segunda-feira, 3 de março de 2014

Veneno à nossa mesa: Brasil consome 14 agrotóxicos proibidos na União Europeia e Estados Unidos

veneno

 

Especialista indica que pelo menos 30% de 20 alimentos analisados não poderiam estar na mesa do brasileiro

Os indicadores que apontam o pujante agronegócio como a galinha dos ovos de ouro da economia não incluem um dado relevante para a saúde: o Brasil é maior importador de agrotóxicos do planeta. Consome pelo menos 14 tipos de venenos proibidos no mundo, dos quais quatro, pelos riscos à saúde humana, foram banidos no ano passado, embora pesquisadores suspeitem que ainda estejam em uso na agricultura. Matéria de Vasconcelo Quadros, no Portal IG, socializada pelo Jornal da Ciência / SBPC, JC e-mail 4901, de 24 de fevereiro de 2014.
Em 2013 foram consumidos um bilhão de litros de agrotóxicos no País – uma cota per capita de 5 litros por habitante e movimento de cerca de R$ 8 bilhões no ascendente mercado dos venenos.

Dos agrotóxicos banidos, pelo menos um, o Endosulfan, prejudicial aos sistemas reprodutivo e endócrino, aparece em 44% das 62 amostras de leite materno analisadas por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) no município de Lucas do Rio Verde, cidade que vive o paradoxo de ícone do agronegócio e campeã nacional das contaminações por agrotóxicos. Lá se despeja anualmente, em média, 136 litros de venenos por habitante.

Na pesquisa coordenada pelo médico professor da UFMT Wanderlei Pignati, os agrotóxicos aparecem em todas as 62 amostras do leite materno de mães que pariram entre 2007 e 2010, onde se destacam, além do Endosulfan, outros dois venenos ainda não banidos, o Deltametrina, com 37%, e o DDE, versão modificada do potente DDT, com 100% dos casos. Em Lucas do Rio Verde, aparecem ainda pelo menos outros três produtos banidos, o Paraquat, que provocou um surto de intoxicação aguda em crianças e idosos na cidade, em 2007, o Metamidofóis, e o Glifosato, este, presente em 70 das 79 amostras de sangue e urina de professores da área rural junto com outro veneno ainda não proibido, o Piretroides.

Na lista dos proibidos em outros países estão ainda em uso no Brasil estão o Tricolfon, Cihexatina, Abamectina, Acefato, Carbofuran, Forato, Fosmete, Lactofen, Parationa Metílica e Thiram.

Chuva de lixo tóxico

"São lixos tóxicos na União Europeia e nos Estados Unidos. O Brasil lamentavelmente os aceita", diz a toxicologista Márcia Sarpa de Campos Mello, da Unidade Técnica de Exposição Ocupacional e Ambiental do Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde. Conforme aponta a pesquisa feita em Lucas do Rio Verde, os agrotóxicos cancerígenos aparecem no corpo humano pela ingestão de água, pelo ar, pelo manuseio dos produtos e até pelos alimentos contaminados.

Venenos como o Glifosato são despejados por pulverização aérea ou com o uso de trator, contaminam solo, lençóis freáticos, hortas, áreas urbanas e depois sobem para atmosfera. Com as precipitações pluviométricas, retornam em forma de "chuva de agrotóxico", fenômeno que ocorre em todas as regiões agrícolas mato-grossenses estudadas. Os efeitos no organismo humano são confirmados por pesquisas também em outros municípios e regiões do país.

O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a pesquisadora do Inca, mostrou níveis fortes de contaminação em produtos como o arroz, alface, mamão, pepino, uva e pimentão, este, o vilão, em 90% das amostras coletadas. Mas estão também em praticamente toda a cadeia alimentar, como soja, leite e carne, que ainda não foram incluídas nas análises.

O professor Pignati diz que os resultados preliminares apontam que pelo menos 30% dos 20 alimentos até agora analisados não poderiam sequer estar na mesa do brasileiro. Experiências de laboratórios feitas em animais demonstram que os agrotóxicos proibidos na União Europeia e Estados Unidos são associados ao câncer e a outras doenças de fundo neurológico, hepático, respiratórios, renais e má formação genética.

Câncer em alta

A pesquisadora do Inca lembra que os agrotóxicos podem não ser o vilão, mas fazem parte do conjunto de fatores que implicam no aumento de câncer no Brasil cuja estimativa, que era de 518 mil novos casos no período 2012/2013, foi elevada para 576 mil casos em 2014 e 2015. Entre os tipos de câncer, os mais suscetíveis aos efeitos de agrotóxicos no sistema hormonal são os de mama e de próstata. No mesmo período, segundo Márcia, o Inca avaliou que o câncer de mama aumentou de 52.680 casos para 57.129.

Na mesma pesquisa sobre o leite materno, a equipe de Pignati chegou a um dado alarmante, discrepante de qualquer padrão: num espaço de dez anos, os casos de câncer por 10 mil habitantes, em Lucas do Rio Verde, saltaram de três para 40. Os problemas de malformação por mil nascidos saltaram de cinco para 20. Os dados, naturalmente, reforçam as suspeitas sobre o papel dos agrotóxicos.

Pingati afirma que os grandes produtores desdenham da proibição dos venenos aqui usados largamente, com uma irresponsável ironia: "Eles dizem que não exportam seus produtos para a União Europeia ou Estados Unidos, e sim para mercados africanos e asiáticos."

