Parceiros

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Rio+20, O Desafio da Sustentabilidade, artigo de Ana Paula de Carvalho


[Ecodebate] É notável que o Brasil não avançasse após a ECO 92 e que nem irá avançar no desenvolvimento sustentável, mas a maior decepção é inviabilizar o país nas áreas ambientais e sociais através de uma economia predatória e usurpadora, ameaçando a democracia e burlando a constituição. É fato e urgente o resgate dos debates para a integração da tríade: ambiente, sociedade e economia (nesta ordem) para o desenvolvimento sustentável, não de teorias, maquiagem ou filosófico, mas o de práticas, verdades e resultados.
Por isto deveríamos estar com o foco voltado para o desenvolvimento sustentável em todos os segmentos, primando pela qualidade de vida hoje e para o futuro, a razão primária da ECO 92. Parece que esqueceram que estamos vivendo numa era onde temos os riscos iminentes gerados pelas mudanças climáticas nos assombrando como uma histeria global e não uma realidade possível a qualquer instante. Deveríamos estar engajados para um futuro sustentável, onde o meio ambiente seja respeitado, o social participativo e a economia voltada para a concretização.
O petróleo, o ouro negro, é a o Eldorado no Brasil! Se este governo não conseguir explorá-lo ao máximo não se aquietará. Estamos minerando no Pré-sal, mas sem a menor competência, e isto está explícito na insistência da Chevron e os acidentes ambientais, e não adianta dizer que o governo não tem culpa, tem sim, pois são corresponsáveis já que são eles que licenciam tanta inexperiência. Estão se omitindo diante de tanta incapacitação, não só nestes exemplos, mas estamos insistindo no erro por pura e total ganancia.
Temos o Brasil com a maior matriz energética renovável e a usamos de forma incipiente. Falo isto com muito desapontamento, e percebo que querem desviar deste assunto de qualquer forma nesta ECO 92+20 anos, isso certamente será um vexame!!! A cada debate que participo mais me parece que isto irá acontecer, tentarão encobrir de qualquer forma a realidade de nossa nação.
O paradigma de um mundo melhor está em sermos melhores humanos. Talvez devêssemos até parar de falar em desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, energias renováveis e tantos outros termos que estão na moda, já está banalizado, foi ridicularizado por aqueles que deveriam justamente defendê-lo a todo custo, nós mesmo. Se quisermos um futuro diferente, devemos fazer nossas rotinas diferentes! Mas, com o medo, insegurança sobre o mundo e sobre o amanhã, não nos acomodando e repetindo nossos antigos hábitos rotineiramente. Não adianta rezar para ganhar na loteria, tem que preencher o talão e jogar!
Nós precisamos ser mais, para o Brasil ser mais também, devemos lutar para garantir uma qualidade que hoje não temos, com durabilidade, pois isto nos assegura a confiança. Você sabe quais serão as necessidades futuras? Será que podemos prever isto? Interessa prever isto? Devemos é ser mais responsáveis, pelo que fazemos e pelo que nossas ações influem em todo o restante. O respeito é a única coisa que pode garantir a tão sonhada sustentabilidade. Devemos cobrar isto da política administrativa, fazer daquilo que queremos metas verdadeiras. Os governos em todas as instâncias tem que parar de governar só para si.
Em muitos casos, e este é um deles, o exemplo tem que vir de cima. O atual governo em seu passado lutou para a participação popular na construção de uma série de ações, criando até mesmo os conselhos, efetivando as audiências públicas, entre outros instrumentos de consulta e participação comunitária, mas ultimamente têm agido de forma a contrariar todas estas condutas sempre que venham contra aos interesses individuais e partidários.
Muitas vezes parece que estamos regredindo ao Nacional-Socialismo Alemão, já vimos na história estas condutas acontecerem, e me parem estarem sendo repetidas. Devemos zelar pelo nosso patrimônio ambiental, e não permitir o retrocesso sob hipótese alguma, só assim desenvolveremos, sem atropelos às leis, sem omissão de responsabilidade para com a humanidade; não devemos ser intolerantes, mas também não podemos ser flexíveis naquilo que vai de encontro a nossa moral e idealismo. No momento que nos permitirmos mudar, por justamente aquilo que queremos mudar, nos tornamos iguais.
Para mudar as coisas devemos mudar a fórmula, se sempre fizermos as mesmas coisas não precisamos aguardar, pois sempre teremos o mesmo resultado. Devemos antever o futuro, mesmo quando não somos diretamente responsáveis, mas somos responsáveis pelo hoje que resultará num amanhã! Não podemos ser cúmplices da insustentabilidade, seja ela ambiental ou política, ou até mesmo coadjuvante neste processo. Sabemos que temos poder, que podemos, entretanto devemos nos questionar se devemos ou não?!
Por fim está claro que diminuir a expectativa para a Rio+20 é uma estratégia de tentar esconder tudo aquilo que não tem interesse em que os “de fora” tomem conhecimento que nada mais são do que as contradições entre as palavras e as ações, até mesmo o desinteresse em não haver tanta participação. Poderíamos ser mais honestos, admitir os fatos, apresentar soluções, estabelecer metas e cronogramas e não fechar os olhos para os problemas. Devemos construir um desenvolvimento durável e para isto devemos definir os seus limites, só assim poderemos constituir sua sustentabilidade.
Ana Paula de Carvalho, uma Brasileira que nunca desiste.
Ana Paula de Carvalho, é Engenheira Civil WWW.CIVILIDADE.COM.BR

EcoDebate
, 16/05/2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Parceiros