domingo, 25 de agosto de 2013

Aumento do uso de carvão na geração de energia ameaça metas climáticas

Aumento do uso de carvão na geração de energia ameaça metas climáticas
China e Índia lideram ranking de maiores consumidores, uso do carvão na Alemanha também cresceu. Especialistas apontam fontes energéticas renováveis como a melhor opção para limitar aquecimento global a dois graus.
Usinas termoelétricas a carvão estão em alta. Somente nos últimos dez anos, o consumo de carvão aumentou mais de 50%. Segundo uma pesquisa da companhia de energia BP, mais de 5 bilhões de toneladas da matéria-prima foram consumidas em 2012.
A explosão no consumo elevou as emissões de dióxido de carbono resultantes da queima de carvão para 14 bilhões de toneladas – isso significa cerca de 2 toneladas por habitante no mundo. Para o especialista em energia a carvão e proteção climática do Greenpeace Gerald Neubauer, essa tendência é “absolutamente dramática e equivocada”.
Segundo ele, ainda não há planos para o fim da utilização dessa matéria-prima na geração de eletricidade. Pelo contrário. “No mundo inteiro, planeja-se a construção de mais de mil novas termoelétricas desse tipo”, destacou em entrevista à DW.
Os principais consumidores de carvão são a China e a Índia, onde o consumo dobrou nos últimos dez anos. Em contrapartida, houve uma diminuição da utilização desse recurso nos Estados Unidos. Para Neubauer, essa redução está relacionada, principalmente, às severas leis de emissão para termoelétricas a carvão.
Queda nos preços dos créditos de carbono
Energia solar e eólica são as alternativas para o futuro, apontam especialistas
Apesar do boom da produção de energia a partir de fontes renováveis, a utilização do linhito, um tipo de carvão, como fonte energética aumentou bastante na Alemanha. O principal motivo é a queda dos preços dos créditos de carbono na Europa, ou seja, do preço pago para poder emitir dióxido de carbono. De 30 euros por tonelada de dióxido de carbono, em 2008, o valor caiu para 4 euros por tonelada. E sobretudo o linhito tornou-se rentável para companhias energéticas.
Enquanto isso, a maioria das termoelétricas a gás – que produzem apenas um terço das emissões de dióxido de carbono por quilowatt de energia em comparação com as movidas a carvão – estão paradas.
Em meio a esse cenário, em 2012, o consumo de carvão na Alemanha aumentou 4% em relação ao ano anterior, e as emissões de dióxido de carbono cresceram 2% no país.
Energia limpa e barata
Especialistas apontam que o aumento massivo das emissões de dióxido de carbono por meio da queima de carvão prejudica as metas climáticas para os próximos anos. Os países que participam de acordos para reduzir as mudanças climáticas se comprometeram a limitar o aquecimento global a, no máximo, dois graus.
Para que esse objetivo seja cumprido, Neubauer pede o fim das construções de usinas termoelétricas a carvão. “Em vez disso, deve-se investir em fontes energéticas renováveis e, como tecnologia de transição, em usinas movidas a gás natural”, afirma o especialista do Greenpeace.
A companhia de energia alemã RWE acredita que o futuro são as fontes renováveis, entretanto, mantém sua produção baseada no linhito. “Estamos tornando as termoelétricas a carvão mais eficientes. O próximo passo é desenvolver um procedimento para a separação do dióxido de carbono”, explica Hans-Wilhelm Schiffer, diretor de políticas econômicas e científicas da RWE.
Com o processo de separação, a RWE pretende depositar o dióxido de carbono no subsolo, evitando, assim, as consequências prejudiciais para o clima. “Temos uma usina piloto e, se ela for bem sucedida, a utilização do carvão para gerar eletricidade não estará em desacordo com a proteção climática”, diz Schiffer.
Manfred Fischedick, diretor do grupo de pesquisa sobre futuras estruturas energéticas e de mobilidade do Instituto Wuppertal, na Alemanha, não acredita no sucesso da técnica de separação de dióxido de carbono.
“A falta de aceitação inviabiliza a implementação da técnica”, afirma Fischedick. Além de poder ser implementada em grandes usinas somente a partir de 2025, a técnica é cara. “Os equipamentos necessários elevariam os preços da eletricidade entre 60% e 80%”, diz o pesquisador.
Com um preço de no mínimo 13 centavos de euro por quilowatt, a energia elétrica produzida com a técnica de separação não seria competitiva na Alemanha. Atualmente, usinas eólicas produzem energia por cerca de 7 centavos de euro por quilowatt, e painéis solares, por 10 centavos.
China está entre os maiores consumidores de carvão do mundo
Segundo Fischedick, para que as metas de proteção climática sejam alcançadas com baixos custos, é preciso ampliar a produção de energia a partir de fontes renováveis e o potencial de eficiência energética.
“Essas são, a meu ver, as duas estratégias chave para o sucesso de uma geração de energia segura e ecológica”, afirma o pesquisador.
Futuro sem carvão
Claudia Kempfert, especialista do Instituto Alemão para Pesquisas Econômicas (DIW, na sigla em alemão), também não acredita no futuro da técnica de separação de dióxido de carbono, devido aos altos custos e à aceitação. “As fontes energéticas renováveis são as únicas opções para uma economia de energia sustentável e com menos dióxido de carbono”, afirma.
Para Neubauer, a técnica de separação de dióxido de carbono também chegou muito tarde como solução para o problema climático. Segundo o especialista, a Alemanha deve implementar legalmente o fim da energia a carvão. Perante o problema climático, uma redução drástica dessa forma de produção é essencial, acrescenta.
Neubauer espera que os preços da energia a partir de fontes renováveis caiam nos próximos anos, contribuindo, assim, para o aumento dessa forma de produção.
Matéria de Gero Rueter (cn), da Agência Deutsche Welle, DW, publicada pelo EcoDebate, 02/08/2013

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