Apesar dos resultados alarmantes das pesquisas em Lucas do Rio Verde, o governo mato-grossense deu um passo atrás na prevenção, flexibilizando por decreto, no ano passado, a legislação que limitava a pulverização por trator a 300 metros de rios, nascentes, córregos e residências. "O novo decreto é um retrocesso. O limite agora é de 90 metros", lamenta o professor.

"Não há um único brasileiro que não esteja consumindo agrotóxico. Viramos mercado de escoamento do veneno recusado pelo resto do mundo", diz o médico Guilherme Franco Netto, assessor de saúde ambiental da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Na sexta-feira, diante da probabilidade de agravamento do cenário com o afrouxamento legal, a Fiocruz emitiu um documento chamado de "carta aberta", em que convoca outras instituições de pesquisa e os movimentos sociais do campo ligados à agricultura familiar para uma ofensiva contra o poder (econômico e político) do agronegócio e seu forte lobby em toda a estrutura do governo federal.

Reação da Ciência

A primeira trincheira dessa batalha mira justamente o Palácio do Planalto e um decreto assinado, no final do ano passado, pela presidente Dilma Rousseff. Regulamentado por portaria, a medida é inspirada numa lei específica e dá exclusividade ao Ministério da Agricultura _ histórico reduto da influente bancada ruralista no Congresso _ para declarar estado de emergência fitossanitária ou zoossanitária diante do surgimento de doenças ou pragas que possam afetar a agropecuária e sua economia.

Essa decisão, até então era tripartite, com a participação do Ministério da Saúde, através da Anvisa, e do Ministério do Meio Ambiente, pelo Ibama. O decreto foi publicado em 28 de outubro. Três dias depois, o Ministério da Agricultura editou portaria declarando estado de emergência diante do surgimento de uma lagarta nas plantações, a Helicoverpaarmigera, permitindo, então, para o combate, a importação de Benzoato de Emamectina, agrotóxico que a multinacional Syngenta havia tentado, sem sucesso, registrar em 2007, mas que foi proibido pela Anvisa por conter substâncias tóxicas ao sistema neurológico.

Na carta, assinada por todo o conselho deliberativo, a Fiocruz denuncia "a tendência de supressão da função reguladora do Estado", a pressão dos conglomerados que produzem os agroquímicos, alerta para os inequívocos "riscos, perigos e danos provocados à saúde pelas exposições agudas e crônicas aos agrotóxicos" e diz que com prerrogativa exclusiva à Agricultura, a população está desprotegida.

A entidade denunciou também os constantes ataques diretos dos representantes do agronegócio às instituições e seus pesquisadores, mas afirma que com continuará zelando pela prevenção e proteção da saúde da população. A entidade pede a "revogação imediata" da lei e do decreto presidencial e, depois de colocar-se à disposição do governo para discutir um marco regulatório para os agrotóxicos, fez um alerta dramático:

"A Fiocruz convoca a sociedade brasileira a tomar conhecimento sobre essas inaceitáveis mudanças na lei dos agrotóxicos e suas repercussões para a saúde e a vida."

Para colocar um contraponto às alegações da bancada ruralista no Congresso, que foca seu lobby sob o argumento de que não há nexo comprovado de contaminação humana pelo uso de veneno nos alimentos e no ambiente, a Fiocruz anunciou, em entrevista ao iG, a criação de um grupo de trabalho que, ao longo dos próximos dois anos e meio, deverá desenvolver a mais profunda pesquisa já realizada no país sobre os efeitos dos agrotóxicos – e de suas inseparáveis parceiras, as sementes transgênicas – na saúde pública.

O cenário que se desenha no coração do poder, em Brasília, deve ampliar o abismo entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Planejamento, de um lado, e da Saúde, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, de outro. Reflexo da heterogênea coalizão de governo, esta será também uma guerra ideológica em torno do modelo agropecuário. "Não se trata de esquerdismo desvairado e nem de implicância com o agronegócio. Defendemos sua importância para o país, mas não podemos apenas assistir à expansão aguda do consumo de agrotóxicos e seus riscos com a exponencial curva ascendente nos últimos seis anos", diz Guilherme Franco Netto. A queda de braços é, na verdade, para reduzir danos do modelo agrícola de exportação e aumentar o plantio sem agrotóxicos.

Caso de Polícia

"A ciência coloca os parâmetros que já foram seguidos em outros países. O problema é que a regulação dos agrotóxicos está subordinada a um conjunto de interesses políticos e econômicos. A saúde e o ambiente perderam suas prerrogativas", afirma o pesquisador Luiz Cláudio Meirelles, da Fiocruz. Até novembro de 2012, durante 11 anos, ele foi o organizador gerente de toxicologia da Anvisa, setor responsável por analisar e validar os agrotóxicos que podem ser usados no mercado.

Meirelles foi exonerado uma semana depois de denunciar complexas falcatruas, com fraude, falsificação e suspeitas de corrupção em processos para liberação de seis agrotóxicos. Num deles, um funcionário do mesmo setor, afastado por ele no mesmo instante em que o caso foi comunicado ao Ministério Público Federal, chegou a falsificar sua assinatura.

