terça-feira, 16 de julho de 2013

Estudo liga alimentos ricos em gordura e açúcar a risco de câncer de intestino

refrigerantes
refrigerantes (BBC)

Refrigerantes e outros produtos ricos em açúcar podem estar ligados a casos de câncer intestinal
Um estudo escocês sugere que refrigerantes, bolos, biscoitos doces e sobremesas podem aumentar os riscos de câncer de intestino.
Os cientistas, das universidades de Aberdeen e Edimburgo, analisaram fatores como dieta, prática de exercícios físicos e consumo de cigarros entre 2 mil pacientes de câncer de intestino na Escócia.
Eles identificaram fatores de risco já conhecidos pela literatura médica, como histórico familiar, fumo e sedentarismo. Além disso, apontaram outros, como o consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura.
Na pesquisa, eles analisaram as dietas dos pacientes de câncer, boa parte delas com alto consumo de produtos calóricos, e as compararam com os hábitos alimentares de um outro grupo do mesmo tamanho que seguia uma dieta considerada saudável.
Foram analisados mais de 170 tipos de comida, incluindo frutas, legumes, verduras, peixes, carnes, além de produtos calóricos, como chocolates, nozes e sucos de frutas.
Os pesquisadores concluíram que o grupo que seguia uma dieta saudável, rica em frutas e legumes, tinha menos riscos de desenvolver câncer de intestino do que o outro grupo, seguidor do que foi denominado de “dieta ocidental”: rica em carnes, gordura e açúcar.
Causa e consequência
Evropi Theodoratou, da Universidade de Edimburgo, disse que os resultados são muito interessantes e que merecem mais investigações utilizando uma amostragem maior da população.
“Ao mesmo tempo em que identificamos associações entre dieta e câncer, ainda seria prematuro tratar o assunto como causa e consequência”.
“É importante levar esses fatores em consideração, principalmente porque as pessoas nos países industrializados consomem cada vez mais este tipo de comida”.
Estima-se que o estudo, publicado na revista científica European Journal of Cancer Prevention, seja a primeira investigação a estabelecer uma ligação entre câncer de intestino e uma dieta rica em gordura e açúcar.
Matéria da BBC Brasil, reproduzida pelo EcoDebate, 16/07/2013
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Muito Além do Peso – Obesidade, a maior epidemia infantil da história

Muito Além do Peso - Obesidade, a maior epidemia infantil da história(Way Beyond Weight)
84′, cor, censura livre.
Obesidade, a maior epidemia infantil da história.
“Um filme obrigatório para qualquer pessoa que se importe com a saúde das nossas crianças” Jamie Oliver
Pela primeira vez na história da raça humana, crianças apresentam sintomas de doenças de adultos. Problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2.
Todos têm em sua base a obesidade.
O documentário discute por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem a indústria, o governo, os pais, as escolas e a publicidade. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.
com
Jamie Oliver, Amit Goswami, Frei Betto, Ann Cooper, William Dietz, Walmir Coutinho, entre outros.
Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti
Direção de Produção: Juliana Borges
Fotografia: Renata Ursaia
Montagem: Jordana Berg
Projeto Gráfico: Birdo
Trilha Sonora: Luiz Macedo
Produção: Maria Farinha Filmes
Patrocínio: Instituto Alana
Instituto Alana e Maria Farinha Filmes
Assista ao vídeo “Muito Além do Peso” no nosso canal no Youtube emhttp://youtu.be/SjnYs5kTIAI
EcoDebate, 16/07/2013
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Nota pública sobre banho de agrotóxicos na Escola de Rio Verde, em Goiás

