sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Herbicida 2,4-D: Brasil pode liberar veneno mais tóxico para lavouras transgênicas

veneno

 

Após uma década ao longo da qual o herbicida glifosato reinou absoluto nas lavouras transgênicas espalhadas pelo Brasil, a chegada de um novo produto, mais tóxico e com maior potencial de contaminação, coloca em alerta setores da sociedade e já é objeto de um inquérito civil por parte do Ministério Público Federal (MPF). Um dos principais componentes do tristemente célebre agente laranja, usado pelos Estados Unidos como arma letal contra civis durante a Guerra do Vietnã, o veneno conhecido como 2,4D pode ser uma realidade já na atual safra brasileira, em lavouras de soja e milho geneticamente modificadas para resistirem à aplicação do produto. Responsável pela possível liberação de três pedidos de plantio comercial relativos ao 2,4D – que seriam analisados em outubro – a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) foi aconselhada pelo MPF a realizar mais testes que comprovem a segurança do produto para a saúde e o meio ambiente.

Também instada pelo MPF a realizar uma audiência pública na qual a utilização do 2,4D fosse debatida de forma mais ampla pela sociedade civil, a CTNBio não acatou a orientação. Por isso, o MPF optou por organizar sozinho, em Brasília, uma audiência pública, realizada em 12 de dezembro, que contou com dezenas de representantes das organizações socioambientalistas, da academia e dos ministérios e agências reguladoras do governo federal, além de integrantes da própria CTNBio.

Foram debatidos os riscos de contaminação de sementes crioulas pelas sementes geneticamente modificadas e de aumento do consumo de agrotóxicos no Brasil. A falta de mecanismos adequados para o monitoramento da cadeia de transgênicos no país também foi motivo de debate, além da pouca confiabilidade dos estudos, em sua maioria realizados pelas próprias empresas transnacionais que controlam a transgenia, levados em conta pela CTNBiono momento de decidir pelas liberações comerciais.

Após a realização da audiência pública, o procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, responsável pela condução do inquérito civil, faz um balanço positivo do debate e destaca que a CTNBio, embora não tenha respondido à solicitação do MPF, acabou não mais liberando nenhuma planta associada ao produto. Ele acredita que a decisão sobre a utilização do 2,4D ficará para este ano. O procurador também critica os mecanismos de controle e monitoramento hoje existentes no Brasil, tanto no que diz respeito aos testes acatados pelaCTNBio quanto à cadeia de transgênicos em geral. Leia a seguir a íntegra da entrevista comAnselmo Henrique Cordeiro Lopes.

A entrevista é de Maurício Thuswohl, publicada por Repórter Brasil, 13-01-2014.

Eis a entrevista.

O que motivou a investigação realizada pelo Ministério Público Federal a respeito da liberação comercial de plantas transgênicas resistentes ao agrotóxico 2,4D? Quanto tempo durará o inquérito e quais seus possíveis desdobramentos?

O que motivou a investigação foi uma denúncia, realizada em reunião por alguns membros daCTNBio e vários outros pesquisadores, que denunciavam que a CTNBio estava na iminência de liberar alguns transgênicos de soja e milho resistentes a um herbicida muito perigoso – o2,4D, que já foi usado na Guerra do Vietnã na composição do agente laranja – e que esta liberação estaria se dando de forma muito açodada e sem que todos os estudos necessários abordassem os temas que seriam pertinentes. Então, para verificar se realmente isso estava ocorrendo, decidimos abrir em setembro um inquérito civil. Em tese, a duração dele é de um ano. O inquérito pode ser prorrogado por mais um ano, se isso se mostrar necessário, mas, em princípio, a duração dele é de um ano. Como desdobramento, nós poderemos fazer alguma recomendação à CTNBio ou mesmo ajuizar ação no que diz respeito aos processos que estão sendo examinados.

A CTNBio foi notificada pelo Ministério Público Federal para que interrompesse os testes? Qual foi a reação?

Não foi pedido que ela parasse com os testes, e sim que continuasse com os estudos e os testes, mas por enquanto não liberasse comercialmente o produto. Nós solicitamos que não houvesse a liberação comercial e, com base no Artigo 15 da Lei de Biossegurança, que trata da CTNBio, pedimos também que eles realizassem uma audiência pública para que fosse feita uma discussão mais ampla e mais global a respeito dos impactos diretos e indiretos relacionados a essas sementes. A CTNBio se negou a realizar essa audiência pública, foi isso que motivou o MPF a realizar a audiência por conta própria. Nessa audiência que se realizou, nós chamamos vários atores da sociedade civil e das instituições públicas, e a própria CTNBiose fez presente através de vários de seus membros.

A CTNBio é obrigada a acatar essa recomendação de não mais liberar plantas que tenham relação com o 2,4D?

Na verdade, não colocamos isso como uma ordem, mas sim como uma solicitação. De toda forma, ainda que a CTNBio não se manifestasse expressamente sobre essa questão da suspensão das liberações, na prática ela acabou por não realizar liberações em 2013. Essa discussão ficou para 2014.

Existem muitas críticas à falta de dados consistentes nos testes – bancados e realizados, em sua maioria, pelas próprias empresas do setor – que têm embasado as decisões da CTNBioquanto à liberação de transgênicos. O MPF considera suficientes os dados e informações trazidos por esses testes? Onde estão as maiores lacunas?

Esses testes são realizados pelas próprias empresas, até porque o grau de profundidade tecnológica do estudo dá a dimensão de que realmente é muito difícil fazer estudos independentes a respeito desse tipo de tecnologia que envolve, inclusive, matéria de sigilo e matéria de patente.

No caso do 2,4D, existe a denúncia por parte de vários pesquisadores de que a perspectiva do estudo teria sido reduzida e que ele não teria abordado vários aspectos necessários do que seria realmente importante trazer para decidir de forma mais consciente a liberação. Isso foi discutido na audiência pública, mas não há ainda uma conclusão muito clara a respeito desse tema.

O Brasil é campeão mundial do consumo de agrotóxicos. Já foi realizado algum cálculo sobre qual será o impacto da eventual liberação do 2,4D na expansão do mercado de agrotóxicos no país?
Isso não foi feito. Nós pedimos que isso fosse avaliado e que houvesse um prognóstico do aumento de consumo de 2,4D incentivado pela liberação das sementes transgênicas, mas até o momento não há nenhum dado científico que demonstre isso. Durante a audiência pública, a representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que existiria um espaço de crescimento de consumo de 2,4D no Brasil de até quatro vezes, um aumento de 300%. Mas, apesar desse posicionamento da Anvisa, não há nenhum estudo que demonstre concretamente qual será o aumento do consumo do 2,4D no Brasil caso haja essas liberações.

O processo de decisão sobre a liberação de transgênicos no Brasil, na forma como vem ocorrendo na última década, significa desrespeito a direitos humanos fundamentais?