"Meirelles tinha a função de banir os agrotóxicos nocivos à saúde e acabou sendo banido do setor de toxicologia", diz sua colega do Inca, Márcia Sarpa de Campos Mello. A denúncia resultou em dois inquéritos, um na Polícia Federal, que apura suposto favorecimento a empresas e suspeitas de corrupção, e outro cível, no MPF. Nesse, uma das linhas a serem esclarecidas são as razões que levaram o órgão a afastar Meirelles.

As investigações estão longe de terminar, mas forçaram já a Anvisa – pressionada pelas suspeitas -, a executar a maior devassa já feita em seu setor de toxicologia, passando um pente fino em 796 processos de liberação avaliados desde 2008. A PF e o MPF, por sua vez, estão debruçados no órgão regulador que funciona como o coração do agronegócio e do mercado de venenos.

 

EcoDebate, 25/02/2014

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Agrotóxicos: Fiocruz publica carta alertando para os perigos de mudanças na lei

veneno

 

A Fiocruz divulgou uma carta aberta à sociedade brasileira, na qual alerta para os riscos das recentes mudanças na legislação que regula o uso de agrotóxicos, e no perigo de projetos de lei que flexibilizem a função regulatória do Estado. O texto reforça como estudos científicos têm comprovado os danos provocados pelos agrotóxicos à saúde das populações, afetando sobretudo segmentos sociais de grande vulnerabilidade, como moradores e trabalhadores de áreas rurais, populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

Em setembro de 2013, a Fiocruz já havia assinado uma nota alertando sobre os perigos do mercado de agrotóxicos, assinada também pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Ainda em 2013, a Fiocruzlançou o documentário Nuvens de Veneno, dirigido por Beto Novaes, que faz um retrato revelador sobre o uso de agroquímicos no Brasil.

Em sua carta, a Fiocruz convoca a sociedade brasileira a tomar conhecimento sobre as "inaceitáveis mudanças na lei dos agrotóxicos e suas repercussões para a saúde e a vida". Destaca como o "processo em curso de desregulação sobre os agrotóxicos que atinge especialmente o setor saúde e ambiental no Brasil, está associado aos constantes ataques diretos do segmento do agronegócio às instituições e seus pesquisadores que atuam em cumprimento as suas atribuições de proteção à saúde e ao meio ambiente". E se põe à disposição para  para participar das discussões sobre o marco regulatório de agrotóxicos. Veja a carta na íntegra:

Carta aberta da Fiocruz frente às atuais mudanças na regulação de agrotóxicos e perdas para saúde pública 

A crescente pressão dos conglomerados econômicos de produção de agroquímicos para atender as demandas do mercado (agrotóxicos, fertilizantes / micronutrientes, domissanitários) e de commodities agrícolas, tem resultado numa tendência de supressão da função reguladora do Estado.

As legislações recentemente publicadas e os correspondentes projetos de lei em tramitação, ao flexibilizarem a função regulatória do estado, tendem a desproteger a população dos efeitos nocivos inerentes aos agrotóxicos, principalmente, e de maneira mais grave, àqueles segmentos sociais de maior vulnerabilidade: trabalhadores e moradores de áreas rurais, trabalhadores das campanhas de saúde pública e de empresas de desinsetização, populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

A literatura científica internacional é inequívoca quanto aos riscos, perigos e danos provocados à saúde pelas exposições agudas e crônicas aos agrotóxicos, particularmente entre os trabalhadores e comunidades rurais que estão sistematicamente expostos a estes produtos, inclusive por meio de pulverizações aéreas de eficácia duvidosa.

A Fundação Oswaldo Cruz, enquanto uma das principais instituições de produção tecnológica, pesquisa, ensino técnico e pós-graduado em saúde do país, tem o compromisso de produzir conhecimento para a proteção, promoção e cuidado da saúde.

Na questão específica do tema agrotóxicos, em perspectiva interdisciplinar, a Fiocruz historicamente oferta cursos e desenvolve pesquisas voltadas para o aprimoramento da gestão pública; realiza diagnóstico de agravos de interesse da saúde pública; implementa  programas inovadores de vigilância; desenvolve e a aplica metodologias de monitoramento e avaliação toxicológica, epidemiológica e social; e realiza a investigação de indicadores preditivos de danos e a comunicação científica.

Entre as atividades de serviços prestados, a Fiocruz integra o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e as ações de Vigilância a Saúde. Mantém sob sua coordenação o Sistema Nacional de Informação Toxico-Farmacológica (Sinitox) que disponibiliza desde 1985 informações sobre os agravos relacionados aos agrotóxicos com base nas notificações coletadas junto aos centros de informação e assistência toxicológica distribuídos no país. Participou diretamente das atividades de reavaliação e decisão sobre os agrotóxicos que provocam efeitos agudos e crônicos sobre a saúde humana conforme dados experimentais, clínicos e epidemiológicos obtidos em trabalhadores e em consumidores, onde são suspeitos de possuir efeitos carcinogênicos, teratogênicos, mutagênicos, neurotóxicos e de desregulação endócrina.

Na cooperação técnica destacam-se sua participação direta junto ao Sistema Único de Saúde, órgãos colegiados, agências internacionais (OMS/OPS/IARC/IPCS; OIT; FAO) e organizações multilateriais (Convenções de Estocolmo, da Basiléia, Roterdã) voltados aos processos de regulação de produtos e serviços de risco químico /agrotóxicos. Colabora com órgãos Legislativos, Ministério Público e Sociedade Civil Organizada em iniciativas que visam aprimorar a atuação no controle de agrotóxicos e fomento a produção limpa e segura.