veneno 
Nota da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida reitera a necessidade do governo federal proibir de forma imediata a pulverização aérea e a regulamentação da pulverização terrestre, mediante os vários problemas ambientais e de saúde pública que a prática tem ocasionado. Confira o documento:
Ao povo brasileiro,
A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, vem por meio desta nota manifestar sua posição em relação aos acontecimentos que desde o dia 03 de maio vem ocorrendo na escola rural do assentamento pontal dos Buritis localizado na cidade de Rio Verde – GO.
Em 03 de maio uma aeronave da empresa Aerotex sobrevoou a escola durante uma aplicação do agrotóxicos/veneno conhecido como Engeo Pleno da empresa Syngenta, fato que resultou no registro de 93 casos de intoxicação, na sua maioria crianças.
Desde então a atenção à saúde dessas crianças e das demais vítimas, tem sido feita de forma precária e lenta, de modo que muitas crianças dias depois do ocorrido, quando ficaram internadas, tiveram de voltar ao hospital sofrendo sintomas das intoxicações.
Nos dias 25 e 26 de junho uma equipe de profissionais da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO, INCA e da Fiocruz, assessorando o Ministério Público Federal visitou a região e conversou com pessoas que sofreram intoxicações. A equipe contava com médicos profissionais da área de saúde coletiva, toxicologistas, entre outros.
Durante a visita a recomendação feita pelo Ministério Público Federal foi de manter a suspensão das aulas, até que seja assegurado o integral restabelecimento das condições sanitárias e ambientais da unidade escolar.
Na noite do dia 30 de junho a escola foi depredada, e segundo a delegada responsável pelo caso a ação foi realizada por alunos que estudam na mesma.
Nós da Campanha não reconhecemos a ação, porém reconhecemos que banhar a escola de veneno e contaminar dezenas de pessoas em sua maioria crianças também é um ato de depredação, não apenas do patrimônio público, no caso a escola, mas um ato de violência contra a vida.
Queremos alertar para que o centro das atenções não sejam voltadas apenas para o ato da depredação, que por sua vez fica claro como uma resposta de repudio (ainda que equivocada) em relação ao crime cometido quando da pulverização da escola.
Na reportagem exibida pela TV Anhanguera (http://g1.globo.com/goias/noticia/2013/07/escola-atingida-por-veneno-agricola-e-depredada-em-rio-verde-go.html) vemos no quadro as palavras “Protesto Veneno” que deixa claro que tal ato é apenas consequência do crime cometido contra a escola e a vida das pessoas que nela se encontravam quando a mesma foi banhada de veneno, bem como um protesto contra a lentidão no cuidado com a saúde dos intoxicados.
Exigimos que o poder público possa tomar as providências em relação à pulverização aérea de agrotóxicos, punindo os responsáveis daquilo que foi o estopim dos vários problemas que vem enfrentando a escola e as pessoas intoxicadas.
Vale lembrar que o caso da escola de Rio Verde em relação à contaminação por agrotóxicos através da pulverização aérea não é um ato isolado, mas algo recorrente dessa forma de aplicação de veneno que mesmo cumprindo com as exigências legais para aplicação – o que na maioria das vezes não acontece – é extremamente perigosa e contaminante do meio ambiente e das pessoas.
É por isso que exigimos do governo federal a proibição imediata da pulverização aérea e a regulamentação da pulverização terrestre, pois os agrotóxicos como vimos não só geram problemas ambientais e de saúde pública, mas sim um conjunto de problemas sociais, os quais a sociedade brasileira pode evitar adotando um modelo de agricultura baseado na produção agroecológica e sem veneno.
Dessa forma oferecemos a nossa solidariedade a todos os educandos, pais, professores, ao diretor da escola e a todos aqueles e aquelas que de uma forma ou de outra estão sendo afetados pelos acontecimentos trágicos na escola do assentamento Pontal dos Buritis.
Atenciosamente,
Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Brasília – DF, 10 de julho de 2013.
Nota Pública socializada pela CPT- Comissão Pastoral da Terra e publicada pelo EcoDebate, 16/07/2013
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Clientes de restaurante por quilo têm consciência de quais alimentos são ou não saudáveis

