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sábado, 27 de dezembro de 2014

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Japão atrasa por tempo indeterminado armazenamento de resíduos radioativos de Fukushima

Usina de Fukushima, após o desastre nuclear – Em 11 de março de 2011, o mundo soube da tragédia de Fukushima: um fortíssimo terremoto e um tsunami de grandes proporções, a que se seguiu a explosão de uma usina nuclear com todas as consequências de um acidente nuclear: a difusão de radioatividade, que permanecerá ativa durante anos, ameaçando muitas gerações. Foto: DW

O governo japonês atrasou, por tempo indeterminado, o armazenamento de resíduos radioativos recolhidos nos trabalhos de descontaminação perto da Central Nuclear de Fukushima, por não ter sido construído nenhum depósito seguro, segundo fontes oficiais citadas pela imprensa.

As autoridades tinham previsto começar a transferir os resíduos para depósitos nucleares em janeiro próximo, data que foi adiada de forma indefinida dadas as dificuldades em encontrar uma localização para as instalações, segundo a Agência Kyodo.

O governo central e os governos locais entraram em acordo para construir depósitos temporários destinados a abrigar os materiais radioativos nas localidades costeiras de Futaba e Okuma, as mais próximas da central nuclear, mas não chegaram a acordo com os proprietários dos terrenos escolhidos, informaram fontes governamentais à Kyodo.

Os materiais radioativos deveriam permanecer nessas instalações durante um prazo de 30 anos e depois seriam transferidos para depósitos permanentes de alta segurança, cuja localização ainda não foi definida.

Segundo o plano do governo, as instalações de armazenamento temporário vão ocupar 16 quilômetros quadrados em volta da central e vão ter capacidade para armazenar cerca de 30 milhões de toneladas de terra e resíduos recolhidos durante os trabalhos de descontaminação.

Os materiais radioativos retirados até agora estão atualmente depositados em vários terrenos próximos da central.

O terremoto e tsunami de março de 2011 geraram grandes quantidades desses materiais que se dispersaram em volta da central.

As emissões levaram à retirada de 46 mil pessoas que vivam perto de Fukushima e afetaram gravemente a agricultura, a pecuária e a pesca.

Da Agência Lusa / ABr

Publicado no Portal EcoDebate, 26/12/2014
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Festas de fim de ano: sinônimo de fartura, e também hora de combater o desperdício de alimentos

É possível aproveitar as festas de fim de ano e ao mesmo tempo contribuir para a sustentabilidade por meio de ações simples. Imagem: PNUMAPrograma da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) lembra que é possível aproveitar as festas de fim de ano e, ao mesmo tempo, contribuir para a sustentabilidade por meio de ações simples. Confira as dicas.
Com a chegada das festas de fim de ano, consumimos mais alimentos, produtos e serviços do que o usual, o que faz crescer também a quantidade de comida desperdiçada e de lixo eletrônico gerado. Porém com pequenas atitudes é possível ajudar a solucionar os grandes desafios ambientais e, ainda por cima, economizar dinheiro.
A campanhaPensar.Comer.Conservar, promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) alerta que um terço de toda a produção anual de alimentos – cerca de 1,3 bilhão de toneladas – é jogada fora todos os anos.
Além disso, cerca de 300 milhões de toneladas de comida são descartadas por produtores, revendedores e consumidores. Em outras palavras, esta quantidade seria mais que suficiente para alimentar cerca de 900 milhões de pessoas que passam fome em todo o mundo.
Junto ao alto custo com o desperdício de alimentos, o processo de produção destes produtos envolve o uso intenso de energia, água, fertilizantes e terra, o que acaba gerando grandes impactos ambientais.
E apesar de os problemas serem difíceis de resolver, ainda é possível aproveitar as festas de fim de ano e ao mesmo tempo contribuir para a sustentabilidade com ações simples e fáceis.
Por exemplo, planejar as refeições, evitar comprar por impulso, não deixar de comprar verduras, legumes e frutas que não têm aparência perfeita e reaproveitar os restos das ceias na preparação de outros pratos.
Com isso, poderemos celebrar as grandes festividades e ainda sim fazer a escolha pela opção mais sustentável. Leia abaixo algumas dicas!

Desperdício de alimentos

Compras inteligentes: Planeje as refeições, faça listas de compras, evite compras por impulso e não se engane pelos truques de marketing que levam você a comprar mais alimentos do que o necessário.
Seguir essas estratégias pode significar que você não compre um peru gigante e, assim, evite o horror de comer desesperadamente sanduíches de peru durante toda a semana para tentar não jogar fora os restos.
Comprando frutas e legumes pela aparência: Muitas frutas e legumes são jogados fora por causa de seu tamanho, forma ou cor, que não são considerados “perfeitos”. No entanto, muitos desses alimentos aparentemente ruins são perfeitos para consumo. Evite o desperdício pelas aparências.
Entenda as datas de validade: Ao contrário das datas de validade, alguns produtos usam classificações como “Melhor consumir antes de” — geralmente estas são sugestões do fabricante para a “qualidade máxima”. A maioria dos alimentos pode ser consumida com segurança bem depois destas datas, portanto alguns dos produtos em sua geladeira podem muito bem ser bons para além do Natal.
Informe-se! Há diversas páginas na Internet e em outros meios que podem ajudar os consumidores a fazer receitas criativas e saborosas com as sobras de Natal. Informe-se e veja também as dicas do Instituto Akatu, por exemplo,clicando aqui.
Outras ações incluem: o congelamento de alimentos; a solicitação de porções menores em restaurantes, comendo sobras (se caseiras) ou levando para casa; reutilização de alimentos na agricultura; a doação de alimentos de reserva para os bancos locais de alimentos, abrigos e outros locais de recebimento.

