta nas formas térmica e luminosa. A irradiação seria suficiente para atender milhares de vezes o consumo anual de energia do mundo, mas sua atuação sobre a superfície varia conforme a latitude, a estação do ano e as condições atmosféricas.
Ao ser absorvida pelos sistemas de captação, a irradiação do sol converte-se em calor, matéria-prima das usinas termoelétricas para produzir eletricidade. O local da usina precisa ter alta incidência de irradiação, com poucas nuvens e chuvas, como acontece em parte do Nordeste brasileiro, especialmente na região do semiárido.
Coremas. A companhia brasileira Rio Alto Energia focou investimentos em um projeto de usina solar em complemento com biomassa na cidade de Coremas, no sertão da Paraíba. Também viabiliza a implantação de uma unidade de 20MW na região do Vale do Jequitinhonha (norte de Minas Gerais). O investimento em Coremas é de R$ 325 milhões.
Como Tolmasquim, o executivo Erico Evaristo, membro do Conselho Administrativo da Bolt Energias, vislumbra a possibilidade de crescimento expressivo da energia solar nos próximos anos. Ele destaca os projetos de implantação de sistemas de geração distribuída, que poderão baratear as contas de energia. Os projetos preveem que durante o dia as placas captam a energia solar. Se o consumidor não usa toda a energia apreendida, o excedente passa para a rede de energia convencional. A tarifa é cobrada com descontos calculados com base na energia solar transferida. “Para isso, é preciso ter medidores especiais. Calculo que seja um investimento para 20 anos. A construção de usinas solares não é viável hoje, mas a eólica não era há cinco anos.”
EcoDebate, 06/11/2012
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O uso indiscriminado de agrotóxicos é uma afronta ao direito a uma alimentação saudável, artigo de Gilvander Luís Moreira

Foto de Gilvander Luís Moreira, no Blogue Racismo Ambiental

Foto de Gilvander Luís Moreira, no Blogue Racismo Ambiental

O uso indiscriminado de agrotóxicos é uma afronta ao direito a uma alimentação saudável.
Gilvander Luís Moreira1
No início de 2012, ano em que a Campanha da Fraternidade2 foi sobre Saúde Pública, além de escrever alguns textos de apoio às lutas em defesa deste direito constitucional e para que ele se efetive de fato no chão da vida real, disponibilizei um vídeo de 2,5 minutos, no Youtube e em meu sítio www.gilvander.org.br , sob o título Feijão de Unaí está envenenado? Trata-se de uma entrevista com uma diretora de Escola Municipal da zona rural de Arinos, Noroeste de Minas. Na entrevista ela afirma que ao tentar cozinhar 30 quilos do Feijão Unaí para a merenda das crianças teve que jogar fora todo o feijão, porque ao abrir os saquinhos as cozinheiras sentiram o cheiro forte de veneno. Em outra ocasião lavaram o feijão, deixaram de molho de um dia para o outro, mas ao cozinhar, o mau cheiro fez as cozinheiras sentirem mal. Havia excesso de gosma acumulando na panela. Não foi possível dar o feijão para as cerca de 200 crianças da escola. A entrevistada noticiou também haver um grande número de pessoas com câncer na cidade de Arinos. Corre de boca em boca que o modo do cultivo e conservação de feijão de Unaí pode estar causando câncer em muita gente.
Por causa da divulgação do vídeo, a empresa proprietária do feijão Unaí processou os responsáveis do Google/Youtube e a minha pessoa, alegando danos morais. O juiz do Juizado Especial Cível da Comarca de Unaí, responsável pelo processo, ordenou prisão contra os diretores do Google/youtube, caso não seja retirado o vídeo da internet dentro de cinco dias, e a mim em caso de reinserção, sob o argumento de crime de desobediência.
Despacho do juiz: “Vista ao réu. Prazo de 0005 dias(s). Para comprovarem o cumprimento da ordem de exclusão do vídeo de pagina eletrônica do Youtube, no prazo de 05 dias, sob pena de prisão em flagrante dos representantes legais do Google neste país e do réu Gilvander pela prática do crime de desobediência, sem prejuízo da multa fixada.”