Este processo em curso de desregulação sobre os agrotóxicos que atinge especialmente o setor saúde e ambiental no Brasil, está associado aos constantes ataques diretos do segmento do agronegócio às instituições e seus pesquisadores que atuam em cumprimento as suas atribuições de proteção à saúde e ao meio ambiente. Frente a estes ataques a Fiocruz, o Instituto Nacional de Câncer e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva já responderam repudiando-os mediante nota pública, reafirmando assim seu compromisso perante á sociedade de zelar pela prevenção da saúde e proteção da população.

Em suas relações com a sociedade, de acordo com preceitos éticos e do SUS, a Fiocruz participa de diversas iniciativas de esclarecimento e mobilização tais como o "Dossiê da Abrasco – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde" assim como da "Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida", do "Grito da Terra"; "Fóruns Nacional e Estaduais de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos" entre outros mecanismos e instrumentos que visam buscar alternativas ao uso de agrotóxicos.

Ante o exposto, a Fundação Oswaldo Cruz contesta a Lei que permite o registro temporário no País em casos de emergência fitossanitária ou zoossanitária sem avaliação prévia dos setores reguladores da saúde e do meio ambiente (Lei n° 12.873 /13 e o Decreto n° 8.133/13), pugnando por sua revogação imediata. A Fiocruz se coloca também contrária a outros Projetos de Lei que tenham o mesmo sentido, como o PL 209/2013 do Senado que pretende retirar definitivamente ou mesmo restringir a atuação das áreas de saúde e meio ambiente do processo de autorização para registro de agrotóxicos no Brasil.

Declara, ainda, que se coloca à inteira disposição das autoridades do executivo, do legislativo, do judiciário, do Ministério Público e da sociedade civil para participar das discussões sobre o marco regulatório de agrotóxicos, na busca de alternativas sustentáveis, como a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Frente a esse cenário a Fiocruz formalizou um Grupo Trabalho sobre agrotóxicos entre seus pesquisadores para tratar de forma sistemática o tema.

A Fiocruz convoca a sociedade brasileira a tomar conhecimento sobre essas inaceitáveis mudanças na lei dos agrotóxicos e suas repercussões para a saúde e a vida.

EcoDebate, 25/02/2014

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Consumo de agrotóxicos cresce e afeta saúde e meio ambiente, artigo de Claudio Oliveira

agrotóxicos

 

[Portal Fiocruz]  Quando o Governo Federal aprovou a implantação do Sistema Nacional de Crédito Rural, em 1965, esperava estimular a industrialização dos produtos agropecuários e possibilitar o fortalecimento econômico dos produtores rurais. Era a entrada do Brasil na revolução verde, programa criado para aumentar a produção agrícola no mundo por meio de pesquisas em sementes, fertilização do solo, mecanização, redução do custo de manejo e aplicação de defensivos agrícolas, hoje chamados de agrotóxicos.

Na medida em que o uso de agrotóxicos e sementes geneticamente modificadas crescia, problemas de saúde relacionados ao manuseio e ingestão oral e respiratória desses produtos surgiram. Casos de intoxicação, problemas na pele e nos olhos foram documentados, assim como o impacto do uso desses produtos no meio ambiente, como mostra o documentárioNuvens de Veneno, dirigido por Beto Novaes e recém-lançado pela VideoSaúde, da Fiocruz.

O filme foi uma das iniciativas que, em 2013, buscaram chamar a atenção para o enorme desafio que o uso dos agrotóxicos representa para o Brasil, país recordista em seu uso. Não à toa, em outubro, três das mais importantes instituições ligadas à saúde pública no Brasil – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional de Câncer (Inca) e  Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) -  divulgaram uma nota oficial que alerta sobre o perigo dessas substâncias.

Em depoimento para o Nuvens de Veneno, Celito Trevisan, trabalhador rural assentado em Mato Grosso (MT), denuncia a presença de agrotóxicos mesmo em lavouras que não fazem uso desses produtos. "Quando passa o pulverizador aéreo, o vento faz o agrotóxico se espalhar. Já houve casos em que o veneno atingiu lugares que estavam a 40 quilômetros de distância. Esse produto matou plantas na cidade e intoxicou pessoas".

Altos índices de resíduos nos alimentos

Os efeitos do uso de agrotóxicos são refletidos na qualidade dos alimentos consumidos nas grandes cidades. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa, pesquisou 1.628 amostras de alimentos em 2011; destes, 36% foram consideradas insatisfatórias. Alimentos como arroz, feijão e cenoura apresentaram amostras insatisfatórias em todos os produtos analisados. Ingredientes ativos de tebufempirade e azaconazol, agrotóxicos que nunca foram registrados no Brasil, foram encontrados em uvas.

Em uma amostra de arroz, o PARA detectou a presença de aldicarbe, encontrado no Temik 150, também conhecido como chumbinho para matar ratos.  O programa chama atenção para o fato de que o Temik 150 teve seu registro cancelado em outubro de 2012, a pedido da própria empresa produtora. Segundo a Anvisa, esses ingredientes ativos possuem elevado grau de toxicidade aguda. Causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer.