Lixo eletrônico

Enquanto todo mundo adora um novo “gadget”, talvez você possa se perguntar se realmente precisa de um novo aparelho eletrônico ou eletrodoméstico para substituir aparelhos antigos, se estes ainda estão funcionando. Afinal, é legal ser retro ;)
Reparar ou atualizar, em vez de substituir. Muitas vezes, nós jogamos fora aparelhos com defeito ou desatualizados quando lojas de reparo locais podem consertá-los ou atualizá-los para nós.
Doar ou vender produtos eletrônicos velhos que ainda estão em condições de uso. Agora que você tem o seu novo laptop ou telefone, você ainda pode ganhar dinheiro com os antigos dispositivos e economizar um pouco para o Natal.
Da mesma forma, existem muitas instituições sociais e escolas em sua área que ficariam felizes de ter seus ‘gadgets’ antigos — para muitos, este aparelho velho pode ser o primeiro aparelho de suas vidas. Além disso, muitos fabricantes recebem produtos eletrônicos antigos e fazem ofertas de troca ou de reciclagem.
Se o seu telefone antigo não funciona nem com um bom reparo, talvez porque você deixou cair no copo de suco sem querer, procure na sua cidade projetos de reciclagem de lixo eletrônico. Há muitas páginas na Internet onde você pode encontrar empresas de reciclagem ou, melhor ainda, pergunta no seu bairro ou comunidade por opções.
Para mais informações (em inglês), clique aqui.
Publicado no Portal EcoDebate, 24/12/2014
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Poluição sonora e alfabetização auditiva, artigo de Marden Campos

poluição sonoraImagem: www.bibliotecavirtual.celepar.pr.gov.br
[EcoDebate] Em junho passado, fui aos Estados Unidos para participar de um programa de intercâmbio de jovens pesquisadores do "Sul Global", vindos de países que outrora foram chamados de "em desenvolvimento", "subdesenvolvidos" ou de "terceiro mundo". Me espantei quando, em um domingo de folga, ao dirigir-me a moderna biblioteca da universidade em que estávamos, deparei com um tipo de setorização da sala de estudos que nunca tinha visto: por decibéis! Lá, um espaço com poucos livros e muitos computadores, havia um vasto setor que, sobre mesas e cadeiras, via-se uma placa indicando o limite sonoro de 50 decibéis. Mais ao fundo, onde localizavam-se apenas mesas individuais, outra placa o limite de 25 decibéis. No fundo da biblioteca, com apenas mesas individuais, separadas por pequenas divisórias e entremeadas por confortáveis cadeiras para leitura, havia uma taxatória placa em que se proclamava por silêncio absoluto através do texto "00 decibéis". Minha primeira reação foi de admiração pelo grau de civilidade atingido pela elite de estudantes daquela universidade, notoriamente uma das maiores e mais caras daquele País. Contudo, logo em seguida, quando retornava para o alojamento, passei a pensar se as pessoas dali sabiam, ao menos aproximadamente, qual o volume sonoro e que tipo de barulho equivale a 50 ou a 25 decibéis, já que 00 decibéis, obviamente, qualquer pessoa saberia que significa barulho nenhum! (mais tarde vim a descobrir que 50 decibéis equivalem a uma conversa normal e 25 decibéis a fala sussurrada).
No evento de que participava, sobre os desafios para o desenvolvimento ao sul do equador, um dos principais temas discutidos era a poluição urbana. A discussão que se deu em uma manhã fria que anunciava o final da primavera tocou diretamente no tema que me inquietava após a visita à biblioteca. Viver em cidades talvez seja a principal característicos de nossa época. Embora essa forma de organização do espaço e da moradia seja uma invenção que data de milênios, pela primeira vez na história da humanidade mais da metade da população mundial mora nas cidades. Desse modo, grande parte dos problemas a serem enfrentados pela humanidade nas próximas décadas, como por exemplo as questões ambientais, serão problemas urbanos. Apesar das vantagens da vida na cidade, como o aumento da produtividade, a diversificação das atividades culturais e de lazer, a redefinição dos papéis familiares e maior equilíbrio nas relações de gênero, só para ficar em alguns exemplos, também somos obrigados a conviver com os problemas típicos desses espaços. O aumento da violência, a piora da qualidade do ar, a dificuldade de locomoção e de habitação, juntam-se a um típico problema urbano que, apesar de trazer danos à saúde individual e coletiva ainda tem sido pouco discutido e dimensionado: a poluição sonora.
À epoca do referido evento, já estava claro para mim – então morador do bairro de Copacabana no Rio de Janeiro – que o nível de decibéis suportável para que as pessoas pudessem se recolher à seus lares para atividades domésticas e descanso já havia sido ultrapassado enormemente. Viajando pelo país e pelo mundo percebi que a poluição sonora não era um privilégio do meu bairro e nem da minha cidade. Nas cidades, convivemos diariamente com um nível de ruído elevado, oriundo dos motores a diesel, buzinas, sirenes, geradores, fábricas, alto-falantes, furadeiras, martelos e – tentando se fazer ouvir em meio à balburdia – pessoas gritando. Contudo, qual é o nível de decibéis aceitável para descansarmos e recuperarmos nossa energia para o dia seguinte, no sentido estrito do que seria uma saudável e plena reprodução social? Apesar da medicina e da engenharia já terem estipulado níveis aceitáveis e perigosos de exposição ao ruído, a questão vai mais além: as pessoas comuns sabem qual o nível de ruído elas estão emitindo ao realizarem suas atividades? Quão acima de um limite sonoro aceitável elas viveriam? Afinal, todos sabem que há uma medida de volume de fácil apreensão e que hoje em dia estamos mais do que nunca aptos, com nossos smartphones, a monitorar esse volume?
Embora a solução para os problemas da poluição sonora não seja simples e trivial e passe por questões complexas como eficiência na produção dos motores a diesel, material utilizado na construção de casas e prédios, liberdade de expressão e zoneamento urbano, acredito que uma alfabetização auditiva possa ser o primeiro passo para a tomada de consciência individual e coletiva de que precisamos emitir menos ruídos se queremos viver um ambiente saudável, e que saúde realmente signifique algo mais do que ausência de doença. Assim como a noção de distância é facilitada por termos uma noção precisa do tamanho de 1 metro e a noção do tempo já foi totalmente internalizada de tanto que consultamos relógios (em geral, temos uma ideia bastante precisa do que são 1, 15 ou 30 minutos, mesmo sem precisar consultar o relógio). Quem sabe se fôssemos alfabetizados em termos de medidas de volume não nos sensibilizaríamos mais para o nível de ruído emitido em nossas cidades? Esse seria o primeiro passo para, quem sabe, passar a pensar em fazer a setorização das áreas urbanas por nível de ruído, e assim por diante, tentando construir cidades cujo ambiente seja cada vez mais saudável.
Marden Campos é doutor em Demografia pelo CEDEPLAR/UFMG e bacharel em Ciências Econômicas pela UFMG. Também é Especialista em Gestão e Manejo Ambiental pela Universidade Federal de Lavras. Atualmente é Analista Socioeconômico do IBGE e professor colaborador do Mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais e da Especialização em Análise Ambiental e Gestão do Território da Escola Nacional de Ciências Estatísticas. (mardencampos@gmail.com)
Publicado no Portal EcoDebate, 22/12/2014
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Urbanização na América Latina e Caribe: 1950-2050, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