O prazo venceu dia 29 de outubro último e o vídeo continua no Youtube, emwww.gilvander.org.br e, após a divulgação do Manifesto contra o uso indiscriminado de agrotóxico e contra criminalização de frei Gilvander, várias outras pessoas baixaram o vídeo e o reinseriram em seus canais de comunicação. Outras pessoas estão assistindo ao vídeo.
No dia 28 de outubro de 2012, os/as advogados/as que estão me defendendo impetraram no TJMG um Habeas Corpus Preventivo com pedido liminar que foi distribuído para a 6ª Câmara Criminal, sob a relatoria da Desembargadora Márcia Milanez.
Ao final da manhã do dia 31 de outubro de 2012, a desembargadora indeferiu (negou) o pedido liminar e, portanto, negando o pedido de segurança, próprio do Habeas Corpus.
A fundamentação do Habeas Corpus era a de que eu estava sendo processado por ter postado na internet um vídeo que denuncia o uso abusivo de agrotóxicos no feijão vendido pela empresa TORREFAÇAO E MOAGEM CAFÉ DE UNAÍ LTDA. Que a referida empresa havia entrado com ação indenizatória por danos morais, com pedido de antecipação de tutela. Que o referido juiz da Comarca de Unaí em sede de liminar determinou que o Youtube retirasse o vídeo em 48 horas sob pena de multa de 200 reais por dia e determinou a mim, frei Gilvander, que não inserisse o vídeo novamente em qualquer site, sob pena multa no valor de 4 mil reais. Advogados da Google/Youtube apresentaram no processo várias páginas de defesa se recusando a retirar o vídeo por entender não haver nenhuma irregularidade. Em síntese, disseram que não há nada de ilícito no vídeo. Trata-se de uma reportagem, de informação a sociedade. Recordaram que o Google/Youtube regem-se pelas leis do país que prescreve direito a informação, direito de livre expressão. A empresa é que deve demonstrar que o feijão Unaí não está com excesso de agrotóxico, pois, por outro lado, várias pesquisas científicas e o Relatório da Subcomissão do Agrotóxico da Câmara Federal mostram que o uso indiscriminado de agrotóxico está causando câncer em muita gente.
Observe-se que o Juiz que prolatou a decisão afirmando que eu deveria ser preso em flagrante por crime de desobediência é incompetente, pois se trata de um juiz do Juizado Especial Cível, que só pode mandar prender em caso dedescumprimento de obrigação de pensão alimentícia ou depositário infiel. Mesmo que fosse o caso de crime por desobediência, prisão em flagrante por crime de desobediência é ato típico de matéria penal, ou seja, de competência material do Juizado Especial Criminal. O ato praticado pelo magistrado padece de nulidade absoluta e, segundo as/os advogadas/os que fazem a minha defesa, deve ser declarado nulo.
Além da incompetência absoluta do juiz em relação à matéria, mesmo que eu estivesse cometendo crime de desobediência, trata-se de um crime de pequeno potencial ofensivo nos termos do art. 61 da Lei 9099/95. Nesse caso, em sendo noticiada a prática delituosa, a autoridade policial lavraria Termo Circunstanciado de Ocorrência – TCO – nos termos do art. 69 da Lei 9099/95 e não haveria prisão, nem mesmo em flagrante.
A decisão do referido Juiz afronta ao princípio da não culpabilidade (Artigo 5º, Inciso LVII da CR), segundo o qual, a prisão é a exceção, a liberdade é a regra.
No caso também não estão presentes os requisitos que ensejariam um decreto de prisão preventiva nos termos do art. 312, que seria “necessária” para garantir a Ordem Pública e Ordem Econômica. A denúncia que fiz visa salvaguardar a ordem social da saúde pública. Ninguém pode ganhar dinheiro colocando em risco a saúde de outras pessoas.
Eu não descumpri nenhuma determinação judicial já que a mim foi determinado nãoreinserir o vídeo. Como o vídeo nunca foi excluído pela Google/Youtube, no caso eu não reinseri, portanto, não há desobediência.