Até o presente momento, eu não posso afirmar que houve esse desrespeito. O que eu posso afirmar é que o MPF está abordando o tema desde essa lógica e essa perspectiva. Isto é, nós estamos investigando para ver se os direitos humanos fundamentais à saúde, à alimentação adequada e ao meio ambiente equilibrado e sadio estão sendo respeitados. Se nós concluirmos que esses direitos são desrespeitados, aí sim nós iremos tomar as medidas legais cabíveis.

Convite da audiência pública, realizada em 12 de dezembro, pelo MPF

A fiscalização sobre os testes que são levados em conta pela CTNBio é realizada de maneira satisfatória? A Anvisa cumpre bem o seu papel?

Isso também foi discutido na audiência pública. Dá para perceber que existe, digamos assim, uma distância muito grande entre aquilo que é produzido como estudo pelas empresas e seus pesquisadores contratados e depois apresentado à CTNBio e aquilo que realmente se consegue fazer de forma independente e paralela como contraprova dos resultados apresentados. Em tese, de toda forma, o controle tecnológico e científico desses resultados deveria ser feito pela CTNBio.

O papel da Anvisa é outro, diz respeito ao registro e controle de herbicidas. A CTNBio vai estudar – e fazer a liberação, se for o caso – das sementes transgênicas. É lógico que existe aí um campo intermediário que diz respeito à própria interação das sementes transgênicas com o herbicida, mas, infelizmente, nem um órgão nem o outro acaba alcançando essas interações. Existe um espaço cinzento e nenhuma instituição acaba assumindo o papel de fazer esse controle.

Praticamente inexistem no Brasil de hoje mecanismos de monitoramento e controle da produção e comercialização de transgênicos. É possível exigir do governo que coloque em prática tais mecanismos?

Existem processos de monitoramento, como determina a lei, realizados pela CTNBio. A própria pauta de trabalho das reuniões da CTNBio demonstra que existem alguns processos sobre os quais eles realizam monitoramento. A questão é saber se o monitoramento está sendo feito de forma suficientemente correta e adequada ou não. Alguns críticos do trabalho da CTNBio afirmam de forma bastante veemente que esse monitoramento é insuficiente e meramente formal. Mas o MPF por enquanto não pode afirmar isso, não há dados para que possamos fazer essa afirmação.

Qual balanço faz o MPF sobre a Audiência Pública? O que a pode ser feito daqui pra frente para aprofundar essa discussão na sociedade civil?

Os focos da audiência foram os impactos diretos e indiretos relacionados à liberação dos transgênicos e também a questão da interação química, metabólica e biológica entre as sementes geneticamente modificadas e os herbicidas. Também foram discutidas a questão propriamente dita da reavaliação toxicológica do 2,4D, a acumulação de efeitos dos herbicidas e a sinergia e acumulação proporcionadas principalmente pela possível liberação das sementes transgênicas. Foi abordada também a metodologia de analise desses temas pela CTNBio, além de outros temas toxicológicos. O balanço que eu faço é muito bom. Acho que a gente conseguiu produzir muito conhecimento e obter muitas informações. Dezenas de pessoas – entre professores, pesquisadores e pessoas que trabalham no campo – tiveram a possibilidade de se manifestar a respeito de todos esses temas. Isso trouxe um resultado bastante plural e, nesse sentido, a audiência pública alcançou o objetivo democrático que ela se estipulou.

(EcoDebate, 16/01/2014) publicado pela IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

+ Mais Informações ››››››

‘A obesidade e a fome são os dois lados de um sistema alimentar que não funciona’, entrevista com Esther Vivas