urbanização na América Latina - 1950 - 2050
[EcoDebate] A América Latina é a região mais urbanizada do mundo em desenvolvimento. A transição urbana aconteceu de forma acelerada na segunda metade do século XX. Em 1950, 58,6% da população latina-americana ainda vivia no meio rural e somente 41,4% estavam nas cidades. Por volta de 1960 houve empate entre a população urbana e rural. Em 1965, a população urbana de 53,3% já tinha ultrapassado a população rural de 46,7%.
No ano 2010, última rodada dos censos, a população urbana latino-americana chegou a 78,8% e a população rural caiu para 21,2%. Estima-se que em 2050, as pessoas vivendo nas cidades chegue a 86,6%, contra 13,4% no meio rural. O desafio será garantir o direito à cidade, com planejamento urbano adequado, mobilidade urbana e qualidade de vida para as pessoas, respeitando-se a preservação ambiental.
As transições urbana e demográfica são dois fenômenos fundamentais da modernidade e acontecem de forma sincrônica. Até o ano de 1800, quando a população mundial estava em torno de 1 bilhão de habitantes, o percentual de pessoas vivendo em cidades não passava de 5%, enquanto as taxas de mortalidade e natalidade eram muito elevadas.
Em 2011, a população mundial chegou a 7 bilhões de habitantes, com pouco mais da metade das pessoas vivendo nas cidades. Especialmente no século XX, acompanhando o processo de urbanização, houve uma enorme redução da mortalidade infantil, um grande aumento da esperança de vida e, depois de um certo lapso de tempo, uma consistente redução das taxas de fecundidade. Como as taxas de mortalidade caíram antes das taxas de natalidade, houve um grande aumento da população. Mas em geral, as mesmas forças que provocaram a queda das taxas de mortalidade, também afetaram as taxas de natalidade.
Nos últimos 2 séculos, as cidades lideraram as inovações econômicas, tecnológicas, científicas e culturais que reconfiguraram as estruturas familiares, a organização social e as relações de trabalho, possibilitando avanços sem precedentes nos direitos de cidadania de parcelas cada vez mais amplas da população. O mesmo acontece com a América Latina e Caribe. A urbanização tem sido o principal vetor da transformação socioeconômica e demográfica do Planeta e do processo de modernização. Mas também tem sido a principal agente da degradação da natureza.
Diversos estudos mostram que concentrar a população em um espaço pequeno traz ganhos de aglomeração e apresenta melhores resultados do que espalhar a população no território. O processo de urbanização já trouxe muitos ganhos históricos para o ser humano e poderá trazer vantagens ainda maiores nas próximas décadas, se houver políticas corretas para destravar as forças do progresso civilizatório, reduzindo as desigualdades e aumentando a proteção do meio ambiente.
Contudo, o crescimento desregrado das áreas urbanas nas próximas décadas pode levar a uma situação de crise energética, crise alimentar, crise climática e crise financeira. Construir cidades sustentáveis, reduzindo a pegada antrópica das cidades, é uma necessidade inadiável.
Para mais informações, visite:
WONG, L.R., ALVES, JED, RODRÍGUEZ, JV, TURRA, CM (Orgs). "Cairo+20: perspectivas de la agenda de población y desarrollo sostenible después de 2014", Rio de Janeiro, ALAP, abril de 2014

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 22/12/2014
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Compartilhamento de carros elétricos chega ao Brasil

Recife inaugura serviço no centro histórico; Rio lança chamada pública e SP conta com compartilhamento de veículos à combustão

Subcompacto elétrico tem câmbio automático e motor 1.0. Foto: Diario de Pernambuco

Depois de compartilhar bicicletas, cidades brasileiras dão os primeiros passos para fazer o mesmo com os carros. Esta semana começou a funcionar, no Recife, o primeiro sistema de compartilhamento de veículos elétricos do país.
O modelo, implantado nos Estados Unidos e na Europa, permite ao usuário pegar o carro em vagas ou garagens espalhadas pela cidade e devolvê-lo, depois, em um período determinado. Em 2015, o modelo deve estar em funcionamento também no Rio de Janeiro, que lançou este mês chamada pública sobre a viabilidade do projeto. Uma empresa em São Paulo oferece o serviço desde 2010, mas tem somente carros movidos à combustível.
A escolha pelo compartilhamento de carros elétricos no Recife, segundo a gerente do projeto do Porto Digital, Cidinha Gouveia, busca melhorar a mobilidade no centro. "O trânsito aqui está ficando pior que em outras capitais (mais populosas) como São Paulo, segundo estatísticas recentes. Nos horários de pico, é impossível se deslocar de um ponto a outro e as pessoas podem esperar até 40 minutos por uma vaga", informou. Com o novo sistema, que tem vagas fixas em três estações, quem precisa de um carro para curtas distâncias pode fugir dos problemas.
No Recife Antigo, bairro do centro, a iniciativa começou a ser testada no início da semana e estará disponível ao público em março. Os usuários poderão aderir a um plano mensal de R$ 30 e arcar com uma taxa extra de R$ 20 por uso, com a possibilidade de esse valor ser divido, se for concedida carona. É que o sistema identifica pessoas que pretendem fazer o mesmo trajeto .
Ainda pouco conhecido no país, o compartilhamento tem um grande potencial, avalia o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Leonardo Meira. Ele explica que o modelo surgiu na Europa na década de 1980 e é complementar ao transporte público, incluindo as bicicletas. Além de reduzir a poluição e o trânsito nas cidades, Meira destaca que incentiva a racionalização do uso do carro. "Pesquisas mostram que o compartilhamento tira das ruas até sete carros particulares, na Alemanha e na Suíça, onde é muito forte."
Vislumbrando o sucesso das bicicletas compartilhadas, a cidade do Rio lançou chamada pública para colher propostas para o sistema. "Queremos saber quantos veículos são necessários, quantos carros devem ter cada estação, quantas estações precisam ser criadas, em quais bairros e com qual a distância", explicou o subsecretário de Projetos Estruturantes da Secretaria Especial de Concessões e Parcerias Público-Privadas, Gustavo Guerrante.
No Rio, a ideia é que o compartilhamentos seja usado para curtas e longas distâncias, a partir de 2015, utilizando vagas especiais na cidades, que já estão sendo separadas, antecipou Guerrante. "Não podemos limitar a um trajeto curto porque, supondo que a pessoa sai do centro da cidade em direção à Barra [da Tijuca], não tem jeito, o trajeto pode chegar a 40 quilômetros."
A empresa Zazcar, em São Paulo, foi a primeira a oferecer o compartilhamento no país. Em entrevista à imprensa, o presidente Felipe Barros disse que a procura cresce ano a ano por pessoas que abriram mão de ter um veículo próprio. Com cerca de 3 mil usuários e 45 estações para retirada de veículos, o aluguel por hora varia entre R$ 6,90 e R$ 11,50.
Como mostra de que o serviço está chegando a todo país, a partir de 2015 começa a funcionar, em Porto Alegre, em fase de testes, o compartilhamento de carros elétricos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Criado por estudantes da pós-graduação, que montaram a startup MVM Technologies, o sistema interligará todos o campus, antes de chegar a toda a cidade. "Temos um planejamento para segunda etapa, tornando possível um serviço de escala, em Porto Alegre. Fora disso, a expansão para região metropolitana, o que é possível , temos que ver um prazo mais longo", explicou o diretor executivo da empresa, Lucas de Paris.
Para o professor do curso de pós-graduação em Transportes da Universidade de Brasília (UnB) José Augusto Abreu, o compartilhamentos de carros elétricos é eficiente em casos eventuais e tem grande potencial de melhorar a qualidade de vida na área urbana. "Temos um trânsito engarrafado, com poluição elevada e risco de acidente. Os carros elétricos são uma ótima alternativa para retirar veículos das ruas, reduzir a emissão de gases tóxicos e de barulho, pois são mais silenciosos", analisa ele, defensor também do compartilhamento de bicicletas.
Fonte: Portal Brasil
Publicado no Portal EcoDebate, 22/12/2014
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Xixi e Agricultura, artigo de Efraim Rodrigues

