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terça-feira, 3 de julho de 2012

Crianças que levam surras na infância têm maiores chances de desenvolver doenças mentais quando adultas


Punição física pode elevar chances de transtornos mentais. Há ainda registros de distúrbios de humor e ansiedade e de problemas com o uso abusivo de álcool e drogas.
O estudo [Physical Punishment and Mental Disorders: Results From a Nationally Representative US Sample] liderado por canadenses, divulgado nesta segunda-feira (2), é o primeiro a examinar a relação entre problemas psicológicos e danos físicos para medir, de forma isolada, os efeitos da punição física. Agressões mais graves ou abuso sexual foram desconsideradas. Matéria da France Presse, no UOL Notícias.
Segundo a equipe, as pessoas que apanharam quando eram crianças apresentaram uma probabilidade entre 2% e 7% maior de sofrer de doenças mentais. A pesquisa, publicada na revista “Pediatrics”, sondou mais de 600 adultos nos Estados Unidos para chegar a esse resultado.
A taxa parece pequena, especialmente porque cerca de metade da população americana afirma ter apanhado na infância. No entanto, fornece indícios que os castigos físicos podem levar a consequências futuras.
“O estudo é importante porque sugere uma reflexão sobre a paternidade”, diz o psiquiatra de crianças e adolescentes Victor Fornari, diretor do Sistema Judaico de Saúde de North Shore-Long Island, em Nova York, que não esteve envolvido no trabalho.
Os pesquisadores destacaram que o estudo não garante que os castigos físicos tenham sido a causa das doenças em alguns adultos, e sim que há uma ligação entre as lembranças relacionadas a essas punições e uma maior incidência de problemas mentais.
ATOS VIOLENTOS
Pesquisas prévias já demonstraram que crianças abusadas fisicamente eram mais propensas a ter distúrbios mentais e adquirir um comportamento agressivo no futuro que crianças que não apanharam.
Entretanto, essas abordagens anteriores geralmente lidavam com abusos mais graves. A atual exclui o abuso sexual e qualquer outro abuso físico que deixe hematomas, cicatrizes ou ferimentos. No lugar, ele foca em outros castigos físicos, como empurrões, agarrões, tapas ou palmadas.
Dos entrevistados, de 2% a 5% sofriam de depressão, ansiedade, transtorno bipolar, anorexia ou bulimia, o que pode ser atribuído aos castigos na infância.
Já entre 4% e 7% afirmaram problemas mais sérios, incluindo transtornos de personalidade, TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) e dificuldades de raciocínio.
O estudo serve ainda para lembrar que existem outras opções para disciplinar as crianças, como o reforço positivo e a proibição de algum lazer, algo mais aconselhado pelos pediatras.
“O fato é que metade da população (americana) apanhou no passado. Há maneiras melhores de os pais disciplinarem as crianças”, opinou Fornari.
Physical Punishment and Mental Disorders: Results From a Nationally Representative US Sample
http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2012/06/27/peds.2011-2947.full.pdf+html
EcoDebate, 03/07/2012

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