LegumesLegumes. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Maioria opta por alimento saudável em restaurante por quilo – O problema é o jantar: consumo de comida congelada, pronta ou de preparo mais rápido
Pessoas que utilizam restaurantes por quilo para realizar refeições fora de casa sabem quais alimentos são saudáveis e quais não são. A maioria escolhe o que coloca no prato segundo os critérios de saúde. O grande problema é aquilo que se come à noite, durante o jantar: geralmente alimentos com maior teor de gordura e calorias, como alimentos congelados ou de preparo mais rápido.
Os dados são da pesquisa Nutrir-se ou comer: diálogos e dilemas no cotidiano de clientes e de nutricionistas em restaurantes de refeição por peso, realizada pela nutricionista Odete Santelle, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, sob a orientação do professor Fernando Lefevre.
A pesquisadora entrevistou 60 clientes de dois restaurantes: um localizado dentro da Cidade Universitária, em São Paulo, e o outro na região do Campo Limpo, região sul da capital, com o objetivo de saber quais fatores influenciavam a escolha dos alimentos que os clientes colocavam no prato. “Em ambos os restaurantes o fator saúde foi apontado por 43% dos clientes, o fator sabor por 26% e o equilíbrio entre sabor e saúde, por 31%. Quem come errado sabe o que está fazendo”, aponta a pesquisadora.
Clientes
De acordo com Odete, os entrevistados apontaram como exemplos de alimentos ligados à saúde: as folhas verdes, os legumes, os grelhados e o arroz integral. Já um alimento associado com sabor foi a batata frita.
Ao serem questionados sobre o que mudariam na alimentação, a maioria dos entrevistados disse que seria aquilo que comem durante o jantar, principalmente alimentos como fast-food, frituras, croissants, pizza, pão de queijo, etc. Portanto, o grande problema é o jantar, devido ao consumo de alimentos congelados, comida pronta ou de preparo mais rápido, geralmente mais calóricos e com maior teor de gordura. No almoço, nos restaurantes por quilo, a opção dos clientes é por alimentos mais saudáveis.
Os entrevistados disseram que os fatores limitadores que levam à escolha desse tipo de alimento para o jantar são a falta de tempo para cozinhar, a falta de habilidade culinária, pelo fato de os congelados serem mais práticos e de rápida preparação, e pela dificuldade em guardar a comida fresca (não poder armazenar na geladeira por muito tempo). “As pessoas que moram em grandes cidades, como São Paulo, saem do trabalho e muitas vão para cursos e nem sempre conseguem chegar em casa em tempo hábil para prepararem uma refeição saudável”, diz.
Quando questionados sobre o que mudariam na alimentação, pensando na saúde, os entrevistados disseram comer menos pães, massas e doces à noite.
Nutricionistas
A pesquisadora também entrevistou as nutricionistas que atuavam nos dois restaurantes. Odete relata que essas profissionais vivenciam uma situação em que precisam equilibrar o compromisso ético profissional com as metas de vendas. Então, essas profissionais buscam oferecer arroz branco e o integral, frutas e doces nas sobremesas, sucos naturais e refrigerantes como bebidas, e os clientes decidem o que escolher.
“Oferecer apenas alimentos saudáveis não é possível. Mas as nutricionistas sabem que a demanda por arroz integral é menor, então fazem de um modo para que não haja desperdício de alimentos”, conta. Outra estratégia relatada pelas profissionais é diminuir a quantidade de sal e gordura utilizada na preparação dos alimentos.
Alternativa
Odete acredita que as pessoas não comem errado por opção, mas por uma série de dificuldades que atrapalham a adoção de uma rotina alimentar mais saudável. “Por isso, o profissional de nutrição deve entender o dia a dia dos clientes a fim de identificar quais as dificuldades da pessoa. E, a partir disso, fazer uma proposta de educação e saúde alimentar que seja adequada a cada realidade.”
Já nos restaurantes, uma alternativa seria o oferecimento de um “cantinho saudável”, sem que isso afete as finanças do restaurantes.
Matéria de Valéria Dias, da Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 12/07/2013
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Pesquisa relaciona obesidade infantil a tempo que as crianças permanecem na frente da TV