horta
[EcoDebate] Nesta quinta feira passei uma tarde agradável em companhia de outras pessoas que também desejam que o mundo use melhor seus resíduos para produzir comida. Foi uma tarde inteira conversando sobre como estimular a produção de composto em casa, no trabalho e onde mais for possível.
Da UFSCAR de Araras continuei a viagem para São Paulo pensando em tantos nutrientes causando problemas na água e que poderiam ser melhor aproveitados. Fiz umas contas com nosso xixi.
Ninguém gosta do cheiro, mas xixi contém muito Nitrogênio, que é um nutriente que as plantas precisam em grande quantidade para produzir proteínas.
Desde a Segunda Guerra que usamos Nitrogênio produzido em grandes indústrias, e elas consomem muita energia para retirá-lo do ar. Poluímos no passado e no presente para produzir a uréia com que a agricultura repõe o Nitrogênio retirado.
Há mais de 200 milhões de pessoas fazendo xixi todo dia em nosso país, o que soma 470 mil toneladas de Nitrogênio por ano. O que se pode fazer com isto?
Há pouco mais de um bilhão de pés de café em nosso País. Sua manutenção consome algo como 20.000 toneladas de N. Produzimos uns 18 milhões de toneladas de laranja, que consomem algo como 35.000 toneladas de Nitrogênio para sua reposição.
A conclusão é que daria para manter a citricultura e a cafeicultura com um décimo do xixi deste país.
Não gostaria de ver pessoas carregando seus excrementos pelas ruas como faziam os escravos coloniais (conhecidos como tigres por causa dos escorridos nas costas) e nem precisamos. Há inúmeros modos de tratar nossos excrementos além da via tradicional, e para que eles se tornem realidade precisamos enxergar acima e adiante de nosso quadrado.
O agricultor paga para colocar Nitrogênio em seu solo. As pessoas pagam para retirar o Nitrogênio de casa. As cidades pagam para retirar o Nitrogênio da água, e falta água para todos.
Enquanto uns puxam a corda para um lado, outros puxam para outro, e não saímos do lugar.
Aproveitar melhor nossos nutrientes não é um sonho idealista, é somente uma proposta para tornar o mundo menos insano.
Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, JICA e Vale, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores e Ecologia da Restauração, finalista do 56º Prêmio Jabuti 2014. Nos fins de semana ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico.
Publicado no Portal EcoDebate, 22/12/2014
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Edição n° 53 da revista Cidadania & Meio Ambiente está disponível para acesso e/ou download

Prezadas(os) Leitoras(es) do EcoDebate e da revista Cidadania & Meio Ambiente
Informamos que a edição n° 53 da revista Cidadania & Meio Ambiente, ISSN 2177-630X, já está disponível para acesso e/ou download na página do Portal EcoDebate.


Vejam, abaixo, o sumário da edição:
Sumário da Edição n° 53 da revista Cidadania & Meio Ambiente

As edições da revista, na versão on-line, também estão disponíveis, no formato do Acrobat Reader, para livre acesso ou download gratuito na página da revista no EcoDebate.
Desejamos a todas(os) uma proveitosa leitura.
Um abraço fraterno,
Henrique Cortez
coordenador editorial do Portal EcoDebate

Publicado no Portal EcoDebate, 16/12/2014
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

RÁDIO COMUNITÁRIA LIBERDADE FM: Caravana dos Milagres em Três Palmeiras

RÁDIO COMUNITÁRIA LIBERDADE FM: Caravana dos Milagres em Três Palmeiras: A  cidade de Três Palmeiras recebeu  no último domingo dia 23 de novembro, no Centro Municipal de Eventos a Caravana dos Milagres co...
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RÁDIO COMUNITÁRIA LIBERDADE FM: Três palmeiras - Município recebe visita do Deputa...

RÁDIO COMUNITÁRIA LIBERDADE FM: Três palmeiras - Município recebe visita do Deputa...: Na tarde da última sexta feira esteve visitando o município de Três Palmeiras o Deputado Estadual Edegar Preto, na oportunidade o mesmo este...
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Novo Barreiro - ABRAÇO região de Frederico Westphalen realiza encontro

Aconteceu no último sábado dia 22, em Novo Barreiro, o encontro regional das emissoras de rádio comunitárias da regão de Frederico Westphalen, o evento aconteceu no Plenário da Câmara de  Vereadores da quele município, onde forram deliberados diversos assuntos que são de comum interesse das emissoras, entre eles estão o choque de frequência, a capacitação das equipes de trabalho e a necessidade de uma organização ainda mais forte para resolver questões históricas enfrentadas pela emissoras como as multas impostas pela ANATEL, e indefinição do Ministério das Comunicações, com relação ao processo de flexibilização dos canais destinados as rádios, o que provoca a interferência das emissoras umas nas outras devido a proximidade das cidades.
Na oportunidade foi Criado um Grupo de Trabalho que irá estudar a viabilização de se criar uma equipe jornalistica para a profissionalização das matérias que formaram o conteúdo das emissoras.
 Ainda no evento esteve presente o Deputado Estadual Edegar Preto, que falou de seu envolvimento com as Rádios Comunitárias e seu comprometimento em colaborar com a luta das mesmas. Ouça a Gravação:
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Sinais aparecem em lavouras e viram manchetes em Jornais Catarinenses

No dia em que as atenções estavam voltadas para a obrigação eleitoral, um fato que comumente surge nesta época do ano voltou a ser destaque, assim como os questionamentos: “estamos sozinhos neste mundo?”.

