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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Separação do lixo doméstico não exige muito tempo e ajuda na sobrevivência de muita gente

Mudança de hábito - Foto de Paulo de Araújo/MMA


Mudança de hábito – Foto de Paulo de Araújo/MMA

Mudar alguns hábitos incorporando pequenas atitudes que envolvem consciência ambiental pode ter um grande impacto na preservação do meio ambiente. Um exemplo disso é a separação do lixo doméstico. No começo, pode parecer trabalhoso, pois envolve uma mudança de postura e um cuidado diferencial com os resíduos, como enxaguar as caixinhas de suco e leite, por exemplo. Mas depois do primeiro passo essa ação passa a ser automática. “Passa a fazer parte da rotina e não leva mais do que 30 segundos”, explica Vera Lúcia de Oliveira, dona de casa que separa o lixo doméstico há alguns anos.
O Dia do Consumo Consciente, comemorado em 15 de outubro, é um incentivo para a sociedade começar essa e outras pequenas mudanças que podem ter grandes resultados: separar o lixo, economizar água, minimizar as emissões de poluentes na atmosfera, comprar apenas o que realmente é necessário e escolher empresas que tenham responsabilidade social e ambiental.
Apesar da coleta seletiva ainda não estar implantada em todos os municípios do país, há, em muitos locais, cooperativas que recolhem os resíduos que são separados nas residências e dão a eles a destinação adequada: a reciclagem. No processo, o lixo é tratado como matéria-prima que será reaproveitada para fazer novos produtos. Além de diminuir a quantidade de lixo que vai para os aterros sanitários, os recursos naturais são poupados, reduz a poluição, além de gerar empregos e renda.
SEM VIDROS E PNEUS
Em Ceilândia, cidade satélite de Brasília, a Associação Recicle a Vida, recebe, em média, 25 toneladas de resíduos por mês. Lá, só não são recolhidos vidros e pneus. Vários catadores da Ceilândia entregam os resíduos coletados nesta associação. Vinte e quatro pessoas trabalham dentro do prédio da associação, recebendo, separando e preparando os resíduos que são prensados e armazenados em fardos e são vendidos para a indústria. Além do lixo doméstico, a Recicle a Vida recebe o lixo de oito escolas, públicas e particulares, de Ceilândia. “Já chegamos a recolher lixo de 14 escolas, mas quando muda a direção algumas pessoas não priorizam a coleta seletiva e abandonam o projeto”, relatou a presidente da Associação Recicle a Vida, Cláudia Maria Alves de Moraes.
Os catadores e a própria presidente da associação visitam casas da região e orientam os moradores na coleta seletiva do lixo, mostrando a importância dessa prática para o meio ambiente e também para essas pessoas que vivem dessa renda. “Muitas casas que nós visitamos passam a entregar os resíduos sempre para a gente, ficam fixas”.
Cláudia já viu a vida de muitas pessoas mudarem graças à coleta desses resíduos: “Aqui tem muito ex-morador de rua, muita gente que não tinha renda, não tinha como se sustentar e agora recebe uma quantia boa, da forma que melhor lhe convier, semanalmente, quinzenalmente ou por mês”. Segundo ela, os catadores recebem, em média, um salário mínimo e meio. “Depende do mês. Tem mês que eles tiram bem mais que isso”.
O QUE É RECICLÁVEL
Pode ser reciclado todo o resíduo descartado que constitui interesse de transformação de partes ou o seu todo. Esses materiais poderão retornar à cadeia produtiva para virar o mesmo produto ou produtos diferentes dos originais. Por exemplo: folhas e aparas de papel, jornais, revistas, caixas, papelão, PET, recipientes de limpeza, latas de cerveja e refrigerante, canos, esquadrias, arame, todos os produtos eletroeletrônicos e seus componentes, embalagens em geral e outros.
Como separar o lixo doméstico?
Não misture recicláveis com orgânicos – sobras de alimentos, cascas de frutas e legumes. Coloque plásticos, vidros, metais e papéis em sacos separados.
Lave as embalagens do tipo longa vida, latas, garrafas e frascos de vidro e plástico. Seque-os antes de depositar nos coletores.
Papéis devem estar secos. Podem ser dobrados, mas não amassados.
Embrulhe vidros quebrados e outros materiais cortantes em papel grosso (do tipo jornal) ou colocados em uma caixa para evitar acidentes. Garrafas e frascos não devem ser misturados com os vidros planos.
O que não vai para o lixo reciclável?
Papel-carbono, etiqueta adesiva, fita crepe, guardanapos, fotografias, filtro de cigarros, papéis sujos, papéis sanitários, copos de papel. Cabos de panela e tomadas. Clipes, grampos, esponjas de aço, canos. Espelhos, cristais, cerâmicas, porcelana. Pilhas e baterias de celular devem ser devolvidas aos fabricantes ou depositadas em coletores específicos.
Outras dicas:
Papéis: todos os tipos são recicláveis, inclusive caixas do tipo longa-vida e de papelão. Não recicle papel com material orgânico, como caixas de pizza cheias de gordura, pontas de cigarro, fitas adesivas, fotografias, papéis sanitários e papel-carbono.
Plásticos: 90% do lixo produzido no mundo são à base de plástico. Por isso, esse material merece uma atenção especial. Recicle sacos de supermercados, garrafas de refrigerante (PET), tampinhas e até brinquedos quebrados.
Vidros: quando limpos e secos, todos são recicláveis, exceto lâmpadas, cristais, espelhos, vidros de automóveis ou temperados, cerâmica e porcelana.
Metais: além de todos os tipos de latas de alumínio, é possível reciclar tampinhas, pregos e parafusos. Atenção: clipes, grampos, canos e esponjas de aço devem ficar de fora.
Isopor: Ao contrário do que muita gente pensa, o isopor é reciclável. No entanto, esse processo não é economicamente viável. Por isso, é importante usar o isopor de diversas formas e evitar ao máximo o seu desperdício. Quando tiver que jogar fora, coloque na lata de plásticos. Algumas empresas transformam em matéria-prima para blocos de construção civil.
Matéria de Rafaela Ribeiro, do MMA, publicada pelo EcoDebate, 18/10/2012

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