obesidade
Entrevista com Esther Vivas , ativista social e pesquisadora de políticas agrárias e alimentares.
Qual é o estado do atual modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos?
Atualmente, enquanto milhões de pessoas no mundo não têm o que comer, outros comem muito e mal. A obesidade e a fome são os dois lados da mesma moeda: a de um sistema alimentar que não funciona e que condena milhões de pessoas à má nutrição. Vivemos, definitivamente, em um mundo de obesos e famélicos. Os números deixam isso claro: 870 milhões de pessoas no mundo passam fome, enquanto 500 milhões têm problemas de obesidade, segundo indica o relatório O Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação 2013, publicado recentemente pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), e que este ano analisa a mácula da má nutrição. Uma problemática que não afeta apenas os países do Sul, mas que aqui está cada vez mais próxima.
A fome severa e a obesidade são apenas a ponta do iceberg. Como acrescenta a FAO, dois milhões de pessoas no mundo sofrem deficiências de micronutrientes (ferro, vitamina A, iodo…), 26% das crianças têm, em consequência, atraso no crescimento e 1,4 bilhão vivem com sobrepeso. O problema da alimentação não consiste apenas em se podemos comer ou não, mas no que ingerimos, de que qualidade, procedência, como foi elaborada. Não se trata apenas de comer, mas de comer bem.
E quem sai ganhando com este modelo?
A indústria agroalimentar e a grande distribuição, os supermercados, são os principais beneficiários. Alimentos quilométricos (que vêm da outra ponta do mundo), cultivados com altas doses de pesticidas e fitossanitários, em condições precárias de trabalho, prescindindo do campesinato, com pouco valor nutritivo… são alguns dos elementos que o caracterizam. Em suma, um sistema que antepõe os interesses particulares do agrobusiness às necessidades alimentares das pessoas.
Como afirma Raj Patel em seu livro Obesos e famélicos (Los Libros de Lince, 2008): "A fome e o sobrepeso globais são sintomas de um mesmo problema. (…) Os obesos e os famélicos estão vinculados entre si pelas cadeias de produção que levam os alimentos do campo à nossa mesa". E acrescento: para comer bem, para que todos possam comer bem, é preciso romper com o monopólio destas multinacionais na produção, distribuição e consumo de alimentos. Para que acima do afã do lucro, prevaleça o direito à alimentação das pessoas.
E quem sai perdendo?
Estamos correndo o risco do desmantelamento de um setor, o agrário, estratégico para a nossa economia. Algo que não é novo, mas que com as atuais medidas só se agravou. Atualmente, menos de 5% da população ativa no Estado espanhol trabalha na agricultura, e uma parte muito significativa são pessoas maiores de idade. Algo que, segundo os padrões atuais, é símbolo de progresso e modernidade. Talvez, teríamos que começar a nos perguntar com que parâmetros se definem ambos os conceitos.
A agricultura camponesa é uma prática em extinção. Atualmente, milhares de propriedades fecham suas portas. Sobreviver no campo e trabalhar a terra não é tarefa fácil. E quem mais sai perdendo no atual modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos são, precisamente, aqueles que produzem os alimentos. A renda agrária situava-se, em 2007, segundo a COAG, em 65% da renda geral. Seu empobrecimento é claro. Avançamos para uma agricultura sem camponeses. E, se estes desaparecem, nas mãos de quem fica a nossa alimentação?
Que relação existe com a atual situação de crise?
A crise econômica só piorou esta situação. Cada vez mais pessoas são empurradas a comprar produtos baratos e menos nutritivos, segundo se desprende do relatório Geração XXL (2012), da companhia de pesquisa IPSOS. Como estes indicam, na Grã-Bretanha, para dar um exemplo, a crise fez com que as vendas de carne de cordeiro, verduras e frutas frescas diminuíssem consideravelmente, ao passo que o consumo de produtos enlatados, como biscoitos e pizzas, aumentasse nos últimos cinco anos. Uma tendência generalizável a outros países da União Europeia.
Milhões de pessoas sofrem hoje as consequências deste modelo de alimentação "fast food", que acaba com a nossa saúde. As doenças vinculadas ao que comemos só aumentaram nos últimos tempos: diabetes, alergias, colesterol, hiperatividade infantil, etc. E isto tem consequências econômicas diretas. Segundo a FAO, a estimativa do custo econômico do sobrepeso e da obesidade foi, em 2010, de aproximadamente 1,4 bilhão de dólares.
Existe alguma alternativa? Quais são os elementos e a condições necessárias para elas?
Como indica a organização internacional GRAIN, a produção de alimentos multiplicou-se por três desde os anos 1960, ao passo que a população mundial tão somente duplicou desde então, mas os mecanismos de produção, distribuição e consumo, a serviço dos interesses privados, impedem aos mais pobres a obtenção necessária de alimentos.
O acesso, por parte do pequeno agricultor, à terra, à água, às sementes… não é um direito garantido. Os consumidores não sabem de onde vem aquilo que comem, não podem escolher consumir produtos livres de transgênicos. A cadeia agroalimentar foi se alargando progressivamente afastando, cada vez mais, produção e consumo, favorecendo a apropriação das diferentes etapas da cadeia por empresas agroindustriais, com a consequente perda de autonomia de camponeses e consumidores.
Diante deste modelo dominante do agrobusiness, onde a busca do lucro econômico se antepõe às necessidades alimentares das pessoas e ao respeito ao meio ambiente, surge o paradigma alternativo da soberania alimentar. Uma proposta que reivindica o direito de cada povo a definir suas políticas agrícolas e alimentares, a controlar seu mercado doméstico, a impedir a entrada de produtos excedentes através de mecanismos de dumping, a promover uma agricultura local, diversa, camponesa e sustentável, que respeite o território, entendendo o comércio internacional como um complemento à produção local. A soberania alimentar implica em devolver o controle dos bens naturais, como a terra, a água e as sementes, às comunidades e lutar contra a privatização da vida.
Não são propostas utópicas? Que estratégias são requeridas?
Um dos argumentos que os detratores da soberania alimentar utilizam é que a agricultura ecológica é incapaz de alimentar o mundo. Mas contrariamente a este discurso, vários estudos demonstram que esta afirmação é falsa. Esta é a conclusão de uma exaustiva consulta internacional impulsionada pelo Banco Mundial em parceria com a FAO, o PNUD, a Unesco, representantes de governos, instituições privadas, científicas, sociais, etc., projetado como um modelo de consultoria híbrida, que envolveu mais de 400 cientistas e especialistas em alimentação e desenvolvimento rural durante quatro anos.
É interessante observar como, apesar de que o relatório tivesse estas instituições na retaguarda, concluía que a produção agroecológica provia de ingressos alimentares e monetários os mais pobres, ao mesmo tempo que gerava excedentes para o mercado, sendo melhor garantia de segurança alimentar que a produção transgênica. O relatório da IAASTD, publicado no começo de 2009, apostava na produção local, camponesa e familiar e na redistribuição das terras nas mãos das comunidades rurais. O relatório foi rechaçado pelo agrobusiness e arquivado pelo Banco Mundial, embora 61 governos o aprovassem discretamente, com exceção dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, entre outros.
Alcançar este objetivo requer uma estratégia de ruptura com as políticas agrícolas neoliberais impostas pela Organização Mundial do Comércio, pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional, que erodiram a soberania alimentar dos povos a partir de seus ditados de livre comércio, planos de ajuste estrutural, endividamento externo, etc. Frente a estas políticas, é preciso gerar mecanismos de intervenção e de regulação que permitam estabilizar os preços, controlar as importações, estabelecer cotas, proibir o dumping e, em momentos de sobreprodução, criar reservas específicas para quando estes alimentos escassearem. Em nível nacional, os países têm que ser soberanos na hora de decidir seu grau de autossuficiência produtiva e priorizar a produção de alimentos para o consumo doméstico, sem intervenções externas.
Mas, reivindicar a soberania alimentar não implica em um retorno romântico ao passado; antes, trata-se de recuperar o conhecimento e as práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologias e os novos saberes. Não deve consistir tampouco em um projeto localista, nem numa "mistificação do pequeno", mas em repensar o sistema alimentar mundial para favorecer formas democráticas de produção e distribuição de alimentos.
A que responde o auge dos grupos de consumo? Como foi a evolução mais recente destes grupos na Espanha?
Os grupos e as cooperativas de consumo propõem um modelo de agricultura cujos objetivos se centram em encurtar a distância entre produção e consumo, em relações de confiança e solidariedade entre ambos os extremos da cadeia, entre o campo e a cidade; em apoiar uma agricultura camponesa e de proximidade que cuida da nossa terra e que defende um mundo rural vivo com o propósito de poder viver dignamente do campo; e em promover uma agricultura ecológica e de temporada, que respeite e tenha em conta os ciclos da terra. Assim mesmo, nas cidades, estas experiências permitem fortalecer o tecido local, gerar conhecimento mútuo e promover iniciativas baseadas na autogestão e na autoorganização.
De fato, a maior parte dos grupos de consumo encontra-se nos núcleos urbanos, onde a distância e a dificuldade para contatar diretamente com os produtores são maiores, e, deste modo, pessoas de um bairro ou localidade se juntam para realizar "outro consumo". Existem, assim mesmo, vários modelos: aqueles em que o produtor serve semanalmente uma cesta, fechada, com frutas e verduras ou aqueles em que o consumidor pode escolher quais alimentos de estação quer consumir de uma lista de produtos oferecidos pelo camponês com quem trabalha. Também, em nível legal, encontramos majoritariamente grupos inscritos, como associações, e, alguns poucos, de experiências mais consolidadas e com longa trajetória, com formato de sociedade cooperativa.
Os primeiros grupos surgiram, no Estado espanhol, no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, majoritariamente na Andaluzia e na Catalunha, embora também encontremos alguns em Euskal Herria e no País Valencià, entre outros. Uma segunda onda se deu nos anos 2000, quando estas experimentaram um crescimento muito importante ali onde já existiam e apareceram pela primeira vez onde não tinham presença. Atualmente, estas iniciativas se consolidaram e multiplicaram de maneira muito significativa, em um processo difícil de quantificar devido ao seu caráter particular.
O auge destas experiências responde, do meu ponto de vista, a duas questões centrais. Por um lado, a uma crescente preocupação social sobre o que se come, diante da proliferação de escândalos alimentares, nos últimos anos, como a doença da vaca louca, os frangos com dioxinas, a gripe suína, a e-coli, etc. Comer, e comer bem, importa de novo. E, por outro lado, à necessidade de muitos ativistas sociais de buscar alternativas no cotidiano, para além de se mobilizarem contra a globalização neoliberal e seus artífices. Justamente depois da emergência do movimento antiglobalização e antiguerra, no começo dos anos 2000, uma parte significativa das pessoas que participaram ativamente destes espaços impulsionaram ou entraram para fazer parte de grupos de consumo agroecológico, redes de intercâmbio, meios de comunicação alternativos, etc.
Que papel tem as mulheres neste processo?
Avançar na construção de alternativas ao atual modelo agrícola e alimentar implica em incorporar uma perspectiva de gênero. Trata-se de reconhecer o papel que as mulheres têm no cultivo e comercialização daquilo que comemos. Entre 60% e 80% da produção de alimentos nos países do Sul, segundo dados da FAO, recai sobre as mulheres. Estas são as principais produtoras de cultivos básicos como o arroz, o trigo e o milho, que alimentam as populações mais empobrecidas do Sul global. Mas, apesar de seu papel chave na agricultura e na alimentação, elas são, junto com as crianças, as mais afetadas pela fome.
As mulheres, em muitos países da África, Ásia e América Latina enfrentam enormes dificuldades para ter acesso a terra, obter créditos, etc. Mas estes problemas não se dão apenas no Sul. Na Europa, muitas camponesas sofrem de uma total insegurança jurídica, já que a maioria delas trabalha em explorações familiares onde os direitos administrativos são propriedade exclusiva do titular da exploração e as mulheres, apesar de trabalhar nela, não têm direito a auxílios, à plantação, a uma cota láctica, etc.
A soberania alimentar tem que romper não apenas com um modelo agrícola capitalista, mas também com um sistema patriarcal, profundamente arraigado em nossa sociedade, que oprime e submete as mulheres. Uma soberania alimentar que não inclua uma perspectiva feminista estará condenada ao fracasso.
*A entrevista está publicada na revista Mundo Rural n. 13, do AgroCabildo, Cabildo de Tenerife, 14-01-2014. A tradução é de André Langer para www.ihu.unisinos.br.
** Esther Vivas, Colaboradora Internacional do Portal EcoDebate, é ativista e pesquisadora em movimentos sociais e políticas agrícolas e alimentares, autora de vários livros, entre os quais "Planeta Indignado". Esther Vivas é licenciada em jornalismo e mestre em Sociologia. Seus principais campos de pesquisa passam por analisar as alternativas apresentadas por movimentos sociais (globalização, fóruns sociais, revolta), os impactos da agricultura industrial e as alternativas que surgem a partir da soberania alimentar e do consumo crítico.
EcoDebate, 17/01/2014
+ Mais Informações ››››››