obesidade infantil 
Pesquisa divulgada nesta semana pela Universidade de Coimbra indica que pode haver relação entre a obesidade infantil e o tempo em que as crianças assistem à televisão ou usam o aparelho de TV para brincar com jogos eletrônicos. Feita na década passada, a pesquisa ouviu 17.424 crianças de 3 a 11 anos e seus parentes em todas as regiões de Portugal.
O estudo mostra que, apesar de Portugal ter sistema integral de ensino, com as crianças passando a manhã e a tarde na escola, 28% de meninos e 26% de meninas assistem a mais de duas horas de televisão por dia. Nos fins de semana, a proporção sobe significativamente: 75% meninos e 74% meninas. O parâmetro de duas horas é sugerido pela Academia Americana de Pediatria.
Em Portugal, três de cada dez crianças (6 a 10 anos) são consideradas acima do peso e 14% são classificadas como obesas. De acordo com a coordenadora do Centro de Investigação em Antropologia da Saúde, da Universidade de Coimbra, Cristina Padez, o problema do alto consumo da TV está relacionado ao comportamento sedentário. “Não é só a TV, é preciso observar a alimentação, o estilo de vida e a organização dos pais”, disse à Agência Brasil.
Dados divulgados pela Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (Apcoi), assinalam que 57% das crianças que vivem no país não caminham para ir à escola; 90% comem lanches tipo fast food quatro vezes por semana e apenas 2% consomem frutas todos os dias.
Segundo Cristina Padez, os indicadores de Portugal são semelhantes aos de outros países do Sul da Europa, como a Espanha, a Itália e a Grécia, e guardam semelhança com o que acontece no Brasil. “O mundo é globalizado. Há um conjunto de maneiras de viver semelhantes. Todos esses problemas são consequência do desenvolvimento econômico e social”, enfatizou Cristina.
A cientista social ressaltou ainda que a vida em grandes cidades, com poucos lugares para atividades de crianças ao ar livre, ou sob risco de violência, faz com que muito meninos e meninas passem horas vendo TV. As emissoras de televisão, com o avanço tecnológico e o interesse no consumo infantil, “tornaram-se mais apelativas” para as crianças, com programas e canais dirigidos ou acopladas ao jogo eletrônico.
A indústria aproveita a situação. O problema é que nosso corpo não está adaptado e precisa ser mais ativo”, destaca Cristina Padez. Apesar das restrições, ela não recomenda que os pais proíbam os filhos de ver televisão, nem de fazer lanches rápidos. “Os pais devem cuidar da alimentação sem proibir; é importante haver regras.”
A obesidade infantil pode favorecer o aparecimento futuro de doenças como diabetes e hipertensão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,6 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa da obesidade ou do sobrepeso. A OMS calcula que, em todo o mundo, mais de 1 bilhão de adultos estão acima do peso. Destes, 300 milhões (o equivalente à população dos Estados Unidos) são obesos.
Edição: Nádia Franco
Reportagem de Gilberto Costa, da Agência Brasil/EBC, publicada pelo EcoDebate, 15/07/2013
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Iniciativa internacional busca conciliar agricultura com sustentabilidade visando a segurança alimentar

Um grupo de 25 cientistas do mundo inteiro terá dois anos para fazer pesquisas e relatar experiências concretas que conciliem a produção agropecuária sustentável para garantir a segurança alimentar mundial. A iniciativa, lançada na sexta-feira (12) no Rio, pretende unir pesquisadores, governos e empresas em torno do bem comum. De acordo com Emile Frison, diretor-geral da Bioversity Internacional, organização de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Roma, que lidera o projeto, a novidade da Agriculture and Conservation Initiative é a união entre pesquisadores de sustentabilidade e dos setores produtivos para buscar soluções integradas.
“O próximo passo é fazer realmente os cientistas trabalharem juntos. Nós temos essa organização de alto nível que pode fornecer importantes políticas de volta. Mas nós precisamos que esses cientistas construam evidências científicas. Eles devem tentar congregar tudo que nós sabemos sobre iniciativas que funcionam para diferentes paradigmas de agricultura”, disse.
O presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Israel Klabin, que participou do evento, declarou que o Brasil tem papel de liderança nessa área, pois o país “é a capital mundial do capital natural”, com todos os recursos naturais na maior plenitude e tem trabalhado com realismo na questão. Para Klabin, é importante que o setor produtivo não deixe de lado a questão ambiental e caminhe para uma economia sustentável.
“Nós estamos vivendo um momento de crise em todos os setores do planeta. Na verdade os sistemas de produção estão indo relativamente bem, mas a inserção deles na realidade planetária e no excesso de uso do capital natural, faz com que nós procuremos uma regulagem entre produção e meio ambiente, o que se trata aqui é exatamente isso, como é que nós podemos continuar a produzir e ao mesmo tempo respeitar os limites que a natureza nos oferece, para que nós possamos fazer com que os bens naturais herdados do passado possam ser passados para os nossos filhos da mesma maneira que nós recebemos”.
O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, destacou que o Brasil avançou muito nessa área nos últimos 40 anos, com a criação de instituições de pesquisa e legislação. De acordo com ele, o país superou o problema da insegurança alimentar e passou de importador para provedor de alimentos, transformou grandes áreas de solo ácido em férteis, desenvolveu um conceito próprio de agricultura tropical e construiu uma plataforma de práticas sustentáveis.
“Nós temos hoje mais de 30 milhões de hectares de áreas de plantio direto, onde não mais revolve o solo, o que ajuda a resolver os problemas de erosão, de desgaste do solo, perdas de nutriente. O Brasil é líder em fixação biológica de nitrogênio, toda a soja brasileira é cultivada sem a aplicação de nitrogênio na forma química. E nós estamos promovendo agora uma outra grande revolução na agricultura brasileira, que é a integração de sistemas: lavoura-pecuária, lavoura-pecuária-floresta, tudo combinado, que vai nos permitir um crescimento vertical da produção brasileira”, disse.
Edição: Aécio Amado
Reportagem de Akemi Nitahara, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 15/07/2013
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A culpa é dos médicos? artigo de Montserrat Martins