A agência alerta também para os efeitos crônicos causados pelo contato com essas substâncias. "Problemas de saúde podem ocorrer meses, anos ou até décadas após a exposição, manifestando-se em várias doenças, como cânceres, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais".

Apesar dos riscos à saúde, o Brasil segue desde 2008 como o maior comprador de agrotóxicos do mundo. Para André Burigo, pesquisador e professor da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), cada vez mais o governo se confunde com o agronegócio. "O Plano Safra concede algo entre 80% a 90% do financiamento para o agronegócio, e o crédito que chega ao pequeno agricultor está vinculado à revolução verde. A lógica do banco é a lógica do agronegócio".

Meio ambiente e trabalhador rural são os mais afetados

Segundo Burigo, a profusão de relatos e pesquisas apontando para casos de contaminação no ser humano e meio ambiente serve para mostrar que é um mito o uso seguro de agrotóxicos. "Em 2007, um piloto se esqueceu de fechar o bico do avião e a cidade de Lucas do Rio Verde foi contaminada; as empresas culparam apenas o piloto. Como conseqüência, foram relatados casos de infecção de pele e má formação congênita em anfíbios. O lençol freático foi contaminado, resíduos foram encontrados no leite materno, na água da chuva e no ar".

Wanderlei Pignati, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) afirma, em depoimento para o filme Nuvens de Veneno, que nem mesmo a água de Lucas do Rio Verde e arredores pode ser considerada saudável. "Investigamos dez poços artesianos na cidade de Lucas do Rio Verde e outros dez em Campo Verde, fazendo análises de resíduos de agrotóxicos. Todos os 20 poços estavam contaminados".

Apesar da via digestiva ser uma forma de infecção, os problemas de saúde mais graves atingem os trabalhadores rurais, que podem se contaminar no processo laboral. Burigo lembra que a legislação fala em tempo de carência entre a pulverização de agrotóxico e o momento da colheita, só que o trabalhador rural não tem esse tempo de intervalo. "Ele irriga, colhe e está sempre exposto ambientalmente. Muitas vezes eles não sabem se existe um tempo de espera de colheita, se pode colher logo em seguida à pulverização. O trabalhador rural pode ter vários tipos de exposição. Até mesmo a família pode ser contaminada ao ter contato com a roupa utilizada durante a aplicação desses produtos".

O problema se torna ainda maior devido à pouca presença de serviços de saúde próximos a essas localidades. Segundo André Burigo, se o SUS enfrenta dificuldades de serviços em grandes cidades, na área rural o problema é maior. O pesquisador lembra que somente em 2011 o SUS passou a ter uma política voltada para o campo, quando foi lançada a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta. "O atendimento ainda é precário, às vezes não tem médico, há dificuldade de deslocamento. Ele tem que conseguir chegar ao posto de saúde e ter sorte de haver um médico por lá, o que acaba gerando uma subnotificação do número de casos de contaminação. Dizemos que é como um iceberg. O que está em baixo do iceberg são as subnotificações".

Agroecologia cresce como alternativa

Aqueles que buscam uma alimentação mais saudável têm na agroecologia uma alternativa. Segundo Burigo, a agroecologia é mais que uma promessa de futuro, pois tem produzido alimentos de alta qualidade e já foi reconhecida pela ONU como o caminho da agricultura. "O problema da alimentação no mundo se deve ao desperdício, à distribuição de alimentos no planeta, ao transporte. Mas o mundo hoje já produz mais alimento do que a humanidade precisa. A maior parte das plantações, que usam agrotóxicos, plantam soja e milho para alimentar animais na Europa e EUA, e cana para a produção do biocombustível ou açúcar. Quem produz mandioca, feijão e arroz não é o agronegócio, mas a agricultura familiar. O argumento do agronegócio é pura retórica".

Serviço

Para adquirir o filme Nuvens de Veneno, entre em contato com a VideoSaúde:
Tel: (21) 2290-4745 | 3882-9109/9110 | 9111

Artigo socializado pelo Portal Fiocruz e reproduzido pelo EcoDebate, 25/02/2014

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Obras Viárias: Cortes, Aterros, Túneis ou Viadutos? artigo de Álvaro Rodrigues dos Santos

Marcando a transição da tração animal para a tração motorizada (advento do trem e do automóvel), agitado período que se estendeu da segunda metade do séc. XIX às primeiras décadas do séc. XX, procedeu-se em todo o mundo uma verdadeira revolução técnica no que diz respeito aos parâmetros básicos de projeto para as obras de infraestrutura viária.

No Brasil, primeiramente tendo como condicionantes as características de tração mecanizada e os fatores de segurança próprios do transporte ferroviário, fortemente incrementado no país já a partir das últimas décadas do séc. XIX, e mais adiante, por força dessas mesmas características agora próprias do transporte rodoviário moderno, que marcava sua explosiva presença no país ao início do séc. XX, a engenharia viária brasileira obrigou-se a adotar diretrizes de projeto progressivamente mais exigentes no que diz respeito especialmente aos raios mínimos de curvatura horizontal e às rampas máximas admissíveis.

Em termos práticos isso implicou na necessidade de construção de vias a cada vez menos tortuosas e, especialmente em regiões de relevo ondulado a montanhoso, na necessidade de execução de grandes serviços de terraplenagem em cortes e aterros para o atendimento do greide de projeto.