Valoração Econômica Ambiental – Conceitos e Métodos, artigo de João Charlet Pereira Júnior

pegada ambiental

INTRODUÇÃO
[EcoDebate] A constante e necessária relação entre o meio ambiente e as atividades econômicas gera impactos ambientais que raramente são levados em consideração quando é feita uma avaliação socioeconômica das atividades que os geram. Isso acontece porque esses bens e serviços ambientais, na maioria dos casos, não possuem valores de mercado por haver falhas neste. Dentre os impactos ambientais que as atividades econômicas (seja na produção, seja no consumo) causam ao meio ambiente, sobressaem a redução na qualidade da água e do ar, a destruição de habitats de animais silvestres, provocada pelo desmatamento desordenado, e outros serviços ambientais que não podem ser analisados utilizando a teoria econômica tradicional.
Alguns economistas argumentam que os recursos ambientais conseguirão gerar seus próprios mercados, de modo que sua exploração/utilização ocorra de forma racional. No entanto, não é possível garantir que isso aconteça antes que esses recursos sejam extintos ou degradados, de tal forma que sua recuperação se torne inviável economicamente. Assim, a valoração monetária ambiental torna-se essencial, caso se pretenda que a degradação da maioria dos recursos ambientais seja interrompida antes que ultrapasse o limite da irreversibilidade.
Muito se discute sobre a pretensão de valorar bens e serviços ambientais, já que não podemos fazer isso com bens intangíveis, como a vida humana, paisagens, ou benefícios ecológicos de longo prazo. Porém, na verdade, valoramos bens e serviços intangíveis todos os dias, ao estabelecermos, por exemplo, padrões para construção de estradas, pontes, etc. Nesse caso valoramos a vida humana, já que estamos gastando mais dinheiro em construções que salvarão vidas. A realidade é que a sociedade valora o meio ambiente todos os dias.
Qualquer decisão quanto ao uso dos recursos naturais disponíveis no meio ambiente envolve estimativas de valor, mesmo quando valores monetários não são utilizados. Sendo assim, ciente de que nem tudo pode ser salvo e mantido intacto, é essencial optar por formas de intervenção que tenham a melhor relação custo/benefício.Nesse ponto é que a valoração econômica de bens e serviços ambientais pode prestar um relevante papel. Vale considerar que este trabalho não tem a pretensão de aprofundar a discussão sobre esse assunto, mas sim, de contribuir para um melhor entendimento do mesmo, a partir da exposição sintética das considerações teóricas em torno da valoração ambiental, alguns dos métodos mais utilizados para tal atividade e suas características.
VALORAÇÃO – CONSIDERAÇÕES CONCEITUAIS
O fato de se atribuir valor aos bens e serviços constitui a razão maior da divisão de águas da teoria do valor entre as duas maiores escolas de pensamento econômico – a escola marxista e a neoclássica. Marx ponderava que a única fonte de valor para um bem era o montante de trabalho socialmente incorporado em sua produção – os trabalhadores eram a única fonte do produto econômico líquido. A escola neoclássica sustenta a teoria do valor-utlidade, advogando que os bens têm valor porque têm utilidade e que a medida do valor é dada pela utilidade marginal que este bem proporciona. Para esta escola, a medida exata do valor vai ser dada pelo preço que tais produtos apresentam no mercado.
Coerente com o tema proposto, o que se pretende neste trabalho é discutir os conceitos, métodos, limitações e restrições relativas ao termo valor ou valoraçãoassociados às questões dos recursos naturais e aos impactos ambientais provocados pelas atividades humanas. No sentido aqui proposto, associar valor ou valorar recursos ambientais e naturais significa obter um valor econômico ou monetário. A valoração monetária é a expressão mais corrente desse valor, mesmo porque, não se pode ignorar que grande parte das decisões em nossa sociedade são apoiadas em valores monetários.
O termo valor de um bem ou serviço ambiental é entendido como sendo a expressão monetária dos benefícios obtidos de sua provisão do ponto de vista pessoal de cada indivíduo. Tais benefícios poderão ser advindos do uso direto e do uso passivo de tais bens e serviços. O valor que resulta do uso direto da amenidade é mensurado pelo valor de uso; já o valor que resulta do uso passivo é medido através do valor de opção e do valor de existência (Pearce & Turner, 1990). Então, o valor econômico total dos bens e serviços ambientais é composto por três tipos distintos de valores, a saber:
·        valor de uso: refere-se ao valor atribuído pelos indivíduos pela participação numa determinada atividade, isto é, pelo uso atual da amenidade ambiental. Por exemplo: o valor que os indivíduos estão dispostos a pagar para visitar um parque ecológico ou para conservar determinadas espécies vegetais e/ou animais que estão sendo utilizadas para fabricação de remédios;
·        valor de opção: diz respeito à disposição a pagar dos indivíduos para conservar um determinado recurso ou amenidade ambiental que poderá ser usado no futuro e cuja substituição seria difícil ou impossível. Assim, valor de opção expressa também uma preocupação com as gerações futuras. Pode-se citar, por exemplo, o valor que as pessoas estão dispostas a pagar para preservar uma floresta na esperança de que as espécies que nela se encontram possam ser úteis para gerações futuras;
·        valor de existência: quando os indivíduos obtêm benefícios pelo simples conhecimento de que determinada amenidade ambiental ou certa espécie existe, sem que haja a intenção de apreciá-las ou usá-las de alguma forma. Esse valor é conhecido na literatura como valor de existência e independe do uso direto, seja no presente, seja no futuro.
A iniciativa de valoração deve ocorrer dentro de um referencial mais amplo e estratégico sob a perspectiva da sustentabilidade. Há que se considerar também que os mais diversos conceitos de sustentabilidade, desenvolvimento sustentável e agricultura sustentável, necessariamente, incluem como foco de suas preocupações, as questões relativas ao meio ambiente e aos recursos naturais.
É clara a existência de uma profunda interação entre os sistemas econômicos e os sistemas naturais de tal forma que os sistemas econômicos são dependentes dos fundamentos ecológicos e, em última instância, do sistema global de suporte à vida. Por outro lado, as sociedades estabelecem também normas e regras sociais, ou princípios de comportamento que devem ser seguidos. Ao longo do tempo estas normas devem estar compatibilizadas ou serem consistentes com as leis naturais que governam a manutenção dos ecossistemas, ao mesmo tempo em que estes devem ser conservados se a sustentabilidade for aceita como um objetivo a ser alcançado.
O processo de valoração dos recursos ambientais surge, portanto, da necessidade de contribuir de forma decisiva para a conservação e uso sustentável dos recursos naturais.
MÉTODOS DE VALORAÇÃO AMBIENTAL
Nas últimas décadas, vem aumentando o interesse entre os pesquisadores e a sociedade de modo geral pelas questões relacionadas com o meio ambiente. Isso está levando a que sejam aprimoradas as técnicas de valoração ambiental até então existentes, como também tem proporcionado o aparecimento de novas técnicas. A tentativa de se estimar o valor corrente total dos serviços ambientais em questão tem uma série de limitações.
Primeiro, vários biomas e diversas categorias de serviços ambientais não são ainda adequadamente pesquisados e objeto de valoração econômica. Segundo, em muitos casos os valores encontrados são baseados em levantamentos da disposição da sociedade em pagar por serviços ambientais, levantamentos esses nos quais se firmam alguns dos métodos de valoração econômica do meio ambiente. O problema nesse caso é que os cidadãos podem estar desinformados quanto à importância dos bens e serviços ambientais, e assim suas preferências não incorporam adequadamente preocupações sociais, econômicas e ecológicas, entre outras, o que pode resultar em valores inconsistentes.