Os agroglifos, aqueles famosos círculos formados em plantações de trigo, reapareceram em Ipuaçu. Já se passaram 11 meses do último registro, que inclusive foi atestado como verdadeiro por especialistas. Os novos círculos foram analisados pelo ufólogo de Xanxerê, Ivo Dohl. De acordo com o que apurou a jornalismo da Rádio Atual FM, de Concórdia, dois círculos surgiram, com diâmetro de 100 metros cada. Especialistas de Curitiba estão em deslocamento para Ipuaçu para realizar os levantamentos. O fato, desta vez, acontece em lavouras próximas ao CTG de Ipuaçu. Ufólogo de Xanxerê avalia os círculos Ivo Dohl está, durante esta tarde de domingo, dia 26, em Ipuaçu, acompanhado do editor da Revista Ufo, Ademar Gevaerd. Ele conta que o desenho é impressionante, de uma complexidade incrível e fantástico. "Estivemos conversando com algumas pessoas aqui por perto, que inclusive trabalharam durante toda a noite e confirmaram que não houve nenhum tipo de movimentação no local no sentido de identificar se foram algumas pessoas que fizeram esses desenhos.não foi visto nenhum sinal e luz no local pela complexidade dos desenho, da perfeição novamente temos estes sinais e questionamos, porque isso em ipuaçú? resposta não temos disse o ufólogo.Ivo salienta que os desenhos estão a um distancia de 300 metros entre si em diferentes plantações um dos proprietários da área de terra fechou o local para preservar as imagens para posteriores análises tecnicas, surgimento de agrolifos os circulos surgiram exclusivamente em ipuaçú entre meados de outubro e novembro de 2008 e vem se repetindo a seis anos consecutivos além de ipuaçú, os circulos com desenhos altamente complexos aparecem há quatro décadas na inglaterra.
Reprodução RICTV Meio-Oeste/ND Oeste
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Erros da campanha de Aécio

Aécio apostou na campanha do ódio e da demonização do petismo.
Como disse um marqueteiro, pregou para convertidos.
Ainda depois da derrota, um coordenador da sua campanha disse que o Brasil produtivo dera a vitória ao tucano.
É puro preconceito.
Assim como é preconceito dividir o Brasil entre nordeste e sudeste.
Aécio perdeu em dois dos três maiores colégios eleitorais do sudeste e do país: Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Perdeu em casa no primeiro e no segundo turnos. Por quê?
Quem perde em casa, não ganha campeonato nacional.
Aí a campanha do PT faturou: se quem conhece não vota, deve ter problema.
Aécio não é o mal, não é um monstro, mas, como se fosse um petista de caricatura pelo avesso, apostou na polarização, no preconceito, na radicalização e, mesmo negando, no nós contra eles que tanto simulou combater.
A campanha de Aécio ficou assim: os que trabalham contra os que supostamente não trabalham.
Os aecistas levaram, nas redes sociais, essa dicotomia às últimas consequências. Nunca se viu tanto tucano conservador, reacionário, preconceituoso e arrogante destilando ódio contra as políticas sociais do petismo.
Nem todo tucano é conservador. Mas o tucanato de centro foi engolfado pela radicalização.
Outro ponto em que Aécio não convenceu foi na sua política de moralização. O PSDB não tem moral para apontar o dedo.
Para cada acusação que fez, tomou o troco. Pessoas realmente refratárias à corrupção, fugiram do PT e do PSDB.
Os demais, na falta de melhor, deram a corrupção por empatada e decidiram por outros critérios.
A tentativa de golpe da Veja, ao que parece combinada com Aécio e por vazamento do senador tucano Álvaro Dias, foi um tiro pela culatra. Pegou mal. Ficou evidente a tentativa de manipulação. Um sociólogo francês me ligou para dizer: “Como é que o Brasil aceita um golpe desses da mídia? É trapaça. Não pode. Para nós, isso é um escândalo sem precedentes”.
Mas Aécio quase chegou lá. Se tiver paciência, será um candidato temível em 2018. Até lá, pode treinar para perder o sorriso debochado nos debates e evitar as ironias que lhe dão um ar de arrogante de elite, o que afasta eleitores sensíveis.
Perdeu, mano!
Em 2018 tem mais.
Até lá, Tia Dilma manda.
Por: Juremir Machado da Silva
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domingo, 5 de outubro de 2014

TRÊS PALMEIRAS - ELEIÇÕES 2014 RESULTADO FINAL


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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Veículo de deputado Marcon se envolve em acidente na RSC-481



Duas caminhonetes colidiram na tarde desta quinta-feira, 11, em Sobradinho. O acidente aconteceu por volta das 15 horas, na RSC-481, na localidade de Arroio Bonito, interior do município, e envolveu um veículo do deputado federal Dionilso Marcon, que estava no banco do caroneiro. 
A F-250 era conduzida por Rui Bosa, motorista do parlamentar, e colidiu contra uma Hilux SW4, conduzida por Daniel Eichner, que seguia no sentido Arroio do Tigre/Sobradinho. Com o impacto, os dois veículos saíram da pista. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. A ocorrência foi atendida pela Brigada Militar de Sobradinho.
Redação Gazeta da Serra
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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Crissiumal - Delegado disse que rato entrou durante a coleta ou embalagem do leite