Diversos fatores, alguns permanentes, outros circunstanciais, determinaram ao seu início a preferencialidade da engenharia viária brasileira, preferencialidade que veio a se tornar um traço cultural, por cortes e aterros sobre túneis e viadutos para vencer os desníveis topográficos que se colocavam ao longo do traçado: a abundância e a profundidade de solos no meio físico tropical; um desprezível valor monetário das terras de superfície a serem desapropriadas; um maior domínio tecnológico sobre obras de terra; a necessidade quase completa de importação de tecnologia, equipamentos e componentes para a execução de obras de arte; as dificuldades imensas da abertura de túneis por via das técnicas então disponíveis; a inexistência de pressões ambientais de ordem política ou legal; uma indisfarçável desimportância para os possíveis ganhos em quilometragem final que uma opção túneis/viadutos pudesse trazer; a pressão política de grupos empresariais originalmente especializados técnica e patrimonialmente em obras de terra…

Por óbvio que a preferencialidade brasileira por obras de terra não constituiu à época um erro de visão, e até pode-se dizer que se justificou inteiramente, tal o real significado e peso dos fatores envoltórios acima apontados. E, registre-se, válidos por um longo período de tempo. Considere-se também que a clássica diretriz de compensação de volumes de corte e aterro, consagrada normativamente no Diagrama de Massas, ou Diagrama de Bruckner, por muito tempo entendido como regra pétrea para a definição do greide otimizado, contribuiu, e tem contribuído, para, nos casos em que há compatibilidade geotécnica dos materiais de corte para seu uso na execução de aterros, reduzir ao menos em parte os impactos físicos, ambientais e econômicos negativos intrínsecos a essa alternativa técnica.

No entanto, se procedermos uma indispensável reavaliação desses fatores intervenientes à luz das alterações de contorno que se impuseram, e continuam em plena evolução, desde especialmente o final da década de 1960 e o início da década de 1970, é muito provável que a engenharia viária nacional identifique a necessidade de uma salutar revisão de seus, vamos dizer, "costumes tecnológicos".

 

Imagem Google mostrando aspectos construtivos do trecho oeste do Rodoanel paulistano.
Imagem Google mostrando aspectos construtivos do trecho oeste do Rodoanel paulistano.

 

Como um parêntese, vale lembrar que, ainda que podendo trabalhar com rampas máximas um tanto menos exigentes, as obras dutoviárias (em um verdadeiro boom no país) merecem hoje, pelos mesmos motivos, também ser reavaliadas em seus critérios de projeto.

Consideremos então as novas e claras situações de contorno que hoje se apresentam: um considerável aumento do valor imobiliário das terras de superfície; ocorrência de uma verdadeira revolução tecnológica na engenharia tuneleira de rochas e solos e na engenharia das obras de arte, contabilizando grandes ganhos em tempo de execução, segurança estrutural e geotécnica e custos finais, diferentemente do que aconteceu na engenharia de obras de terra, onde as técnicas executivas básicas continuam essencialmente as mesmas, variando apenas a capacidade e porte dos equipamentos; nacionalização intensiva da engenharia tuneleira e de obras de arte; o surgimento da consciência ambiental e de um ostensivo aparato legal para exercê-la efetivamente; a valorização social, por seu rareamento geográfico, de mananciais superficiais de água doce, sempre ameaçados pelos perversos efeitos do binômio erosão/assoreamento próprio das obras de terra extensivas; a valorização econômica de reduções da extensão dos traçados viários, os altos custos relativos de manutenção e recuperação das obras de terra frente a opção túnel/viaduto…

 


Corte na Rodovia Castelo Branco – SP. Foto ARSantos

 


Implantação do mineroduto Minas-Rio. Trecho próximo a Ponte Nova – MG. Foto ARSantos

 

Certamente, diante desse novo quadro de fatores de contorno, e considerando ainda, especialmente para relevos ondulados e montanhosos, a adoção de uma mais livre gestão geotécnica de greides regionais, muitas das situações em que, por cacoetes técnicos, adotaríamos uma sequência de grandes cortes e aterros, poderão ser hoje melhor equacionadas técnica, econômica e ambientalmente com a adoção de alternativas em túneis e viadutos. Uma elevação do greide em uma determinada região de desenvolvimento da obra viária possibilitaria, por exemplo, a redução da dimensão dos cortes, convidando a uma complementar adoção de obras de arte mais esbeltas para o vencimento de vales e depressões. Pelo contrário, um rebaixamento regional do greide possibilitaria a execução de obras de arte de menor porte ou até pequenos ou médios aterros para a travessia de vales e depressões, abrindo a conveniência de execução de túneis para a travessia dos grandes obstáculos de relevo. Uma outra posição do greide regional poderia, por sua vez, permitir a adoção de uma combinação mais generalizada entre túneis e obras de arte. Essas conjecturas tecnológicas sugerem o entendimento do greide como uma variável de projeto a ser mais livremente administrada na busca da otimização geotécnica do empreendimento.

Obviamente, estudos aprofundados e de detalhe serão sempre indispensáveis para determinar quais as combinações mais adequadas frente as condicionantes próprias do contexto geológico, geomorfológico e geotécnico que se apresenta para cada caso: processos naturais de dinâmica externa mais presentes, fenômenos geotécnicos induzidos característicos, densidade hidrográfica, propriedades morfométricas do relevo – amplitudes altimétricas, declividade e comprimento de vertentes, etc., mas o fato é que hoje seguramente há condições tecnológicas de suporte e fatores gerais de contorno muito mais favoráveis ao exercício de uma maior liberdade na consideração e escolha das melhores opções de projeto.