Brasília, 08/07/2013 – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha
Brasília, 08/07/2013 – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participa do lançamento de programa que vai levar médicos para atender no interior e em regiões metropolitanas do país. Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

[EcoDebatePassar de 6 para 8 anos o curso de Medicina, com 2 anos atendendo no SUS como requisito para receber o diploma . Imaginem se a moda pega: mais 2 anos de faculdade de Direito para que atendam na Defensoria Pública ou mais 2 anos de Magistério trabalhando em escolas públicas, tudo sem receber o diploma – o que torna o trabalho desses profissionais mais barato para o governo, enquanto as faculdades particulares faturam mais 2 anos de mensalidades. Além disso, a contratação de médicos estrangeiros é a outra providência oficial, como resposta para a crise da saúde, quer dizer: a culpa é dos médicos.
Há pesquisas de opinião aprovando essas medidas do governo, talvez imaginando a categoria como abastada – sem saber que o valor pago pelo SUS pela consulta médica rende menos que um cachorro quente vendido em frente ao hospital. Alguns locais oferecem contratos melhores, mas ter de escolher qual paciente vai poder ser atendido numa emergência, ou entubado numa UTI, é um drama que nada paga: ver pacientes morrendo, impotente, e ser processado depois. Os médicos estão mal distribuídos, concentrados na região metropolitana onde há equipamentos: no interior, prevalece a “ambulancioterapia” para a capital, ao invés de equipar os hospitais municipais. Faltam leitos em UTIs, faltam vagas nos hospitais, mas o governo não quis destinar 10% das verbas para essa área na Emenda 29, que definiu os investimentos federais em saúde. Assim como já ocorrera com a CPMF, que anos atrás era para ser aplicada em saúde mas caiu no caixa único da União até ser extinta.
Há problemas crônicos no país e não só a nível federal: faltam políticas públicas nos estados e municípios, até 70 % dos pacientes do SUS são afetados por falta de saneamento (água potável, esgotos sanitários, águas pluviais contaminadas e disposição final inadequada de resíduos sólidos), pelo déficit habitacional, com 4 milhões de pessoas vivendo em favelas em São Paulo e mais de 200 favelas em Porto Alegre – assim, não conseguimos controlar nem a proliferação da dengue.
A população necessita de mais médicos no SUS, mas o melhor modo de ter profissionais envolvidos com sua missão não é de modo forçado. A colaboração dos profissionais poderia ser voluntária, fruto do diálogo do governo com a categoria, que vem se envolvendo cada vez mais nas questões sociais – o Simers e o Cremers, por exemplo, são entidades atuantes na fiscalização de hospitais e das condições necessárias ao trabalho médico. Uma campanha poderia ser feita ou até mesmo, num espírito análogo ao serviço militar obrigatório, os médicos poderiam ser “convocados” a atender no SUS por 2 anos, sem a perversa condição de “não graduados” nesses 2 anos.
O diploma não ser entregue até completar 8 anos desvaloriza os profissionais. Com a Educação não deu certo: achatar os salários dos professores, décadas após décadas, só agravou a situação da Educação no país. Os salários aviltados da maioria dos policiais também não gerou uma “segurança cidadã” no Brasil, o que contrasta por exemplo com o bom trabalho da Polícia Federal, uma carreira funcional mais valorizada. É fácil ser “corajoso” enfrentando categorias profissionais, ao invés de oligopólios econômicos, que tem apoio do BNDES. Não gastar em saúde, não pagar professores, ter déficit de policiais e dizer que a valorização das categorias é “corporativista”. Culpar médicos, professores, policiais, não resolve os problemas da saúde, educação e segurança, em nenhum lugar.
Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é Psiquiatra.
EcoDebate, 15/07/2013
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sexta-feira, 12 de julho de 2013