Na última sexta-feira, 5 de setembro, uma consumidora procurou a Brigada Militar para relatar que um rato estava no interior de uma caixa de leite e que ela e seu filho consumiram o produto. Para relembrar a notícia clique aqui.
O delegado de Polícia de Crissiumal, Willian Garcez, disse por telefone ao site Portela Online que as formas mais prováveis que permitiram que o rato entrasse na caixa de leite foram: durante coleta ou processo de produção e embalagem, mas que somente a perícia poderá determinar.
Conforme a autoridade policial, a abertura na caixa [as de plástico que após romper o lacre serve de tampa] era muito pequena e o rato tinha dimensões maiores.
"Deixei a caixa como estava, com o rato dentro, e encaminhei tudo para o Ministério Público e Defensoria Pública para tomar as medidas cabíveis", comenta o Delegado.
A polícia divulgou também a marca e o lote do leite para que outros consumidores procurem orientações com as autoridades caso comprem estes produtos. Caixa de leite integral da marca Elegê, lote TT09IA/04:42, fabricado em 18 de agosto de 2014, com validade até 16 de dezembro de 2014.
Nota do Delegado
Uma nota foi emitida à imprensa regional pelo Delegado de Polícia William Garcez, ao meio dia desta segunda-feira, 08, com o seguinte teor:
"Sobre o recente episódio no qual uma munícipe de Crissiumal encontrou um rato dentro de uma caixa de leite, informo que após análise técnico jurídica do fato determinei a remessa da documentação ao Ministério Público e à Defensoria Pública para providências cabíveis, uma vez que o caso registrado, salvo melhor juízo, não carece de intervenção das normas punitivas do direito penal, mas sim de intervenção das normas protetivas do direito consumeirista.
É que, tratando-se de um direito transindividual, que ultrapassa a esfera de um único indivíduo, cuja espécie, de per si, não constitui um ilícito penal doloso evidente, a tutela de tal direito deve ser promovida pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública.
No entanto, como se trata de questão de saúde pública, informo que o produto entregue pela consumidora é uma caixa de leite integral da marca Elegê, lote TT09IA/04:42, fabricado em 18 de agosto de 2014, com validade até 16 de dezembro de 2014, de modo que, quem tiver acesso ao referido lote deve procurar imediatamente as autoridades locais, a fim de buscar orientações."
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O desperdício e a oferta de alimentos. Entrevista com Antonio Gomes Soares

Adequação do ponto de colheita, adaptação da embalagem ao tamanho e ao peso dos produtos, maior zelo na manipulação e no transporte e a classificação padronizada para frutas e hortaliças estão entre os pontos defendidos pelo pesquisador para redução das perdas

“Faz-se necessário o estudo da cadeia de produção e comercialização dos produtos agrícolas para identificar as causas das perdas e as possibilidades de adequar e/ou introduzir novas técnicas, a fim de minimizar essas perdas, inclusive quanto ao melhor direcionamento da produção, especialmente dos produtos frutícolas — que têm pequeno direcionamento para a indústria, exceção para a produção de laranjas. A proposta de trabalho de avaliação e identificação de perdas tem de ser bastante complexa, uma vez que se devem estudar diferentes parâmetros dentro de toda a cadeia de produção e comercialização”, defende o pesquisador Antonio Gomes Soares em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Antonio Gomes Soares é pesquisador do Laboratório de Fisiologia Pós-Colheita de Frutas e Hortaliças da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa. É doutor em Ciência de Alimentos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ e graduado em Química. Atua como pesquisador da Embrapa há 29 anos, com ênfase na área de avaliação e controle de qualidade de alimentos e tecnologia pós-colheita.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Por que se perdem tantos alimentos no Brasil? Quais são os principais fatores causadores destas perdas?
Antonio Gomes Soares – As principais causas de perdas em produtos hortifrutícolas são o manuseio inadequado no campo, embalagens impróprias, transporte ineficiente, comercialização de produtos a granel, não utilização da cadeia de frio [refrigeração em todo o processo], classificação não padronizada, contaminação, comércio no atacado ineficaz, excesso de “toque” nos produtos por parte dos consumidores, acúmulo de produtos nas gôndolas de exposição de varejo, deficiência gerencial e administrativa nos centros atacadistas e varejistas.
IHU On-Line – Quais são os alimentos mais desperdiçados? De que forma estes alimentos descartados poderiam ser aproveitados?
Antonio Gomes Soares – Em termos de perdas pós-colheita de frutas e hortaliças, muitas vezes os produtos são simplesmente descartados como lixo. Algumas vezes podem ser repassados para entidades que distribuem alimentos para pessoas carentes.
Os índices de perdas de frutos “in natura” comercializados nas Centrais de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro – Ceasa/RJ são: morango e banana, 40%; melancia, 30%; abacate, 26%; manga, 25%; abacaxi, 20%; laranja, 22%; mamão, 21%. Já os índices de perdas de hortigranjeiros “in natura” comercializadas na Ceasa/RJ são: couve-flor, 50%; alface, 45%; pimentão e tomate, 40%; repolho, 35%; alho, 30%; batata, 25%; cebola, 21%, cenoura, 20%; chuchu, 15%.
IHU On-Line – Qual é a relação existente entre a perda de alimentos e a situação de alta dos preços agrícolas constatada desde 2008?
Antonio Gomes Soares – A relação é elevada, já que gasta-se dinheiro para produzir no campo, transportar e comercializar produtos que sequer vão chegar à mesa do consumidor. Desta forma, a formação de preços leva em conta o índice de perdas dos produtos que são comercializados. Isto eleva o preço ao consumidor.
IHU On-Line – De que forma a perda de alimentos prejudica a adoção de uma política de abastecimento no Brasil?
Antonio Gomes Soares – O desperdício prejudica muito o abastecimento, uma vez que podemos estar jogando fora um índice elevado de produtos em quilogramas/habitante/ano. O Brasil ainda possui problemas relacionados à fome. O controle de preços pode passar por uma menor perda de alimentos. Podemos aumentar a oferta de alimentos sem a necessidade de aumentar a área plantada, somente diminuindo o desperdício.
IHU On-Line – O baixo nível de estoques de produtos agrícolas não potencializa a especulação no preço dos alimentos?
Antonio Gomes Soares – Pode sim. Assim como pode comprometer as exportações, uma vez que, se não estamos dando conta do nosso mercado, como iremos exportar?
IHU On-Line – Os alimentos desperdiçados poderiam ser usados para a geração de energia, por meio de biodigestores? Por que a biodigestão é pouco usada no Brasil?
Antonio Gomes Soares – O uso de alimentos desperdiçados não compensa para produção de energia ou de fertilizantes. O custo operacional é elevado e o alimento é um produto nobre para ser usado desta forma. Deve haver programas de redução do desperdício, ou pesquisas que contemplem os principais problemas e tentem resolvê-los.
IHU On-Line – A atual carência no acesso aos gêneros alimentícios se deve a deficiências de distribuição da produção atual, e não a uma produção insuficiente. De que forma esta situação é impactada pela perda de alimentos?
Antonio Gomes Soares – Faz-se necessário o estudo da cadeia de produção e comercialização dos produtos agrícolas para identificar as causas das perdas e as possibilidades de adequar e/ou introduzir novas técnicas, a fim de minimizar essas perdas, inclusive quanto ao melhor direcionamento da produção, especialmente dos produtos frutícolas — que têm pequeno direcionamento para a indústria, exceção para a produção de laranjas. A proposta de trabalho de avaliação e identificação de perdas tem de ser bastante complexa, uma vez que se devem estudar diferentes parâmetros dentro de toda a cadeia de produção e comercialização.
IHU On-Line – Que ações ajudariam a prevenir as perdas no transporte e na distribuição dos alimentos?
Antonio Gomes Soares – Alguns procedimentos devem ser cuidadosamente tomados para que essas perdas sejam drasticamente reduzidas, tais como: melhoria nos tratamentos pré e pós-colheita dos frutos e das hortaliças; adequação do ponto de colheita em relação ao mercado consumidor; padronização das dimensões da embalagem, adequando-a ao tamanho e peso dos produtos; adequação da embalagem quanto à matéria-prima de sua confecção e à sua estrutura, para proteção dos produtos hortifrutícolas; reeducação e treinamento de todo o pessoal envolvido com pré e pós-colheita, visando melhorar a manipulação e a movimentação dos produtos hortifrutícolas; realização de melhorias nos meios de transporte, visando melhor proteção física e fisiológica dos alimentos; melhor integração entre varejistas, atacadistas e produtores, visando agilizar as informações sobre a qualidade do produto e permitir intervenções de ajustes mais rápidas e precisas; desenvolvimento de subprodutos industrializados que possam encontrar nichos de mercado e permitir o melhor aproveitamento dos frutos; estabelecer um critério nacional para classificação de produtos hortifrutícolas, quantitativa e qualitativa, e que atenda à realidade do comércio atacadista e varejista.
(EcoDebate, 09/09/2014) publicado pela IHU On-line, parceira editorial do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]
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‘Jogamos fora 30% dos alimentos que compramos, metade sem nem abrir o pacote’. Entrevista com José Esquinas