Pode-se admitir, em termos gerais, três correntes metodológicas para interpretar a valoração dos recursos naturais e ambientais sobre a perspectiva da sustentabilidade:
I – valoração com base na identificação das preferências individuais;
II – os valores obtidos por meio da expressão das preferências públicas e;
III – os valores obtidos por meio dos processos biofísicos.
I – PREFERÊNCIAS INDIVIDUAIS:
A literatura associada a esta corrente desenvolveu o conceito de valor total do ambiente em dois componentes: valor de uso e valor de não-uso, o primeiro deriva de seus atributos de consumo e uso, ao passo que o segundo componente associa valor aos atributos do bem ou serviço ambiental devido apenas à sua existência.
Esta proposta deriva do entendimento entre economistas e ecólogos, contemplando, basicamente, valores referentes aos ecossistemas e seu papel como provedor de bens e serviços através de três conceitos: valor I, que abrange todos os bens e serviços ambientais transacionados diretamente pelo mercado, sendo o valor, o preço de mercado do referido bem; valor II, aqueles bens e serviços ambientais que, por não serem transacionados no mercado, não apresentam um preço explícito, porém, os seus valores são determinados através de um mecanismo político de negociação e acordo; e por último, valor III, cujos componentes são excluídos do mecanismo institucional de determinação de valor, seja o mercado ou o processo político.
Embora reconheçam a dificuldade conceitual em distinguir com evidente clareza os valores II e III, economistas e ecólogos afirmam que este último é composto de itens da pauta dos intangíveis e de difícil atribuição de valor. Exemplificam com a manutenção do equilíbrio global de carbono, a manutenção da estabilidade atmosférica, o habitat e a sobrevivência da população nativa, o laboratório natural para estudo da evolução e seleção, o sistema de suporte à vida e o valor inerente aos sistemas naturais.
Todos estes itens são intangíveis ou não passíveis de valores, mas que podem ter esse problema resolvido com o desenvolvimento das técnicas de mensuração econômica e um conhecimento mais amplo e profundo do funcionamento dos ecossistemas. Em casos de falhas de mercado ou não existência de preço de mercado, são possíveis duas abordagens para a determinação do valor:
a) Indicadores de preferência associados à função demanda: mercado de bens complementares – método do custo de viagem e método de valoração contingente por meio da aplicação de questionários, entrevistas e 'surveys' (levantamentos);
b) Métodos associados à função de produção: método de mercados de bens substitutos – custos de reposição, controle, custos evitados e método da produtividade marginal. Os estudos de valoração ambiental que têm por base tal método, são os que mais abundam na literatura tanto nacional quanto internacional.
II – PREFERÊNCIAS COLETIVAS:
Este método pretende mensurar o conjunto de valores locais que vão influenciar as preferências individuais. As regras e as normas são elaboradas de forma coletiva, assim como a valoração do recurso se dá com base em referendos coletivos e audiências públicas. Estudiosos da economia ecológica enfatizam a dificuldade para induzir os indivíduos a revelarem suas verdadeiras disposições no sentido de pagarem pela conservação do recurso ambiental, dada a responsabilidade deles frente a possibilidade de aproveitamento coletivo advindo da conservação ambiental.
Como alternativa sugerem o referendo coletivo, a responsabilidade do grupo e a conscientização da comunidade frente a questão ambiental, tendo em conta tanto a geração presente quanto a futura. Trata-se da possibilidade de pagar impostos, taxas ou qualquer outra forma de encargo financeiro como cidadãos, em companhia dos demais membros da comunidade, com vistas a contribuir para a solução específica de um determinado problema ambiental.
III – PROCESSOS BIOFÍSICOS E SISTEMAS:
Dizem respeito aos valores medidos pelas ciências naturais – leis da termodinâmica (fazendo uso, por exemplo, do princípio da entropia, para analisar a quantidade de energia ou calor perdidos no sistema termodinâmico ou físico em mudanças de um estado para outro), capacidade de suporte ecológico, diversidade de espécie, espécie-chave, energia líquida, dentre outros. Enquanto os métodos associados às preferências individuais caminham preponderantemente no sentido da valoração tendo o econômico como pano de fundo, os métodos de base biofísica privilegiam os aspectos ligados à ecologia e os recursos naturais.
O conteúdo do conceito organizado está intimamente ligado aos requerimentos de energia necessária, na forma direta de combustível e na indireta através de outras organizações que também utilizam energia na sua produção. Por exemplo, a quantidade de energia solar necessária para o crescimento das florestas pode, portanto, servir como medida do seu custo de energia, de sua organização e de seu valor. Em suma, este método pressupõe que todo o ecossistema seja avaliável direta ou indiretamente. O método proposto por esta corrente superestima algum serviço do ecossistema que ainda não tenha valor reconhecido pelos seres humanos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Cada método apresenta vantagens e desvantagens. O desafio maior para todas as correntes de pensamento é identificar suas limitações e procurar avanços na compreensão dos fenômenos naturais e do entendimento econômico, orientados pelo objetivo maior que é o desenvolvimento sustentável.
A valoração monetária de bens e serviços ambientais torna-se importante para induzir os agentes causadores de impactos ambientais a cumprir a legislação vigente. Visto que não adianta falar somente em ética e moral, há necessidade de se cobrar desses agentes valores monetários pelos danos causados; daí a necessidade de quantificá-los. Para que os impactos ambientais sejam minimizados, é necessário que os custos incorridos sejam muito superiores aos benefícios obtidos pelos agentes causadores, caso contrário, esses agentes não terão nenhum motivo para minimizá-los.
Os serviços ambientais têm uma posição destacada na contribuição para o bem-estar humano. Por isso, a economia não pode continuar a ser vista como um sistema fechado e isolado, no qual existem fontes inesgotáveis de matéria-prima e energia para alimentar o sistema. O meio ambiente não pode continuar sendo considerado pelos agentes como mero coadjuvante na busca da sociedade pelo desenvolvimento.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CASIMIRO FILHO, F.; SHIROTA, R. Valoração econômica de áreas de recreação: uma proposta metodológica. In: Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural, 37. Natal, 1997. Anais. Brasília: Sober, 1997. p 277-292. (CD-ROM).
MARQUES, J. F. Economia do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais. Embrapa Meio Ambiente – Disponível em: <<http://www.cnpma.embrapa.br>> . Acesso em: 19/12/2004.
MARQUES, J. F.; COMUNNE, A. E. Quanto vale o meio ambiente: interpretações sobre o valor econômico ambiental. In: Encontro Nacional de Economia, 23., Salvador, 1995. Anais. Rio de Janeiro: Anpec, 1995. v. 1, p 633-652.
PEARCE, D. W.; TURNER, R. K. Economia dos Recursos Naturais e o Meio Ambiente. 2. ed. Baltimore: Johns Hopkins Univ. Press, 1990.
PEREIRA, L. C. Aptidão agrícola das terras e sensibilidade ambiental: proposta metodológica. 122p. Tese (Doutorado em Planejamento e Desenvolvimento Rural Sustentável) – Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, 2002.
João Charlet Pereira Júnior, Técnico em Gestão Pública – SEDUC/PA, Economista – CRE 3574. Especialista em Economia Agrobioindustrial (UFPA).