PROGRAMAÇÃO FEICAT 2013



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Estudo indica que queima de carvão diminui expectativa de vida na China

Estudo indica que queima de carvão diminui expectativa de vida na China 
Governo chinês forneceu carvão de graça para região norte ao longo de três décadas. Para autores, redução da expectativa de vida foi a consequência não-intencional de uma política que pode ter parecido sensata.

A queima de grandes quantidades de carvão para manter casas e escritórios aquecidos durante o inverno reduziu em 5,5 anos a expectativa de vida no norte da China. Esse é o resultado da pesquisa publicada na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Science (PNAS), da Academia de Ciência dos Estados Unidos. O estudo se concentrou na região ao norte do Rio Huai, onde moram cerca de 500 milhões de pessoas.
Por causa do carvão, a concentração de partículas totais em suspensão no local era até 55% maior que em outras regiões chinesas. A poluição fez com que doenças cardiorrespiratórias se tornassem frequentes, o que impactou na longevidade dos moradores. Outras pesquisas já haviam demonstrado o influência da poluição na saúde humana, “mas a questão mais importante e nova é o impacto sobre a expectativa de vida”, destacou Michael Greenstone, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), um dos autores do estudo.
Rio Huai: linha de divisão
A própria história da China possibilitou que os pesquisadores chegassem aos resultados. Entre 1950 e 1980, o governo fornecia carvão gratuitamente para garantir o aquecimento de casas e escritórios da fria região localizada ao norte do Rio Huai. Naquela época, o rio era usado como linha divisória da administração chinesa para promover tal política – e a parte sul não contava com esse tipo de incentivo governamental. “Por causa da baixa taxa de migração nesse período, nós sabemos que as pessoas ficaram expostas ao problema por longo período”, comenta Greenstone.
Apesar dessa política ter deixado de vigorar na década de 1980, os pesquisadores alegam que ela deixou como herança a cultura do uso de grande quantidade de carvão para o aquecimento. A queima dessa fonte libera partículas poluentes no ar capazes de prejudicar a saúde humana.
Os pesquisadores coletaram dados sobre a concentração de poluentes de 90 cidades chinesas entre 1981 e 2000. Também foram usados registros de mortalidade do mesmo período. Os cientistas descobriram que, no norte, a concentração de partículas totais em suspensão era de 184 microgramas por metro cúbico, ou seja, 55% maior que a região sul. Ao mesmo tempo, os moradores do norte viviam em média 5 anos e meio a menos que os do sul.
Efeitos da convivência com a poluição
“Nós agora podemos dizer, com mais convicção, que a longa exposição à poluição tem dramáticas consequências para a expectativa de vida”, destaca Michael Greenstone. O professor salienta ainda que “esta foi a consequência não-intencional de uma política que pode ter parecido bastante sensata”.
Os autores afirmam que essa pesquisa também pode ser usada para estimar os efeitos da concentração de partículas totais em suspensão em outros países. Em termos gerais, os resultados sugerem que um longo tempo de exposição a um nível maior que 100 microgramas por metro cúbico está associado à redução da expectativa de vida em três anos.
Matéria da Agência Deutsche Welle, DW, publicada pelo EcoDebate, 12/07/2013
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União Europeia bane cosméticos testados em animais

União Europeia bane cosméticos testados em animaisCom proibição, bloco europeu tenta pressionar parceiros comerciais a fazerem o mesmo.