José Esquinas expõe o desperdício como um grave responsável pela falta de acesso aos alimentos e ressalta que com 2% do dinheiro gasto para salvar os bancos se poderia ter acabado com a fome
Por: Gabriela Sánchez – El Diário / Tradução: Caio Coelho
Depois de trabalhar 30 anos para a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Esquinas parece tentar ajudar a erradicar a fome com cada palavra que profere. Tachado de idealista em mais de uma ocasião, é muito claro que o objetivo que persegue não é utopia: em um mundo que produz o suficiente para alimentar 50% a mais da população mundial com comida, não entende como cerca de 40 mil pessoas morrem todos os dias por não comer.
Ele não entende, mas explica e aponta as responsabilidades: a falta de vontade política impede o acesso aos alimentos em alguns países. Refere-se à falta de ação dos líderes para evitar o desperdício. Que não regula o mercado de alimentos para acabar com a especulação e continuar a permitir a apropriação de terras. Que mantém os números da “maior pandemia da humanidade” que provoca essas “mortes silenciosas”.
Como embaixador da Campanha “Alimentos com poder”, da ONG Oxfam Intermón, que coloca o devido foco na capacidade de produção de alimentos como um meio de promover o desenvolvimento sustentável, Esquinas nos acolhe com o claro desejo de falar. Aos 68 anos, depois de passar por universidades de prestígio, confessa qual foi a mais produtiva: o campo. Escolhe um professor: seu pai. Daí, talvez, vem a sua paixão pela agricultura e dedicação para atingir seu objetivo: conseguir que ninguém sofra para encher o estômago.
Eis a entrevista.
Qual é o verdadeiro poder dos alimentos?A alimentação é a base, sem alimentos não há vida. Mas não só isso, é muito mais. Um estômago vazio, uma pessoa com fome, vai usar toda sua capacidade criativa para tentar se alimentar. Nada mais.  No entanto, quando está alimentada, utiliza toda essa energia para criar, interagir, para ajudar, para ser um membro ativo da sociedade e se desenvolver como cidadão em todos os aspectos.
Quando se fala em ajudar na erradicação da fome, é muito mais do que falar em assistência social. Não consiste apenas em entregar alimentos, mas em ajudar a pessoa a se ajudar, ajudar as populações a não ter a necessidade de pedir comida, porque eles podem produzir por si próprios. Isso envolve a ideia de sustentabilidade. Estes são os alimentos com poder.
No entanto, enquanto os esforços são feitos em todo o mundo pela erradicação da fome, os números de desperdício continuam a subir.
De acordo com a FAO, há alimento suficiente para alimentar 50% a mais de pessoas no planeta. A comida existe, está no mercado internacional, mas não alcança a boca dos famintos: é um problema de acesso. Portanto, se o problema é de acesso, é determinante a falta de vontade política.
Na Espanha, hoje, em tempos de crise, somos um dos países com maior desperdício: jogamos fora 7 milhões de toneladas de alimentos por ano, o que se traduz em 165 kg por pessoa. Jogamos fora 30% dos alimentos que compramos, e o que é ainda pior: 15% dos alimentos que são comprados são jogados sem abrir o pacote. É uma questão de prioridades.
Você diz que a fome existe por uma falta de vontade política para erradicá-la. Onde está a negligência dos líderes refletida e por que você acredita que não há uma verdadeira determinação para acabar com ela? 
A fome é a maior pandemia da humanidade. Cerca de 40 mil pessoas por dia morrem de fome. Se pensarmos em qualquer outra doença, os números são absolutamente incomparáveis. Foram colocadas enormes quantidades de dinheiro para combater a gripe A. Quantos morreram ao longo dos anos investidos? 17 mil. Ou seja, menos da metade dos que morrem em um dia de fome. Se a fome fosse contagiosa, teríamos terminado com ela há muito tempo.
Quantos morreram no ataque às Torres Gêmeas? Quantos morreram nas Filipinas? Segue sendo menos do que as pessoas morrendo de fome em um único dia e, nestes casos, o mundo está virado de cabeça para baixo. Há razões para o fazer, mas seria também invertendo a lógica, no caso dos mortos por falta de comida. São mortes silenciosas.
Além do mais, com 2% do que foi gasto para resolver o problema do sistema bancário no Ocidente, poderíamos ter acabado com a fome de uma forma sustentável, incentivando a produção local. Estamos gastando em armamentos 4 bilhões de dólares por dia. Se dividirmos este valor por aqueles que morrem todos os dias, temos 100 mil euros por cada morto. Com esse dinheiro, essas pessoas poderiam viver mais de 100 anos, tendo em conta o preço dos alimentos nos países com a maior taxa de mortalidade. Em 2005, o número de obesos ultrapassou o número de famintos.
Por que a fome precisa ser vista como um problema global?
Sem a segurança alimentar, a paz não é possível, nem a segurança global: a maior ameaça à paz é a fome. Os países desenvolvidos começaram a perceber isso, introduziram pela primeira vez a questão da segurança alimentar na agenda do G8 e do G20.
A fome é um terreno fértil para os principais fatores de desestabilização que vemos no Ocidente: a violência internacional e a migração. Em um mundo globalizado, não há compartimentos estanques. Estamos em uma pequena nave espacial, circulando em torno do sol, e os recursos naturais são limitados. Se um buraco é feito nesse navio, não importa se o buraco é na África ou na Europa, você pode afundar o navio inteiro. Estamos em uma casa comum, onde, caso ocorram vazamentos e inundações na cozinha, o perigo também estará no quarto.
Um exemplo é o que aconteceu em Lampedusa . Quando muitas pessoas estão mais propensas a morrer por ficar em seu país de origem do que subindo em um barco, ninguém vai impedir que façam isso. Se um deles morrer durante a viagem, nada acontece, eles vão continuar subindo em barcos. Ninguém pode impedi-los de ir da cozinha para o quarto. Se queremos acabar com essa absoluta falta de controle, devemos ajudar a ajudar, intentar que fiquem bem onde estão e que vivam em segurança em seus países. No entanto, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento continua a cair.
E, em vez de atacar as causas, os cortes são colocados.
Isso é miopia política. Isso é como quando você aponta a lua e está olhando para o dedo. Voltemos às prioridades: em vez de incluir nos programas eleitorais questões importantes, estão a introduzir questões menores. Além disso, por uma questão humanitária, colocar cortes é um crime, você não pode condenar uma pessoa a morrer de fome, ou cortar os pulsos e sangrar até a morte em cima do muro. Isso pode ser legal, mas não moral.
O que é atualmente entendida como a especulação de alimentos? 
A especulação no mercado futuro de alimentos é marcada pela primeira crise alimentar em 2008, que teve muitas causas. Mudar hábitos alimentares nos países emergentes, a mudança climática…  Mas, sobretudo, o aumento da produção de biocombustíveis. Seu impulso em certos países provocou que em uma mesma quantidade de terra competissem dois objetivos: alimentar as pessoas e alimentar carros.
Embora venha sendo feita há décadas, a especulação de alimentos tem se intensificado desde 2008. Grandes investidores que querem fugir do mercado imobiliário encontraram refúgio na comida, pois é algo que todo mundo precisa para viver, o que a torna um bom investimento no setor.
Como é a especulação no mercado futuro de alimentos? 
Grandes instituições financeiras, com capacidade para investir, decidem que podem prever que vai elevar-se o preço dos alimentos em um determinado período de tempo. Então, quando se espera que o aumento ocorra, compram a produção do agricultor antes da coleta, ou mesmo antes da subida, sob a condição de que eles mantenham no campo o que foi cultivado, até os especuladores decidirem quando pode ser feita a coleta. Assim, solicitam que a produção do agricultor fique na terra até que tenha um preço e um comprador determinados.
O agricultor recebe um alto percentual do pagamento desses produtos antes de produzir, e quando estiver pronto, você será alertado. “Eles já estão maduros, sempre que realizamos a coleta.” O primeiro comprador considera que as exigências sobre a produção podem satisfazê-lo. Se assim for, ele aprovará a coleta. Se acha que os preços não compensam, ele pedirá ao agricultor para esperar um pouco mais, até que o agricultor diga: “Ei, o produto começa a apodrecer, o que eu faço?” Em seguida, o investidor responde: “Deixe-o apodrecer, pois assim o preço vai subir”.
Essa é a especulação do mercado futuro: deixar a comida escassear para obter preços mais altos. Isso é um crime, mas é um crime legal. Uma das soluções para acabar com a fome é regular o mercado de especulação futura dos alimentos.
Em uma ocasião, você disse que foi para a ONU, com a ilusão de ser parte do lugar onde presume-se que você pode mudar o mundo. Ainda pensa isso ou saiu decepcionado?Muitas vezes fiquei frustrado pela lentidão, burocracia, traições e por descobrir os verdadeiros ideais da FAO. Houve momentos em que eu chorei sem poder fazer nada até ver certas circunstâncias. Mas eu também vivi do outro lado. Hoje a ONU é o único fórum internacional global que pode ter discussões sobre temas específicos com atenção da mídia. Atualmente, a ONU é insubstituível. Eles não são perfeitos, mas não há nenhum outro fórum possível.
Após a Segunda Guerra Mundial, quando a instituição foi criada, foi dito: “Nós, os povos do mundo, estabelecemos um sistema para substituir as armas pelo diálogo”. Mas, no final, não foram as pessoas, e sim os governos do mundo. Os representados são os líderes dos países. Em muitos casos, eles não são democráticos, mas, apesar de serem muitas vezes os interesses de cada estado prefixados com um olho definido na próxima eleição, acima dos interesses do mundo e das gerações futuras, é importante ir além, procurar um fórum dos povos, um parlamento mundial. Não para substituir a ONU, mas para complementá-la.
(EcoDebate, 08/09/2014) publicado pela IHU On-line, parceira editorial do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]
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Japão construirá maior central solar flutuante do mundo