No Habeas Corpus foi pedido, liminarmente, que fosse concedida a ordempreventivamente para assegurar a minha liberdade de ir e vir. Também foi pedido que fosse decretada a nulidade da decisão prolatada pelo Juiz de Unaí, por incompetência material absoluta e, por fim, que fosse concedida a ordem de habeas corpus preventivo, em definitivo, para deferir a revogação da prisão.
Não me sinto seguro em face da decisão da desembargadora que negou o pedido liminar do Habeas Corpus preventivo diante de tão clara ordem judicial. Por isto, outras medidas jurídicas estão sendo tomadas.
Agradeço, de coração, a dezenas de movimentos, entidades e pessoas que já assinaram o Manifesto contra o uso indiscriminado de agrotóxico e contra a criminalização de frei Gilvander. Já conversamos com a Defensoria Pública de Minas Gerais que tomará medidas necessárias à defesa do direito a alimentação saudável e que não se use de forma indiscriminada agrotóxicos. Esperamos que este fato fortaleça todas as iniciativas na defesa da saúde do povo brasileiro, contra os agrotóxicos (veneno) em nossa alimentação. Conclamamos as pessoas de boa vontade a se engajarem na Campanha Permanente contra os agrotóxicos e pela vida, se ainda não se engajaram.
A quem ainda não assistiu aos vídeos, sugiro que assista a partir dos links, abaixo:
1) Feijão de Unaí está envenenado?
Ou em www.gilvander.com.br (Galeria de vídeos)
2) Depoimento do Deputado Federal Padre João: Padre João reforça denúncias sobre grave contaminação do Feijão Unaí
3) Baixe e leia o livro AGROTÓXICOS NO BRASIL – Um guia para ação em defesa da vida, no link, abaixo:
4) Filme Documentário de Sílvio Tendler: O Veneno Esta na Mesa (Completo e Dublado)
Belo Horizonte, 05 de novembro de 2012.
1 Frei e padre da Ordem dos carmelitas, bacharel e licenciado em Filosofia pela UFPR, bacharel em Teologia pelo ITESP/SP, mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina, em Minas Gerais; conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos – CONEDH/MG; e-mail:gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br – www.twitter.com/gilvanderluis – facebook: Gilvander Moreira

2 Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – teve como tema: Fraternidade e Saúde Pública.
EcoDebate, 06/11/2012
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Húmus pode ser uma alternativa para tratar solo contaminado por cromo, cobre e chumbo

Aplicação de vermicomposto reteve 100% do cobre, do cromo e do chumbo presentes em solos arenosos e argilosos
Aplicação de vermicomposto reteve 100% do cobre, do cromo e do chumbo presentes em solos arenosos e argilosos
No Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, uma pesquisa realizada pelo químico Leandro Antunes Mendes mostrou que a vermicompostagem é eficaz para remediar solos contaminados por cromo, cobre e chumbo. A vermicompostagem é o processo realizado a partir da decomposição de resíduos orgânicos por minhocas, o que dá origem ao vermicomposto (ou húmus), material comumente utilizado como fertilizante.
O trabalho foi realizado para a dissertação de mestrado Utilização de vermicomposto com vistas à remediação de solos contaminados com cromo, cobre e chumbo, apresentada em 11 de outubro no IQSC. “A adição de 2,5 gramas de vermicomposto em 7,5 gramas de solo foi capaz de reter 100% das espécies metálicas, tanto no solo arenoso como no argiloso, comprovando que o vermicomposto também é eficaz como descontaminante”, diz o pesquisador, que teve a orientação da professora Maria Olimpia de Oliveira Rezende, do Laboratório de Química Ambiental.
Mendes ressalta que os testes foram realizados em laboratório e tiveram o objetivo de testar a eficácia da técnica, e não sua aplicação. O químico lembra que, atualmente, existe uma busca por soluções tecnológicas verdes, que não afetem o meio ambiente, e solos contaminados por metais costumam ser tratados com solventes, material poluente. “Já sabíamos que o vermicomposto apresenta a propriedade de reter metais, então decidimos testar a técnica”, explica.
Os testes mostraram também outra vantagem: com o uso da vermicompostagem, os metais não ficam disponíveis no meio ambiente e não ocorre a lixiviação, processo em que a chuva carrega as substâncias para o lençol freático.