Com entrada em vigor da proibição a produtos de beleza experimentados em animais, bloco tenta pressionar parceiros comerciais a fazerem o mesmo. Ativistas aplaudem, mas criticam brechas na lei e pedem banimento global.
Entrou em vigor nesta quinta-feira (11/07), na União Europeia, uma proibição completa da comercialização de produtos cosméticos desenvolvidos a partir de testes em animais – mesmo que tenham sido fabricados fora do bloco.
Testes do tipo já são proibidos na UE desde 2009. E, com a nova legislação, busca-se, ainda que de forma indireta, fazer com que seus parceiros comerciais sigam o mesmo caminho. Ativistas tratam a medida europeia como um marco, mas dizem que o objetivo principal ainda não foi alcançado: o banimento global desse tipo de experimento.
Muitos, como Irmela Ruhdel, da Associação Alemã do Bem-Estar Animal, e Silke Bitz, bióloga e porta-voz da ONG Médicos Contra Experimentos em Animais, reclamam que as novas regras ainda têm muitas lacunas.
“Se uma empresa europeia quiser comercializar produtos na China, por exemplo, ela pode ainda fazer testes em animais, já que a prática é permitida pelas autoridades chinesas”, diz Silke Bitz.
Cerca de 12 milhões de animais são utilizados a cada ano para fins científicos na UE
Outro ponto criticado é que a proibição se aplica apenas ao campo dos cosméticos. Quando um ingrediente é utilizado em outros produtos, como de limpeza, por exemplo, ele muda de categoria para substância química.
“A indústria de cosméticos ainda pode utilizar o ingrediente, já que claramente ele não foi testado em animais para fins puramente cosméticos”, afirma, por sua vez, Irmela Ruhdel.
Há também uma série de exceções. Os testes em animais podem ser realizados caso aprovados pela Comissão Europeia, quando, por exemplo, há um ingrediente importante que não pode ser substituído e haja a preocupação que ele possa ser prejudicial. Isso se aplica principalmente a substâncias que possam causar câncer ou esterilidade.
A indústria critica a nova legislação. “Precisamos de muito tempo para testes de segurança importantes, cujos métodos alternativos ainda não estão disponíveis”, diz Birgit Huber, diretora de produtos de beleza da Associação da Indústria de Higiene Pessoal e Produtos de Limpeza (IKW, sigla em alemão).
Falta de métodos alternativos
Na busca por métodos alternativos, a indústria dos cosméticos alemã decidiu parar, desde 1989, com o teste de produtos finais em animais. No entanto, o desenvolvimento de métodos alternativos não foi completado, e mais pesquisas ainda precisam ser realizadas.
Ativistas dos direitos dos animais sabem que novos métodos de teste ainda precisam ser desenvolvidos. No entanto, Bitz reclama da falta de comprometimento da indústria. Outro ponto é o investimento disponível. Se mais verbas de impostos fossem colocadas nessas áreas de pesquisa, afirmam ativistas, o avanço seria mais rápido e visível.
Pesquisa com células in vitro é uma maneira de substituir experiências com animais em laboratório
Se os ingredientes são testados em animais, é um risco incalculável a aplicação dos resultados em seres humanos, alega Bitz. “Você não tem como saber se uma pessoa aleatória vai reagir de forma diferente”, afirma. Ela apoia a pesquisa de células em laboratório, os chamados testes in vitro.
Só na União Europeia, cerca de 12 milhões de animais são utilizados anualmente para fins científicos. No entanto, nos últimos anos, a participação da indústria dos cosméticos foi relativamente baixa: cerca de dois mil animais por ano (0,02%).
Dessa maneira, a indústria de cosméticos pode até ser a força motriz para o desenvolvimento de métodos alternativos, diz Irmela Ruhdel: “Esses métodos alternativos que não utilizam animais também podem ser usados para o teste de drogas e produtos químicos, o que diminuiria o teste com animais também em outras áreas”.
A proibição de testes em animais para a indústria de cosméticos ainda é pouco, lamenta Bitz. “Nosso principal objetivo é o fim de todos os experimentos com animais”. Isso, no entanto, será algo de difícil implementação política. Experimentos com animais ainda são parte essencial de pesquisas médicas.
Matéria da Agência Deutsche Welle, DW, publicada pelo EcoDebate, 12/07/2013
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