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domingo, 7 de abril de 2013

Dissertação aponta que modelo de desenvolvimento afeta segurança alimentar


“As propostas políticas do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) encontram desafios da ordem do orçamento e da burocracia. No entanto, seu principal obstáculo é o modelo de desenvolvimento brasileiro estritamente focado no crescimento econômico, que deixa de lado aspectos relacionados à saúde e à segurança alimentar e nutricional da população”. Essa é a conclusão da nutricionista Isabela Fleury Sattamini, que acaba de apresentar sua dissertação de mestrado em saúde pública e meio ambiente na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), intitulada Segurança alimentar e nutricional no Brasil: análise das propostas políticas do Consea de 2004 a 2007.
 Para a autora, deve ser abordada de forma intersetorial e necessita de ações estruturantes, que alterem o sistema que determina as condições sob as quais as pessoas realizam suas escolhas alimentares  
Para a autora, deve ser abordada de forma intersetorial e necessita de ações estruturantes, que alterem o sistema que determina as condições sob as quais as pessoas realizam suas escolhas alimentares

A segurança alimentar e nutricional ganhou espaço de destaque no governo, desde 2003, com a criação do Consea, que aborda as questões relativas ao tema enfrentando o modelo hegemônico de desenvolvimento brasileiro. Segundo Isabela, o panorama atual é animador, observam-se avanços, mas os desafios históricos ainda persistem. “A questão da fome e da desnutrição é contemplada por políticas específicas, embora ainda não tenha sido erradicada e prevaleça, principalmente, entre populações mais vulneráveis, como os indígenas”, destacou.
A nutricionista afirmou que um problema atual e crescente é a obesidade, que também representa situação de alimentação inadequada à saúde e à segurança alimentar. Para Isabela, a questão deve ser abordada de forma intersetorial e necessita de ações estruturantes, que alterem o sistema que determina as condições sob as quais as pessoas realizam suas escolhas alimentares, e não apenas ações emergenciais. Isabela acrescentou que a natureza da segurança alimentar e nutricional envolve aspectos políticos, econômicos, sociais, ambientais, da ordem do direito, da educação e da saúde.
Entre as perspectivas apontadas pela pesquisa, destaca-se a necessidade de um olhar interdisciplinar sobre o tema, no qual haja diálogo entre todas as partes interessadas. “O olhar analítico comprometido com questões de justiça social é fundamental nas pesquisas de segurança alimentar e nutricional. Atualmente, é importante o desafio da obesidade infantil e ações como a luta pela regulação da publicidade de alimentos para crianças”, defendeu.
Isabela Fleury Sattamini é formada em nutrição pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e editora-assistente na World Public Health Nutrition Association. A orientadora principal de sua dissertação foi Elvira Maria Godinho de Seixas Maciel e a segunda orientadora, Tatiana Wargas de Faria Baptista, ambas pesquisadoras do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da Ensp/Fiocruz.
Informe Ensp / Agência Fiocruz de Notícias, publicado pelo EcoDebate, 04/04/2013

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