Testes
O pesquisador trabalhou com dois tipos de solo: arenoso e argiloso. O uso de cromo foi escolhido por se tratar de um produto muito utilizado em curtumes. Já o cobre e o chumbo, apesar de serem contaminantes, também são essenciais para as plantas, mas em pequenas quantidades.
Os solos utilizados para o estudo (arenoso e argiloso) foram retirados do campus II da USP, em São Carlos, em uma área livre de contaminação. Os testes foram realizados no Laboratório de Química Ambiental do IQSC, coordenado pela professora Maria Olimpia de Oliveira Rezende.
No Laboratório, o pesquisador lixiviou uma solução contendo os metais nos dois tipos de solo. A vermicompostagem usada foi comercial, comprada de uma empresa privada. Apesar de naturalmente o solo argiloso apresentar uma maior capacidade de retenção (quando comparado ao solo arenoso), a proporção de vermicomposto usada foi eficaz para remediar os dois solos, retendo 100% dos metais.
“A partir dos resultados obtidos, podemos sugerir que sejam realizados outros estudos em áreas maiores, bem como pesquisas ligadas a fitotoxicidade, para analisar se os metais chegam a atingir a parte aérea da planta”, sugere. Outra sugestão é verificar se a adição de uma proporção menor de vermicomposto também irá levar a 100% de retenção de metais.
Imagem: Wikimedia
Mais informações: email lmendes7@hotmail.com, com o pesquisador Leandro Antunes Mendes
Matéria de Valéria Dias, da Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 05/11/2012
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Pesquisa mostra que crianças expõem vida pessoal nas redes sociais


Pesquisa mostra que crianças expõem vida pessoal nas redes sociais

Sexta-feira, fim da tarde. Crianças e adolescentes se divertem embaixo do bloco em um condomínio fechado de classe média alta da capital federal. É o anúncio da chegada do fim de semana. Entre as velhas brincadeiras, futebol e polícia e ladrão são algumas das preferidas. Mas, além de se divertirem como na época dos pais, a turma entre 9 e 13 anos tem outra mania: as redes sociais.
“Pelo menos, uma vez por dia, acesso [o Facebook] para conversar com meus amigos, jogar e compartilhar links com imagens de quadrinhos ou gravuras engraçadas”, diz Guilherme Lima, de 11 anos.
A professora Fabíola Neves, mãe dele, diz que está sempre de olho no que o filho faz na rede. “Com o consentimento dele, tenho as senhas de conta de e-mail e redes socais e sempre vejo com quem ele conversa e que tipo de conteúdo acessa”, conta. Porém, admite que não é possível monitorá-lo por 24 horas. “Não sei que conteúdos ele acessa quando não está em casa [na escola ou na casa de amigos], mas acredito que sejam sempre os mesmos. Se ele já tivesse visto algo inadequado ou tivesse em contato com estranhos, eu saberia pelo comportamento”, garante.
As meninas da mesma faixa etária adoram combinar os encontros pelas redes sociais. Nas rodinhas, equipadas com seus smartphones e iPods, elas postam mensagens nas redes em que contam o local onde estão e o que estão fazendo, o famoso check in, assim como fotos pessoais, de celebridades ou de roupas e esmaltes em alta no mundo da moda. “Gosto de compartilhar e curtir o que minhas amigas postam e de saber o que elas estão fazendo”, diz Luísa Neves, de 13 anos.
A atividade online intensa das crianças e dos adolescentes preocupa os especialistas. “Você acaba deixando o que a gente chama de um rastro digital muito preciso ao informar com muito detalhe o seu cotidiano. Isso registrado na internet pode ser acessado por pessoas mal intencionadas”, alerta o psicólogo e diretor de prevenção da organização não governamnetal SaferNet Brasil, Rodrigo Nejm.
A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2012 , divulgada no mês passado pelo Comitê Gestor da Internet no país, mostra a exposição dos pequenos no mundo virtual. Os indicadores revelam que, no país, 70% das crianças e dos adolescentes entrevistados têm perfil próprio nas redes sociais. Entre os menores de 13 anos, 42% dos entrevistados (na faixa de 9 e 10 anos) e 71% (de 11 e 12 anos) já fazem uso delas. A idade mínima exigida para ter um perfil na internet é 13 anos. Porém, grande parte altera a idade para ficar conectado.