EcoDebate, 15/01/2014
+ Mais Informações ››››››

Três Palmeiras - 4ª Festa da Uva

Confira a seguir as matérias em áudio colhidas junto ao Ginásio de esportes de Três Palmeiras pela reportagem da Rádio Comunitária Liberdade, nos dias 11 e 12 durante a 4ª Festa da Uva.



Entrevista com Sidemar de oliveira presidente da ACI:


Entrevista com o Prefeito municipal Silvanio e com o Secretario da Agricultura Oldonei.


A seguir todos os Links das matérias fotográficas:
Obs.: Clique com o botão direito do mouse sobre o link e escolha a opção abrir em nova aba. 

1ª postagem - Programação
2ª Postagem - A preparação
3ª Postagem - Detalhes
5ª Postagem - A Festa 01
6ª Postagem - O convite do Prefeito ao vivo
7ª Postagem - Organizadora do Festitalia entrevista
8ª Postagem - Abertura 01
9º Postagem - Abertura 02
10ª Postagem - Abertura 03
11ª Postagem - Abertura 04
12ª Postagem - Domingo 01
13ª Postagem - Domingo 02
+ Mais Informações ››››››

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

leia até o final



Programa de ajuda mutua

NÃO DELETE SEM LER ATÉ O FINAL

Assunto: Ganhe dinheiro com apenas 12 reais

Já depositei nas 6 contas abaixo agora é com você
Estou fazendo a minha parte agora só depende de você.
CHEGOU A SUA OPORTUNIDADE DE GANHAR DINHEIRO E MUDAR SUA VIDA

Olá! Estou enviando a você e acredite pode mudar sua vida financeira, eu fiz minha parte certinho como explica a baixo, e já recebi mais que eu investi !!!!!!! 


QUEM QUER TENTAR... LEIA E RELEIA COM ATENÇÃO 

EU RECEBI, CONFESSO QUE DUVIDEI, AINDA ASSIM RELI ATENTAMENTE, ANALISEI E RESOLVI ARRISCAR ...principalmente por se investir apenas R$ 12,00 (doze reais) e podendo ter retorno de até R$ 700.000,00 (setecentos mil reais).....

VERIFIQUE SE VALE A PENA, PORTANTO NÃO FIQUEM BRAVOS OS QUE RECEBEM ESTE E-MAIL, NÃO HÁ NECESSIDADE DE OFENDER, SE NÃO QUISER PARTICIPAR, 
DELETE (é o que eu faço com aqueles e-mails que não me interessam)..........

TAMBÉM NÃO É "PIRÂMIDE" (pirâmide envolve valores expressivos, onde muitos trabalham para poucos, e não ganham literalmente para pagar suas despesas, envolve um único beneficiado no topo). E como entre as muitas vontades na minha vida, prosperidade foi uma delas, como eu a alcancei, quero também compartilhar com aqueles que querem e se interessam, veja a seguir o depoimento de uma pessoa participou desta oportunidade.

Meu nome é Nelson Pires, sou advogado, hoje aposentado e pastor de Igreja Batista de Caxias do Sul (RS). No passado tive problemas financeiros. Endividei minha família e meus amigos. Meus cartões de créditos acumularam uma divida de R$35.000,00 (trinta e cinco mil reais), que eu tinha usado para levar adiante meu empreendimento para sustentar minha família de cinco pessoas; já não suportava mais as intermináveis reuniões para tentar resolver meus problemas. Sinceramente acreditava que era errado ficar devendo como eu estava. Foi então que comecei a orar ferozmente por ajuda Porem, me deixei abater pela situação. Este e-mail não é para salvar tua alma e sim para melhorar a sua Vida Financeira.