Exemplo sugestivo e virtuoso tivemos em nossa engenharia viária para regiões serranas tropicais úmidas, a exemplo de nossa Serra do Mar, para onde o melhor conhecimento da dinâmica geológico-geotécnica de suas encostas, aliado ao grande desenvolvimento tecnológico das engenharias tuneleira e de obras de arte, propiciaram ao país adotar como novo patamar tecnológico histórico de projetos a plena preferencialidade por túneis e viadutos.

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

  • Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia;
  • Autor dos livros "Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática", "A Grande Barreira da Serra do Mar", "Diálogos Geológicos", "Cubatão" e "Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções";
  • Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente;
  • Colaborador e Articulista do Portal EcoDebate.

EcoDebate, 28/02/2014

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Karl Marx ou Sigmund Freud? A grande questão, artigo de Valdeci Silva

[EcoDebate] O eleitorado dos países capitalistas não elege candidatos aos cargos legislativos e executivos, de todos os níveis (municipal, estadual e federal) para que estes, ocupando os cargos, desenvolvam projetos que tenham por objetivos a abolição do capitalismo e a implantação do socialismo. Não, isto nem passa pela cabeça do eleitorado dos países capitalistas.

O eleitorado dos países capitalistas elege candidatos objetivando a criação e implantação de projetos que gerem as melhores condições para o desenvolvimento do capitalismo, o que garante o crescimento das empresas e a geração de mais empregos, e, consequentemente, a relativa estabilidade social e governamental.

Mas o desenvolvimento capitalista depende do crescimento da população humana, e esse crescimento, em uma população que já ultrapassa, em muito, as condições de recuperação do planeta Terra, associado ao desenvolvimento científico e tecnológico, produz agravamento da devastação ambiental, alterações climáticas importantes e instabilidade social.

Mas o capitalismo é indomável: seu único objetivo é o desenvolvimento econômico, e ele conta com todos os recursos – os meios de produção – e com o apoio da grande maioria da população, que luta pela sobrevivência e pela melhoria do padrão de vida particular e familiar, e tem dois fortes e imbatíveis aliados: as religiões e a mídia. Em suma, o capitalismo dispõe de amplas condições de "perpetuar-se" no poder, pois se constitui em um grande e poderoso grupo de Estados nações que se organizam e se inter-relacionam com essa finalidade, e contam, ainda, com as estruturas dos Estados, as quais promovem uma atuação midiática, um incentivo a práticas religiosas, tradicionais ou não, uma "educação" – preparação para ocupar um lugar no mercado de trabalho, e forças armadas, elementos que, em conjunto, o torna superpoderoso.

Ao capitalismo não importam os danos socioambientais que sejam causados em seu benefício, nem as condições sub-humanas a que é submetida grande parte da população humana.

A maioria das pessoas que nascem sob o manto do capitalismo é, imediata e inconscientemente, "filiada" a uma religião, e, mesmo antes do nascimento, no útero materno, já recebe, através de impulsos, informações que contribuem para a formação adequada ao seu desenvolvimento e sobrevivência na "sociedade" repressora e punitiva, sob domínio do capitalismo.

Tudo que dissemos do capitalismo, até agora, é verdade, mas há uma reticência quanto ao seu futuro, quanto ao futuro da humanidade e quanto ao futuro da vida de todas as espécies: a Terra tem condições limitadas e essas já foram ultrapassadas. Portanto, estamos caminhando em direção ao colapso.

Se nós, seres humanos, possuímos um mecanismo adaptativo em que coexistem a COMPETIÇÃO e a COOPERAÇÃO, devemos, nestes momentos decisivos, tentar descobrir se há possibilidade de se promover uma educação que seja capaz de fazer com que o sentimento de COOPERAÇÃO sobrepuje o de COMPETIÇÃO, a ponto de que este se torne insignificante, e permita a constituição de uma verdadeira sociedade humana igualitária.

Karl Marx defendeu isso, e Sigmund Freud, que estudou profundamente as reações psicológicas humanas, não aderiu a suas teorias. A História da humanidade depõe contra a possibilidade de prevalência da cooperação sobre a competição. Temos o exemplo da União Soviética socialista que sucumbiu.

Para mim, que desde a juventude, defendi o socialismo com a finalidade de se chegar ao comunismo, se formulou, recentemente, as seguintes questões: 1) A ESPÉCIE HUMANA DISPÕE DE CONDIÇÕES PSICOLÓGICAS PARA, ATRAVÉS DE UM TRABALHO EDUCATIVO, ADQUIRIR A FORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA CRIAR UMA SOCIEDADE SOCIALISTA QUE EVOLUA PARA O COMUNISMO? ; 2) CASO A RESPOSTA À PRIMEIRA PERGUNTA SEJA POSITIVA, HAVERÁ TEMPO SUFICIENTE PARA SE IMPLANTAR ESSA EDUCAÇÃO E ALCANÇAR OS RESULTADOS DESEJADOS; e 3) HAVERÁ POSSIBILIDADE DE SE IMPLANTAR ESSA EDUCAÇÃO, EM TEMPO HÁBIL?

