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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Davos e o perigo da ociosidade imposta, artigo de Benedicto Ismael Camargo Dutra

artigo

[EcoDebate] Na natureza tudo é atividade progressiva. O trabalho faz parte da vida, no entanto, estamos diante uma grave situação. Conforme relatório da Organização Internacional do Trabalho, em 2013 o desemprego mundial atingirá mais de 202 milhões de pessoas. A ociosidade é um perigo, tanto para idosos como para os jovens.
Calcula-se que 73,8 milhões de jovens, entre 15 e 24 anos, estão desempregados. Calcula-se que ate 2014 mais 500 mil jovens estarão sem emprego. O que fazer para dar atividade aos jovens sem ocupação? Se o sistema globalizado não cria empregos, algo precisa ser feito para que esses jovens se sintam úteis e não caiam no desânimo.
No caso dos idosos, a perda da colocação ou aposentadoria, abre um vazio que tende à depressão e ao abandono. O vazio existencial os levam ao limite do ser. Nesse caso as mulheres se adaptam melhor porque têm redes sociais de proteção mais forte, elas se relacionam melhor com as amigas e se engajam mais facilmente do que os homens em atividades domésticas e comunitárias, dando-lhes um sentido de participação mais efetiva. Homens e mulheres deveriam aproveitar essa fase para a compreensão da vida sem comodismo. Segundo Abdruschin, a velhice deveria se constituir num estímulo para a ascensão espiritual. É um chamado da eternidade que as atinge para a busca da Luz da Verdade.
O articulista Jamil Chade disse que o Brasil ocupa o 4º lugar como destino de capitais globais, tendo recebido em 2012 cerca de 65,3 bilhões de dólares. Informou também “que sentados sobre US$ 6 trilhões, as multinacionais simplesmente fecharam suas torneiras em 2012”. É muito dinheiro parado. Quando a circulação fica estagnada, as máquinas emperram e os empregos se reduzem. Há solução para isso? Como esse dinheiro poderia circular sem desorganizar a economia promovendo progresso real?
Em Davos, mais uma vez a elite econômica se reuniu para debater a situação. Diante do cenário difícil, com a recuperação ainda lenta da economia da União Européia. Surgiram pronunciamentos animadores quanto à recuperação apesar das elevadas dívidas soberanas. No Brasil o endividamento público é uma praga. Muitos prefeitos tomam ciência da inviabilidade financeira das prefeituras, uma verdadeira irresponsabilidade da gestão de finanças públicas. A diretora do FMI, Cristine Lagarde, disse que precisamos hoje de um “momento novo na história”, que engloba valores de uma nova era, com mais inclusão e solidariedade entre as nações, mais inclusão e solidariedade entre as pessoas e mais responsabilidade dos responsáveis pela economia global.
O Fórum Econômico deveria ir além das questões econômicas, pois afinal a economia é para atender as necessidades da humanidade. Temos de levar em conta a necessidade da boa educação, aquela que desperta a solidariedade. Os jovens precisam aprender a viver de um modo que o ganho de um, não represente a perda do outro. Precisam aprender a agir com responsabilidade.
Estamos enfrentando crises em todos os setores da vida humana. Da economia ao meio ambiente. Dos conflitos regionais à violência urbana. Enfim, ainda estamos muito distantes daquela evolução humana que possibilitaria a convivência harmoniosa e pacífica, tornando as condições de vida cada vez melhores e o nosso entorno com mais beleza, resultante da atuação de seres humanos evoluídos. Precisamos e uma nova visão, a era do ser humano humanizado.
Nessa situação todo esforço educacional poderá dar melhores resultados se as pessoas se preocuparem com desenvolvimento da qualidade humana, o que as capacitaria para melhor discernimento, visão de conjunto, bom senso. Necessitamos formar líderes de bom senso, que tenham percepção intuitiva da situação, evitando os pontos críticos que levariam ao fracasso.
Sobre o autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, coordenador dos portais Library e Vida e Aprendizado. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida, da busca pela boa formação pessoal e do contínuo aprendizado, indispensável ao aprimoramento humano. Autor dos livros: “Nola, o Manuscrito que Abalou o Mundo”, “Conversando Com o Homem Sábio”, “O Segredo de Darwin” e “2012… e Depois?”.
Colaboração de Bruna Rossefini, para o EcoDebate, 07/02/2013

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