Recebi este programa pelo correio, não mandei ou pedi este programa, simplesmente alguém pegou meu nome da lista telefônica ou de alguém que me enviou ou de alguém a quem eu enviei um e-mail. Após ler este programa várias vezes, para entender se eu estava lendo corretamente, não pude acreditar no que meus olhos viam. 
Diante de mim a FANTÁSTICA MÁQUINA AUTO AJUDA

Eu podia investir apenas R$ 12,00 para começar, sem me endividar mais. Esse valor não ia deixar eu mais endividado, após pegar o papel e a caneta para fazer alguns cálculos, conclui que era no mínimo o meu dinheiro de volta. 
Por que não? 
Pior do que eu estava não poderia ficar eu segui as instruções corretamente, enviando 250 e-mail em uma única vez e o dinheiro começou a chegar vagarosamente no inicio, mas após três semanas eu estava recebendo mais dinheiro na minha conta bancária sem nenhum risco de perdê-lo, pois é uma operação segura.
Após três meses o dinheiro parou de chegar.

Tinha feito um registro do dinheiro recebido e no final totalizava R$594.498,00 (quinhentos e noventa e quatro mil quatrocentos e noventa e oito reais).
Sim este é o valor.

Abaixo você pode ver os cálculos.
Paguei minhas dividas, comprei um carro novo, uma bela casa.
Em seguida, mandei outro programa com 1000 (mil) e-mails em uma única vez e em três meses recebi R$2.694.218,00 (dois milhões seiscentos e noventa e quatro mil duzentos e dezoito reais).
Com parte deste dinheiro consegui implantar uma escola para crianças carente em um sítio, onde realizo festivais e convenções.

Tenha paciência e leia atentamente este programa.
Ele poderá mudar a sua vida para sempre.
Não é um jogo, lembre-se disso: é só colocar em prática, é a grande oportunidade da sua vida. Você e sua família poderão desfrutar de um futuro maravilhoso.
Siga exatamente o programa e estará a caminho de sua segurança financeira.
Se você esta com problemas financeiros esta é a hora.
A crise e o desemprego estão em todas as partes do mundo, e você

Direta ou indiretamente, é afetado. Junte-se a nos!
Siga as instruções abaixo e com isso você esta ajudando seu próximo.
Como funciona o programa:

1) Para ganhar R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) ou mais, você só precisa investir R$ 12,00 (doze reais) em 6 (seis) pessoas, ou seja, mandar R$2,00 (dois reais) para cada uma das pessoas cujos nomes e contas corrente ou poupanças se encontram no final deste programa;
2)VOCÊ VAI MANDAR O DINHEIRO DA SEGUINTE FORMA:
DEPOSITAR PARA CADA UMA DAS 6 (SEIS) PESSOAS QUE ESTÃO NA LISTA, O VALOR INDIVIDUAL DE R$2,00 (dois reais);

3)Após depositar (tem que depositar, se não você quebra a seqüência em que só você acaba sendo prejudicado) a quantia de R$ 2,00 para cada uma das 6 (seis) pessoas reproduza uma nova lista com 6 (seis) participantes, tirando fora o nome da primeira pessoa da lista, ou seja, quem está na primeira posição da lista que você recebeu sai e quem estava na segunda posição passara para o primeiro lugar da lista numere de 1 a 6,
Coloque seu nome e sua conta corrente ou poupança na SEXTA posição para você também, usufruir deste negócio sensacional.
Esta lista tem que ser feita sem conter erros para não prejudicar nenhum dos participantes. Não mude a posição dos nomes, não tente colocar seu nome em lugar diferente, pois não funciona.
Se você não agir de acordo com as instruções, perderá seu dinheiro, seu trabalho e a chance de ganhar R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) ou mais. Muito mais!
4)Com a sua nova lista pronta, com seu nome na Sexta posição, elimine a lista antiga e mande os 250 e-mails, ou mais se desejar.

5)Pegue as 250 ou mais nomes e endereços eletrônicos. Pode ser de amigos, parentes, vizinhos, na lista telefônica da internet de qualquer cidade ou estado, onde há milhares de nomes e endereços e malas diretas; a internet neste item é de grande ajuda;
6) Então é só enviar cada um dos e-mails em uma única vez, e logo você receberá garantido mais de R$700.000,00 (setecentos mil reais).

7) Seja honesto (se não o for, sem problemas, só que você também não recebe) com você mesmo e com as pessoas participantes, respeite a lista, dê às outras pessoas a mesma oportunidade que está tendo, inclusive no quesito de depositar na conta destas pessoas.
Pense nisto! Tenha certeza que o sucesso é garantido, só depende de você e da sua honestidade. Este programa não é cédulas nem corrente.

Existem, é claro, pessoas que ao receberem não entenderão de início, deixam de agir, ao passo que as outras que estão também recebendo este programa, tendo suas mentes abertas para a compreensão, aderem ao programa e se dão muito bem, seguindo adiante emitindo seus e-mails.

Daí a grande importância de você ler e reler várias vezes para entender com total clareza.
Portanto, não desista se algumas pessoas não aceitem; pelo contrário, insista, pois o seu sucesso só depende de você.
Façamos os cálculos e vejamos o quanto eu, você e todas as outras pessoas a quem você enviar seus e-mails poderão ganhar doando apenas R$ 12,00 (doze reais), Sendo R$2,00 (dois reais) para cada pessoa da lista que recebeu.
Siga o raciocínio:
Digamos que você tem 3% (três por cento) da chance de retorno das e-mail enviadas, apenas 3% de retorno de 250 e-mails em uma única vez, o que é uma estimativa considerável. Minhas duas tentativas tiveram mais que 3% de retorno. Vejamos os cálculos de quanto você receberá começando na Sexta posição:

1) Você aderiu ao programa e entrou na sexta posição, enviando 250 x 3%= 7 pessoas aderiram ao programa. Então, 07 pessoas lhe mandariam R$ 2,00e mandariam 250 e-mail em uma única vez com o seu nome, logo 7x250=(1750) x 3%= 52 pessoas também aderiram ao programa;

2) Você entra na quinta posição e as 52 pessoas te depositariam cada uma R$2,00 e enviariam 250 e-mails, cada pessoa com o seu nome, logo 52x250= (13.000)x3%= 390 pessoas aderiram ao programa;

3) Você entra na quarta posição e as 390 pessoas te depositariam cada uma R$2,00 e enviariam 250 e-mails, cada pessoa com o seu nome, logo 390x250= (97.500)x3%= 2.925 pessoas aderiram ao programa;