A pesquisa, que entre abril e julho deste ano ouviu 1.580 crianças e adolescentes e o mesmo número de pais em todas as regiões brasileiras, também constatou que a maioria desses jovens coloca em seu perfil foto que mostra claramente o rosto (86%), expõe o sobrenome (69%) e pode navegar nas redes sociais quando quiser, sem acompanhamento dos pais (63%).
Um indicador que chama a atenção é que 53% dos pais afirmaram não usar a internet. No entanto, 71% acharam que as crianças usam a rede com segurança. Porém, a pesquisa mostra que entre crianças de 9 e 10 anos, 6% já tiveram contato na internet com alguém que não conhecia pessoalmente, entre 11 e 16 anos, o percentual sobe para 26%.
“Isso é muito sério porque esses mesmos pais que estão dizendo que é pouco provável que seus filhos tenham algum tipo de situação de perigo na internet, não conhecem exatamente que situações de vulnerabilidade seus filhos podem passar nesse ambiente. Há uma certa sensação de segurança dos pais que não obrigatoriamente se confirma na experiência concreta dos seus filhos que, às vezes, tem experimentado alguns conteúdos que podem trazer algum tipo de dano”, acrescenta Rodrigo Nejm.
Na avaliação do psicólogo, a criança e o adolescente podem ter contato com conteúdo violento, pessoas estranhas e eventualmente até com criminosos. Apesar disso, ele destaca que mais importante é preparar esse público para lidar com situações de risco, que existem sempre, dentro e fora do ambiente virtual . “Quando a gente fala de conhecer novas pessoas, a gente tem que tomar cuidado para não fazer um pânico moral. É preciso olhar esses dados com cuidado, chamar a atenção para os perigos, mas também não é o caso de entrar em pânico e achar que a internet é superperigosa. Isso pode ser muito legal para questões de socialização”, explica.
A proteção dos pequenos é uma das atribuições da Polícia Federal (PF), mas não em todos os casos. “Para a PF investigar precisa haver a publicação ou a disponibilização de arquivos envolvendo pornografia infantil na internet, pois desse modo essa prática tem caráter transnacional. A rigor, quando o caso se restringe ao armazenamento desse tipo de material e ao abuso de crianças, quem assume é a Polícia Civil”, explica o delegado da PF Júlio César Fernandes, responsável pelo grupo especial de combate aos crimes de ódio e pornografia infantil na internet. O grupo, criado em 2003, recebe e analisa as denúncias. As investigações são feitas pelas delegacias de defesa institucional nas superintendências ou pelas delegacias descentralizadas.
Em entrevista à Agência Brasil, o delegado disse ainda que o perfil dos aliciadores é variado, sem faixa etária definida, mas a maioria é homem e solteiro. As principais investigações envolvendo pornografia infantil estão na região Centro-Sul do Brasil. “Ainda não sabemos se isso ocorre porque há um maior volume de casos ou porque lá as unidades estão mais especializadas. As unidades que têm mais volume também têm os responsáveis que estão há mais tempo à frente dessa área temática. Os trabalhos mais emblemáticos foram desenvolvidos pelas delegacias de defesa institucional do Paraná e do Rio Grande do Sul”, destaca.
Alguns cuidados nas redes sociais:
1) Pense bem nas informações que vai publicar em seu perfil;
2) Lembre-se de que as informações compartilhadas não ficam restritas somente a você e a seus amigos. Informações pessoais nas redes sociais se tornam públicas. O que é divulgado na rede di­ficilmente será removido depois;
3) Cuidado com estranhos;
4) Não compartilhe sua senha, nem mesmo com namorado (a). Ela pertence somente a você;
5) Evite dar endereços de lugares que frequenta, onde mora ou estuda. Muito cuidado com o check in;
6) Se tiver algo de íntimo para dizer a alguém e queira guardar segredo, use o telefone ou fale pessoalmente;
7) Sempre que criar uma senha faça com que ela seja forte – mesclando números, letras e outros caracteres.
Reportagem de Karine Melo, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 05/11/2012
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