O fabricante japonês de sistemas fotovoltaicos Kyocera anunciou nesta quinta-feira a construção no oeste do Japão da maior central solar flutuante do mundo. Os trabalhos começarão em setembro e a exploração em abril de 2015, afirma a empresa japonesa em um comunicado. Matéria da AFP, no Yahoo Notícias.
Os painéis serão instalados em dois reservatórios de água na cidade de Kato, na prefeitura de Hyogo, e terão uma capacidade total de 2,9 megawatts divididos entre um sistema com uma potência de 1,7 MW, “o mais importante do planeta”, e outra de 1,2 MW.
O objetivo é gerar 3.300 megawatts/hora por ano, a eletricidade necessária para alimentar 920 casas, segundo a mesma fonte.
A construção de centrais solares flutuantes tenta responder à falta de terrenos compatíveis, um problema que limita as possibilidades de instalação de grandes centrais no arquipélago.
Por sua vez, os reservatórios são abundantes no país, alega a Kyocera, que espera alcançar uma potência instalada de 60 MW até março de 2015, com ao menos trinta usinas flutuantes.
O grupo criou em 2012 uma empresa conjunta com a Century Tokyo Leasing para construir e explorar centrais solares no Japão.
Desde que este projeto começou, já foram construídos 28 parques solares de diferentes tipos, 11 dos quais já estão ativos.
Desde o acidente nuclear de Fukushima, em março de 2011, que significou a parada dos reatores do país (que produziam mais de um quarto da eletricidade), o Japão tenta promover as energias renováveis, embora sem renunciar à energia nuclear.

EcoDebate, 08/09/2014
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