4) Você entra na terceira posição e as 2.925 pessoas te depositariam cada um te depositariam R$2,00 e enviariam 250  e-mail, cada pessoa como seu nome, logo 2.925x250=(731.250)x3%=21.937 pessoas aderiram ao programa;

5) Você entra na segunda posição e as 21.937x250= (5.484.250)x3% = 164.527 pessoas aderiram ao programa e cada uma te depositou R$2,00. Nesta altura você será eliminado da lista quando passar para a primeira posição, mas veja quanto foi depositado em sua conta até aqui com somente 3% das pessoas aderindo ao programa:

Soma total =
R$ 14,00 +R$ 104,00 +R$ 780,00 + R$ 5.850,00 + R$ 43.874,00 + R$ 329.054,00 =
R$ 379.676,00 (trezentos e setenta e nove mil seiscentos e setenta e seis reais).
Sem falar que você ainda receberá o valor da primeira posição.
Agora se você enviar 500 e-mails terá o dobro da soma do valor que é de R$759.352,00.
Isso funciona! Mas depende de quantos e-mails você mandar e da honestidade de todos que irão aderir ao programa (procure enviar os e-mails para cidades diferentes ou outros estados, se preferir), pois a união faz a força.

Confira os cálculos – pegue uma calculadora e reforça os cálculos que estão logo acima.
Tenha a certeza de que estão corretos.
Se você aderir ao programa na primeira vez, com certeza fará outra vez.
Você investira apenas R$12,00, depositando (verdadeiramente) nas contas Bancárias das pessoas que seguem a na lista.
Observação: Quanto tempo você teria que trabalhar para ganhar R$7000.000,00? Pense nisso! Para remeter estes e-mails vai lhe custar no máximo 3 semanas; se você tem mais facilidade e equipamentos, levara menos tempo ainda.
Basta dedicação e pronto!
Faça sua parte que todos vão fazer o mesmo.
ACREDITE, VALE A PENA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
CONCLUINDO, ANALISE 10 RAZOES PARA VOCE ADERIR:

1- Este programa não é uma espécie de loteria ou jogo, é uma espécie de ajuda mútua entre pessoas;

2- É um programa honesto, pois não existe chefe ou direito, todos são responsáveis pelo sucesso do sistema com os depósitos e a seqüência correta;

3- Perante Deus é justificável, pois não estamos prejudicando ninguém, e também não é cambio negro, pois podemos utilizar gráficas e órgãos públicos, como os correios;

4- Todos os participantes são escolhidos como você e eu, nos não pedimos para participar, apenas fomos escolhidos;

5- O investimento é pequeno e acessível entre todas as classes sociais, amigos e irmãos;
6- Será um meio de arrecadação de dinheiro para realização de sonhos;

7- Você só precisa pensar que este programa que você tem nas mãos pode ser a resposta de Deus às suas orações;

8- Pense bem na realidade de nosso país, onde a maioria das mais de 190milhões de pessoas luta com dificuldades financeiras, talvez devêssemos agradecer a Deus por estar nos apresentando essa oportunidade;

9- Talvez se você perder esta oportunidade nunca terá outra igual;

10- Enfim, pense bem, quando este programa de ajuda mútua, me foi apresentado tive duvidas assim como você, mas aceitei o desafio que me foi proposto.

Hoje só tenho a agradecer por todas as transformações maravilhosas que acontecem na minha vida, e tenha certeza que elas irão ocorrer na sua também.
Basta você acreditar.
Segue a lista das 06 pessoas a quem você devera depositar R$2,00 (não adianta querer fazer sem depositar, se você se sujeitar a enganar por R$ 2,00 (dois) reais, misericórdia... não receberá também...) para cada pessoa, faça o deposito com satisfação, entusiasmo e sorriso no rosto e pense na mesma hora que os R$2,00 em suas mãos estarão colaborando fortemente com a felicidade das pessoas para quem você estará depositando.
Afinal, é ou não é dessa forma que você quer que outras pessoas depositem pra você?
Se você for entrar neste programa, faça-o da seguinte forma:
O nome da 1ª (primeira) pessoa é retirado da lista, provando que não é pirâmide e nem corrente (esta pessoa da primeira posição já se encontra bem financeiramente).
Observe que possivelmente você não vê meu nome na lista porque já foi retirado.
A pessoa de 2ª (segunda) posição passara a ficar na 1ª (primeira) posição e as demais que estão abaixo subirão também.
Subirá uma posição cada uma.
E todas as vezes que uma pessoa aderir ao programa deve refazer a lista, colocar o próprio nome na 6ª (sexta) posição, eliminar quem esta na 1ª (primeira), fazer antes o depósito ou transferência bancária para as 06 pessoas da lista e, em seguida, enviar a 250 e-mails a quem desejar.
Deve seguir seu nome, o nome do banco que esta sua conta corrente ou poupança de qualquer rede bancária, de preferência (Caixa Econômica, Bradesco ou Banco do Brasil) por serem agencias de nível nacional; isso facilita o sucesso do programa.
Mais uma vez, não esqueça, antes de tudo, se você participar do programa, de fazer o depósito para as 06 (seis) contas abaixo e então prossiga com as instruções.
Tome muito cuidado ao produzir as cópias do programa pra que os nomes e as contas Fiquem legíveis, de modo que ninguém saia prejudicado, coloquei meu nome em sexto da lista e enviei 250 emails, incluído o seu também! 

6º ELOIDEMAR GUILHERME (BANCO DO BRASIL AGENCIA 0501-0 CONTA CORRENTE 16679-0


5º CÍCERO V.S (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL)AG:0773 OP:013 CONT/POUPANÇA:00073595-2


4º PEDRO A. SOUZA (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL)- AG: 0217 OP:013 CONT/POUPANÇA: 3138-2


3º  GERISON APARECIDO R. DE PONTES (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL) AG: 0361 – OP. 013 CONT/ POUPANÇA 00037363-5


2º ANDRÉ LUIS ANDRADE (BRADESCO) AG 2024 C. CORRENTE: 501269-4


1º EDWALDO BARROS DA SILVA (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL) AG: 0006 OP: 013 CONT/POUPANÇA: 00739467-0

E, mais uma vez, se trocar alguém de posição na lista, você colocara tudo a perder.
Não se esqueça de colocar seu nome ou iniciais e de maneira correta a sua agencia bancária, poupança ou conta-corrente, bem como a dos demais participantes.
Importante: repare que todos os nomes que constam na lista não estão completos.
"Esse anonimato é propositado, tem a finalidade de preservar as pessoas e, ao mesmo tempo, cumprir um ritual de várias tradições: Fazer o bem sem olhar a quem".
Faça o mesmo com o seu nome. Se você for enviar esta mensagem por e-mail, não mande como anexo, pois algumas pessoas evitam abrir com medo que contenha vírus.
BOA SORTE!!! 
SUCESSO a todos.

Obs.: eu também demorei em tomar a decisão analisei com carinho e vi que não havia nada errado por isso resolvi participar, e estou feliz por ter me decidido.

+ Mais Informações ››››››

Talvez você perdeu estas postagens