Analisarei com muita atenção e carinho as informações que me sejam enviadas sobre essas questões.

Valdeci Silva, Arquiteto e Urbanista. E-mail: val.val2705@hotmail.com

EcoDebate, 03/03/2014

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Porto Alegre - Curso Gestão de pontos de Cultura

Teve reinicio na manhã de hoje o Curso Gestão de Pontos de Cultura promovido pela Secretaria de Estado de Cultura em parceria com o Pontão de Cultura COMUNA S.A de Belo Horizonte MG, estão presentes ao referido os representantes, Claudinara e Eloidemar, da ACCLTP de Três Palmeiras entidade gestora do Ponto de Cultura Liberdade de Expressão de Três Palmeiras RS.
O evento ocorre até amanhã sabado dia 15-02-2014 junto a Casa de Cultura Mario Quintana em Porto Alegre.



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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Serviços Ambientais

 

CCJ aprova projeto do deputado Tortelli que institui pagamento por serviços ambientais




Nesta terça-feira (11), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou por unanimidade, o Projeto de Lei nº 11 de 2012 de autoria do deputado Altemir Tortelli (PT), que institui a Política Estadual dos Serviços Ambientais e cria o Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais. A meta é promover o desenvolvimento sustentável e a aumentar a oferta dos serviços em todo território do Rio Grande do Sul.

O deputado explica que entre as políticas previstas no PL estão disponibilização de condições adequadas para o manejo sustentável dos ecossistemas, suporte e regulação. "Precisamos criar alternativas concretas para impedir esse modelo que tem devastado os recursos naturais. Cabe ao governo disponibilizar mecanismos para isso", afirma Tortelli.

Um dos principais pontos do projeto é a possibilidade de compensação através de pagamentos por serviços ambientais. Segundo Tortelli, estariam aptos os agricultores que produzem, restabelecem, recuperam, mantém ou melhoram os ecossistemas. "É preciso garantir um desenvolvimento sustentável. É preciso reconhecermos a contribuição da agricultura familiar, dos povos indígenas e dos povos e comunidades tradicionais para a conservação ambiental".

O parlamentar ainda comenta que o projeto constitui um contraponto ao modelo de produção atual, sendo um instrumento de incentivo para as condutas preservacionistas, inaugurando também no Estado uma "nova tendência no Direito Ambiental, até então baseado na repressão do dano ambiental". O projeto agora segue a tramitação nas comissões que vão analisar o mérito do projeto para depois ir para aprovação em plenário.



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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

FW: Municípios terão acesso a novos incentivos para qualificação das equipes de Saúde da Família

Municípios terão acesso a novos incentivos para qualificação das equipes de Saúde da Família

O Governo do Estado criou novos incentivos financeiros para estimular a ampliação do número de profissionais das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e garantir veículos que possam facilitar o seu trabalho. Aliada à medida está a modernização do processo de solicitação dos recursos, que agora passará a ser online, proporcionando mais agilidade à liberação dos incentivos aos municípios.


De acordo com a secretária estadual da Saúde, Sandra Fagundes, a iniciativa integra um conjunto de ações para qualificar a Atenção Básica, responsável pelo atendimento mais próximo da casa das pessoas. Os recursos para aquisição de veículos variam de R$ 50 mil a R$ 100 mil, para uso das equipes de Saúde da Família, dos núcleos de apoio e para as equipes de consultório de rua, que realizam atendimento em saúde à população em situação de rua.


Também está disponível o repasse de R$ 250 mil para aquisição de unidades móveis de saúde, equipadas com consultório médico e odontológico, para viabilizar a atuação de equipes de ESF em áreas rurais com baixa densidade demográfica.


Mais profissionais

O novos incentivos relacionados à ampliação e qualificação das equipes serão repassados para os municípios realizarem as seguintes ações: contratação de um segundo enfermeiro em cada equipe ESF; garantia de um médico especialista em medicina da família; presença de equipe de Saúde Bucal (de modalidade II) com pelo menos um técnico da área.


Os valores para cada um desses casos variam de R$ 1 mil a R$ 5 mil por mês, a mais, por equipe, conforme a resolução 503/13 da CIB, comissão que pactua as ações no âmbito do SUS no Estado. Mais detalhes sobre os critérios para acessar os recursos e como fazer a solicitação via formulário eletrônico, nos seguintes links:


Adesão ao incentivo estadual para aquisição de veículos Equipe de Saúde da Famíliahttp://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=14130


Adesão ao incentivo estadual para Unidade Móvel Terrestre para municípios com áreas rurais de população rarefeita http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=14122


Adesão ao incentivo estadual para Saúde Bucal modalidade IIhttp://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=14121

Adesão ao incentivo estadual para Segundo Enfermeiro na Equipe de Saúde da Famíliahttp://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=14090 
 
Adesão ao incentivo estadual para Médico com titulação em Medicina de Família e Comunidade http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=14070




Heloise Santi
Central do Interior
Diretoria de Jornalismo/SECOM
Telefone (51)3213-0787


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sábado, 8 de fevereiro de 2014

RÁDIO COMUNITÁRIA LIBERDADE FM: LOJA IONE MODAS

RÁDIO COMUNITÁRIA LIBERDADE FM: LOJA IONE MODAS: A proprietária é Ione Maria Peruchini Na  LOJA IONE MODAS você encontra uma variada linha de verão em promoção especial com supe...
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